Maria das Cooperativas – Adriana Melchiori

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Durante o mês de novembro, publicaremos textos em homenagem às mulheres engajadas em causas sociais pela Baixada Santista. Trata-se de trechos do livro ‘Relicário de Marias’, resultado de dez pejoteiros a partir do tema do DNJ em 2011: Juventude e Protagonismo Feminino.

“Em vez de dar a rede, ensine a pescar”, dizia o padroeiro da juventude, São João Bosco. A psicóloga Adriana Honório Melchiori seguiu à risca a lição e hoje incentiva o protagonismo de várias cooperativas e entidades através da Associação Uno e Verso.

Nascida em 1980 em Osasco (SP), veio aos 12 anos com a família morar em Santos. Graduada em Psicologia, decidiu se inscrever para um projeto da Prefeitura de Santos, que então precisava de profissionais. No projeto conheceu a Cáritas Diocesana em 2006, que, na época, investia em parcerias com iniciativas voltadas à população carente.

Logo se sensibilizou com o caso de um paciente. Aos 2,5 anos, o menino estava em um abrigo para adoção. Desnutrida e com a saúde fragilizada, a criança sofrera abuso sexual pelo pai a ponto de ter que fazer a reconstituição do ânus. Adriana chorava toda noite só de imaginá-lo naquela situação. “Ele estava traumatizado, não falava comigo. Enquanto isso, queria que ele confiasse em mim, precisava entrar no mundinho dele”.

O menino sobreviveu. Foi adotado por uma família acolhedora. Demorou anos para a criança se recuperar fisicamente e psicologicamente. E o vínculo de Adriana com o paciente foi tão forte que a fez despertar a um olhar mais humanitário. No ano seguinte, atuou na ONG Elementos da Natureza em Guarujá, que promove e acompanha iniciativas com foco ambiental. Percebeu que poderia se dedicar também ao viés da economia solidária e fundou a Associação Uno e Verso.

A associação promove a ‘incubação’ e a consultoria às cooperativas e, assim, o objetivo é de incentivar o protagonismo geralmente de mulheres e jovens de vulnerabilidade social para a geração de renda. É um processo longo em analisar as necessidades da população, as alternativas de geração de renda, os recursos (muitas vezes por editais de empresas) e ensinar as pessoas a gerenciar seu próprio negócio. “Esse processo de ‘empoderamento’ da comunidade demora 3 anos ou mais, porque mexe diretamente com os sonhos dessas pessoas”.

O primeiro projeto que Adriana acompanhou foi em Guarujá, onde um grupo de mulheres fazem e vendem puffs de garrafas pets. O caso teve tanto êxito que a associação estabeleceu uma parceria com a HSBC Solidária, selecionando e acompanhando os projetos sociais inscritos no edital da empresa em São Paulo. Com a parceria da Fundação Getúlio Vargas (ITCP-FGV), a Associação fornece atualmente treinamento e assessoria às dezenas de cooperativas populares financiadas pela HSBC.

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