Saúde Pública

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Escândalo anunciado na saúde pública

É preciso ser muito hipócrita para se espantar com os números ruins sobre o atendimento no SUS. Os recursos para a Saúde pública não deixaram de cair nos últimos anos. A queda maior foi no governo FHC, mas ocorreram reduções, em ritmo menor, no governo Lula.

O resutaldo está aí. Conforme o próprio SUS, apenas 1,9% da população tem acesso a um serviço de saúde que pode ser considerado bom. Isso acontece em 347 municípios, dos quais 345 se encontram nas regiões mais desenvolvidas do país, o Sul e o Sudeste. Em 20,7% das cidades o atendimento foi reprovado. E em 73,1% o atendimento é definido como razoável. Sei o que isso quer dizer, mas imagino como deve ser agradável enfrentar um atendimento razoável diante de um diagnóstico mais sério.

Quer dizer que o risco de morrer é igual ao de sobreviver? Meio a meio?

O uso dessa avaliação pode servir a duas finalidades. Uma delas é reforçar as medidas favoráveis à privatização dos serviços que, como se sabe, costumam apoiar-se numa visão exagerada e até destrutiva do funcionamento do serviço que se quer privatizar.

A comparação entre Estados Unidos e Europa mostra que a saúde pública é mais barata e mais eficiente do que a privada, mas o debate não é assim tão puro nem desinteressado. Estamos falando de ganhos gigantescos, num país de dimensões imensas, como o Brasil, onde a renda média já desperta cobiça de empresas de porte.

Outra possibilidade é demonstrar que a saúde pública precisa receber recursos que vem sendo negados ao longo da história. Quando havia a CPMF, boa parte do dinheiro arrecadado era usado para cobrir outros rombos do governo. Depois que ela foi suprimida, a situação tende, apenas, a agravar-se. Os recursos para proteger vidas humanas passaram a ser disputados na guerra comum de verbas do governo, um vale tudo onde vale tudo mesmo.

Intimidado pelas campanhas da truma do impostômetro, o Planalto recusou-se a comprar uma luta política para criar uma fonte estável e ampla de recursos. A divulgação de uma realidade sombria pode ser uma primeira etapa para mudar essa discussão.

*Paulo Moreira (Colunista Revista Época)

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