Eles pedem o voto em nome de Deus (e da Igreja)

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Os partidos que disputam a Prefeitura de São Paulo fazem planos para fechar acordos com o maior número possível de igrejas, embora ninguém saiba ao certo o peso do “voto religioso”. Líderes de PT, PSDB e PMDB afirmam que a aproximação busca tanto o apoio eleitoral quanto uma “política da boa vizinhança” que apare arestas do candidato.

Antes de outubro passado, limite para a filiação de candidatos, as legendas abriram espaço para que pastores disputem o cargo de vereador. Certas parcerias são firmadas “naturalmente”. Fernando Haddad contará com o tradicional apoio da esquerda católica ao PT;  já Gabriel Chalita (PMDB) é ligado à Renovação Carismática Católica.

Grande parte das conversas, porém, ficou para este ano. Com o cenário político indefinido, as igrejas mantêm distanciamento protocolar. “O pastor mantém a neutralidade o máximo que pode. Por que vai pedir voto antes da hora e correr o risco de alguém da congregação simpatizar com o adversário?”, diz o evangélico Carlos Apolinário, vereador pelo DEM.

Igrejas são cobiçadas porque o púlpito pode converter-se em palanque, com uma vantagem sobre comícios: os templos têm público cativo. As igrejas pentecostais representam apenas cerca de 11% da população da cidade, mas são muito procuradas.

Um atrativo dessas igrejas em São Paulo é a penetração na periferia, à qual muitos partidos não têm acesso. Para entrar lá, é mais fácil contar com um pastor, que já tem ascendência sobre os fiéis, do que mobilizar a militância. “Os pentecostais estão em regiões com nível de escolaridade menor, então é mais fácil construir um discurso”, diz Cesar Romero Jacob, cientista político da PUC-Rio. Isso não quer dizer, porém, que pastores consigam impor um “voto de cabresto religioso”.

PODER DE VETO – Para o sociólogo Antônio Flávio Pierucci, da USP, a maior influência das igrejas é o poder de veto. “Não existe voto religioso no sentido de um grupo votar em quem o pastor manda”, diz ele, “mas a religião pode levar o cidadão a não escolher determinado candidato que apoia bandeiras contrárias a sua fé”. Para ele, os temas municipais não são os que mobilizam os religiosos, como aborto e casamento gay.

Em 2010, a campanha presidencial foi marcada pelo debate sobre a legalização do aborto. José Serra (PSDB) ganhou apoio da ala conservadora do catolicismo e de igrejas evangélicas na disputa com Dilma Rousseff (PT). Siglas menores também apostam nas igrejas na eleição paulistana. É o caso do PSC, próximo da Assembleia de Deus, e do PRB, ligado à Igreja Universal, que lançou Celso Russomanno como pré-candidato a prefeito.

*Uirá Machado – Folha de São Paulo (16/01/12)

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