Maria dos Migrantes – Irmã Aparecida Mathias

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Durante o mês de novembro, publicaremos textos em homenagem às mulheres engajadas em causas sociais pela Baixada Santista. Trata-se de trechos do livro ‘Relicário de Marias’, resultado de dez pejoteiros a partir do tema do DNJ em 2011: Juventude e Protagonismo Feminino.

Em 2011, a Congregação Religiosa das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo Scalabrinianas (MSCS) celebraram seus 25 anos de atuação na Diocese de Santos. É a Irmã Aparecida Mathias quem atua há mais tempo na Baixada Santista: mais de 15 anos.

Natural de Monte Alto (SP), ela atendia a população trabalhando como enfermeira e, ao ter contato com as MSCS, sentiu-se despertada pela vocação missionária. “Logo senti o desejo em meu coração de me consagrar”. Como religiosa, já atuou em favor dos migrantes em Cascavel, Guarapuava (PR), Itatiba, Rosana (SP). Já de cabelos grisalhos e voz mansa, a religiosa atualmente é coordenadora do Centro Scalabriniano de Promoção ao Migrante (Cesprom), em Vicente de Carvalho (Guarujá).

Ao lado da Irmã Maria Alves de Souza e de outras religiosas, Irmã Aparecida convida e acompanha outros instrutores voluntários do Cesprom para ministrar cursos semestrais à população carente. “Não existe taxa de mensalidade, o aluno colabora com o que pode”. Diversas atividades profissionalizantes ocorrem no local: Informática, Digitação, Corte e Costura, Costura Industrial, Artesanato para crianças, Pintura em tela para adolescentes. Ao todo, mais de 250 pessoas se inscrevem por semestre.

Professora de corte e costura, Francisca comenta sobre a relação de amizade que mantém com as alunas. A maioria delas são mães que ou procuram o curso para sair da rotina, ou para conseguir uma qualificação.

As alunas correspondem com o carinho que recebem no Cesprom. Maria José chora ao dizer que o curso foi sua maior bênção, pois conseguiu vencer a depressão. Por sua vez, Marli conta que realiza o seu sonho de fazer Corte e Costura. Ao descobrir que o ex-marido a traía, entrou em depressão e foi procurar o Cesprom. Após a morte dele, meses depois ainda perde sua casa em um incêndio. Com medo até da escuridão, Marli era incentivada pela filha a continuar no curso. Hoje ela tem orgulho de dizer que faz suas próprias roupas, que reconstruiu toda sua vida e se recuperou da depressão graças ao curso.

A outra aluna, Iracema, afirma que após ser aluna, pretende é ser voluntária e brinca: “daqui eu não saio mais”. Esse foi o caminho percorrido por Luzia: antes aluna do Cesprom, tornou-se voluntária e há um ano trabalha como secretária do local.

Entre as voluntárias, também se destaca a assistente social Érica. O trabalho dela é voltado a desenvolver em grupo a auto-estima dos alunos e sempre está aberta a ouvir a vida pessoal deles. Muitas alunas, por exemplo, não tem apoio do marido ou da família para fazer as atividades.

Por Mirella Moreira

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