Maria das Esperanças – Marizete Aparecida

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Durante o mês de novembro, publicaremos textos em homenagem às mulheres engajadas em causas sociais pela Baixada Santista. Trata-se de trechos do livro ‘Relicário de Marias’, resultado de dez pejoteiros a partir do tema do DNJ em 2011: Juventude e Protagonismo Feminino.

Uma obra artística é capaz de mudar a plateia, mas principalmente a vida de seus protagonistas. A artista plástica Marizete Aparecida da Silva colocou no palco a esperança, a vida de milhares jovens na ONG Meninos da Enseada, que tem objetivo de reduzir a prostituição e a violência em Guarujá.

A mãe nasceu em São José do Rio Pardo (SP) e o pai é de Guaranésia (MG), mas Marizete nasceu em 1969, em Nova Esperança (PR). Ela ingressou na faculdade de Artes Plásticas e se especializou em Psicologia Educacional, indo morar, em seguida, em Ribeirão Preto (SP) para trabalhar na área da saúde. Conseguiu um emprego como auxiliar de enfermagem no Hospital Beneficência Portuguesa por cinco anos à noite, conciliando com os novos estudos em período integral: antes Biomedicina, depois optou por Enfermagem. Solidarizou-se ainda mais com a condição humana ao tratar de pessoas com câncer e com acidentados na UTI do hospital.

Em 1991, conheceu e se apaixonou por Juan Roberto Ferreira Balda, dono e um atacado de vendas de biquínis. O casal mergulhou na oportunidade comercial e vieram montar uma loja de biquínis no litoral paulista – especificamente Guarujá. Reabrindo a loja na praia da Enseada, ambos vivenciaram uma época difícil no município: um cenário comum de arrastões, estupros, assaltos, brigas, etc.

Insatisfeita com a situação hostil, depois de muito ajudar as vítimas, Marizete tomou coragem e foi falar diretamente com os jovens que praticavam a violência: jovens que alegaram que precisavam furtar para comer. Por conta própria ela investigou esses jovens e percebeu que as respostas deles eram verdadeiras. Convidou uns cinco jovens para irem a loja. Comprou pincel, tinta e telas e ensinou a arte da pintura a óleo – uma nova forma de obter renda e auxiliar a família. Tempo depois, o estabelecimento já estava pequeno para a multidão de jovens carentes que procuravam as aulas. Era o início da ONG Meninos da Enseada, fundada em março de 1998. Marizete passou seis anos sustentando sua iniciativa com o próprio bolso, colaborando na redução da violência e da prostituição infantil na cidade.

O trabalho ofereceu bons frutos: desde o aluno da ONG que se tornou gerente de rede de supermercados, quanto o outro que se profissionalizou como bombeiro em São Vicente. O resultado lhe rendeu destaque e, em 2005, foi convidada pela ONU e UNICEF para participar de um fórum no Memorial da América Latina para discutir sobre o tema ‘Criança e Adolescente’. Também foi chamada para apresentar a metodologia de seu projeto no Equador. Atualmente a ONG é patrocinada por diversas empresas como Coca Cola, Petrobrás, Ministério do Turismo, Senac, Prefeitura Municipal de Guarujá, entre outras. Em contrapartida, Marizete oferece na entidade diversos cursos gratuitos: violão, teclado, balé, reciclagem, artesanato, artes plásticas, informática, e ainda presta serviços de fisioterapia, apoio pedagógico, capacitação profissional e assistência social.

Por Ronnaldh Alexandre Rebouças de Oliveira

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