40 Anos de PJ: Entrevista com André Nascimento

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Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens. 

Tem que acabar com esta história de negro ser inferior. Dança aí, negro nagô!

01ANDRÉ LEANDRO NASCIMENTO
Data de nascimento: 27/fev/74 (39 anos)
Comunidade de origem: Comunidade Divino Espírito Santo (Jd. São Manoel/Santos)

INÍCIO. Então, eu cresci na comunidade do Jardim São Manoel, e lá, os jovens com quem sempre estudavam juntos, estavam participando um pouco mais da Igreja, porque ela tem um trabalho mesmo de instigar a nós. Logo depois da minha Primeira Comunhão, eu tinha me afastado da Igreja. Bem, aí um amigo convidou o outro, e o outro, e pensei “vou ficar com aqueles um pouco”, e comecei a participar da Igreja (o grupo de jovens Emaús em 1992, aos 18 anos, com cerca de 30 jovens). A gente usava muito os subsídios do Centro de Capacitação da Juventude (CCJ).

NA COMUNIDADE. A gente fazia muitas atividades internas. Uma delas era o Torneio Doando ao Próximo, que era um torneio de vôlei que chamávamos amigos de outros grupos de jovens, e a galera trazia alimentos não-perecíveis e água para doarmos na favela da comunidade. Aí tinha o Dia das Crianças, que era fantástico, porque a gente se reunia em dois fazias, fazendo no primeiro as mini-olimpíadas com as crianças, como correr, jogar futebol, salto, cabo de guerra, e, no segundo dia, encerrávamos com comes e bebes, nos vestíamos de palhaço, fazíamos uma festa. Eu era o Palhaço Chocolate. Fora as nossas vigílias à noite, em que a gente fazia nosso próprio lazer: morávamos no mesmo bairro, então levávamos comida na Igreja e passávamos a madrugada inteira cantando e discutindo temas (da Igreja). Teve uma vez que a irmã de um amigo nosso foi chorando para lá, porque o filho dela estava no hospital. E começamos a rezar o teço, quando vimos que o garoto melhorou, implantamos a reza do terço todo o primeiro sábado de cada mês. O nosso pároco, o Cônego Antônio Olivieri estava sempre conosco. Ele nos aproximava muito dos trabalhos então da Casa da Mãe Solteira, que funcionava ao lado do Fundo Social de Solidariedade de Santos. Lá atendia muitas mulheres e talvez fosse pioneiro em atender mulheres vitimadas, trabalho que hoje é realizado pelas delegacias policiais.

NA DIOCESE. Na época, haviam muitos grupos de jovens, então embora os grupos formavam a PJ, a gente via apenas a coordenação como PJ. Para nós, ser da coordenação da PJ era uma responsabilidade enorme e, ao mesmo tempo, era meio o nosso ápice. “Sou um presidente do Brasil. Estou estourando, arrebentando, como o Neymar” (risos). Então, posso dizer que meu primeiro contato com a PJ foi no Dia Nacional da Juventude (DNJ, com cerca de 500 jovens) em Praia Grande, creio que em 1992, quando aí comecei a interagir com outras pessoas, outros grupos. Tinha o Encontro de Identificação Vocacional (EIV), o encontro que mais amei, porque trabalhava a vocação das pessoas e o chamado de Deus na sociedade, além de falar de Dom Óscar Romero, Dom Helder Câmara e tanta gente fera que inspirou a PJ. E o EIV era no seminário, a gente passava dois dias lá, tinha aquela energia genial no lugar. Outra atividade era a Gincana Vocacional, também tinha os cursos para as lideranças, como o Caja (Curso de Aperfeiçoamento para Jovens e Adolescentes) e a Maturidade Afetiva, que falava da sexualidade ampla, explicando os benefícios e malefícios da sexualidade, desde um beijo no amigo até a transa com a parceira. E tinha os Jogos Diocesanos, com vôlei e futebol, era fantástico. Foi naquela época que ouvi pela primeira vez sobre o MST (Movimento Sem Terra).

03INFLUÊNCIA. Nos anos 2000, eu tinha 25 anos, já tinha me formado na faculdade, fiz Serviço Social influenciado pela Pastoral. E já tava saindo do grupo de jovens e então montei na comunidade a Pastoral do Menor. Em nível de Brasil, ele engrossa os movimentos sociais de proteção à criança e ao adolescente. Na Diocese, fomos um dos precursores do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). Trabalhei na pastoral por 10 anos. Na comunidade, a gente seguia o modelo de comunidade festiva, fazia um café-da-manhã para os jovens (cerca de 300 ao longo dos 10 anos) e trabalhava valores com eles a partir do acompanhamento escolar e da recreação, como o futebol. Tinha a parceria com a Prefeitura para organizar as edições da Rua do Lazer (um evento público em que se fecha um trecho de uma rua com atividades culturais, de lazer e serviços gratuitos à população), fazíamos a democratização da Informática (atividades formativas aos participantes), levava eles aos campeonatos esportivos, passeava com eles pelo zoológico. Até então, eu mesmo nunca tinha ido a um zoológico na minha vida. Hoje continuo militando no Fórum da Cidadania, na Sociedade de Melhoramentos do Bairro, embora já nem more no Jardim São Manoel. (atualmente André trabalha na Coordenadoria de Proteção à Vida Animal)

CONVITE. Deus é um pai que ama, que perdoa sempre, que sempre repara nosso coração. E Deus se projeta a todo momento no outro, no nosso próximo. A Pastoral fez com que eu tivesse mais comprometimento com o outro. Saiba que vale a pena a Pastoral da Juventude, vá sem medo, deixe fluir, que as coisas acontecerão naturalmente em sua vida. Aproveite cada momento na Pastoral da Juventude.

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