40 Anos de PJ: Entrevista com Ricardo França

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Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens. 

O coração livre, comprometido, partilha tudo sem ter medo de perder.

01RICARDO FRANÇA
Data de nascimento: 27/set/79 (33 anos)
Comunidade de origem: Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Vila Fátima/São Vicente)
Trajetória: Coordenador de grupo de jovens (2003-2004); coordenador regional (2005-2006); coordenador diocesano do CDL (2008-2009); assessor diocesano e paroquial (2010-2013)

INÍCIO. Tinha um amigo no curso técnico (de Informática) que me convidava para ir ao grupo de jovens, mas eu nunca ia. Achava que os caras seriam muito malas (risos). Então ele me chamou para jogar bola na Igreja (aos 19 anos, em 1998), e daí, eu fui para uma reuniãozinha do grupo, porque tinha sido inscrito para os Jogos Diocesanos e precisava comparecer nos encontros também.

NA COMUNIDADE. (Era o grupo Colméia, com cerca de 15 jovens) Pensei que seria um negócio bem piegas, e aí eu vi que o grupo era bem mais pé no chão do que pensava, curtia muito os jovens, falava dos relacionamentos inter-pessoais, da religião. Até então, não tinha vivência com a religião, comecei a fazer Primeira Comunhão. Fiz o caminho inverso comparado aos outros jovens (risos).

NA DIOCESE. Comecei a participar das atividades da Pastoral da Juventude (PJ), da Gincana, tinha a Romaria Estadual na Aparecida do Norte (atualmente a Romaria é itinerante), os encontros formativos, os cursos (futuramente coordenou na Diocese o Curso de Dinâmicas Para Líderes, o CDL), o DNJ (Dia Nacional da Juventude, evento anual celebrativo entre os jovens). Mas o que mais me marcou foi a primeira Missão Jovem na Diocese, em Cubatão em 2004. Na época, era coordenador do grupo de jovens. Foi um momento muito importante, porque foi em outra cidade, eu participava dos encontros regionais, mas foi a partir dali que passei a ter uma visão mais diocesana, pensar fora do meu grupo, além dos muros. Aquele negócio de passar uma semana fora de casa, claro que a missa de encerramento me emocionou bastante. Tinha ficado responsável pelas visitas nas casas de um conjunto residencial no bairro Jardim Costa e Silva. E a gente fazia celebrações na rua, mas teve um dia que choveu muito, e pensamos que nada ia dar certo naquele dia. Mas foi muito bom, a comunidade compareceu em peso na praça e mexeu muito conosco.

02INFLUÊNCIA. Dessa experiência, passei a ser assessor diocesano da Infância Missionária e também catequista de Crisma e Primeira Comunhão na minha paróquia. A Infância Missionária tem muitos pontos em comum com a PJ, como a metodologia de encontros Ver-Julgar-Agir, com reuniões semanais, a diferença é que a evangelização é entre crianças e tem uma visão mais internacional. Se na minha paróquia tinha o grupo Colméia, o grupo da Infância Missionária era o Favo de Mel. (Também em 2004, foi criada a Paróquia São João Evangelista, onde Ricardo morava mais perto) E na Crisma, o padre deixava em aberto o que poderíamos ensinar aos jovens, além dos sacramentos. Na verdade, era um ‘revival’ do grupo de jovens, porque eu passava a minha experiência na Pastoral da Juventude para que os jovens, a cada ano, montasse um novo grupo. Por isso, os encontros tinham um perfil bem dinâmico. (Atualmente também assume a assessoria do grupo Videira da Paróquia São João Evangelista e da Pastoral da Juventude na Diocese) Eu estudo Análise de Desenvolvimento de Sistema (atualmente faz estágio na filial da Fundação de Desenvolvimento de Educação de Santos), mas a Pastoral da Juventude também influenciou minha carreira, já que aprendi a lidar melhor com pessoas de pensamentos e opiniões diferentes, a trabalhar em grupo, desde que tenhamos a certeza do nosso foco em comum.

CONVITE. Pode soar muito piegas, mas Deus é tudo. É ele quem move nossa caminhada. Sem Deus, não haveria o porquê de existir a Igreja, a Pastoral da Juventude, até mesmo nós. A Igreja e a PJ são como uma base sólida que encontrei para estar desenvolvendo todas as dimensões (pessoal, interpessoal, teológica e comunitária) da minha vida. É difícil caminhar em nossa sociedade sem acreditar em nada, só por caminhar. Então a fé que a Pastoral me inspira me faz acreditar que é possível e vale a pena melhorar o nosso mundo. A caminhada é difícil, sim, vai ter vários momentos na PJ que você terá sua fé testada. Mas vale bem a pena, porque a função de um grupo é justamente que estejamos um com o outro, todos juntos.

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