Arquivo mensal: março 2012

30 de março – Dia Mundial da Juventude

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O Dia Mundial da Juventude foi criado pela ONU no Ano de 1985. O objetivo deste dia é justamente mobilizar os jovens a fim de instigá-los a querer crescer em conhecimento, envolvê-los na promoção de práticas de respeito, diálogo e entendimentos mútuos, para o fortalecimento de uma nova cultura de paz.

Para entendermos como anda a nossa juventude, seguem alguns dados que permitem entender e conhecer um pouquinho melhor a situação dos jovens no Brasil:

Quem e quantos nós somos?

  • Mais de 34 milhões de jovens entre 15 e 24 anos no Brasil, segundo o Censo 2000 do IBGE;
  • 50% de homens e 50% de mulheres nesta faixa etária;
  • 6,3 milhões destes jovens residem na zona rural;
  • 16,2 milhões são pretos ou pardos;
  • 145 mil são indígenas;
  • 60% dos presos do país têm entre 18 e 29 anos, segundo dados de 2007 do Ministério da Justiça.

 Como pensamos e agimos?

  • O Brasil é o 2º lugar no ranking do pessimismo do jovem quanto ao futuro, perdendo apenas para a Colômbia (Unicef);
  • No entanto, 84% dos jovens pesquisados pelo Instituto Cidadania acreditam no próprio poder de transformar o mundo;
  • 13 milhões de jovens brasileiros já participaram ou participam de alguma forma associativa (movimentos sociais, ONGs, sindicatos, partidos políticos etc), segundo estudo da UNESCO de 2004;
  • Entretanto, apenas 2% dos jovens pesquisados pelo Instituto Cidadania participam de algum trabalho social ou no bairro; 20% quer fazer; 10% pensou, mas desistiu; 68% nunca pensou em fazer;

 Os números da educação

  • 51,4 % dos jovens do Brasil não freqüentam a escola;
  • 1,2 milhões de jovens brasileiros são analfabetos;
  • Pesquisa do Instituto Cidadania revelou que para 74% dos jovens a escola é importante para entender a realidade;
  • 17 milhões de jovens não estudam;
  • Apenas 1% dos jovens universitários são pretos; 15% são pardos (Censo 2000); 0,1% são indígenas;

 Trabalho e renda

  • 88 milhões de jovens sem emprego no mundo, segundo a OIT ;
  • Nos países latino-americanos, o número absoluto de jovens sem emprego passou de 6,5 milhões em 1993 para 9,4 milhões;
  • 3,7 milhões de jovens brasileiros sem trabalho, o que representa 47% do número total de desempregados no Brasil ;

 A violência entre nós

  • 43% das crianças e adolescentes da América Latina se sentem inseguros no lugar onde vivem, segundo pesquisa “A Voz das Crianças”;
  • 102 jovens do sexo masculino assassinados a cada 100.000 habitantes no Brasil, segundo compilação de estudos do Banco Mundial;
  • 61% das escolas privadas brasileiras e 65% das públicas oferecem um ambiente inseguro, segundo estudo da Unesco;
  • Cerca de 4% dos estudantes entrevistados disseram que têm ou tiveram uma arma de fogo, e 70% desses (quase 130.000 estudantes) relataram que essas armas eram para uso nas escolas;
  • Entre janeiro de 2000 e janeiro de 2003, houve 1.547 registros de abuso sexual (aproximadamente 50% na região Sudeste do país e 25% no Nordeste);
  • 75% das vítimas eram mulheres e 18% eram homens, sendo que a maior parte das vítimas femininas tinha entre 12 e 18 anos de idade;

Afinal, de que adianta ser a oitava (ou sétima, segundo alguns) economia do mundo, com cerca de US$ 1,9,  se o sistema econômico é incapaz de absorver o contingente de jovens que ingressa no mercado de trabalho anualmente? E o mais grave, exige cada vez mais qualificação, oferecendo remuneração cada vez mais baixa, subtraindo esperança da nova geração. Sem contar que existe um grave quadro de violência nacional nos grandes centros metropolitanos na faixa de menores de 25 anos, aumentando a casa dia o extermínio de jovens que tinham um futuro pela frente, interrompido pela falta de segurança e políticas públicas  que o defendam e lhe propiciem o necessário para uma vida digna.

Pois é… Ainda há muito que ser conquistado por nós jovens!!!

A mudança… está em nossas mãos!!!

 

Uma ótima sexta-feira e final de semana à todos! Axé!!!

 

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Você trabalha para viver ou vive para o trabalho?

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Ao contrário do que parece, esta questão não é daquelas sem resposta, como a que envolve o nascimento do ovo e da galinha. Segundo estudo do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), quase metade dos brasileiros, 45,4%, diz que não se desliga do trabalho após a jornada fixada pela empresa. Transportando o percentual para o mercado de trabalho santista, aproximadamente 82 mil assalariados ou autônomos permitem que as tarefas laborais os acompanhem na volta para casa.

Dos que dizem continuar trabalhando além do expediente, 26% têm de ficar de prontidão para atividades extras, 8% planejam ou desenvolvem atividades referentes ao trabalho via internet ou celular e 7,2% procuram aprender coisas sobre o trabalho.

Um dos reflexos de se prolongar o tempo de trabalho é a percepção, óbvia e cada vez mais comum, de que o tempo livre está encurtando. É o que pensam 37,7% dos entrevistados. Não por acaso, apenas 29,7% conseguem assumir outros compromissos regulares, como ir a igreja, praticar esportes ou outro tipo de atividade freqüente não remunerada.

Mudanças recentes no cenário brasileiro da relação capital/trabalho deveriam surtir efeitos contrários. Uma destas modificações é a redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais, em 1988, com ganho de quase uma de descanso pó dia útil dos assalariados. Se o Brasil só faz crescer a quantidade de carteiras assinadas, não deveria concentrar uma quantidade muito maior de funcionários satisfeitos com sua atividade e com sua qualidade de vida?

Embora ilustre uma contradição aos dados do IPEA, a questão se explica na própria pesquisa. Segundo o técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto, André Gambier, apesar de a jornada ter diminuído, o trabalho invade a vida das pessoas de forma crescente, ainda mais agora que existe o chamado “teletrabalho” ou trabalho remoto, que permite a continuidade das tarefas laborais à distância.

*Expresso Popular

Protestos contra a tortura mobilizam centenas de jovens em todo o país

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“Eu vejo que a juventude tem muito amor, carrega esperança viva no seu cantar, conhece caminhos novos não tem segredos…Anseia pela JUSTIÇA e deseja a PAZ…”

Organizado pelo Levante Popular da Juventude, o apoio à Comissão da Verdade se transformou em um ato que mobiliza centenas de manifestantes, nas últimas 42 horas, nas principais capitais do país. A onda de protestos tem  o intuito de expor, publicamente, participantes diretos da violência repressiva, com atos próximos aos locais onde vivem os acusados durante a ditadura militar.

A Comissão da Verdade, aprovada e sancionada no ano passado, ficará a cargo de investigar, com acesso livre a documentos, casos de violação aos direitos humanos durante o período de 1946 a 1988.  Para sair do papel, a comissão precisa agora que seus integrantes sejam escolhidos pela presidenta Dilma Rousseff.

— Foi justamente por conta do processo que está se formando em torno da Comissão da Verdade que a gente decidiu fazer esse ato. Primeiro por conta de crimes pelos quais alguns militares são acusados e processados e que não são de conhecimento da população. Também queremos fazer com que a sociedade se posicione a esse respeito, por ser uma passagem sombria da nossa história e que precisa ser resgatado – ressaltou a estudante.

Para Lira Alli, estudante paulista, o importante do ato, conhecido como “escracho” e realizado originalmente na Argentina, é levantar questões do passado que não são discutidas e abordadas em sala de aula.

— A gente já vinha há algum tempo pensando em realizar ações deste tipo, inspirados, especialmente, no que a juventude de outros países da América Latina já vem fazendo, explicou Alli.

Jovens reuniram-se na manhã de segunda-feira em Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre para protestar contra torturadores que participaram de ações de repressão durante a ditadura no Brasil (1964-1985).

Em São Paulo, com a participação de 200 estudantes, o alvo dos protestos foi o delegado aposentado do antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), David dos Santos Araujo, que hoje tem uma empresa de segurança privada. “Capitão Lisboa”, como era conhecido à época, é acusado, por uma ação civil pública do Ministério Público Federal, de envolvimento na tortura e morte de Joaquim Alencar de Seixas.

*Correio do Brasil

SUS do B: O sistema verdadeiramente único!

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Há oito dias, José Sarney presidiu no Senado uma cerimônia de celebração à Campanha da Fraternidade da CNBB, batizada neste ano de ‘Fraternidade e Saúde Pública’. Ao discursar, Sarney lamentou que os patrícios ainda tenham de lidar com um serviço de saúde doente.

“A Campanha da Fraternidade tem razão quando diz que o SUS ainda não conseguiu ser implantado em sua totalidade e ainda não atende a contento, sobretudo os mais necessitados desse serviço. Infelizmente, nós lidamos com a ausência de recursos e os investimentos não acontecem na escala necessária.”

O lamento de Sarney não vale para o Senado, a Casa que preside pela quarta vez. Ali, funciona uma espécie de ‘SUS do B’, um sistema de saúde verdadeiramente único e universal. Oferece todos os privilégios e regalias que o dinheiro do contribuinte pode pagar. No Brasil e no exterior.

O repórter Chico de Gois leva às páginas notícia sobre esse SUS dos sonhos. Sem desembolsar um mísero centavo, os senadores e seus dependentes dispõem de assistência médica pelo resto da vida. Não há carências nem limite de gastos. Basta apresentar a nota. Vale tudo, inclusive conta de dentista.

Há casos em que os reembolsos ultrapassam a casa dos R$ 100 mil anuais. Desde 2007, os ressarcimentos sorveram das arcas do Tesouro R$ 17,9 milhões. Incluindo-se os ex-senadores, a conta é engordada em R$ 72, bilhões. Salta, então, para R$ 25,1 milhões.

Sim, acredite, o seu dinheiro custeia também as consultas e os exames dos ex-senadores. Para desfrutar do “direito” de desafiar a paciência alheia, os pacientes do Senado nem precisam passar pelo inconveniente das urnas. Um suplente sem votos escala o Éden depois de exercer o mandato por escassos seis meses.

Para os ex-senadores, o ‘SUS do B’ impõe um teto de despesas: generosos R$ 32.958,12. Mas esse limite é frequentemente ultrapassado. Em 2008, o ex-senador Moisés Abrão Neto (PDC-TO) espetou na bolsa da Viúva despesas médicas de R$ 109.267.

No ano anterior, 2007, o ex-senador Divaldo Suruagy (PMDB-AL), fora do Senado desde 1994, teve ressarcida uma conta do dentista: R$ 41.500. De volta a 2008, contribuinte pagou R$ 67 mil pelo tratamento dentário da mulher do ex-senador Levy Dias (DEM-MS).

Há casos que, por inexplicáveis, dispensam explicações. Certos ex-senadores apresentam faturas médicas que coincidem com o teto de R$ 32,958,12. Valor exato, cravado até nos centavos. Foi o que sucedeu com pelo menos três ex-senadores: Lúdio Coelho (2009); Levy Dias, de novo ele (2010); Carlos Magno Barcelar (2011); e Antonio Lomanto Júnior (2011).

Afora os ressarcimentos de tratamentos privados, os senadores dispõem, no prédio do Senado, de um posto de saúde. Coisa fina, indisponível em muitos municípios brasileiros. Tratados assim, terão vida longa –os senadores, os ‘ex’, e a conta imposta aos contribuintes em dia com o fisco.

*Josias de Souza(Blog do Josias- UOL)

JMJ e Campanha da Fraternidade 2013: dois marcos para a juventude do Brasil

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Dois mil e treze será um ano importantíssimo para a juventude do Brasil. Além da Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá no Rio de Janeiro, de 23 a 28 de julho, a Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil motivará a sociedade na reflexão de temáticas sobre a juventude. Deste modo, a CF do ano que vem terá como tema “Fraternidade e Juventude” e como lema “Eis-me aqui. Envia-me” (Is 6,8).

A fim de viabilizar a comunicação da CF 2013 e melhor difundir o tema entre os jovens, fiéis da Igreja e das diversas instâncias da sociedade, uma equipe de trabalho para esta CF se reuniu em Brasília para discutir como provocar a participação dos jovens nas ações da Campanha.

Esta equipe de comunicação para a CF formatará toda a divulgação do tema e lema da Campanha através das redes sociais, TV, rádio, impresso, vídeos etc, com o objetivo de despertar o interesse para o aprofundamento do texto-base, abordar temáticas relacionadas com a juventude, sugerir ações de promoção da CF, além de ser uma importante preparação para a JMJ 2013.

Além disso a CNBB está promovendo dois importantes concursos que são para a escolha do cartaz e da música do hino da campanha. O prazo para a inscrição é até 10 de maio de 2012.

*CNBB

Para refletir…

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Nesta tão aguardada sexta- feira, uma mensagem linda do nosso querido amigo Pejoteiro Rogério Oliveira. Uma história tocante que todos com certeza vão se identificar. Nessa caminhada árdua sempre nos deparamos com momentos como este, nos questionando sobre tudo!! Porém a resposta que sempre encontramos é a mesma! O AMOR minha gente querida! É ele que nos torna tão “loucos” por querer ver o mundo melhor! 

Deliciem-se com o texto…um ótimo Final de Semana à todos vocês! Axé!!!

Até as últimas consequências

E ela olhou nas suas anotações o nome de todos eles. Tinha ficado encantada com todos os relatos e sobre como toda aquela gente tinha dedicado a vida por uma causa. Mas ainda se assustava um pouco também. E, naquela noite, foi deitar pensando em cada um deles. Afinal, tudo era tão grandioso, tão importante, tão solene… Tão distante. Ela ali, no trabalho comunitário, todo fim de semana, na busca de vida, no convívio com outros jovens… E eles lá. Fazendo grandes coisas, sonhando grandes sonhos…
E de repente ela se pega andando numa rua estranha. Não parecia com nenhuma outra pela qual já caminhara. E então ela vê uma igreja e tem a forte vontade de entrar nela. Há poucas pessoas sentadas e no altar um bispo faz um discurso muito convicto. Dizia ele que “Ainda quando nos chamem de loucos, ainda quando nos chamem de subversivos, comunistas e todos os adjetivos que se dirigem a nós, sabemos que não fazemos nada mais do que anunciar o testemunho subersivo das bem-aventuranças,  que proclamam bem-aventurados os pobres, os sedentos de justiça, os que sofrem
Ela achou aquilo muito forte, mas o bispo continuava: “Uma igreja que não sofre perseguição, mas que desfruta privilégios e o apoio de coisas da terra – Tenham Medo! – não é a verdadeira igreja de Jesus Cristo.” E ainda continuava: “Para que servem belas estradas e aeroportos, belos edifícios e grandes palácios, se foram construídos com o sangue de pobres que jamais vão desfrutá-los?
Ela foi caminhando até o altar, mas aquela pregação havia acabado. Uma a uma as pessoas deixavam a igreja e ela pôde ver alguns rostos conhecidos. Uma mulher baixinha se reunia em círculo e conversava com outra de cabelos grisalhos e com outros dois homens, um de bigode e o outro de barbas e óculos.
A mulher baixinha dizia: “é melhor morrer na luta do que morrer de fome” ao que a mulher de cabelos brancos acrescentou: “Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar”.
Ela sentiu que a luta e a vida eram a marca forte desta conversa. Então o homem de bigodes disse: “Se descesse um enviado dos céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta até que valeria a pena. Mas a experiência nos ensina o contrário. Então eu quero viver. Ato público e enterro numeroso não salvarão a Amazônia. Quero Viver”. A mulher baixinha respondeu logo em seguida: “Se a gente morrer nesta luta, o sangue será uma semente. Vamos conquistar a justiça! A história não falha, nós vamos ganhar”.
O homem de barba estava calado até então. Observava tudo e quando surgiu a oportunidade disse: “Agora, quero que vocês entendam o seguinte: tudo isso que está acontecendo é uma consequência lógica do trabalho na luta e defesa dos pobres, em prol do Evangelho, que me levou a assumir essa luta até as últimas conseqüências. A minha vida nada vale em vista da morte de tantos lavradores assassinados, violentados, despejados de suas terras, deixando mulheres e filhos abandonados, sem carinho, sem pão e sem lar”.
A garota se afastou. Até então ninguém falara com ela, ninguém notara a sua presença. E ela caminhava assim, solta em seus pensamentos até que acabou tropeçando em alguém. Era um amigo seu, padre, militante dos direitos humanos e perseguido por denunciar abusos do poder público e policial. Ela não se conteve e o questionou:
– Eles fizeram tanto, são tão famosos, com grandes projetos. Eu me sinto pequena ao não abraçar a causa como eles.
– Seu empenho é diário, não é? Você não consome seus finais de semana, por semanas a fio? Você não se empenha na formação de novas lideranças? Não acompanha novos grupos? Não festeja e se reúne, discute e reflete com outros jovens? Por que sua luta seria menor, então?
– Ah! Mas todos eles são muito corajosos por enfrentar a morte, por se doarem desta maneira, por serem profetas na busca de vida digna do povo. Eles não têm medo?
– Não é o medo, mas o enfrentamento ao crime que terá chance de diminuir essa força dos ‘passageiros das trevas’ que, desde sempre, compactuaram com a exigência do silêncio, do segredo, do medo e do oculto para poderem sorrateiramente ganhar mais.
– Mas eu sei que isto é um sonho. E que eles já morreram. Todos eles. E que apesar disto, as injustiças continuam. Por que vale a pena continuar lutando?
Ele inclinou a cabeça de lado, olhou em seus olhos e disse:
– Quem te falou que eles morreram? Os mártires da caminhada continuam vivos em quem tem o coração ardendo. Quem se comove e se motiva ao ler a vida de Dom Oscar Romero, Margarida Maria Alves, Irmã Dorothy Stang, Chico Mendes ou Padre Josimo, entre tantos outros, e leva adiante sua ação faz com que a morte de nenhum deles tenha sido em vão. Você acha que Jesus continua morto?
Mas ela ainda tentava argumentar:
– Mas e as injustiças? Elas continuam.
– Nenhum de nós entrega a vida só pela justiça. É por amor. Só por amor.

Mundo caminha para colapso ambiental…

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O mundo está caminhando para um colapso ambiental e, se nada for feito, os custos da paralisia podem ser “colossais” para as economias e a humanidade. O alerta foi dado em 15/03/2012 pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), grupo de cooperação internacional formado por 34 países, a maioria ricos.

O relatório “Previsões Ambientais para 2050: As Consequências da Inação” traz dados alarmantes sobre temas como as mudanças climáticas, biodiversidade, água e os impactos da poluição na saúde humana.

Segundo o estudo, até 2050 a demanda mundial por energia deve crescer 80%, sendo que 85% dessa energia deve continuar sendo suprida por combustíveis fósseis. Isso fará com que as emissões de CO2, principal gás causador do efeito estufa, aumentem 50%. Nesse cenário, é dado como certo que a temperatura global suba entre 3°C e 6°C – bem acima dos 2ºC de aquecimento estimado pelo Painel de Mudanças Climáticas da ONU.

A poluição do ar será o principal problema ambiental em termos de saúde pública, superando a falta de acesso ao saneamento e água potável. O número de mortes prematuras relacionadas a males causados pela poluição do ar deverá mais do que dobrar, especialmente em países como China e Índia.

Atualmente as doenças respiratórias associadas à poluição matam 3,6 milhões de pessoas por ano em todo o mundo.

O crescimento da demanda por água potável é outro tema que preocupada a OCDE. A entidade estima que a demanda crescerá 55%, especialmente para uso na indústria (aumento estimado de 400%), usinas termelétricas (+140%) e uso doméstico (+130%). Esse aumento na demanda deve colocar sob risco de escassez hídrica tanto os agricultores quanto 2,3 bilhões de pessoas que vivem perto de rios, especialmente na África e Ásia.

As florestas, que são importantes para os ciclos hídricos, devem ocupar ainda menos espaço até 2050: a OCDE estima que as áreas com florestas encolherão 13%, com perda acentuada da biodiversidade.

Na avaliação de Angel Gurría, secretário-geral da OCDE, a saída para minimizar o colapso ambiental será a adoção de uma mentalidade mais focada no longo prazo, apoiada na ideia da economia verde – tema central da Rio+20, a conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável que o país sediará em junho. “Buscar um crescimento mais verde pode ajudar os governantes a enfrentar esses desafios. Tornar mais sustentáveis a agricultura, a indústria o fornecimento de energia e água será crucial para atender as necessidades de mais de 9 bilhões de pessoas”, disse Gurría.

UM PREÇO PARA A NATUREZA

O relatório apela ainda por uma mudança de política. Propõe a adoção de taxas ambientais e sistemas de comércio de emissões de modo a tornar a poluição mais cara e as alternativas sustentáveis mais baratas. Também sugere colocar um preço pelos serviços prestados pelos ecossistemas (produção de água, ar limpo, biodiversidade) como forma de valorizá-los economicamente.

A OCDE também defende a remoção dos subsídios dados pelos governos aos combustíveis fósseis e investimentos pesados em pesquisa e desenvolvimento com foco em inovação verde.

Alguns exemplos bem-sucedidos de políticas verdes são apontados no estudo. Um exemplo é a criação, pelo governo britânico, do Banco de Investimentos Verdes, uma iniciativa que destinará 3 bilhões de libras esterlinas para projetos inovadores com foco em sustentabilidade – e a meta é chegar a 15 bilhões de libras em investimentos privados até 2015, especialmente nas áreas de energia e reciclagem.

No Japão, a cidade de Kitakyushu elaborou um plano para se tornar uma das cidades mais sustentáveis do país, com baixa emissão de carbono e o engajamento da prefeitura, empresas e moradores na iniciativa.

*Andrea Vialli (Folha de São Paulo)