Arquivo mensal: agosto 2012

Vamos conversar sobre organização?

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(…) “Isso aqui poderia estar um pouco mais organizado…”. Sim, é possível que este pensamento já tenha passado pela cabeça de vocês. Contudo, quantos já colocaram o dedo na ferida (não para ser um sádico cruel, mas com o cuidado de quem quer limpar e tratar para melhorar)? Quantos já arregaçaram as mangas e colocaram a mão na massa? Quantos já pararam para se planejar de forma mais eficiente, eficaz e efetiva?

Quer um exemplo? Ano que vem a Campanha da Fraternidade é sobre juventude. O que você e a sua diocese tem feito a respeito? Meu caro, este é um momento único e privilegiado! (…) É preciso pensar na vida da juventude e ajudar as nossas comunidades a refletir sobre isso também. É preciso falar de culturas juvenis, abrir as portas das nossas igrejas para um diálogo franco com elas. É preciso denunciar todo sistema de morte que cerca e ronda a juventude. É preciso buscar e expor os porquês dos jovens serem vítimas e agentes da violência. É preciso escancarar e deixar claro e nítido porque a proposta de Jesus é uma boa nova para os jovens também. É necessário mostrar porque nos apaixonamos por esta causa e porque somos pejoteiros. Vocês já conversaram sobre isso?
Então certamente já falaram sobre a Jornada Mundial da Juventude que ocorrerá no ano que vem no Rio de Janeiro? (…) Mas basta se organizar para participar? Gente, é possível fazer muito mais do que isso! Dá para usar do mote da JMJ para visitar comunidades sem grupos e tentar mobilizar a juventude de lá para que organizem um grupo de jovens na localidade. Dá para atrair o olhar da imprensa sobre as condições juvenis na sua realidade, afinal 2013 será o ano da juventude no Brasil. Dá para fazer encontros, missas, formações, passeatas, fóruns. Dá para organizar um belo trabalho de articulação entre grupos. Dará para dizer que a jornada passou, mas que os frutos de uma organização ficaram e produziram muito, afinal é a JMJ que deve se encaixar no nosso planejamento pastoral e não o contrário. Vocês já conversaram sobre isso?
Outra dica (que não exclui as outras, sim?) é falar sobre os fulanos e as beltranas que representam vocês em outros lugares. Tem jovem que representa o grupo no conselho da comunidade, da paróquia, na coordenação paroquial, diocesana ou sub-regional. (…) Como vocês escolhem estas pessoas? Como vocês acompanham estas pessoas? (…) Uma boa representação leva a voz do seu grupo adiante e ajuda aquela instância a se organizar e se fortalecer na busca de sua missão. (…) Mas além de indicar alguém bom e capacitado é preciso que esta ou este jovem esteja bem acompanhado e assessorado. Quem caminha ao lado deles?  Vocês já conversaram sobre isso? (…)
Vejam só a riqueza de possibilidades que existem em assuntos ligados a nossa organização. E isso porque falamos de dois eventos e de aspectos internos. Eles, por si só não falam tudo que precisaria sobre o tema, mas dão um pontapé inicial na conversa. É preciso falar sobre isso, porque só assim a gente avança no cumprimento da nossa missão.
Envie até o dia 6/set as suas ideias por e-mail: vagner_benedito@hotmail.com
E participe de nossa reunião: 7/set, 10h, Praça dos Andradas (Santos)
*Rogério Oliveira – Assessor estadual da Pastoral da Juventude
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Jovem, o que move você?

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Como você bem sabe, o ano de 2013 será o ano da juventude aqui no Brasil, teremos campanha da fraternidade com o tema juventude e em seguida acontecerá algo que irá marcar a juventude católica, pois aqui mesmo acontecerá a Jornada Mundial da Juventude. Nessa imensa família, formada por todas as nações, teremos a oportunidade em recebê-la aqui em nossa casa, será uma festa na qual todos os povos estarão presentes. Onde acontecerá a troca de culturas das mais variadas formas, onde vários idiomas estarão presentes, apenas uma linguagem predominará, a linguagem do ‘Amor’. É muito importante para nós como juventude católica assumindo o seu protagonismo participarmos desse tipo de evento, ao mesmo tempo, chamamos a atenção para a sua posterioridade… Quais serão os frutos deixados pela JMJ? Como fazer para após a JMJ, mantermos os nossos jovens engajados ainda mais em nossas comunidades? Que ações e atividades poderemos elaborar juntos para podermos acolher os novos jovens que por sua vez, virão a fazer parte de nossas comunidades? É com esse objetivo que convidamos você, jovem da diocese de santos a estarmos todos juntos no dia 7/set, às 10h, na Praça dos Andradas (Santos) para discutirmos propostas para a elaboração do Plano Pastoral diocesano de Juventude para o próximos anos de 2013 e 2014. A idéia é que possamos refletir e partilhar para que todos juntos planejemos os nossos próximos passos. (Vagner Benedito – Coord. Regional da Orla)

Envie até o dia 6/set as suas ideias por e-mail: vagner_benedito@hotmail.com
E participe de nossa reunião: 7/set, 10h, Praça dos Andradas (Santos)

E as jovens adolescentes em situação de vulnerabilidade?

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Um dos temas mais constrangedores ao Brasil é a existência da chamada prostituição infantil. Segundo a UNICEF, em dados de 2010, cerca de 250 mil crianças e adolescentes são explorados sexualmente no País. Por vários fatores, o menor, em uma situação de pobreza ou falta de assistência social e psicológica, torna-se fragilizado. Dessa forma, tornam-se vítimas do aliciamento por adultos que abusam de menores, os quais ora buscam o sexo fácil e barato, ora tentam lucrar corrompendo os menores e conduzindo-os ao mercado da prostituição.

Para além das possíveis vulnerabilidades decorrentes da situação socioeconômica, estão outros aspectos como o próprio gênero da criança, fato que explicaria uma maior vulnerabilidade das meninas, tão expostas à violência contra a mulher até mesmo no ambiente familiar. A questão de gênero estaria intrínseca a um modelo sociocultural que, por vezes, como no caso brasileiro, pode reproduzir uma naturalização da discriminação contra a mulher (fruto de valores machistas), vista como objeto destituído de valor, de consciência e liberdade.

Também para além da pobreza, o desenvolvimento de vícios por drogas conduzem essas crianças a uma situação deplorável e de extrema necessidade de cuidados especiais. Para atenderem às imposições da dependência química que as dominam, vendem seus corpos para conseguirem algum dinheiro para a compra de drogas (ou mesmo aceitam fazer programas tendo como pagamento a própria droga).

Outro complicador desta questão é o chamado turismo sexual, o qual consiste na chegada de vários estrangeiros a regiões como o Nordeste brasileiro em busca de sexo. Meninas pobres, moradoras das regiões periféricas e precárias ao redor dos grandes centros ocupam as principais ruas e avenidas para se oferecerem como mercadoria barata neste mercado do sexo que se estabelece em endereços turísticos por todo o Brasil, principalmente nas praias nordestinas.

Função do Estado. Em suma, cabe ao Estado zelar pelo bem-estar da criança e do adolescente, em especial por aqueles em maior situação de vulnerabilidade social. Porém, tal vulnerabilidade seria promovida não apenas pelo desprovimento de recursos, mas também pela naturalização cultural da discriminação, como no caso das meninas vistas como meros objetos. Logo, é preciso refletir não apenas sobre o papel do Estado, mas sobre o da própria sociedade, sobre seus valores e sua capacidade de percepção sobre a real natureza da lógica da violência contra a criança.

Estatísticas. Em dados de 2005 do Ministério da Justiça, a exploração sexual abaixo de 18 anos está presente em 16,88% dos municípios brasileiros, ou seja, em 937 das 5.551 cidades pesquisadas. Entre os estados onde a situação pode ser considerada mais grave estão São Paulo, com 93 cidades citadas, Minas Gerais, com 92, e Pernambuco, com 70. De acordo com a pesquisa, dos 937 municípios citados, 827 têm conselhos tutelares para lidar com o problema. Santos é um destes municípios: entre 2008 e 2011, foram 161 casos registrados de exploração sexual de menores.

A Prefeitura também divulgou estatísticas totais sobre o número de jovens que se encontram em situação de prostituição. Entre 2008 e 2011, foram cadastradas 400 jovens até 19 anos. Durante esse mesmo período, houve 1.902 jovens entre 20 e 24 anos que também se encontram nesta situação. Segundo dados da Segurança Pública, a maior parte destas jovens atendem no Centro de Santos e em apartamentos de bairros residenciais. Deve-se lembrar que a prostituição para maiores de 18 anos é uma profissão legalizada no Brasil.

Perfil das Mulheres Marginalizadas. As mulheres em situação de prostituição atendidas pela Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM) do Estado de São Paulo participaram de um levantamento em 2010 e divulgado em 2011. Promovida pelo Secretariado Nacional da PMM, as equipes pastorais abordaram mulheres nos municípios de: Barretos, Campinas, Jundiaí, Santos, São Paulo e São Sebastião. O levantamento aponta informações relevantes para a melhor articulação da PMM, que entende a condição da prostituição como uma violência de gênero, que despreza a dignidade e a auto-estima das mulheres.

Entre as principais características das mulheres marginalizadas no Estado, é ter até 30 anos (53%), ter concluído, no máximo, o Ensino Fundamental (84%), cuidar dos filhos e, muitas vezes, de mães e pais. Segundo as entrevistadas, a violência e o preconceito são os grandes problemas da prostituição, seguidos pelo uso de drogas para suportar a situação, além da exploração dos donos das casas. Em Santos, a PMM acompanha mulheres das regiões do Centro e do Porto. Apesar de atender centenas de mulheres, na época, foram entrevistadas 77 mulheres, até por conta da rotatividade delas a cada semana.

Quando violam a sexualidade de jovens e menores de idade

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A violência sexual é uma questão de gênero, ela se dá por causa dos papéis de homem e mulher por razão social e cultural em que o homem é o dominador. Este é um problema universal, no homem é uma questão de poder e controle e que atinge as mulheres de todos os tipos e lugares. E como leremos abaixo, as pesquisas informam que as principais vítimas são crianças, adolescentes e as próprias jovens.

A Organização Mundial de Saúde define como violência sexual como: “Qualquer ato sexual ou tentativa do ato não desejada, ou atos para traficar a sexualidade de uma pessoa, utilizando repressão, ameaças ou força física, praticados por qualquer pessoa independente de suas relações com a vítima, qualquer cenário, incluindo, mas não limitado ao do lar ou do trabalho”.

A violência estabelece-se em uma transgressão dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher, principalmente ao atentado de direito físico e ao controle de sua capacidade sexual e reprodutiva. Conforme o Código Penal Brasileiro em vigência, a violência sexual é considerada uma transgressão pesada. Todas as penalidades para esse tipo de delito são detenções, mas variam a partir do grau da trangressão: casos de assédio (vantagem ou favorecimento sexual ao exercício de emprego ou cargo) resultam entre 1 a 2 anos de cadeia; atentado violento ao pudor (carícias íntimas, masturbação) e o estupro em si (relação carnal sem consentimento), entre 6 a 10 anos. Isso significa que, se a lei federal for cumprida em sua totalidade, o agressor permanece, no máximo, uma década atrás das grades, enquanto a vítima guardará as consequências do trauma de ser violada pelo resto de sua vida.

Silêncio. Em uma pesquisa nacional, 88,9% das mulheres vítimas de estupro admitiram não ter procurado orientações médicas imediatas, ou seja, durante os cinco dias decorrentes da violência. Neste período, seria possível o uso da anticoncepção de emergência (pílula do dia seguinte) para evitar a gravidez indesejada. Entre as 11,1% das mulheres que recorreram ao serviço de saúde imediatamente, em 38,6% delas a concepção de emergência não foi prescrita por opção das próprias pacientes.

Em 61% dos casos estudados, o autor era desconhecido da vítima e em 92%, agiu sozinho. Entre os autores conhecidos, destaca-se um membro da comunidade em que a vítima reside, que corresponde a 5,2% dos casos. O ex-parceiro foi o autor da violência em 3,5% dos casos e o padrasto em 3,4%. O perfil traçado na pesquisa apontou que a mulher vítima de abuso sexual que engravida é solteira, tem ensino fundamental incompleto, e tem idade média de 22,2 anos.

Estatísticas. 54.253 ameaças foram feitas contra mulheres no Rio de Janeiro em 2011. Com base em dados do Instituto de Segurança Pública Estadual do Rio de Janeiro, no ano passado, 70,9% dos 4.023 casos de estupro contra vítimas do sexo feminino são praticados em ambiente familiar. Desses, 2.156 vítimas eram meninas de até 14 anos de idade. Segundo a pesquisa, 11,6% dos estupros contra mulheres acontecem em vias públicas e 17,5% em outros locais.

Em 50,2% dos casos, as vítimas de estupro conheciam os acusados (companheiros, ex-companheiros, pais, padrastos, parentes e conhecidos), 30,5% tinham relação de parentesco com a vítima (pais, padrastos, parentes) e 10,1% eram companheiros ou ex-companheiros. Sobre o perfil das vítimas de estupro do sexo feminino foi observado que 37,3% eram brancas, 54,4% eram pardas ou pretas; 76,0% eram solteiras; 24,1% tinham entre zero e 9 anos, e 29,5% tinham entre 10 e 14 anos de idade.

Baixada Santista. Na Baixada Santista, 545 mulheres foram estupradas em 2011, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. Em média, três mulheres a cada dois dias sofrem violência sexual. Guarujá e Praia Grande foram os municípios com maior número de ocorrências, 139 e 108, respectivamente.

Segundo a delegada Débora Peres Lázaro, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos, a idade das mulheres estupradas em Santos varia entre 18 e 40 anos. Ela alerta que ao ser violentada, a primeira coisa que a vítima deve fazer é procurar atendimento médico. “É preciso ir ao hospital para fazer todos os exames necessários e ter um relatório médico. Em seguida é preciso procurar uma delegacia para registar o ocorrido, onde a vítima será encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para e ralizar exame de corpo de delito. É nele que está a prova do ato”.

Delegacias de Defesa da Mulher: Rua Dr. Assis Correia, 50/Santos – 3235-4222; Rua Djalma Dutra, 132/São Vicente – 3467-3941; Av. Puglisi, 656/Guarujá – 3355-4462; Rua Dr. Roberto de Almeida Vinhas, 11.084/Praia Grande – 3471-4044.

Jovens da Baixada Santista promovem ‘Marcha das Vadias’

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Jovens da Baixada Santista promovem em Santos o protesto ‘Marcha das Vadias’ no dia 30 de setembro, a partir das 13h, na Praça da Independência (Santos). A Marcha é um movimento apartidário que luta contra as agressões físicas, psicológicas, sociais e morais às quais mulheres e meninas são submetidas todos os dias. De repercussão mundial, a marcha teve início em Toronto, no Canadá, em reação ao discurso de um policial que, em uma palestra em 2011 sobre segurança na Faculdade de Direito Osgoode Hall Law School, disse que as mulheres deveriam evitar “se vestir como vagabundas” para que não fossem vítimas de violência sexual.

A declaração gerou uma onda de revolta, que culminou na primeira Marcha das Vadias, ocorrida em Toronto em 24 de Janeiro de 2011. De lá, o movimento rapidamente se espalhou por todo o mundo, com Marchas em lugares tão diferentes entre si quanto Austrália e Índia. No Brasil, tudo começou com a Marcha das Vadias de São Paulo, também em 2011. Em 2012, várias cidades pelo Brasil inteiro também organizaram suas Marchas, e outras estão se organizando para marcharem. As cidades da Baixada Santista estão entre elas. “Isso não é sobre sexo, é sobre violência”.

Causas pela marcha. A marcha é um manifesto de repúdio contra o machismo e a visão de que mulheres são objetos sexuais, enfrentando a ideia de que as autoestimas devam ser e estar orientadas à concepção de o quanto somos consideradas “desejáveis” para algo ou alguém. “Tal concepção gera pressão para que nos enquadremos em um padrão de beleza massificador, excludente, racista e elitista, que contribui para o surgimento e exacerbação de distúrbios alimentares, o uso indiscriminado de produtos que prometem beleza e emagrecimento, e outras manifestações de vergonha e rejeição ao próprio corpo. Não somos todas brancas, loiras, magras, com seios grandes, cinturas finas, bundas grandes e sem um grama de gordura ou flacidez em nossos corpos. Somos mulheres, somos muitas e somos de todos os jeitos”.

Dessa forma, a marcha também se mobiliza contra a mercantilização do corpo feminino: usando a mulher como atração sexual para propagandas, programas de TV, feiras de vendas e outdoors. A Marcha pelas Vadias combate ainda a violência sexual, física e psicológica sofrida pelas travestis e transexuais a partir da descriminação. Enfim, “Queremos lembrar a todos e todas que, não importa o que uma mulher vista, como ela se comporte, com quantas pessoas faça sexo, qual é sua profissão ou orientação sexual: Todas as mulheres, assim como todas as pessoas, têm direito a ter sua segurança e integridade física respeitadas. A culpa do estupro é do estuprador! A culpa da agressão é de quem bate e não de quem apanha!”

Termo. “Vadia” é a palavra usada para envergonhar estes homens e mulheres a respeito de como ou com quem fazem sexo, de como se vestem, como se maquiam, do quanto bebem, quais lugares frequentam, em quais horários estão nas ruas e quais companhias mantêm. A palavra “vadia” se vem sempre no feminino, para todas as pessoas, e serve não apenas para envergonhá-las como para assustá-las, já que ser uma “vadia”, na nossa sociedade, equivale a ser “estuprável”, a ter justificada qualquer violência contra si. Nós não temos medo de ser vadias, quando “ser vadia” representa sermos mulheres e homens, que enquanto donos de si, exigem o direito de sermos o que quisermos. “Se ser livre é ser vadia, somos TODAS vadias!”

*Marcha das Vadias – Baixada Santista