40 anos de PJ: Entrevista com Lúcia Helena Guerra

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Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens.

Desejo que mais 40 anos se façam e a PJ continue a formar jovens conscientes, com senso crítico e protagonistas da sua realidade.

01LÚCIA HELENA GUERRA
Data de nascimento: 10/abr/80 (33 anos)
Comunidade de origem: Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Santos)
Trajetória: Coordenadora do grupo de jovens (1996-1997); coordenadora diocesana (1998-início dos anos 2000); assessora diocesana (até o ano de 2008).

INÍCIO. Então… Após receber o sacramento da 1ª Eucaristia, ingressei em um grupo de “pós-catequese”: a Perseverança. Como fui criada na paróquia, grande parte dos meus amigos fazia parte deste grupo. Fomos crescendo e ficando “velhos”, já chegando na fase de se preparar para o Crisma. Após o Crisma, continuamos como um grupo sem ligação com nenhuma pastoral. A paróquia tinha outros grupos de jovens, todos tinham uma ligação com pastorais… Menos nós! Éramos “Os Jovens” (porque ninguém sabia porque exatamente a gente se reunia, risos). O assessor que passou a nos acompanhar foi meu tio, Serginho, que também teve sua história na PJ e trazia essa nova proposta para o grupo. Em um dos primeiros encontros, tivemos uma formação sobre a Pastoral da Juventude. Achamos muito interessante e, assim, “abraçamos a causa”.

NA COMUNIDADE. Antes da proposta, o grupo, sem querer querendo, já seguia uma ordem comum dos encontros dos grupos de PJ – antes ainda de “virar” PJ: acolhida, espiritualidade, desenvolvimento do tema (com dinâmicas, subgrupos), partilha das conclusões, proposta de gesto concreto, recados, espiritualidade e fim. Tínhamos nossas atividades na paróquia, como mensalmente na liturgia da missa de domingo das 17 horas. Para arrecadar fundos para nossas atividades externas (como visitas a instituições de caridade), retiros, passeios e para ajudar o caixa do grupo, vendíamos bolo no final das missas. Sem contar as Noites do Pastel, da Pizza… Além das outras atividades paroquiais que sempre chamavam “Os Jovens” pra ajudar. A primeira Gincana Vocacional que o grupo participou foi fundamental para o grupo. Foi a inscrição do grupo na gincana que trouxe um nome para o grupo: O Formigueiro (não é “Formigueiro”… é “O” Formigueiro – isso era importantíssimo ficar claro, risos). Porque as formigas trabalham em conjunto, cada uma com seu dom, colaborando para construir e manter o grupo. Lindo, não!? A gente nem fazia parte da PJ esse ano. Um grupo mirradinho, pouquinha gente. E nós lá, com nossos pompons caseiros, nossa camiseta branca com a primeira estampa “O Formigueiro”. A gente tava se achando (risos). Ficamos em 12º Lugar (isso era bem perto do último). Mas pulamos como loucos quando falaram nosso nome como Grupo mais Animado (risos). Tempo bom! Depois a camisa ficou estilosa: Preta. (risos) O primeiro Encontro do Formigueiro (ENFO) também foi muito importante para o nosso grupo. Primeiro encontro de “final de semana” pautado sob um tema, com diversas atividades, música. Nossa! Foi um marco na nossa caminhada. Ao todo, acho que foram 8 ENFO’s. Ah! Foram tantos momentos bacanas que não vou colocar mais pra não exagerar.

NA DIOCESE. Minha primeira atividade diocesana foi o Encontro de Formação de 1997. Fomos eu e meu amigo de fé, irmão camarada, Fernando Diegues, eleitos há uma semana como coordenadores do grupo recém-nascido. Conhecemos bastante gente, aproveitamos bastante (boiamos um pouco também, mas sempre tinha alguém pra ajudar). Chegamos no grupo empolgados e orgulhosos com as várias atividades que o grupo, enquanto PJ, participaria dali pra frente. Aí a gente desembestou! Estávamos em todos os eventos, encontros, dias da juventude (DNJ), dias de formação… Alugávamos ônibus, a paróquia ajudava financeiramente, mas a gente não perdia a mania de vender bolo no fim da missa (risos). Acabou que em dezembro de 1998, Assembleia Diocesana (que, na época, ainda tinha acento), fui eleita para participar da Codijuv, pela região, na época, Centro. Mais tarde fui convidada para participar do Grupo de Assessoria Diocesana Leiga, onde fiquei mais uns anos. Algumas atividades marcaram muito minha caminhada nessa época, entre elas:

– Uma atividade do DNJ (acho que em 99) que fizemos na Praia da Biquinha em São Vicente. Muito sol, muita gente na praia… E eu olhava e via um monte de anônimos prestando atenção. Teve show, teatro, e dávamos umas palavrinhas entre uma apresentação e outra. Foi emocionante! Quando acabou, me vi sentada num banco, tremendo. Nem acreditava aquilo tudo tinha se concretizado.
– Ter participado e conseguido ajudar a trazer para a Diocese, em 99, o CDL (Curso de Dinâmica para Líderes). Uma formação específica para lideranças dos grupos que deu super certo aqui, pela sua formação e formato diferenciados.
– Ter participado da elaboração da nova (agora velha) estrutura organizacional da PJ da Diocese.

02INFLUÊNCIAS. Todos esses momentos e atividades que vivi, participei ou ajudei a organizar, me trouxeram fortemente a importância do trabalho em grupo, me mostraram que viver em comum-unidade não é fácil, mas vale a pena. Que fé sem obras é morta, e obras sem fé também não adiantam muito. Depois da participação na PJ, não participei de nenhuma outra pastoral: saí um ano antes de me casar e agora, quase quatro anos depois de casada, tenho um filho de 4 meses. Tenho, sim, vontade de me engajar e conhecer outra pastoral “por dentro”. Poder ajudar outras pessoas e ser ajudada por elas. Mas preciso que o bebê cresça um pouquinho mais… Senão “nun güento”. A PJ também me ajudou a desenvolver uma liderança que trago hoje no meu trabalho empresarial autônomo. Assim como planejar e organizar decentemente as minhas atividades.

CONVITE. Deus é amor… Simples assim! O amor é a força mais importante e mais poderosa do mundo! Não existem obstáculos ou pedras no caminho que não possam ser transpassadas com o Amor de Deus. E somente um coração cheio de amor, pode ser “terra boa” pro projeto que Deus tem para as nossas vidas. A Igreja e a PJ são extremamente importantes na minha vida. Me deram discernimento, análise crítica, aprofundamento na fé e a indispensável capacidade de ser cristã no meu cotidiano. Afetivamente falando, minha família me apresentou a Igreja, a Fé e a PJ… E estas me retribuíram me dando uma nova família. Afinal, conheci meu marido em um encontro da PJ. Da Igreja e da PJ ganhei meus grandes e melhores amigos, gente muito importante pra mim – as melhores pessoas que eu poderia querer por perto. Não tenho mais o que pedir, não é? Acho que todo jovem que se permitir conhecer e vivenciar a vida em comunidade, experimentar Deus na sua vida e poder conhecê-lo melhor não vai se arrepender… Disso eu tenho absoluta certeza. Poder, depois disso, apresentar esse Deus a outros jovens e vê-los também se encantar e vivenciar esse Deus-Amor em suas vidas… Isso não tem dinheiro no mundo que pague, nem palavras possíveis para descrever.

Agradeço imensamente poder dividir com vocês um pouco do que vivi. Poder me “re-emocionar” com momentos tão bacanas, tão intensos e tão decisivos da minha vida. Desejo que mais 40 anos se façam e a PJ continue a formar jovens conscientes, com senso crítico e (clichêzão, mas vale) protagonistas da sua realidade, podendo ser a representação do Cristo em suas vidas. Um beijo enorme a todos.

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