Maria dos Vulneráveis – Elizabeth Aparecida

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Durante o mês de novembro, publicaremos textos em homenagem às mulheres engajadas em causas sociais pela Baixada Santista. Trata-se de trechos do livro ‘Relicário de Marias’, resultado de dez pejoteiros a partir do tema do DNJ em 2011: Juventude e Protagonismo Feminino.

Elizabeth Aparecida de B. B. Rodrigues, natural de Santos, trabalha como educadora social, preside a Comissão Municipal de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (CM-PETI) e é uma das fundadoras e atual coordenadora da Associação Poiesis, que atua no Centro de Santos. Criada em 1995, a instituição sem fins lucrativos é um espaço reservado para promover ações sócio-educativas e artísticas com crianças, adolescentes e suas famílias em situação de vulnerabilidade, além de agregar e discutir assuntos referentes à garantia de direitos humanos.

Elisabeth iniciou seu trabalho voluntário promovendo o Encontro de Casais com Cristo (ECC) na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e Paróquia Imaculado Coração de Maria, ambas em Santos. Com o passar do tempo, chegou a fazer parte da Pastoral da Criança na Vila Aparecida e Casa João Paulo II (pertencente à Catedral de Santos). Passou também pela Associação Católica de Educadores Sociais (AEC) que forma o indivíduo para trabalhar em comunidades carentes.

Durante sua formação pastoral na AEC, aprofundou-se na justiça social e lá percebeu que precisava ir mais além. Foi quando em 1995, ao lado do esposo Bernardo e do então pároco da Catedral de Santos, padre Antonio Baldan Casal, com o consentimento do bispo diocesano de Santos da época Dom David Picão foi fundada a Associação Poiesis. A idéia era pensar em um projeto de acordo com a realidade dos moradores de cortiços, no qual, segundo Elisabeth, não tem como tirar as pessoas de lá, e tem casos que são mais de 30 famílias para apenas um banheiro.

Já em 1996, por conta da mudança de governo, queriam fechar a instituição. Foi uma longa luta com ajuda do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente para provar a importância da instituição permanecer aberta. A Poiesis atualmente atende cerca de 100 crianças, além de estar trabalhando com 60 famílias, sendo que fora da instituição, também atua no Bairro Caruara atendendo as crianças e jovens das escolas Judoca Sampaio e Mário de Alcântara.

O respeito que Elisabeth conseguiu perante a sociedade ao longo desses anos dedicados a vida social é algo que impressiona, mas não é por acaso, seu modo como trata as pessoas, o seu envolvimento na causa social mostra uma mulher dedicada. Em suas orações diárias, ela sempre pede força para que possa continuar com o seu trabalho. Elizabeth conta como é grande a sua alegria sempre que vê um jovem que foi atendido pela Poiesis poder chegar à universidade, é um sentimento no qual não da para transmitir em palavras. “Quem trabalha com a gente sabe o quanto é difícil tirar uma criança ou um adolescente de situação de risco, da vulnerabilidade em que eles vivem e depois projetar a sua vida, isso nada mais é do que um sentimento de amor pelo próximo”.

Por Vagner Benedito

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