Feliz Natal: Jesus se fez pequeno, justo e confiante

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Naqueles tempos, acredite, o mesmo Deus superior a todos os planetas, vulcões ou leões se fez recém-nascido. Sua mãe seria uma jovem de pouco mais de 15 anos, de pele parda e nazarena – morava numa vila com pouco mais de 20 famílias de origem humilde e praticamente pagã, bem afastada do centro político e religioso da Palestina, Jerusalém. Na verdade, uma política centralizada no Império Romano, a quem os judeus deviam pagar altos impostos. Em uma época que a mulher nascia com intuito de servir ao homem, Maria serviria a Deus, ao mesmo tempo seu Pai e seu Filho. E era grandiosa por sua pequenez.

02Foi ela quem consagrou sua vida ao Senhor. E José, seu noivo casto, aceitou a missão de cuidar de um menino que não herdaria seu sangue. Protegeu sua futura esposa e o bebê de qualquer infortúnio: seja acusações de infidelidade que acarretassem ao apedrejamento, seja da miséria que condenava milhares de sua nação. Assim, assumiu a justiça como seu norte até o último suspiro. Dedicaria todo suor de suas mãos na carpintaria para a sobrevivência da família a quem Deus lhe confiou.

Justamente a confiança na divindade que fez com que eles se tornassem a Sagrada Família. Num contexto em que Herodes decretou eloquentemente a morte dos filhos da população judaica, Deus providenciaria a oportunidade ao casal. Migraram para Belém por dias, atravessando a secura dos desertos. Veja que ninguém receberia um par de estranhos em sua casa, mas um senhor cedeu por uma noite o lar para animais, nos fundos de seu terreno. É no estábulo que Maria deu a luz. Segundo a tradição, em uma suja manjedoura – onde se deita o alimento dos porcos, cavalos e outros hóspedes do local.

03Logo apareceriam os pastores, uma categoria odiada por serem homens nômades e miseráveis e, portanto, de se apropriarem de terras dos outros em busca do mínimo de subsistência. Aliás, alguns até precisavam viver de assaltos em campos. Também chegariam três estrangeiros, astrólogos de espiritualidades distintas, alheios à religião judaica, que seguindo uma estrela rara, estariam próximos do novo rei.

Reza a tradição que cada um de um continente diferente e uma geração diferente traria um presente diferente para ele. O mais velho, do Oriente Médio, levaria o ouro, representando o caráter de realeza do recém-nascido. O outro, próximo dos quarenta anos, de origem africana, entregaria o incenso, elemento sempre utilizado para ritos, portanto, significando a divindade do menino. Já o terceiro, mais novo, de aparência europeia, doaria a mirra, artigo propício para os sepultamentos da época, simbolizando a finitude, a humanidade do bebê.

04E é no meio de animais, pastores e magos, personagens tão marginalizados e distantes da sociedade comum, que Deus viria como um menino. Para que nós, em qualquer confim da Terra, cientes de toda essa simbologia ao cultuarmos a festa de Natal, lembrarmos que Jesus veio ao mundo para nós aceitarmos e sermos o seu próprio amor solidário com o próximo, principalmente, o mais marginalizado. E como Maria, José e todo seu discipulado, sejamos também pequenos, justos e confiantes no Senhor para continuarmos a tecer a civilização do amor nesse mundo. Amém, axé, awerê, aleluia!

Lincoln Spada – Coordenador Diocesano da Pastoral da Juventude

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