Maria dos órfãos – Izabel Cristina

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Durante o mês de novembro, publicaremos textos em homenagem às mulheres engajadas em causas sociais pela Baixada Santista. Trata-se de trechos do livro ‘Relicário de Marias’, resultado de dez pejoteiros a partir do tema do DNJ em 2011: Juventude e Protagonismo Feminino.

Em vez de um ato de bondade ou compaixão, o verdadeiro desejo de Izabel Cristina dos Santos é o de ser mãe. Por isso, orgulha-se de ver sua filha adotada crescer em seus braços e, mais, tem a vontade de partilhar suas experiências com outras famílias coordenando o Grupo Maternizar de São Vicente.

Em fevereiro de 2007, as técnicas da Vara da Infância e da Juventude da Comarca de São Vicente junto de uma mãe adotiva sentiram a necessidade de criar um espaço de diálogo para pais adotivos: o Grupo Maternizar. Ao fazer o pedido de adoção, Izabel foi convidada a participar das reuniões mensais do grupo.

Lá, a adoção não é vista com preconceito, mas como a oportunidade de uma criança ter uma família. Outros preconceitos também são superados pelos mais de 40 pais que participam das reuniões: como de que as crianças adotadas são problemáticas, por exemplo. “Muitas crianças maiores já passaram por situação de abandono e negligência e têm medo de se apegar”.

O Maternizar também tem o intuito de desmistificar e apoiar adoções tardias, inter-raciais, de grupos de irmãos e de crianças com necessidades especiais. Em 2007, no Brasil, 63% dos menores abrigados são negros e 61% têm entre 7 e 15 anos. Mesmo assim, 72% dos pais adotivos preferem adotar crianças brancas e 98% com até um ano de idade.

Ao decorrer das reuniões, cria-se um vínculo entre os participantes do grupo: sempre que uma família consegue a adoção de uma criança, o Maternizar realiza uma confraternização. Logo os pais adotivos costumam retornar às reuniões, até mesmo para incentivar os pretendentes à adoção. “Não é só no Natal que as crianças precisam de uma família”.

Realizando palestras com profissionais na área social e da saúde no Lar de Assistência ao Menor de São Vicente, o grupo voluntário tem o objetivo de estimular a adoção, prevenindo o abandono e a marginalização de crianças. Assim, o grupo tornou-se um órgão auxiliar do juizado municipal da Infância e da Juventude. Da mesma forma, há outros grupos de apoio aos pais adotivos em Santos, Praia Grande e em outros municípios.

Por Welton Leão Machado

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