Maria das Marginalizadas – Catarina Lacerda

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Durante o mês de novembro, publicaremos textos em homenagem às mulheres engajadas em causas sociais pela Baixada Santista. Trata-se de trechos do livro ‘Relicário de Marias’, resultado de dez pejoteiros a partir do tema do DNJ em 2011: Juventude e Protagonismo Feminino.

A Pastoral da Mulher Marginalizada (PMM) existe no Brasil há mais de 45 anos e tem sede Nacional em São Paulo. Na Diocese de Santos a PMM teve início em 2009, seu objetivo é apoiar as mulheres em situação de prostituição, resgatando a dignidade e o respeito que merecem, baseando-se na certeza dos mandamentos de Jesus. Quem iniciou a PMM em Santos em 2009 foi a coordenadora diocesana Catarina Augusta de Lacerda e seu marido.

De pele clara, olhos verdes bem pequenos, cabelos curtos e negros, sempre com um sorriso no rosto, Catarina conversa sempre de forma afetiva e bem didática com as mãos. Psicóloga clínica com formação também em Letras, Pedagogia e Teologia, Catarina é casada com Milton de Lacerda, que participa junto com ela da PMM.

Ela comenta sobre as mulheres marginalizadas em quem a população nunca repara, nem talvez as olhe nos olhos ou pergunte por que estão realmente fazendo aquilo. Muito pelo contrário, muitas vezes já as julga e insulta sem sequer conhecê-las. Catarina faz o contrário e fala sobre as prostitutas com amor e afeto. Na PMM, Catarina também dá uma palavra de carinho às mulheres que se prostituem para o próprio sustendo:” Vocês também são especiais e, além de tudo, são filhas de Deus!”

Não só de mulheres adultas vive a prostituição. Casas de massagem, casas de veraneio e a utilização da Internet para marcar programas sexuais são também formas de prostituição infantil. Só em Santos existe prostituição infantil no Centro, no Porto, na Orla… Sem falar das agências de eventos que aliciam meninas com as famosas ‘fichas rosas’.

Em 2010, a PMM Estadual fez um levantamento sobre o perfil das mulheres em situação de prostituição. Em Santos, Catarina e Milton entrevistaram 77 mulheres no Centro e Porto. 65% dessas mulheres são jovens com menos de 30 anos, que estão há mais de três anos nessa situação. São mulheres de origem pobre, têm filhos, mas não tem parceiros e vem de municípios da Baixada Santista ou de outros lugares do Brasil.

A PMM quer realmente mostrar o valor da mulher na sociedade hoje, mesmo em se tratando de mulheres  marginalizadas. Todavia, a Pastoral não quer só evangelizar e ensinar a essas mulheres um pouco sobre a vida, muito pelo contrário, ela dá abertura para que elas possam partilhar suas vidas, e, ao mesmo tempo, se deixa evangelizar por elas.  Catarina afirma que tem  aprendido muito com essas mulheres, que as pessoas excluem da sociedade.

Realmente é interessante ver pessoas que lutam para a valorização da mulher na sociedade e baseiam-se na certeza do que Jesus falou: “Em verdade vos digo que os publicanos e as prostitutas vos precederão no Reino de Deus” (Mt 21,31)

Por Ana Carolina Alves

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