A paixão e o perigo das torcidas organizadas

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Diante das duas últimas mortes de jovens por causa de brigas entre torcidas organizadas, a sociedade esta assustada com tamanha barbárie que se dá por causa de um fanatismo sem limites. O que fazer?

É incontestável a paixão que o brasileiro, e porque não dizer o povo do planeta, tem pelo futebol. E diante de tantas manifestações ao esporte, as torcidas organizadas se mostram presentes na maioria dos clubes. Algumas delas até recebem incentivo financeiro dos seus respectivos times. Não há como negar que elas são capazes de transformar os jogos de futebol em verdadeiros espetáculos fora do gramado, com cores, cantos e emoção.

No Brasil, além de apoiar o time, algumas torcidas organizadas almejam reconhecimento além do nível estadual – desejam, também, serem conhecidas no âmbito nacional – como é o caso da Mancha Verde e da Gaviões da Fiel, ambas de São Paulo e que também comandam tradicionais Escolas de Samba no estado.

O problema começa quando a paixão pelo time ultrapassa os limites da legalidade e as torcidas, compostas por torcedores fanáticos, acabam se tornando em quadrilhas.

No Brasil, as torcidas organizadas existem desde 1969 e algumas delas admitem em seus estatutos o confronto aberto com outras torcidas e até mesmo contra a polícia. É evidente que as brigas das torcidas organizadas não acontecem ao acaso. São pensadas, planejadas. Basta perceber que a utilização de coquetel molotov, bombas caseiras e outros armamentos não podem ser avaliados como um simples acaso. Recentemente, as torcidas Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde, tiveram o acesso aos estádios proibidos em resposta ao confronto que ocorreu horas antes do jogo entre Corinthians e Palmeiras e que havia sido marcada através da internet.

As organizadas, em sua maioria, perderam a proposta inicial. Alguns jovens integram as torcidas apenas pelo “prazer” de participar de brigas gratuitas e diante de tantos confrontos violentos e banais, onde a polícia se torna impotente e apenas assiste aos embates, famílias e torcedores que frequentavam os estádios pelo prazer de torcer por seus times de coração e até como atividade de lazer, deixaram essa prática.

Caros leitores e leitoras, a proibição da entrada das torcidas não passará apenas da proibição das camisas e das bandeiras que promovam a exposição desses movimentos. Aqueles que usam o escudo das torcidas para brigar, continuarão brigando, até porque o “ringue” utilizado não costuma ser o estádio, mas sim as ruas de entorno. Além disso, não se pode generalizar afirmando  que todos os participantes das organizadas são criminosos. De fato, há pessoas nesses movimentos que serão prejudicadas por essas proibições.

Se fosse tão simples assim eliminar o problema, proibindo as torcidas, as brigas generalizadas com vítimas fatais não existiriam há anos. É preciso conhecimento da causa e atitude firme das autoridades em identificar e punir severamente os que participam desses confrontos. Talvez depois disso, os estádios voltem a ser um espaço para todos aqueles que apreciam, verdadeiramente, o bom futebol.

* Faculdade Joaquim Nabuco(Artigo)

 

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