40 Anos de PJ: Entrevista com Eduardo Caetano

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Este ano, a Pastoral da Juventude Estadual (Sul 1) estará celebrando seu 40º aniversário em uma Romaria à Aparecida do Norte no próximo dia 8 de setembro, com atividades das 7 às 12 horas. Nessas quatro décadas, são tantas vivências e milhares de pessoas que se tornaram lideranças comunitárias por intermédio da PJ, que a Coordenação Diocesana da PJ (Codijuv) propôs entrevistar alguns eternos jovens.

A PJ forma pessoas diferentes para fazer a diferença em qualquer lugar onde estejam, sempre pautados naquilo que o próprio Cristo nos ensina, que é ser fermento na massa e luz no mundo.

01EDUARDO CAETANO
Data de nascimento: 20/jan/82 (31 anos)
Comunidade de origem: Santuário Santo Antônio do Valongo
Trajetória: Coordenador de cultura do grupo (1999), coordenador do grupo (2000), vice-coordenador do grupo (2001), coordenador regional (2003-2004).

CONVITE. Aos 15 anos, comecei a ir às missas lá porque alguns amigos iam no Santuário do Valongo. Cheguei a me interessar a entrar no grupo que um deles participava, mas nem ele me convidou e nem eu me ofereci. Cerca de um ano depois, em 1998, o primo deles, o Neife, que coordenava o grupo de jovens Pólen, acabou me conhecendo porque estudávamos no Aristóteles Ferreira. Ele me convidou porque eu participei de um concurso de crônicas e poesias na escola. E as minhas poesias eram meio socialistas, engajadas (risos). A primeira coisa que me chamou a atenção foi o fato dos próprios jovens coordenarem o grupo e partilharem o que sabiam, discutirem política, sociedade, sempre com base no que propõe o Cristianismo, sempre reforçando a importância da missa e dos sacramentos, mas tudo isso com muita alegria, descontração, mas também muito compromisso. A primeira participação foi uma festa, em plena Gincana Vocacional no Colégio Santista, com torcidas, pandeiros, timba, gritos de guerra. Já na primeira reunião, o tema foi Conscientização Política. Fomos à feira fazer uma enquete com as pessoas. Achei muito legal!

NA COMUNIDADE. Bom, o Pólen era o máximo! A gente refletia, rezava, zoava, brincava, brigava (risos). Éramos, de fato, uma família. E éramos bem estruturados. Quando entrei, tinham entre 20 e 25 pessoas no grupo, com uma equipe de coordenação com 8 pessoas, todos com funções bem definidas. Nossas reuniões começavam com uma oração inicial e espiritualidade, depois ingressávamos no tema principal e o trabalhávamos com dinâmicas, discussões e propostas de reflexão, encerrávamos com uma espiritualidade e oração final. Nossas reuniões eram aos domingos de manhã, após a missa das 8 horas. E lá sempre passávamos do meio-dia. Existia uma mensalidade bem baixinha, mas que quase ninguém pagava, o que sustentava nossas atividades do ano inteiro era o que arrecadávamos na nossa festa de aniversário, dia 7 de novembro. Nós assumíamos uma missa por mês, junto com a Jufra (Juventude Franciscana), participávamos da Trezena de Santo Antônio trabalhando na barraca de cachorro-quente.

NA DIOCESE. fazíamos arrecadação de alimentos nos morros para a Gincana Vocacional e participávamos de muitos cursos da PJ como Maturidade Afetiva, CAJA (Curso para Animadores de Jovens e Adolescentes), CDL (Curso de Dinâmica para Líderes).. E dos eventos também, como DDF (Dia de Formação), DNJ (Dia Nacional da Juventude), Assembléias, Reunião Ampliada e Encontros de Formação. Fazíamos o que era possível para formar o jovem tanto enquanto cristão e cidadão. Enquanto participante, o que mais me marcou foi a Maturidade Afetiva de 1999, em Itanhaém. Foi numa casa bem perto da praia. Além das discussões temáticas, fazíamos espiritualidade na praia, brincávamos, nos emocionamos. Não meu primeiro contato com o sentido de PJ em presença, mas com certeza em espírito. Como organizador, alguns me marcaram, como o DDF 2003 (fizemos a versão para líderes, com foco na formação, realizado no Liceu Santista; para grupos, com atividades numa escola na Vila Mathias, e o gesto concreto, num baile da terceira idade no Sesc, rsss!), a PJ A Festa 3, que tive que vencer a timidez e dançar no palco com outros coordenadores; a Semana da Juventude 2003, com o tema “Fome”, em que discutimos os aspectos sociais que levam as pessoas a passar fome; a Fome de Deus; e os gestos concretos de arrecadar alimentos para entidades assistenciais. Fizemos também um Luau na Lagoa da Saudade, no Morro da Nova Cintra, em 2004. Mas de uma coisa eu me orgulho: até 2001 as reuniões mensais da Codijuv com os agentes de pastoral eram em local fixo, no Centro de Pastoral, na Avenida Rangel Pestana (atualmente na Avenida Rodrigues Alves). Quando ele foi desativado, passou a ser na Paróquia Coração de Maria. Quando eu compunha a Coordenação Regional, em 2003, propus que fosse cada mês em uma paróquia, para que todo se sentissem contemplados. E assim passou a ser. Não sei como é hoje, mas na época fiquei muito feliz.

02INFLUÊNCIAS. A Pastoral da Juventude foi determinante para que eu passasse a acreditar mais no potencial do jovem. E, consequentemente, no meu próprio potencial. Em 1998, 1999, ingressar uma faculdade era bem mais difícil do que hoje, e o Pólen me ajudou a acreditar que tinha condições. E assim fui para o Jornalismo. Aprendi coisas na PJ que são determinantes: o método ver-julgar-agir, que serve para todas as situações da vida e a sempre fazer Revisão de Vida e Revisão de Prática na nossa caminhada, sempre se perguntando: “A minha caminhada me faz uma pessoa melhor?”, ” A minha caminhada aumenta a minha intimidade com Deus?” e “A minha caminhada me torna um agente de transformação social?” É algo curioso porque nós, pejoteiros, sabíamos que éramos protagonistas, que éramos fortes, que íamos mudar o mundo… Mas de repente não tínhamos a chave da nossa sala na nossa comunidade. Questionávamos o fato do jovem servir como mão-de-obra, mas não sentar nas mesas das decisões. E, aos poucos, fomos avançando. Na PJ eu conheci, há mais de 10 anos, a Antonieta, que hoje é prefeita de Guarujá. Eu faço parte de sua equipe de assessoria de imprensa. Também por causa da PJ, a convite do meu amigo Toni, atuei no projeto voluntário “Plantando uma Semente”. Todo domingo de manhã, tínhamos um grupo de voluntários numa escola que oferecia aulas de futsal, teatro, reforço escolar e conscientização para crianças com idades entre 7 e 14 anos. Passaram mais de 140 crianças por lá entre agosto de 2003 e dezembro de 2005. Este ano voltei para a equipe do jornal FRA, da minha comunidade. Sou voluntário na ONG Afrosan, dando aulas de Redação a cada 15 dias no cursinho de pré-vestibular comunitário.

CONVITE. Deus é amor, é amplitude, perdão, alegria, consciência… Tudo! Mais que tudo, Deus é Vida! A PJ é minha essência enquanto Igreja. Bem, hoje eu já estou com 31 anos e não faço parte de um grupo de jovens. Aos jovens, dou a eles um conselho que recebi do nosso eterno jovem Fernando Diegues quando fomos para a Coordenação Regional: “Transcendam!”

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