Maria das Violentadas – Naiá Rocha

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Durante o mês de novembro, publicaremos textos em homenagem às mulheres engajadas em causas sociais pela Baixada Santista. Trata-se de trechos do livro ‘Relicário de Marias’, resultado de dez pejoteiros a partir do tema do DNJ em 2011: Juventude e Protagonismo Feminino.

Nascida em 5 de outubro de 1969 em Santos, Naiá Rocha Duarte é graduada em Direito, História, pós-graduada em Filosofia, e pelo amor que tem em lecionar exerce a profissão de professora. Ela assume também outra causa: é presidente da ONG Instituto Mulher Viva, a qual visa proteger, acolher e servir à mulher violentada, maltratada, agredida e discriminada.

Já trabalhando há 10 anos em causas sociais, Naiá afirma que a luta por uma causa é a possibilidade de estender as mãos às pessoas que sofrem. Há quatro anos, Naiá está presente na Campanha 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres. A campanha é feita em nível mundial e ocorre entre 25 de novembro e 10 de dezembro realizando palestras e outras atividades de conscientização contra à violência. No Brasil, a campanha se inicia no Dia da Consciência Negra, em 20 de novembro, para destacar a dupla discriminação sofrida pelas mulheres negras.

Ao se deparar com casos de violência doméstica na Igreja Batista em que frequenta, Naiá decidiu que precisava agir e fundar a entidade em 1º de dezembro de 2009. Mulher Viva é mais uma voz com o intuito de erradicar a violência contra a mulher através da conscientização e prevenção. A instituição atua promovendo palestras e participando de fóruns e debates da Lei Maria da Penha.

Aprovada em 2006, a lei recebe o nome de uma mulher corajosa e agredida diariamente por anos pelo seu marido. Maria da Penha foi uma das milhares de vítimas no Brasil. Entre 1997 e 2007, nosso País contabilizou o assassinato violento de mais de 41 mil mulheres. O número surpreende também na Região. Só em 2009, a Delegacia dos Direitos da Mulher de Cubatão registrou mais de 1063 casos de mulheres violadas.

O Instituto Mulher Viva também acompanha as vítimas da violência. Em 2011, 110 pessoas foram atendidas pessoalmente ou por e-mail. Naiá exemplifica a atuação da ONG a partir de um caso muito bem-sucedido.

Michele (nome fictício) procurou a Naiá logo após uma palestra e contou que seu marido a espancava quase diariamente, e a ameaçava de morte caso ela não se sujeitasse a continuar mantendo relações sexuais com ele. Naiá a encaminhou a Delegacia da Mulher. Em paralelo, encaminharam-na à psicóloga, mas ela continuava a ser intimidada por ele. Para proteger sua vida e de seus filhos, compraram passagem para o Nordeste onde Michele tinha família. Atualmente, longe do agressor, ela mora com seus filhos e, graças a Deus, conseguiu restaurar sua vida.

Por Bruna Rosa

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