Maria dos Pobres – Irmã Maria Dolores

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Durante o mês de novembro, publicaremos textos em homenagem às mulheres engajadas em causas sociais pela Baixada Santista. Trata-se de trechos do livro ‘Relicário de Marias’, resultado de dez pejoteiros a partir do tema do DNJ em 2011: Juventude e Protagonismo Feminino.

Entre as nossas Marias, a solidariedade foi mais forte nos olhos claros e vibrantes da saudosa Irmã Dolores – em 2005 chegou até a ser indicada para o Prêmio Nobel da Paz. Nascida em 26 de fevereiro de 1927 na Espanha (Gijón, principado de Astúrias), adotou o Brasil como seu novo lar desde 1967. De pés pequenos, mas de coração imenso, Maria Dolores Muniz Junqueira abandonou o terceiro ano da Faculdade de Medicina para ingressar no convento da Congregação Maria Imaculada, que a enviou como missionária ao nosso país. Irmã Dolores recebeu o convite do então bispo Dom David Picão e logo desejou acolher a população carente da Diocese de Santos.

A religiosa iniciou suas atividades pastorais no bairro Jóquei Clube (São Vicente) e depois na Vila Zilda (Guarujá), lá deixando seus rastros de afeto à população: de capelas a uma pré-escola que leva o seu nome. Aos poucos, Irmã Dolores ganhou o título de ‘Mãe dos Pobres’ pelos próprios fiéis. Noutra situação, receosa deu passos rápidos por uma roda de usuários de drogas. O medo se diluiu quando um deles ergueu a voz: “Aí vai a nossa ‘Guerreira da Paz’!” E a guerreira conquistou respeito tanto da população, quanto das próprias autoridades.

Para edificar suas iniciativas, conseguia o apoio de órgãos internacional, como até mesmo a doação do Principado de Astúrias. A maior parte de seus esforços foi destinado ao Humaitá e, principalmente, ao Quarentenário (São Vicente). Irmã Dolores atendeu o bairro desde 1989, quando construiu o Centro Comunitário do Humaitá.

A religiosa lutou pelas necessidades básicas: água, luz e posto de saúde. Em 1997, fez acontecer a ONG Vila Ponte Nova Instituição Promocional (VIP), que atende grupos de convivência da terceira idade, proteção à família e mais de mil crianças em dois centros comunitários: EMEI Nossa Senhora da Esperança e Cecon Nossa Senhora de Lourdes. Pela VIP, a religiosa também criou a Escola Profissionalizante Irmã Dolores, que mantém mais de uma dezena de cursos voltados para o setor portuário e turismo.

Irmã Dolores dedicou-se à organização do Quarentenário em todos os seus sentidos. Esteve à frente da construção da Escola Raul Rocha do Amaral, da Casa de Parto Normal David Capistrano Filho, de seis capelas, e de dois restaurantes populares com refeições a R$ 1,00.

Em 2 de setembro de 2008, faleceu a Maria dos Pobres, porém, ainda inspira ações sociais em prol aos mais carentes. No ano seguinte, por exemplo, foi criado o Centro de Direitos Humanos da Baixada Santista (CDH-BS) Irmã Maria Dolores, com a missão de promover a cidadania. Atualmente presidida por Graça Maria Costa da Silva, o centro dá continuidade e estende as ações da religiosa: são atividades voltadas para participação popular, educação, campanhas de conscientização e políticas públicas.

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