Maria das Compreensões – Ela

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Durante o mês de novembro, publicaremos textos em homenagem às mulheres engajadas em causas sociais pela Baixada Santista. Trata-se de trechos do livro ‘Relicário de Marias’, resultado de dez pejoteiros a partir do tema do DNJ em 2011: Juventude e Protagonismo Feminino.

Ela tão jovem se apaixonou pelos abraços dele. Reconheceu que era seu verdadeiro amor e, juntos, casaram e tiveram filhos. Seria uma família perfeita se o álcool não invadisse seu lar. Ébrio, ele não era tão melancólico, mas também não chegava a ser agressivo. Ele tinha compulsão de beber, arranjava motivos para se embriagar. Mas o vício o matava aos poucos e, ao mesmo tempo, feria os filhos e a esposa. Após várias conversas e discussões, talvez o primeiro passo deveria partir dela: visitar um encontro do Grupo Familiares Al-Anon.

Menos difundidos quanto o AA (Alcoolicos Anônimos), o Al-Anon reúne familiares e amigos de alcoólatras desde 1966 no Brasil. Nos encontros semanais, os participantes aprendem a lidar que as pessoas com quem vivem têm uma doença incurável – a Organização Mundial da Saúde considera assim o alcoolismo. “O convívio com um alcoolismo nos faz ter um desequilíbrio emocional que, muitas vezes, afeta a nossa própria saúde”.

Em cada reunião, “o grupo vai nos dando força, esperança e fé. De certa forma, o programa do grupo tentar nos guiar a Deus”. O participante compreende, aos poucos, que não é a causa do alcoolismo, nem pode controlá-lo, sequer há cura. “É comum querermos o bem das pessoas. No fundo, nós temos a ilusão que vamos fazer com que o alcoólico mude, seja melhor”.

É um processo formado por doze passos, idêntico ao AA, só que são etapas para a recuperação de controle emocional nos entes de alcoólicos. Não há um período certo para a permanência do participante. Cada membro está no grupo até quando se sentir preparado a conviver com seu ente alcoólatra. Pode demorar semanas, meses, anos.

Enquanto ele não percebia que seu vício se tornava em limitação, ela amadurecia durante o processo: tornou-se mais compreensiva com as atitudes do marido. Ele faleceu há alguns anos, porém, ela não desistiu do Al-Anon. Em vez de participante, agora já madura também é uma das responsáveis em partilhar e acolher os outros amigos do grupo a compreenderem melhor o próximo.

Na Baixada Santista, vários Grupos Familiares Al-Anon se encontram em diversos locais: centros comunitários, sindicatos ou até mesmo em igrejas, como é o caso das paróquias Nossa Senhora Aparecida e Imaculado Coração de Maria em Santos. “O Al-Anon me desenvolveu essa serenidade. Ou melhor, essa fé”.

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