Arquivo mensal: julho 2012

Mortes de jovens subiram 376% no País desde 1980

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Era 26 de março de 2010 quando Rafael Souza de Abreu, 16 anos, virou mais um número para pesquisadores de segurança pública. Nessa data, ele foi morto com oito tiros perto da casa de um amigo em Santos (SP). Segundo seu pai, o operador portuário José de Abreu, e a Promotoria, o rapaz foi confundido com um ladrão de uma loja de roupas e foi morto em represália a um furto que não praticou.

Assim, ele passou a ser um dos 8.686 adolescentes e crianças assassinados naquele ano e engrossou a lista que, desde 1980, aumentou 376%. No mesmo período, entre 1980 e 2010, os homicídios como um todo cresceram 259%. Os dados são do “Mapa da Violência 2012 – Crianças e Adolescentes do Brasil”, pesquisa lançada hoje.

O ritmo de crescimento da morte entre jovens é constante. Em 30 anos, só teve queda quatro vezes. Nos demais aumentou entre 0,7% e 30%. Um dado que chamou a atenção do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, coordenador da pesquisa, foi quanto os homicídios de jovens representava no total de mortes. Em 1980, eles eram pouco mais de 11% dos casos de assassinato. Já em 2010, 43%.

P.S.: quatro pessoas, sendo três policiais, foram acusadas pela morte do adolescente. Mas o julgamento ainda não aconteceu.

GILBERTO DIMENSTEIN: O aumento vertiginoso do assassinato de jovens no Brasil é apenas um reflexo do que considero nossa maior bomba social: o abandono da juventude. É um tema que, apesar de todos os avanços, ainda está não está na agenda do brasileiro.

O problema do assassinato é, claro, grave. Mais grave ainda, já que afeta milhões de brasileiros, é o maior gargalo da educação brasileira: o ensino médio, onde existe uma expressiva evasão. […] É mínima a porcentagem dos alunos que saem do ensino público com conhecimentos apropriados em português e matemática. […]

Criam-se assim batalhões de jovens com baixa escolaridade e poucas perspectivas profissionais, vivendo em comunidade em que impera a delinquência. Na maioria das vezes, são lugares sem opções de lazer, tirando os bares. Natural a tentação de entrar no mercado da droga ou das quadrilhas. […] Leia o texto na íntegra.

*UOL Online

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