Maria de Maios – Débora Maria da Silva

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Durante o mês de novembro, publicaremos textos em homenagem às mulheres engajadas em causas sociais pela Baixada Santista. Trata-se de trechos do livro ‘Relicário de Marias’, resultado de dez pejoteiros a partir do tema do DNJ em 2011: Juventude e Protagonismo Feminino.

Era a segunda-feira após o Dia das Mães de 2006. Apesar de uma inflamação no dente, um jovem pai de família foi trabalhar e à noite voltou à casa de sua mãe, Débora Maria da Silva, para pegar um remédio que esquece-ra. De moto, para em um posto de gasolina com um amigo.

Duas viaturas policiais se aproximam deles. Ainda no posto de gasolina, o jovem pai de família foi encontrado assassinado, de capacete, com a carteira funcional de gari e o holerite manchado de sangue no bolso. A fita da câmera de segurança do posto foi apagada, as testemunhas não foram chamadas a depor, os policiais que o socorreram deram depoimentos diferentes e o delito não tem responsável.

Durante a semana do Dia das Mães em 2006, 493 paulistas foram mortos por arma de fogo. Nos boletins de ocorrência, a ‘resistência seguida de morte’ levantou as suspeitas do Poder Público. Após relacionarem as mortes ao Primeiro Comando da Capital, o Governo voltou atrás. O Observatório das Violências Policiais atribuíram 33 dos Crimes de Maio à ROTA e 161 à Força Tática.

Isso não significa que todos os jovens são mortos por policiais, sequer que todos os policiais são corruptos ou assassinos. Da mesma forma, não significa que as famílias que perderam os filhos não têm o direito de denunciar os crimes. Após receber a notícia da morte de seu filho, Débora entrou em depressão por quase dois meses, até sentir a presença dele: “Mãe, se levanta! Seja forte!”.

No dia seguinte, foi à procura de outras mulheres que também perderam seus filhos. Ao entrarem em contato com o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (CONDEPE-SP), depararam-se com um livro de registro dos ‘crimes de maio’. De maneira organizada com suas companheiras de luto, Débora funda e coordena o Movimento Mães de Maio. Desde então buscam o desarquivamento e a federalização dos crimes: já que todas as investigações foram encerradas e ninguém foi punido.

A cada dia mais famílias perdem seus filhos e pais em chacinas. Em abril de 2010, 22 pessoas foram mortas na Região e 23 policiais presos administrativamente como suspeitos de integrar um grupo de extermínio. Por isso, o Movimento Mães de Maio engrossa ainda mais campanhas contra violência em São Paulo e no Brasil.

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