Maria das Reciclagens – Fátima da Lapa

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Durante o mês de novembro, publicaremos textos em homenagem às mulheres engajadas em causas sociais pela Baixada Santista. Trata-se de trechos do livro ‘Relicário de Marias’, resultado de dez pejoteiros a partir do tema do DNJ em 2011: Juventude e Protagonismo Feminino. As publicações retomarão no próximo dia 19.

A conscientização ambiental jamais é tão forte quanto nas singelas ações de Maria de Fátima Custódio Simões. “Sou como aquele beija-flor que, no incêndio, faz a sua parte trazendo água para que haja um mundo melhor”, conta minuciosamente com as mãos. Nascida em 30 de agosto de 1957 em Cubatão, a simpática ‘Fátima da Lapa’ é divorciada, tem três filhos e ainda adotou carinhosamente outros durante suas atividades pastorais. Desde criança era incentivada pela família a atua na Igreja.

Tornou-se agente na Pastoral da Criança na Paróquia Nossa Senhora da Lapa (Cubatão), onde auxiliava mensalmente na alimentação de mais de 200 crianças em situação de vulnerabilidade social. Desde cedo já evitava o desperdício. O sabor dos pratos vinha do valor nutricional de casca e folha de frutas: uma alimentação alternativa reaproveitando doações da feira livre para farinhas até tortas.

Fátima sensibilizava-se com cada criança. Uma família lhe chamou mais atenção. Abandonados pela mãe e cuidados pelo pai deficiente visual, três de seis crianças de 3 a 10 anos iam estudar até uma escola municipal em Guarujá por falta de vagas. Na casa faltavam eletrodomésticos e as crianças saíam às 7h30 para atravessar as cidades, almoçarem na casa de um ente, e partirem ao colégio pela tarde. “Pode faltar tudo para eles, menos o estudo”, afirmava o pai. Fátima decidiu ajudá-los: levou a história à imprensa e a família ganhou várias oportunidades para mudar de vida.

O coração largo de Fátima também cuidava por uma alimentação saudável das crianças portadoras de HIV+ que iam à paróquia. A solidariedade dela rendeu o convite a ingressar na Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP) em 1994. Como vicentina, Fátima realiza ações voltadas às famílias carentes de Cubatão. E também faz um trabalho de conscientização ambiental aos jovens agentes: ensina-os a reaproveitar cada material. Pedaços de calças no lugar de flanelas para oficinas, latinhas de alumínio enfeitadas como porta-treco, blusas desmanchadas em tapetes de banheiro. Sem falar em bonecas feitas de fuxico ou móveis de garrafas pets. Tudo é reciclado, reutilizado.

As ações voluntárias de Fátima são recompensadas em dobro: além de ajudar com o meio ambiente, também gera renda para a SSVP. A repercussão de seu trabalho faz até com que seja exemplo às paróquias de Cubatão, sendo chamada a decorar: desde festas com flores de TNT e fuxico até presépios natalinos com 7 mil garrafas pets.

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