Jovens da Baixada Santista promovem ‘Marcha das Vadias’

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Jovens da Baixada Santista promovem em Santos o protesto ‘Marcha das Vadias’ no dia 30 de setembro, a partir das 13h, na Praça da Independência (Santos). A Marcha é um movimento apartidário que luta contra as agressões físicas, psicológicas, sociais e morais às quais mulheres e meninas são submetidas todos os dias. De repercussão mundial, a marcha teve início em Toronto, no Canadá, em reação ao discurso de um policial que, em uma palestra em 2011 sobre segurança na Faculdade de Direito Osgoode Hall Law School, disse que as mulheres deveriam evitar “se vestir como vagabundas” para que não fossem vítimas de violência sexual.

A declaração gerou uma onda de revolta, que culminou na primeira Marcha das Vadias, ocorrida em Toronto em 24 de Janeiro de 2011. De lá, o movimento rapidamente se espalhou por todo o mundo, com Marchas em lugares tão diferentes entre si quanto Austrália e Índia. No Brasil, tudo começou com a Marcha das Vadias de São Paulo, também em 2011. Em 2012, várias cidades pelo Brasil inteiro também organizaram suas Marchas, e outras estão se organizando para marcharem. As cidades da Baixada Santista estão entre elas. “Isso não é sobre sexo, é sobre violência”.

Causas pela marcha. A marcha é um manifesto de repúdio contra o machismo e a visão de que mulheres são objetos sexuais, enfrentando a ideia de que as autoestimas devam ser e estar orientadas à concepção de o quanto somos consideradas “desejáveis” para algo ou alguém. “Tal concepção gera pressão para que nos enquadremos em um padrão de beleza massificador, excludente, racista e elitista, que contribui para o surgimento e exacerbação de distúrbios alimentares, o uso indiscriminado de produtos que prometem beleza e emagrecimento, e outras manifestações de vergonha e rejeição ao próprio corpo. Não somos todas brancas, loiras, magras, com seios grandes, cinturas finas, bundas grandes e sem um grama de gordura ou flacidez em nossos corpos. Somos mulheres, somos muitas e somos de todos os jeitos”.

Dessa forma, a marcha também se mobiliza contra a mercantilização do corpo feminino: usando a mulher como atração sexual para propagandas, programas de TV, feiras de vendas e outdoors. A Marcha pelas Vadias combate ainda a violência sexual, física e psicológica sofrida pelas travestis e transexuais a partir da descriminação. Enfim, “Queremos lembrar a todos e todas que, não importa o que uma mulher vista, como ela se comporte, com quantas pessoas faça sexo, qual é sua profissão ou orientação sexual: Todas as mulheres, assim como todas as pessoas, têm direito a ter sua segurança e integridade física respeitadas. A culpa do estupro é do estuprador! A culpa da agressão é de quem bate e não de quem apanha!”

Termo. “Vadia” é a palavra usada para envergonhar estes homens e mulheres a respeito de como ou com quem fazem sexo, de como se vestem, como se maquiam, do quanto bebem, quais lugares frequentam, em quais horários estão nas ruas e quais companhias mantêm. A palavra “vadia” se vem sempre no feminino, para todas as pessoas, e serve não apenas para envergonhá-las como para assustá-las, já que ser uma “vadia”, na nossa sociedade, equivale a ser “estuprável”, a ter justificada qualquer violência contra si. Nós não temos medo de ser vadias, quando “ser vadia” representa sermos mulheres e homens, que enquanto donos de si, exigem o direito de sermos o que quisermos. “Se ser livre é ser vadia, somos TODAS vadias!”

*Marcha das Vadias – Baixada Santista

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