A fome e os valores universais

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Comer é a mais básica das necessidades humanas.

Não por acaso o primeiro dos oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio é acabar com a fome e a miséria.

Precisamos acreditar que todos podem fazer algo transformador, duradouro e sustentável para ajudar a diminuir a pobreza e a fome.

Milhões de pessoas no Brasil e no mundo convivem com a fome e estão em situação de insegurança alimentar. A insegurança alimentar é caracterizada quando não há garantia de acesso à alimentação em quantidade, qualidade e regularidade suficiente. A gravidade do problema se expressa tanto pelo grande número de pessoas que convivem com a fome quanto pelo número ainda maior de pessoas que não sabem se terão dinheiro para repor a comida que têm, seja pelo desemprego e/ou pelos altos preços dos alimentos.

Quase metade da população da Terra vive em cinco países: China, Índia, Estados Unidos, Indonésia e Brasil, totalizando 3,293 bilhões de habitantes. Desses, quatro estão em pleno crescimento econômico, aumentando o consumo de tudo, de comida a automóveis.

Segundo o estudo, assinado pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), pelo Fida (Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola) e pelo PMA (Programa Mundial de Alimentos), mesmo se atingirmos as metas do milênio até 2015, 600 milhões de pessoas ainda sofrerão por causa da fome.

O foco do estudo das três agências da ONU em 2011 é a volatilidade e o aumento dos preços dos alimentos, apontados como grandes responsáveis pela insegurança alimentar em nível mundial e motivo de grande preocupação para a comunidade internacional. “A demanda dos consumidores das economias que crescem em ritmo acelerado vai aumentar, a população continuará a crescer e um maior uso dos biocombustíveis irá aumentar ainda mais a pressão sobre o sistema alimentar.”

Nesse cenário, os governos e a sociedade devem garantir um ambiente regulatório transparente e confiável que promova a produção, a distribuição de alimentos em países de dimensões continentais, bem como o consumo consciente, reduzindo o desperdício de comida por meio de políticas adequadas e educação.

Os programas sociais e de transferência de renda não são suficientes e não geram desenvolvimento sustentável. Trata-se de instrumento paliativos, muito bem vindos é claro, mas também serve a interesses diversos, permitindo que a sociedade se torne reféns de seus regimes políticos.

A fome é o retrato mais triste da nossa incapacidade de reagir em um mundo tão desigual, onde gastamos mais recursos do que podemos repor. Somente através da educação podemos dar a todos a chance de desenvolver a capacidade de reação e transformação desse cenário ultrajante.

Construir um mundo melhor é a meta, com cada um executando a sua parte, através de valores universais, que devem ser postos em prática por todos e em qualquer lugar do mundo.

Precisamos abraçar novas causas, iniciar novos projetos destinados à educação, ao meio ambiente e à comunidade. E conduzir nossas atividades em direção a um futuro melhor, com mais generosidade e justiça.

*ZUNARA CARVALHO (Folha)

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