Arquivo mensal: agosto 2013

40 anos de PJ: Entrevista com André Ribeiro

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Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens.

A PJ foi o espaço na Igreja que eu encontrei e me identifiquei para fortalecer e vivenciar essa fé!

01ANDRÉ RIBEIRO
Data de nascimento: 15/out/80 (32 anos)
Comunidade de origem: Comunidade Nossa Senhora Aparecida (Prados/Peruíbe)
Trajetória: Secretário do grupo paroquial (1998); coordenador diocesano (1999-2002); assessor diocesano (2003-2009).

INÍCIO. Na minha comunidade fiz Catequese, Perseverança, Crisma, fui Catequista e participei do Grupo de Jovens. Em relação ao grupo, era formado pelos jovens da comunidade, principalmente por recém-crismados, e eu não participei logo de início, pois trabalhava de maneira intercalada aos sábados (dia dos encontros). Posteriormente, as reuniões do grupo mudaram para os domingos à tarde, mas mesmo assim eu ainda não participei. Já no início de 1998, finalmente fui a uma primeira reunião, faltei à seguinte, mas a partir da próxima me tornei participante. O que me atraiu, até mesmo por uma fase pessoal, foi a oportunidade de fazer parte de um espaço de espiritualidade e discussões de temas que me interessavam à época, como participação comunitária e pessoal, desenvolvimento de novas amizades, apesar de já conhecer a maioria dos jovens.

NA COMUNIDADE. O grupo, mesmo sem se “reconhecer” como esta ou aquela identidade, seguia uma linha bastante característica da Pastoral da Juventude. Eram reuniões elaboradas com espiritualidades, leitura e reflexão da Palavra, músicas e programações de atividades sociais e participação mais ativa na comunidade. Tínhamos mensalmente a “missa dos jovens”, organizávamos e participávamos de campanhas de assistência e apoio aos Vicentinos, por exemplo, e das festas solenes e quermesses. Também procurávamos organizar passeios, dias de esportes, e também nos divertíamos juntos aos sábados à noite. Lembro que também, uma vez por mês fazíamos reuniões na casa dos jovens que participavam do grupo, além de promovermos sempre as festas de aniversário. Como membro do grupo, participei ainda em 1998 de um curso oferecido pela PJ chamado “Maturidade Afetiva”. Com toda a certeza, foi a atividade mais marcante para mim, pois o curso desenvolvia temas e atividades relacionadas ao desenvolvimento interpessoal, comunitário, afetivo, e era isso que eu precisava enquanto jovem, àquela época. Essa experiência foi determinante para o meu desenvolvimento pessoal, refletindo também no campo afetivo e profissional. Por isso, a experiência mais marcante!

NA DIOCESE. Já fazendo parte da Codijuv a partir de 1999, e como equipe, organizávamos todos os eventos do calendário diocesano da PJ, cujos principais eram: DDF’s CF (Dias De Formação sobre o tema da Campanha da Fraternidade), Semanas da Juventude, Romarias da Juventude, DNJ’s (Dia Nacional da Juventude), Encontros de Formação e Assembleias. Além dos eventos, promovíamos os cursos de formação da PJ, que inicialmente eram organizados de maneira individual e não integrada (algum tempo depois esses cursos se tornariam uma “formação integral e integrada”, digamos assim…). Um evento bastante importante, mais precisamente um curso, foi o CAJA (Curso de Animação para Jovens e Adolescentes) realizado no Santuário do Valongo (salvo engano, em 1999), onde a Região Litoral Sul participou em peso. Para quem é da época, sabe que fatores como a “geografia” (distância “da Diocese” e tamanho da região) e pouco desenvolvimento pastoral dificultavam a integração com as demais regiões diocesanas, praticamente todas concentradas em torno de Santos. Após esse curso, muitas lideranças foram formadas, criamos o conselho regional, e por conta disso o trabalho se tornou mais viável, pois foram atingidos mais grupos, formados alguns mais, e promovidas atividades celebrativas e formativas mais adequadas à realidade dos jovens da região. O resultado foi uma participação ativa e de bastante destaque na Diocese, a partir de então, inicialmente com Peruíbe e Itanhaém, partindo posteriormente para Mongaguá e também Praia Grande, onde muitas lideranças jovens tiveram papel fundamental no desenvolvimento da região. A partir de 2003, já assessor, a principal função era promover à PJ uma formação mais integral e qualitativa, visando capacitar a juventude para a liderança e participação mais ativa em suas comunidades de base. Uma ação, das mais importantes da Equipe de Assessoria, foi a integralização da capacitação aos jovens, e isso se deu através de um projeto proposto por alguns colaboradores da Assessoria, tornando-se o projeto principal de uma formação integral e continuada, sendo aplicado em formato modular (dois blocos com três módulos cada, durante o ano).

INFLUÊNCIAS. A PJ foi para mim um excelente espaço de aprendizado e vivência não somente pessoal, espiritual ou comunitária. Na Comunidade, participei do Conselho Administrativo e também fui Coordenador do Conselho de Pastorais. Atuei ainda como assessor na formação do grupo de jovens na comunidade. Hoje não participo de nenhuma pastoral ou movimento, mas a vivência na PJ me faz objetivar, quem sabe, a participação em alguma pastoral social da Igreja. Costumo também dizer que a PJ foi fundamental para a minha formação profissional, pois todo o aprendizado em liderança e outras capacitações técnicas, como organização, administração de tempo, coordenação, influenciaram diretamente na minha carreira profissional, e hoje atuo na gerência de uma empresa de materiais para construção, aqui mesmo em Peruíbe.

CONVITE. Realmente é um “clichê”, mas “Deus é tudo”. É a razão da existência. Para mim, é o porto seguro nos dias de tormenta e é quem me dá força e capacidade de enfrentar os obstáculos que a vida, sabiamente (depois a gente entende isso!) nos apresenta. E é a quem, ainda raramente, agradecemos por nossos momentos de felicidade e prosperidade. Entendendo e compreendendo tudo o que Ele nos proporciona, considero que somos pouco agradecidos ao nosso Pai. A Igreja é a pedra fundamental da nossa fé, enquanto cristãos, e espaço de convivência comunitária (é o que realmente nos fortalece como pessoas), e a PJ foi o espaço na Igreja que eu encontrei e me identifiquei para fortalecer e vivenciar essa fé. O entusiasmo que a PJ me causou em todos esses anos em que participei é o que posso mostrar a algum jovem que eu pretenda convidar para participar na Igreja e no grupo. Sempre acreditei que, se você não demonstra o que fala com exemplo e entusiasmo, dificilmente convence. E não adianta querer incutir nada na cabeça de ninguém. Um jovem, hoje, tem em sua volta inúmeros atrativos que o afastam de um caminho próximo de Deus. A PJ, em minha visão, proporciona ao jovem a percepção de que pode e deve viver no mundo do jeito que é, mas procurando mudá-lo através de sua própria mudança. Penso que o nosso “mundo possível” não é utopia, e nem tão distante quanto parece ser.

Agradeço imensamente a oportunidade de participar da celebração dos 40 anos desta Pastoral da Juventude que tanto me identifiquei e aprendi a amar. Desejo que a PJ tenha outros 40, 80, 120 anos, sempre proporcionando à juventude um excelente caminho de desenvolvimento espiritual e participação comunitária! Parabéns, PJ! Aqui, lá, em qualquer lugar!

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40 anos de PJ: Entrevista com Lúcia Helena Guerra

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Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens.

Desejo que mais 40 anos se façam e a PJ continue a formar jovens conscientes, com senso crítico e protagonistas da sua realidade.

01LÚCIA HELENA GUERRA
Data de nascimento: 10/abr/80 (33 anos)
Comunidade de origem: Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Santos)
Trajetória: Coordenadora do grupo de jovens (1996-1997); coordenadora diocesana (1998-início dos anos 2000); assessora diocesana (até o ano de 2008).

INÍCIO. Então… Após receber o sacramento da 1ª Eucaristia, ingressei em um grupo de “pós-catequese”: a Perseverança. Como fui criada na paróquia, grande parte dos meus amigos fazia parte deste grupo. Fomos crescendo e ficando “velhos”, já chegando na fase de se preparar para o Crisma. Após o Crisma, continuamos como um grupo sem ligação com nenhuma pastoral. A paróquia tinha outros grupos de jovens, todos tinham uma ligação com pastorais… Menos nós! Éramos “Os Jovens” (porque ninguém sabia porque exatamente a gente se reunia, risos). O assessor que passou a nos acompanhar foi meu tio, Serginho, que também teve sua história na PJ e trazia essa nova proposta para o grupo. Em um dos primeiros encontros, tivemos uma formação sobre a Pastoral da Juventude. Achamos muito interessante e, assim, “abraçamos a causa”.

NA COMUNIDADE. Antes da proposta, o grupo, sem querer querendo, já seguia uma ordem comum dos encontros dos grupos de PJ – antes ainda de “virar” PJ: acolhida, espiritualidade, desenvolvimento do tema (com dinâmicas, subgrupos), partilha das conclusões, proposta de gesto concreto, recados, espiritualidade e fim. Tínhamos nossas atividades na paróquia, como mensalmente na liturgia da missa de domingo das 17 horas. Para arrecadar fundos para nossas atividades externas (como visitas a instituições de caridade), retiros, passeios e para ajudar o caixa do grupo, vendíamos bolo no final das missas. Sem contar as Noites do Pastel, da Pizza… Além das outras atividades paroquiais que sempre chamavam “Os Jovens” pra ajudar. A primeira Gincana Vocacional que o grupo participou foi fundamental para o grupo. Foi a inscrição do grupo na gincana que trouxe um nome para o grupo: O Formigueiro (não é “Formigueiro”… é “O” Formigueiro – isso era importantíssimo ficar claro, risos). Porque as formigas trabalham em conjunto, cada uma com seu dom, colaborando para construir e manter o grupo. Lindo, não!? A gente nem fazia parte da PJ esse ano. Um grupo mirradinho, pouquinha gente. E nós lá, com nossos pompons caseiros, nossa camiseta branca com a primeira estampa “O Formigueiro”. A gente tava se achando (risos). Ficamos em 12º Lugar (isso era bem perto do último). Mas pulamos como loucos quando falaram nosso nome como Grupo mais Animado (risos). Tempo bom! Depois a camisa ficou estilosa: Preta. (risos) O primeiro Encontro do Formigueiro (ENFO) também foi muito importante para o nosso grupo. Primeiro encontro de “final de semana” pautado sob um tema, com diversas atividades, música. Nossa! Foi um marco na nossa caminhada. Ao todo, acho que foram 8 ENFO’s. Ah! Foram tantos momentos bacanas que não vou colocar mais pra não exagerar.

NA DIOCESE. Minha primeira atividade diocesana foi o Encontro de Formação de 1997. Fomos eu e meu amigo de fé, irmão camarada, Fernando Diegues, eleitos há uma semana como coordenadores do grupo recém-nascido. Conhecemos bastante gente, aproveitamos bastante (boiamos um pouco também, mas sempre tinha alguém pra ajudar). Chegamos no grupo empolgados e orgulhosos com as várias atividades que o grupo, enquanto PJ, participaria dali pra frente. Aí a gente desembestou! Estávamos em todos os eventos, encontros, dias da juventude (DNJ), dias de formação… Alugávamos ônibus, a paróquia ajudava financeiramente, mas a gente não perdia a mania de vender bolo no fim da missa (risos). Acabou que em dezembro de 1998, Assembleia Diocesana (que, na época, ainda tinha acento), fui eleita para participar da Codijuv, pela região, na época, Centro. Mais tarde fui convidada para participar do Grupo de Assessoria Diocesana Leiga, onde fiquei mais uns anos. Algumas atividades marcaram muito minha caminhada nessa época, entre elas:

– Uma atividade do DNJ (acho que em 99) que fizemos na Praia da Biquinha em São Vicente. Muito sol, muita gente na praia… E eu olhava e via um monte de anônimos prestando atenção. Teve show, teatro, e dávamos umas palavrinhas entre uma apresentação e outra. Foi emocionante! Quando acabou, me vi sentada num banco, tremendo. Nem acreditava aquilo tudo tinha se concretizado.
– Ter participado e conseguido ajudar a trazer para a Diocese, em 99, o CDL (Curso de Dinâmica para Líderes). Uma formação específica para lideranças dos grupos que deu super certo aqui, pela sua formação e formato diferenciados.
– Ter participado da elaboração da nova (agora velha) estrutura organizacional da PJ da Diocese.

02INFLUÊNCIAS. Todos esses momentos e atividades que vivi, participei ou ajudei a organizar, me trouxeram fortemente a importância do trabalho em grupo, me mostraram que viver em comum-unidade não é fácil, mas vale a pena. Que fé sem obras é morta, e obras sem fé também não adiantam muito. Depois da participação na PJ, não participei de nenhuma outra pastoral: saí um ano antes de me casar e agora, quase quatro anos depois de casada, tenho um filho de 4 meses. Tenho, sim, vontade de me engajar e conhecer outra pastoral “por dentro”. Poder ajudar outras pessoas e ser ajudada por elas. Mas preciso que o bebê cresça um pouquinho mais… Senão “nun güento”. A PJ também me ajudou a desenvolver uma liderança que trago hoje no meu trabalho empresarial autônomo. Assim como planejar e organizar decentemente as minhas atividades.

CONVITE. Deus é amor… Simples assim! O amor é a força mais importante e mais poderosa do mundo! Não existem obstáculos ou pedras no caminho que não possam ser transpassadas com o Amor de Deus. E somente um coração cheio de amor, pode ser “terra boa” pro projeto que Deus tem para as nossas vidas. A Igreja e a PJ são extremamente importantes na minha vida. Me deram discernimento, análise crítica, aprofundamento na fé e a indispensável capacidade de ser cristã no meu cotidiano. Afetivamente falando, minha família me apresentou a Igreja, a Fé e a PJ… E estas me retribuíram me dando uma nova família. Afinal, conheci meu marido em um encontro da PJ. Da Igreja e da PJ ganhei meus grandes e melhores amigos, gente muito importante pra mim – as melhores pessoas que eu poderia querer por perto. Não tenho mais o que pedir, não é? Acho que todo jovem que se permitir conhecer e vivenciar a vida em comunidade, experimentar Deus na sua vida e poder conhecê-lo melhor não vai se arrepender… Disso eu tenho absoluta certeza. Poder, depois disso, apresentar esse Deus a outros jovens e vê-los também se encantar e vivenciar esse Deus-Amor em suas vidas… Isso não tem dinheiro no mundo que pague, nem palavras possíveis para descrever.

Agradeço imensamente poder dividir com vocês um pouco do que vivi. Poder me “re-emocionar” com momentos tão bacanas, tão intensos e tão decisivos da minha vida. Desejo que mais 40 anos se façam e a PJ continue a formar jovens conscientes, com senso crítico e (clichêzão, mas vale) protagonistas da sua realidade, podendo ser a representação do Cristo em suas vidas. Um beijo enorme a todos.

40 anos de PJ: Entrevista com Ricardo Fischer

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Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens.

Dar de comer a quem tem fome.

01RICARDO FISCHER
Data de nascimento: 15/mai/74 (39 anos)
Comunidade de origem: Paróquia N. Sra. de Fátima e Santo Amaro (Guarujá)
Trajetória: Coordenador de grupo de jovens (início dos anos 90), coordenador diocesano (1995-1998), assessor diocesano (2000-2006), assessor da Sub-Região SP-2 (2003-2005).

INÍCIO. Na Matriz do Guarujá, fazia parte do grupo de liturgia antes de participar do grupo de jovens. Na época, o grupo não participava ativamente das atividades promovidas pela PJ (diocesana). Fui inicialmente convidado a fazer parte do grupo por uma grande amiga (hoje, minha esposa, Fernanda) e pouco tempo depois de entrar no grupo, pude conhecer o trabalho desenvolvido pela PJ Diocesana, e me apaixonei pela forma com que a Pastoral atingia a juventude, como uma linguagem muito próxima, e um modelo de trabalho onde os jovens eram os verdadeiros protagonistas. Com isso ao assumir o grupo como coordenador, priorizei o máximo possível a participação ativa dos jovens na PJ, não só nos eventos (cursos, encontros, etc.) mas também na adoção de material produzido pela pastoral.

NA COMUNIDADE. O grupo que eu fazia parte era o JTPC (Jovens trabalhando para Cristo), tínhamos uma dinâmica muito interessante com encontros semanais, antes da missa dos domingos à noite (que era de nossa responsabilidade, principalmente em relação a animação). A ideia principal do grupo era marcar presença, por isso, nós nos fazíamos presentes nas atividades da comunidade. O grupo realiza várias atividades, inclusive lazer na praia, além de retiros no CEFAS (Centro de Formação do Apostolado de Santos).

NA DIOCESE. Participei de vários eventos, muitos como organizador, entre eles, o Dia da Jornada Mundial da Juventude que ocorria todo Domingo de Ramos na Catedral, DNJ (Dia Nacional da Juventude), DDF (Dia de Formação – Campanha da Fraternidade), Romaria da Juventude, além dos vários cursos, CAJA (Curso para Animadores de Jovens e Adolescentes), Maturidade Afetiva, etc. O evento que mais me marcou, foi um DDF em São Vicente, no bairro do Quarentenário. O encontro transcorria normalmente, porém acredito que foi divulgado no bairro, que este evento teria almoço para todos os que estavam participando. No início, não tínhamos mais que 40 jovens, a medida que a hora do almoço chegava, muita gente foi chegando. Perto do meio dia tínhamos mais de 100 pessoas, na sua maioria criança e idosos. Quando o almoço começou a ser servido, eram mais de 200 pessoas em volta da mesa, e decidimos que iríamos dar um jeito de oferecer almoço para todos. Dividimo-nos em grupos: uma parte foi para a cozinha, outros buscar água, outros em fazer uma pequena “vaquinha” para levantar mais dinheiro e no final, ficamos até perto de 4 horas da tarde só ajudando a servir almoço a todos aqueles que estavam na escola. Os jovens que estavam no encontro, continuaram participando normalmente, mas nós que estávamos na organização, nos redobramos para que todos pudessem almoçar naquele dia, foi algo muito forte e marcante até hoje, e me fez lembrar daquela passagem bíblica que diz: “Dar de comer a quem tem fome”.

NO SPII. O contato com as outras dioceses sempre era muito bom, a troca de experiência era algo maravilhoso, a oportunidade de conhecer outros jovens de realidades tão diferentes das nossas, mas com os mesmos sonhos e ideais sempre marcava muito. Tínhamos duas atividades em comum: Seminário de Estudo e Assembléia, sempre momentos de partilha e espiritualidade.

02INFLUÊNCIAS. Sem dúvida nenhuma, a PJ exerceu e exerce grande influência na minha vida, tanto pessoal quanto profissional. Muita coisa que que aprendi neste anos de PJ me ajuda nas tarefas do dia-a-dia. Além disso a formação adquirida durante os curso, me fizeram ser uma pessoa muito mais atuante na politica e mais crítica em relação ao bem comum, à organização da sociedade e ao meio ambiente.

CONVITE. Deus significa muita coisa na minha vida, tenho comigo que nada acontece pelo acaso ou por coincidências, acredito de fato em Deus. Pra mim Deus por intermédio de Jesus Cristo, que se fez homem e esteve no nosso meio, nos ajuda a entender melhor a vida onde devemos amar a todos sem restrições, entendo que este é o maior exemplo que nos foi deixado. A Igreja significa a porta aberta para aprendermos a viver em comum unidade, apesar de muita gente não concordar, ela é essencial para a nossas vidas – onde o convívio com outras pessoas pode ser muito positivo. PJ significa um processo muito importante que eu passei, onde pude buscar muito conhecimento direto da fonte, tive a oportunidade de conviver com alguns padres operários (Fabian e Eduardo Redondo), que ajudaram muito na minha formação como pessoa inserida na sociedade, e mais crítica com as injustiças deste mundo. Meu convite ao jovem para participar da Igreja, é a oportunidade de ter um encontro com o Cristo vivo, não o morto na Cruz, mas o ressuscitado, e esta oportunidade pode acontecer da forma mais simples possível, muitas vezes esta oportunidade está mais perto do que imaginamos. Já a participação da PJ é a oportunidade de participar de algo, onde o jovem é o protagonista de tudo, um espaço que ele se sente valorizado, e isso é muito importante, pois nem sempre na sociedade o jovem tem voz e vez.

40 anos de PJ: Entrevista com Genilson Santos

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Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens.

Claro que a receita do bolo vem pronta, porém, precisamos colocar a mão na massa: assim é a Pastoral da Juventude.

GENILSON SANTOS
Data de nascimento: 7/set/63 (49 anos)
Comunidade de origem: Comunidade Nossa Senhora Aparecida (Jd. Samambaia/Praia Grande)
Trajetória: Coordenador do grupo de jovens na comunidade (1992-1995), Coordenador da Pastoral da Juventude na Paróquia Santo Antônio (1996-1997), coordenador diocesano da Pastoral Familiar (atualmente).

01

INÍCIO. Em 1996, trabalhava com um grupo de jovens no Colégio Santa Maria das Irmãs Passionistas (Praia Grande), sob a coordenação da Irmã Valentina. Começou com a chegada do recém-ordenado Padre Paulo Staut: vendo a quantidade de jovens participando dos nossos encontros nos convidou para inciarmos a Pastoral da Juventude com aquele grupo na paróquia. E o que mais me chamou a atenção erá a disposição daquele grupo.

NA COMUNIDADE. Sempre trabalhamos com o método Ver Julgar e Agir, e uma das características de nosso grupo sempre foi a distribuição de tarefas, além dos momentos de oração. Incluindo a vigília anual, das 19 horas às 7 horas da manhã com a participação do Pe. na madrugada. Fazíamos luau com muitas frutas e cânticos, viagens para aproveitar um momento de lazer com a celebração da Palavra, e visitas nos abrigos de crianças e idosos, como também eventos com arrecadação de alimentos que eram destinados aos seminários. Nossa programação era sempre neste contexto, e sempre que visitávamos os abrigos era um momento forte. Por causa da carência afetiva. E do abandono da pessoa humana como descartável.

02NA DIOCESE. Teve um evento diocesano que realizamos que nos marcou muito. Por ocasião da Campanha da Fraternidade ‘Vida Sim Drogas Não’, conseguimos um trio elétrico gigante e realizamos na praia uma caminhada com shows, momentos de muita oração e a participação do nosso pároco. Um detalhe que nos chamou atenção foi atolar o trio na areia da praia e sair guinchado de lá (risos).

INFLUÊNCIAS. Hoje sou casado há 24 anos com três lindos e abençoados filhos. Minha maior virtude é ser pai. A partir da PJ, fui trabalhar na Pastoral Vocacional, onde tivemos o privilégio de implantar a ‘Feira Vocacional’ e o ‘Vocanção’ no Colégio Santa Maria. Já coordenei a Comunidade Santa Cruz (onde participo), a Equipe do Dizimo Paroquial, o Ministério da Família (também pelo RCC), e, assim, a Comissão Vida e Família (Pastoral Familiar). Hoje, minha esposa e eu somos presidentes da ONG Escola de Pais do Brasil seccional de Praia Grande, que trato do estreitamento de relacionamento entre pais e filhos, onde, em 10 encontros semanais, orientamos com valores os pais na responsabilidade da questão educacional dos filhos. A partir da ONG, tive a experiência de atuar por um ano na Fundação Casa de Praia Grande (unidades 1 e 2) trabalhando diretamente com os adolescente e seus familiares.

CONVITE. Deus é o sentido de minha vida. A Igreja é Mãe e Mestra e a PJ fez minha formação crítica, meu bom senso. Claro que a receita do bolo vem pronta, porém, precisamos colocar a mão na massa: assim é a Pastoral da Juventude. O Papa usou uma fala muito bonita, mas ao mesmo tempo muito forte: “Jovem, Deus bota fé em vocês”. E a Igreja, como Mãe, estará sempre te aguardando, pois um dia me falaram que o meu lugar estava reservado na Igreja e que ninguém poderia ocupar, somente eu, então fui ao encontro, e minha surpresa: Encontrei Jesus, fonte de minha razão e justiça. E você esta esperando o quê?

40 anos de PJ: Entrevista com Mauro Alonso

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Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens.

Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma.

01MAURO ALONSO JÚNIOR
Data de nascimento: 10/abr/76 (37 anos)
Comunidade de origem: Paróquia São Judas Tadeu (Santos)
Trajetória: Coordenador de grupo de jovens (2000-2001), coordenador regional (2002), assessor diocesano (na Região Centro de 2003-2004 e de São Vicente 2005-2006), catequista de Crisma (São Judas Tadeu de 2003-2004 e São Vicente Mártir de 2005-2012), assessor paroquial (São Vicente Mártir 2005-2013).

INÍCIO. Quando eu morava em Santos, tínhamos um grupo de amigos no Marapé que sempre jogava vôlei na praia. Um dos participantes desse grupo também frequentava a Paróquia São Judas e sempre chamava a gente para ir até lá, participar, etc… Mas não convencia ninguém (risos). Até que ele tentou uma abordagem diferente e levou os membros do grupo que ele fazia parte (chamado PADOL – Pastoral do Adolescente) para jogar com a gente na praia. Passado algum tempo, a amizade cresceu e quase todos que eram do “grupinho do vôlei” acabaram indo para a São Judas… E o local no Canal 1 onde jogávamos passou a ter o apelido de “Rede da PADOL”. Vai entender, né?

COMUNIDADE. O nosso grupo, apesar do nome, cuidava de jovens de 13 a 24 anos, se reunindo aos domingos e tinha funções definidas na comunidade. Era responsável pelas missas de domingo à tarde (em conjunto com os outros três grupos existentes), ajudava nas “Manhãs de Lazer” (recebíamos todos domingos pela manhã os internos do Educandário Anália Franco para brincar e dedicar carinho), participava dos eventos da comunidade (jantares, almoços, festas) normalmente na organização (mão de obra mesmo, risos). Aproveitei o tempo no grupo para concluir os sacramentos de iniciação (faltava Eucaristia e Crisma) e incentivei outros a fazer o mesmo gesto. Entrei no grupo em 1998 e assumi a coordenação dele em 2000. Inclusive foi o ano que tivemos o primeiro contato com a PJ Diocesana, em um DNJ (Dia Nacional da Juventude).

NA DIOCESE. Participei e organizei, no período em que fiz parte tanto da coordenação, quanto da assessoria diocesana, de diversos eventos que me marcaram, entre eles DNJ, Encontro de Espiritualidades, Encontro de Comemoração dos 30 anos da PJ… (Sim, ela vai fazer 40, eu comemorei os 30, risos), festas para arrecadar dinheiro, cursos diversos. Mas o projeto que mais me marcou foi a proposta da assessoria diocesana para a reorganização da estrutura dos três principais cursos existentes: CAJA (Curso para Animadores de Jovens e Adolescentes), Maturidade Afetiva e CDL (Curso de Dinâmica para Líderes). Assim, criando a formação em módulos sequenciais que funcionou entre 2005 a 2007 e ocorria sempre no Centro de Formação do Apostolado de Santos, o CEFAS. O conceito de formação continuada ajudou a fortalecer por um tempo não apenas a PJ diocesana, mas principalmente os membros que voltaram a suas comunidades mais preparados para divulgar a Boa Nova e viver Jesus Cristo em suas comunidades. Muitos dos que passaram pelos módulos se tornaram coordenadores, assessores, líderes de pastorais. E isso deixou uma sensação de “missão cumprida”.

02INFLUÊNCIAS. A convivência com outras pessoas, a superação de limites pessoais como timidez, medo de falar em púbico, e o desejo em conhecer e se aprofundar nos conhecimentos relacionados com sua fé, me ajudaram a crescer como ser humano. A PJ me despertou para outras causas sociais, e isso serve até hoje na minha vida. Continuo atuando com juventude nas comunidades, hoje na Paróquia São Vicente Mártir, e com catequese crismal, algo que muito me agrada.

CONVITE. Acredito muito em São Tiago quando ele diz “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2,17). Deus me ensinou a orar e agir. Não consigo fazer em apenas uma das coisas. O meu trabalho voluntário precisa desses elementos e por isso continuo com grande parte da minha atuação ainda vinculada à comunidade, até por acreditar muito no conceito de pequenas comunidades. A PJ e a Igreja me tornaram um homem com responsabilidades e com coragem para enfrentar uma sociedade tão egoísta e hipócrita. E fica uma dica: um pequeno grupo que trabalhe forte e faça a diferença em sua paróquia, em sua base, hoje em dia é fundamental para a estrutura da Igreja! Nunca esqueçamos da real origem das nossas pastorais, afinal elas começam lá naquela salinha pequena, com reuniões toda semana e com muita fé e devoção! Fazendo isso, acreditem, o Reino de Deus acontece!

40 anos de PJ: Entrevista com Samira Aun

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Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens.

Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer!

01SAMIRA ALVES AUN
Data de nascimento: 6/dez/84 (28 anos)
Comunidade de origem: Paróquia Sagrado Coração de Jesus (Santos)
Trajetória: Catequista de Crisma/Coord. do grupo de jovens (2008-2010); coordenadora diocesano (2011-2012).

INÍCIO. Bom, meu início se deu motivada pela catequista de crisma da época, Ana Herondina (Heron), e desde que terminei a catequese, ansiava em fazer parte dos Jovens do Sagrado, mas diziam que eu não tinha idade (risos), então iniciei no grupo de adolescentes (Perseverança). Nosso pequeno grupo tinha uma forte ligação e nos divertíamos muito, mas nossa participação enquanto grupo era somente intra-paroquial. Neste período, iniciei como auxiliar de catequese com a Yvone. Em 1999, mudei com minha família para o interior (em Cosmópolis), e lá, ingressei no grupo da Aparecida, que não tinha um comportamento tão carismático (o que me deixava um tanto incomodada e com um posicionamento diferenciado dos demais). No ano seguinte, em 2000 retornamos a Santos e eu, consequentemente, procurei me envolver em diversos espaços juvenis: Infância Missionária, turma de catequese, e turma de Crisma. A Heron já estava bem doente na época, e, por intermédio dela, fui à Assembleia Diocesana da PJ em 2001. No entanto, iniciei minha vida vocacional em 2002, entrando na Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Calvário com quem aprendi muito e tive experiências únicas em minha visão religiosa-social-politica e pastoral (onde estudei Teologia na PUC-Campinas, a partir do viés da Teologia da Libertação). Em 2008, ao retornar à comunidade, voltei a frequentar a PJ.

NA COMUNIDADE. No meu grupo de Perseverança, íamos ao cinema e nos encontrávamos semanalmente pra conversar, nisso aprofundávamos e discutíamos algumas questões pertinentes à nossa idade de adolescentes, mas lembro muito bem do quão bom e divertido eram esses encontros. Já no Crisma foi quando fortaleci minha relação com os jovens de outras paróquias por causa das gincanas e sempre carregando a identidade de “jovens do sagrado” (risos).

NA DIOCESE. Participei de diversas formações, tanto como participante e como equipe. Mas a que mais me marcou foi o meu 1º CDL (Curso de Dinâmicas para Líderes), em nível regional em São Vicente. Fui convidada a participar pela Amandinha e pelo Ricardo França. Nesse período, me reaproximei ainda mais da estrutura da PJ. Eleita coordenadora diocesana (Codijuv) em 2011, outro evento diocesano que me marcou muito foi o DNJ (Dia Nacional da Juventude) de 2011 que aconteceu em Praia Grande. Apesar da trabalheira que deu me senti com uma imensa satisfação de missão cumprida e de um belíssimo trabalho em equipe (a Codijuv estava bem integrada pra esse evento).

02INFLUÊNCIAS. As vivências de grupo sempre me levaram a um favorecimento na vida cotidiana escolar, pois me ajudou a lidar com a timidez de falar em público, a lidar com os conflitos e diferenças de cada pessoa, a ter tolerância… Há tanta coisa que ainda aprendo na PJ! Mas principalmente me despertou a sensibilidade ao sofrimento dos outros e a querer entender como Jesus vivia e lidava com essa triste realidade, fruto da injustiça social. Essa inquietação que a PJ me despertou foi norteadora nas minhas escolhas mais importantes: começando inicialmente pelo desejo de viver na Vida Religiosa e no envolvimento com algumas pastorais sociais. Hoje, já, num processo de militância, estou inserida em diversas lutas sociais junto a diversos movimentos e coletivos organizados, inclusive, a PJ foi um grande influenciador na escolha do curso superior que escolhi para seguir carreira, o Serviço Social.

CONVITE. Deus pra mim é tudo! Ele está em cada um de nós, e carrego essa certeza de sua presença como um sopro de vida em nós, não por um mérito ou por exclusividade ou por grandes devoções. E, ao se fazer carne e habitar entre nós, mostrou com profunda simplicidade como deseja que vivamos nossa liberdade. Jesus foi e é a maior prova do amor de Deus. E me entristece ver o quanto os cristãos continuam com um discurso distante da realidade pouco dialogando de forma ecumênica e progressista por um outro mundo possível. Mas eu ainda acredito, porque a juventude representa o presente, a força criativa e viva na história, que constrói seu caminho à medida em que se compreende como protagonista de sua história e acima de tudo como um ser coletivo, sensível às mazelas do mundo como um pecado social que também nos atinge diretamente. E assim, se empoderar de sua capacidade de transformar a realidade de injustiça e exclusão, vivendo a coerência evangélica! Muito axé na caminhada e continuem firmes e perseverantes na luta por um outro mundo possível, de justiça e equidade!

40 Anos de PJ: Entrevista com Emerson Lopes

Padrão

Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens.

Por isso, vem! Entra na roda com a gente também, você é muito importante!

01EMERSON DOS SANTOS LOPES
Data de nascimento: 19/abr/84 (29 anos)
Comunidade de origem: Comunidade São João Batista (Morrinhos/Guarujá)
Trajetória: Coordenador do grupo de jovens Jovens a Caminho da Salvação/Grupo Acorde (2002-2004); coordenador diocesano (2004-2006).

INÍCIO. Tinha 14 anos, e não havia feito a Primeira Eucaristia. E uma vizinha, de apelido Liu, sempre me convidava para participar do grupo de jovens e eu relutava. Um belo dia, ela me convidou para participar de um terço com a juventude que acontecera na paróquia, porém, percebi que após tantas resistências da minha parte, ela me convidara apenas de praxe e não tinha confiança que ia. Conversei com a Ízis, uma amiga que estava na mesma situação, recebendo inúmeros convites e se esquivando. Um disse ao outro: “Se você for eu vou”. Para surpresa dela fomos os dois ao terço, e durante o caminho interagimos bastante com os demais membros. Na sequência, o grupo estava ensaiando a quadrilha para a festa junina, entrei na brincadeira e acabei participando do grupo e da Igreja. Acredito que a amizade é o fator principal de todos os grupos sociais: afinal, o que motiva os jovens a saírem de suas casas em pleno domingo a tarde e irem à Igreja, ao invés de irem à praia? Pode até me responder que é a fé, porém, se o jovem tiver fé e não for bem acolhido no grupo e ele não se sentir parte dele, não retornará. Me senti parte do grupo desde o primeiro momento que estive em contato com eles. Muitos jovens com o mesmo ideal de buscar um contato mais próximo com Cristo, de uma forma diferente e inusitada.

NA COMUNIDADE. No ano seguinte, fomos convidados pela Pastoral da Juventude a participar de um DDF (Dia de Formação) da Campanha da Fraternidade daquele ano que tinha como lema: “Sem trabalho por que”. A partir daí, nosso contato com a PJ foi estreitando-se, e o que aprendíamos na PJ estava cada dia sendo aplicado com maior frequência em nosso grupo. Ao aproximarmos da pastoral, os segmentos mais conservadores da comunidade não gostavam da forma como o grupo estava sendo conduzido, veio então a primeira crise, com a saída de alguns jovens. Nossos encontros sempre foram marcados pela formação, partilha da palavra, interação com outros grupos, espiritualidade e pela alegria. Participávamos de todas atividades da comunidade, cantando, dançando, interpretando, ajudando-se mutuamente, um incentivando o outro o tempo inteiro, fosse na fé ou na vida pessoal. Neste período, marcou-me uma peça que encenamos na semana do padroeiro, onde, relatávamos de forma bem humorada o dia a dia de nossa comunidade, fizemos o povo refletir sobre as atitudes de cada um neste contexto e tivemos que arcar com as consequências depois – nossos textos teriam que passar pelo crivo do Conselho Pastoral da Comunidade. Outra coisa que me marcou, foi na nossa segunda crise, quando uma turma decidiu se dividir e fundar um grupo de oração jovem. No início não entendi e fiquei chateado, mas depois percebi que era a melhor coisa a ser feita. Cada um fazendo o seu trabalho sem atrapalhar o do outro.

NA DIOCESE. Participei dos cursos oferecidos pela PJ, assembleias, encontros, romarias, escola bíblica, missão jovem, DDF, Dia Nacional da Juventude e por aí vai. Quando recebemos a Assembleia Regional da PJ de São Paulo em Santos, era coordenador diocesano e trocamos experiências com jovens de todo Estado. Me emociono ao lembrar de jovens que viajaram por até 16 horas para participar deste momento. Nossa noite cultural foi um luau na praia, que deixou todos encantados com a nossa acolhida. Sem falar nos inúmeros cursos e encontros e nas noites sem dormir trocando experiências sobre o que cada um fazia em seu grupo, ou simplesmente cantando e rindo bastante.

02INFLUÊNCIAS. A principal habilidade desenvolvida na PJ e que me ajuda até hoje é de trabalhar em grupo. Depois que sai da PJ não me identifiquei com nenhuma outra pastoral. Sempre gostei de política, mas na PJ aprendi que fazer política não é algo ruim. Em 2002, participei de um encontro com jovens dos regionais SP1 e SP2 na cidade de Santo André, debatendo Políticas Públicas para Juventude. Naquele mesmo ano ajudamos a eleger Lula presidente (muitos pejoteiros militaram em diferentes partidos políticos). Hoje trabalho na assessoria da prefeita Maria Antonieta de Brito, do Guarujá, que também foi pejoteira, e muitas coisas que aprendi durante o tempo que passei na PJ, utilizo até agora. Por causa da PJ participei do Conselho Municipal de Juventude e participo da juventude o PMDB.

CONVITE. O contato com Deus é algo inexplicável, o significado dele em minha vida me permitiu olhar para as situações a partir do olhar do outro, e quando nos colocamos nesta condição entendemos muitos mistérios da vida. Igreja não é o templo e nem a instituição, são as pessoas, sou eu e é você, somos todos nós. E a forma como a Igreja, nós, evangeliza os jovens, é a forma como ela age. Falar da Pastoral da Juventude sempre será com muito entusiasmo e alegria. E motivar os jovens a participarem dela é incentivá-los a vivenciar experiências.