Arquivo mensal: setembro 2013

40 anos de PJ: Entrevista com prefeita Maria Antonieta

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O despertar para a participação comunitária e a atuação política, a partir da vocação cristã, foi um dos temas abordados pela prefeita de Guarujá, Maria Antonieta de Brito, em sua entrevista à Coordenação Diocesana da Pastoral da Juventude (PJ) sobre os 40 anos de atuação da PJ no estado de São Paulo. A prefeita recebeu os jovens pejoteiros na noite de uma terça-feira de agosto, em seu gabinete, para relatar sua trajetória e experiência a partir dos grupos de base até o assessoramento para a Comissão Diocesana.

Os coordenadores diocesanos de PJ, Lincoln Spada e Wellington Dourado, e o coordenador regional Ronnaldh Oliveira participaram do encontro com a chefe do Executivo. Assuntos como a resistência da ala progressista da Igreja Católica durante o regime militar, o papel das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) no período da redemocratização, a participação do jovem na sociedade, a Cristologia como alicerce e a importância de ação e oração caminharem juntas foram abordados durante a conversa. Confira abaixo a entrevista:

“Sempre fui muito precoce e, desde criança, ia para os grupos de jovens e adolescentes. Eu era uma espécie de mascote do grupo e fui acompanhando e me envolvendo com a PJ. Quase fui religiosa, mas percebi que podia ser uma leiga engajada. Já participava da Igreja com minha família enquanto vicentina e na Pastoral da Juventude atuei como participante, coordenadora de grupo de base, coordenadora diocesana e no assessoramento até os 35 anos, atuando também com a formação de formadores. E sempre que possível estou à disposição da PJ”, relatou Antonieta.

Profetas contemporâneos como o teólogo Leonardo Boff, Dom Helder Câmara, Irmã Dolores e Padre Jorge Boran foram citados pelo grupo durante a conversa. A prefeita citou o método Ver, Julgar e Agir, desenvolvido como Boran para a PJ, como uma referência para a atuação dos cristãos. “Aprendemos a ver a realidade, julgar à luz da Palavra de Deus e agir para transformar a sociedade, sendo pessoas diferenciadas nas escolas, nas associações de moradores e também na política. A PJ nos despertou para nossas vocações como extensão da atuação cristã na política. A Pastoral da Juventude está inserida na política sem sair do ambiente da Igreja”, disse a chefe do Executivo.

A partir desta vivência, Antonieta recorda que sua geração de pejoteiros tinha o ideal cristão de “ser luz no mundo e fermento na massa” como ponto de partida para o protagonismo social. “Fomos muito estimulados, mas sem perder a essência da fé. Fui fundadora do primeiro grêmio estudantil de Guarujá e a Igreja nos despertou ainda para a militância partidária e, enquanto prefeita, vamos trabalhando para manter estes mesmos propósitos e princípios”, contou a prefeita.

Após a entrevista, os jovens e a prefeita fizeram uma oração para finalizar o encontro. “Todos os participantes da reunião se sentiram muito acolhidos pela prefeita durante todo o momento. Trata-se de um fato histórico para a Pastoral da Juventude poder se encontrar com a chefe do Executivo. O convite vai ao encontro da nossa proposta em comemoração aos 40 anos da PJ em que nós, jovens, podemos reencontrar pessoas de outras gerações que se tornaram lideranças na Baixada Santista, como sacerdotes, militantes em movimentos sociais e políticos”, considerou Lincoln.

40 Anos da PJ: Entrevista com Sergio Amaral

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Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens.

Lembre que você, meu querido jovem pejoteiro, é privilegiado por ter recebido gratuitamente muitos dons de Deus.

01SERGIO AMARAL (Serginho)
Data de nascimento: 22/set/67 (45 anos)
Comunidade de origem: Par. N. Sra. Aparecida (Santos)
Trajetória:  Coord. da Perseverança, Congregação Mariana e Grupo de Jovens Aparecida-Santos (1982-89); Assessoria Diocesana (1989-1990); Coord. Centro de Capacitação daPJ  (1990-93), Coord. Diocesana da CF (1991-92) e Assessoria Diocesana (1992-2000).

INÍCIOMinha família sempre participou ativamente na Par. Aparecida-Santos e eu, como filho caçula do casal “Guerra e Nair” (meu irmão mais velho é o diácono José Guerra do Morro N. Cintra), logo fui coordenando os grupos de Perseverança e Congregação Mariana (na época era como os jovens se reuniam na Aparecida e outras paróquias). Tínhamos uma organização forte, com apoio do Pe. Ciro Fanha e por 6 anos realizamos grandes retiros de fim de semana no CEFAS (Encontro de Jovens da Aparecida-ENJAPA). Nesses Encontros conheci o Pe. Limeira de S. Paulo e seus colaboradores: eram Salesianos com grande carisma juvenil. Me apaixonei pela mensagem que colocava o jovem como protagonista, em uma época de transformação social na América Latina (anos 80) e me envolvi intensamente na PJ da Paróquia e da Diocese.

NA COMUNIDADE. Era muito bom participar do Grupo de Perseverança, onde comecei a namorar minha esposa, Ana Lucia, quando tinha 14 anos. O tempo na Congregação Mariana/Grupo de Jovens me ensinou muito para a fé e para a vida. Tínhamos muitas atividades  dentro e fora da Igreja: gincanas, encontros de formação, bailinhos, esporte, passeios, ajuda na ‘favelinha’, etc. Foram vários os Festivais de Música na paróquia, diocese e estado de SP: eu ajudava na organização e era ‘fã nº 1’ do grupo ‘Sementes’, formado por amigos. Com uns 18 anos eu já havia coordenado várias atividades na paróquia e naturalmente passei a ser um Assessor Jovem, atuando na formação de lideranças que foram se engajando na paróquia e na Diocese.     

NA DIOCESE. Enquanto eu participava dos grupos de adolescentes e jovens na comunidade (1982-89), passei a escutar informações de que a CODIJUV estava sendo reorganizada ( por alguns anos parou de atuar devido conflitos com o bispo na época, D. David Picão). Eu percebia a dificuldade para uma nova mobilização diocesana, quando eu participava de alguns eventos, como as primeiras edições do DNJ e do Dia da JMJ (não havia internet ou celular). No fim da década de 80, o Mons. Joaquim Leite, assessor da PJ, me observou em reuniões e passou a me pedir ajuda: logo me apresentava como um de seus auxiliares na assessoria diocesana. Os anos foram passando e, curiosamente, atuava como um assessor da PJ Diocesana sem nunca ter sido membro da CODIJUV. Nessa caminhada, organizei com alguns outros assessores de grupos o CCPJ (Centro de Capacitação da PJ Diocesana), que apoiava a Coordenação Diocesana, especialmente na preparação de cursos, reuniões e divulgação de livros (comprava em SP, com ajuda de minha esposa, e carregava sacolas para os eventos regionais e diocesanas). Tivemos alguns conflitos ideológicos com a Pastoral Vocacional, mas aos poucos passamos a caminhar lado a lado, quando padres argentinos que trabalhavam no seminário assumiram a assessoria religiosa da PJ. Sempre trabalhei muito na criação de cursos (Enc. Lideranças, CAJA, Comunicação e Influência, etc.) e outras ações para Capacitação Técnica, escrevendo ‘subsídios’ (apostilas, livretos) e artigos para jornal da PJ (inicialmente era chamado BICO-Boletim da CODIJUV). As Assembléias Diocesanas, nas quais trabalhávamos sob o método Ver-Julgar-Agir, eram momentos fortes para a integração, revisão e planejamento. A casa de retiros do CEFAS era o local em que 2 a 3 fins de semana por ano recarregávamos as energias em momentos de espiritualidade e reflexão. Livros do Pe. Jorge Boran e outros que trazíamos do CCJ (Centro de Capac. da Juventude) de SP, nos ajudava a seguir alinhamento com a PJ do Brasil e Regional SP.

02INFLUÊNCIASA PJ exerceu forte influência na minha vida pessoal e profissional: a necessidade de apresentar cursos e eventos fez com que eu controlasse minha timidez; tendo que obter ajuda, passei a  trabalhar em equipe; organizando atividades aprendi a planejar/acompanhar; delegando e motivando desenvolvi perfil de liderança; lendo livros e conversando com padres/assessores fui valorizando a experiência; Enfim, minha vivência na PJ foi fundamental para a construção de minha personalidade atual, como pai (o Gabriel tem 14 anos e a Mariana 20), leigo na Ilha do Governador-RJ (onde vivo desde 2001 e estou concluindo curso de Iniciação Teológica) e gerente em indústria (uma forma de trabalhar com pessoas e compartilhar a liderança/conhecimentos que desenvolvi). Neste ano tive a alegria de abrigar 32 jovens/adultos em minha casa, durante a JMJ-Rio2013, quase todos do Tocantins, mas também havia um peruano e quatro da diocese de Santos: foi um momento maravilhoso de partilha, fé e aprendizado!

CONVITENão desista, seja perseverante! Lembre que você, meu querido jovem pejoteiro, é privilegiado por ter recebido gratuitamente muitos dons de Deus. Compartilhe os talentos que você recebeu, como um servo, que faz a sua obrigação (Lc17,9;Mt 24,46). Você é responsável por dezenas, centenas, milhares de outros jovens: construa sua caminhada, influenciando positivamente outros jovens, através de palavras e exemplos. Aceite o convite da Igreja para que você seja um ator principal, protagonista na mobilização e evangelização da juventude. Ajude a manter viva a chama da PJ, que aquece e ilumina, rumo à Civilização do Amor.

Em tempo: Parabéns pela iniciativa de resgatar um pouco da história da PJ em depoimentos de amigos como o André, a Lúcia e o Ricardo, entre tantos outros que marcaram essa caminhada!

40 Anos de PJ: Entrevista com Janaína Oliveira

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Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens.

O rosto de Deus é jovem também. E o sonho mais lindo é Ele quem tem.

01JANAÍNA OLIVEIRA
Data de nascimento: 30/mar/74 (39 anos)
Comunidade de origem: Comunidade Nossa Senhora Aparecida (Samambaia/Praia Grande)
Trajetória: Coordenadora de grupo de jovens (início dos anos 2000), assessora diocesana (meados dos anos 2000).

CONVITE. Entrei no grupo de jovens já nem tão jovem assim, com 26 anos. Depois de um tempo participando, o grupo começou a entrar em crise devido a forma que ele era feito. Era voltado mais para a RCC, pois na Praia Grande na época isso era o “Top” da igreja. Até que um dia a coordenadora saiu e ficou em aberto a coordenação. Dentro de mim eu sentia o chamado, mas tinha medo. Um outro amigo meu assumiu, e eu por trás ajudava. Só que ele também desistiu e aí sobrou para mim, mas aceitei como se fosse uma missão mesmo, porque sabia que iria bater de frente com varias pessoas. Começamos a nos reunir, mudei a proposta de atividades do grupo, algumas pessoas desistiram porque não concordavam com as idéias propostas e o grupo diminuiu, mas isso não me assustava, não. Não tínhamos nenhuma identidade no grupo, então fazíamos aquilo que achávamos certo. Um dia fui convidada por uma Irmã para participar de um retiro em Santos sobre a Pastoral Vocacional, e num certo momento, apareceram diversas pessoas de varias pastorais para dar exemplo de vocação, de como eles serviam na igreja. E foi nesse momento que a PJ apareceu ao vivo e a cores para mim.

NA COMUNIDADE. Entrei em contato com duas pessoas que eram da PJ e participei da Assembleia Diocesana. Lá, em três dias, aprendi muitas coisas, peguei muito material para trabalhar no grupo e as datas de outros cursos e encontros para galera do grupo poder interagir nesse meio. E assim começou a caminhada do grupo como PJ. E sempre recebíamos apoio das Irmãs da Comunidade e do nosso querido Padre Ramiro. Fizemos várias atividades, mais uma que ficou no meu coração, foi a festa para o Dia das Crianças. Não me lembro do ano, mas lembro que o grupo deu a idéia, mas queríamos fazer uma festa para todas as crianças da catequese e pastoral da criança. Era mais de 100 crianças. Tinha que ter animação, dança, teatro e claro os doces e brinquedos, seria uma tarde de sábado. Só que sozinhos não conseguiríamos. Então reunimos a comunidade em uma reunião e os lideres das pastorais resolveram interagir com todo o grupo.

NA DIOCESE. Entre as atividades diocesanas, o grupo estava todo quase sempre presente no DNJ (Dia Nacional da Juventude), onde sempre quase todo o grupo estava presente. Depois de um tempo sai da coordenação, e o grupo quase acabou. Mas como era Catequista de Crisma, levei todo o lado PJ durante o curso de crisma, e os crismandos gostaram, e depois do Crisma resolverem continuar no grupo de jovens.

02INFLUÊNCIAS. Depois que eu saí da assessoria diocesana, queria voltar a trabalhar só na comunidade e me convidaram para o MEJ (Movimento Eucarístico Jovem), e lá, mais uma vez, o meu trabalho foi voltado ao movimento, mas com a identidade pejoteira. Hoje estou casada, não estou participando de nenhuma pastoral ou movimento, mas meu coração é pejoteiro, porque a PJ só estimulou e alimentou aquilo que já estava dentro de mim a muito tempo e não sabia como botar para fora.

CONVITE. Deus na minha concepção é pejoteiro, pois ele nos ensina a lutar pela desigualdade social, a interferir na política, a lutar pelo bem comum, não ficar só rezando e, sim, botar a mão na massa para levar a salvação a todos sem distinção. E para minha vida isso é ser PJ. Não se tem formula para chamar um jovem para a Igreja, sempre digo que o mundo aí fora oferece muitas coisas e as coisas não estão fáceis, então porque não buscar um pouco de Deus? É só 1h30 no encontro e nada mais, pense que gastamos este tempo assistindo um jogo, vendo um filme ou uma novela, mas porque não damos esse pouquinho de tempo para Deus? E creio que aquele que abre seu coração para esse pouco tempo com Deus, não vai se arrepender e vai querer mais, muito mais.

Agradeço a Deus por ter me colocado na minha vida pessoas que me levaram até a PJ. Agradeço a PJ por ser o que sou hoje, por te me direcionado e me ensinado a chegar mais perto de Deus. Hoje estou grávida dos meus primeiros filhos, digo primeiros, porque são gêmeos, e estou muito feliz. E o meu sonho é que quando eles crescerem eles também façam parte da PJ. Portando a PJ não pode parar, galera. Que venha mais 40 anos levando os jovens a se questionar e a lutar por um mundo melhor.

 

40 Anos de PJ: Entrevista com Eduardo Caetano

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Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens.

A PJ forma pessoas diferentes para fazer a diferença em qualquer lugar onde estejam, sempre pautados naquilo que o próprio Cristo nos ensina, que é ser fermento na massa e luz no mundo.

01EDUARDO CAETANO
Data de nascimento: 20/jan/82 (31 anos)
Comunidade de origem: Santuário Santo Antônio do Valongo
Trajetória: Coordenador de cultura do grupo (1999), coordenador do grupo (2000), vice-coordenador do grupo (2001), coordenador regional (2003-2004).

CONVITE. Aos 15 anos, comecei a ir às missas lá porque alguns amigos iam no Santuário do Valongo. Cheguei a me interessar a entrar no grupo que um deles participava, mas nem ele me convidou e nem eu me ofereci. Cerca de um ano depois, em 1998, o primo deles, o Neife, que coordenava o grupo de jovens Pólen, acabou me conhecendo porque estudávamos no Aristóteles Ferreira. Ele me convidou porque eu participei de um concurso de crônicas e poesias na escola. E as minhas poesias eram meio socialistas, engajadas (risos). A primeira coisa que me chamou a atenção foi o fato dos próprios jovens coordenarem o grupo e partilharem o que sabiam, discutirem política, sociedade, sempre com base no que propõe o Cristianismo, sempre reforçando a importância da missa e dos sacramentos, mas tudo isso com muita alegria, descontração, mas também muito compromisso. A primeira participação foi uma festa, em plena Gincana Vocacional no Colégio Santista, com torcidas, pandeiros, timba, gritos de guerra. Já na primeira reunião, o tema foi Conscientização Política. Fomos à feira fazer uma enquete com as pessoas. Achei muito legal!

NA COMUNIDADE. Bom, o Pólen era o máximo! A gente refletia, rezava, zoava, brincava, brigava (risos). Éramos, de fato, uma família. E éramos bem estruturados. Quando entrei, tinham entre 20 e 25 pessoas no grupo, com uma equipe de coordenação com 8 pessoas, todos com funções bem definidas. Nossas reuniões começavam com uma oração inicial e espiritualidade, depois ingressávamos no tema principal e o trabalhávamos com dinâmicas, discussões e propostas de reflexão, encerrávamos com uma espiritualidade e oração final. Nossas reuniões eram aos domingos de manhã, após a missa das 8 horas. E lá sempre passávamos do meio-dia. Existia uma mensalidade bem baixinha, mas que quase ninguém pagava, o que sustentava nossas atividades do ano inteiro era o que arrecadávamos na nossa festa de aniversário, dia 7 de novembro. Nós assumíamos uma missa por mês, junto com a Jufra (Juventude Franciscana), participávamos da Trezena de Santo Antônio trabalhando na barraca de cachorro-quente.

NA DIOCESE. fazíamos arrecadação de alimentos nos morros para a Gincana Vocacional e participávamos de muitos cursos da PJ como Maturidade Afetiva, CAJA (Curso para Animadores de Jovens e Adolescentes), CDL (Curso de Dinâmica para Líderes).. E dos eventos também, como DDF (Dia de Formação), DNJ (Dia Nacional da Juventude), Assembléias, Reunião Ampliada e Encontros de Formação. Fazíamos o que era possível para formar o jovem tanto enquanto cristão e cidadão. Enquanto participante, o que mais me marcou foi a Maturidade Afetiva de 1999, em Itanhaém. Foi numa casa bem perto da praia. Além das discussões temáticas, fazíamos espiritualidade na praia, brincávamos, nos emocionamos. Não meu primeiro contato com o sentido de PJ em presença, mas com certeza em espírito. Como organizador, alguns me marcaram, como o DDF 2003 (fizemos a versão para líderes, com foco na formação, realizado no Liceu Santista; para grupos, com atividades numa escola na Vila Mathias, e o gesto concreto, num baile da terceira idade no Sesc, rsss!), a PJ A Festa 3, que tive que vencer a timidez e dançar no palco com outros coordenadores; a Semana da Juventude 2003, com o tema “Fome”, em que discutimos os aspectos sociais que levam as pessoas a passar fome; a Fome de Deus; e os gestos concretos de arrecadar alimentos para entidades assistenciais. Fizemos também um Luau na Lagoa da Saudade, no Morro da Nova Cintra, em 2004. Mas de uma coisa eu me orgulho: até 2001 as reuniões mensais da Codijuv com os agentes de pastoral eram em local fixo, no Centro de Pastoral, na Avenida Rangel Pestana (atualmente na Avenida Rodrigues Alves). Quando ele foi desativado, passou a ser na Paróquia Coração de Maria. Quando eu compunha a Coordenação Regional, em 2003, propus que fosse cada mês em uma paróquia, para que todo se sentissem contemplados. E assim passou a ser. Não sei como é hoje, mas na época fiquei muito feliz.

02INFLUÊNCIAS. A Pastoral da Juventude foi determinante para que eu passasse a acreditar mais no potencial do jovem. E, consequentemente, no meu próprio potencial. Em 1998, 1999, ingressar uma faculdade era bem mais difícil do que hoje, e o Pólen me ajudou a acreditar que tinha condições. E assim fui para o Jornalismo. Aprendi coisas na PJ que são determinantes: o método ver-julgar-agir, que serve para todas as situações da vida e a sempre fazer Revisão de Vida e Revisão de Prática na nossa caminhada, sempre se perguntando: “A minha caminhada me faz uma pessoa melhor?”, ” A minha caminhada aumenta a minha intimidade com Deus?” e “A minha caminhada me torna um agente de transformação social?” É algo curioso porque nós, pejoteiros, sabíamos que éramos protagonistas, que éramos fortes, que íamos mudar o mundo… Mas de repente não tínhamos a chave da nossa sala na nossa comunidade. Questionávamos o fato do jovem servir como mão-de-obra, mas não sentar nas mesas das decisões. E, aos poucos, fomos avançando. Na PJ eu conheci, há mais de 10 anos, a Antonieta, que hoje é prefeita de Guarujá. Eu faço parte de sua equipe de assessoria de imprensa. Também por causa da PJ, a convite do meu amigo Toni, atuei no projeto voluntário “Plantando uma Semente”. Todo domingo de manhã, tínhamos um grupo de voluntários numa escola que oferecia aulas de futsal, teatro, reforço escolar e conscientização para crianças com idades entre 7 e 14 anos. Passaram mais de 140 crianças por lá entre agosto de 2003 e dezembro de 2005. Este ano voltei para a equipe do jornal FRA, da minha comunidade. Sou voluntário na ONG Afrosan, dando aulas de Redação a cada 15 dias no cursinho de pré-vestibular comunitário.

CONVITE. Deus é amor, é amplitude, perdão, alegria, consciência… Tudo! Mais que tudo, Deus é Vida! A PJ é minha essência enquanto Igreja. Bem, hoje eu já estou com 31 anos e não faço parte de um grupo de jovens. Aos jovens, dou a eles um conselho que recebi do nosso eterno jovem Fernando Diegues quando fomos para a Coordenação Regional: “Transcendam!”

40 Anos de PJ: Entrevista com Padre Valdeci

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Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens.

Sou filho da periferia.  E, na Igreja, aprendemos a entender o valor dessa opção por quem está na periferia.

PADRE VALDECI JOÃO DOS SANTOS
Data de nascimento: 29/mar/63 (50 anos)
Comunidade de origem: Paróquia Nossa Senhora Aparecida (São Vicente)
Trajetória: Ordenação Sacerdotal (1990), Presidente da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de Cubatão (2010-2011), Presidente da Associação da Pastoral Social Estrela do Mar (desde 2011).

01INÍCIO. Era uma sequência natural participar da Catequese, depois da Perseverança, do Crisma e, enfim, do grupo de jovens. Na época, eu tinha 15 anos, e foi logo quando entrei no Seminário Diocesano. Existia uma estrutura de acolhida na paróquia, que parecia ser nossa casa, que o meu grupo de jovens era o mesmo gruo da catequese.

NA COMUNIDADE. E o grupo de jovens era muito forte na espiritualidade e, ao mesmo tempo, fazia visitas a asilos, instituições de caridade, e promovia gestos de solidariedade e partilha, como doações de alimentos e roupas. O grupo sempre era envolvido na comunidade, e talvez por isso tenha suscitado bastante vocações sacerdotais e religiosas. Do meu grupo, por exemplo, faziam parte a Virgínia, que hoje é irmã da Congregação Passionista, e o Valmir, que hoje também é padre.

NA DIOCESE. A Pastoral da Juventude tem um envolvimento muito forte com os grupos em nossa Diocese, formou muitos líderes. E essa minha geração marcou a caminhada da Diocese, era muito forte os nossos retiros, os Dias de Jornada Mundial da Juventude (na época, comemorado durante todo Domingo de Ramos), e eram riquíssimas as Assembleias Diocesanas, pois mostrava um perfil, um rosto de nossa juventude, de diversos lugares.

INFLUÊNCIAS. Lógico que a Pastoral da Juventude me influenciou. Enquanto seminarista, junto do atual Padre Luiz Carlos Passos, fazia o trabalho de assessoria (meados dos anos 80). Aquela dimensão do serviço, do sentido comunitário, de que devemos agir para transformar o mundo marcou minha vida. Você não pode ficar insensível ao ter contato com uma juventude atuante e que também tinha uma forte espiritualidade. Aprendemos muito com a visão social do italiano Padre Vicente Frisolo e com a Irmã Dolores. Com eles, aprendemos a entender o valor dessa opção por quem está na periferia.

CONVITE. A melhor mensagem para convidar o jovem à Igreja é aquela que o Papa nos deixou durante a Jornada Mundial da Juventude: simplicidade, humildade e serviço. Se conseguirmos passar essa mensagem para os jovens, provavelmente eles vão retornar ao Evangelho, retornar a Jesus Cristo.