Arquivo mensal: julho 2014

Evangelho comentado de 3 de agosto

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Dia Litúrgico: Tempo Comum, Semana XVIII (A), Domingo

Evangelho (Mt 14,13-21): Ao ser informado da morte de João, Jesus partiu dali e foi, de barco, para um lugar deserto, a sós. Quando as multidões o souberam, saíram das cidades e o seguiram a pé. Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se de compaixão por eles e curou os que estavam doentes.

Ao entardecer, os discípulos aproximaram-se dele e disseram: «Este lugar é deserto e a hora já está adiantada. Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!». Jesus porém lhes disse: «Eles não precisam ir embora. Vós mesmos dai-lhes de comer!». Os discípulos responderam: «Só temos aqui cinco pães e dois peixes». Ele disse: «Trazei-os aqui».

E mandou que as multidões se sentassem na relva. Então, tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu e pronunciou a bênção, partiu os pães e os deu aos discípulos; e os discípulos os distribuíram às multidões. Todos comeram e ficaram saciados, e dos pedaços que sobraram recolheram ainda doze cestos cheios. Os que comeram foram mais ou menos cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.

Comentário: Fr. Roger J. Landry (Hyannis, Massachusetts, Estados Unidos)

Hoje, Jesus nos mostra o muito que deseja envolver-nos no seu trabalho de redenção. Ele, que tem criado o céu e a terra do nada, tivesse podido —da mesma maneira— ter facilmente criado um abundante banquete para saciar aquela multidão.

Mas preferiu fazer o milagre partindo do único que os seus discípulos podiam entregar-lhe. «Só temos aqui cinco pães e dois peixes» (Mt 14,17), disseram-lhe. «Trazei-os aqui» (Mt 14,18), respondeu-lhes Jesus. E o Senhor levou a cabo a multiplicação de tão escasso recurso —nem suficiente para alimentar a uma familia normal— para dar de comer a umas 5000 famílias.

O Senhor procedeu da mesma maneira no festim das bodas de Canaã. Ele, que criou todos os mares, podia facilmente ter enchido do melhor vinho aquelas vasilhas de mais de 100 litros, partindo de zero. Mas, novamente, preferiu abarcar suas criaturas no milagre, fazendo que, primeiro, enchessem os recipientes de água.

E, o mesmo princípio, podemos contemplá-lo na celebração da Eucaristia. Jesus começa não do nada, nem também não de cereais ou de uvas, senão do pão e do vinho, que contém em si o trabalho das mãos humanas.

O defunto Cardeal Francisco Javier Nguyen van Thuan, prisioneiro dos comunistas vietnamitas desde 1975 até 1988, preguntava-se como poderia favorecer o Reino de Cristo e preocupar-se de seu rebanho enquanto tentava sobrepor-se ao brutal sofrimento de sua solitária reclusão. E, percebendo o pouco que podia fazer desde a cela da cadeia, pensou que, ao menos, cada dia, podia oferecer ao Senhor seus “cinco pães e dois peixes” e deixar que Deus fizesse o resto. E o Senhor multiplicou aqueles pequenos esforços convertendo-os numa testemunha que tem inspirado não só os vietnamitas, mas também a Igreja toda.

Hoje, o Senhor pede-nos, seus modernos discípulos, que “demos às multidões algo de comer” (cf. Mt 14,16). Não importa quanto tenhamos se muito ou pouco: demo-lo ao Senhor e deixemos que Ele continue a partir daí.

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Evangelho comentado de 27 de julho

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Dia Litúrgico: Tempo Comum, Semana XVII (A), Domingo

Evangelho (Mt 13,44-52): «O Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo. Alguém o encontra, deixa-o lá bem escondido e, cheio de alegria, vai vender todos os seus bens e compra aquele campo».

»O Reino dos Céus é também como um negociante que procura pérolas preciosas. Ao encontrar uma de grande valor, ele vai, vende todos os bens e compra aquela pérola.

»O Reino dos Céus é ainda como uma rede lançada ao mar e que pegou peixes de todo tipo. Quando ficou cheia, os pescadores puxaram a rede para a praia, sentaram-se, recolheram os peixes bons em cestos e jogaram fora os que não prestavam. Assim acontecerá no fim do mundo: os anjos virão para separar os maus dos justos, e lançarão os maus na fornalha de fogo. Aí haverá choro e ranger de dentes.

»Entendestes tudo isso?». —«Sim», responderam eles. Então ele acrescentou: «Assim, pois, todo escriba que se torna discípulo do Reino dos Céus é como um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas».

Comentário: Rev. D. Enric Prat i Jordana (Sort, Lleida, Espanha)

Hoje, o Evangelho quer ajudar-nos a olhar para dentro, a encontrar algo escondido: «O Reino dos Céus é como um tesouro escondido num campo» (Mt 13,44). Quando falamos de tesouro referimo-nos a algo de valor excepcional, de apreciação máxima, não a coisas ou situações que, ainda que amadas, não deixam de ser fugazes e bijuteria barata, como as satisfações e prazeres temporais: aquilo com que tanta gente se extenua procurando no exterior, e com o que se desencanta uma vez encontrado e experimentado.

O tesouro que Jesus propõe está enterrado no mais profundo da nossa alma, no próprio núcleo da nossa alma. É o Reino de Deus. Consiste em encontrar-nos amorosamente, de maneira misteriosa, com a Fonte da vida, da beleza, da verdade e do bem, e em permanecer unidos à mesma Fonte até que, cumprido o tempo da nossa peregrinação, e livres de toda a bijuteria inútil, o Reino do céu que procuramos no nosso coração e que cultivamos na fé e no amor, se abra como uma flor e apareça o brilho do tesouro escondido.

Alguns, como São Paulo ou o próprio bom ladrão, encontraram-se subitamente com o Reino de Deus ou de maneira inesperada, porque os caminhos do senhor são infinitos, mas normalmente, para chegar a descobrir o tesouro, há que procurá-lo intencionalmente: «O Reino dos Céus é também como um negociante que procura pérolas preciosas» (Mt 13,45). Talvez este tesouro só seja encontrado por aqueles que não se dão por satisfeitos facilmente, pelos que não se contentam com pouca coisa, pelos idealistas, pelos aventureiros.

Na ordem temporal, dos inquietos e inconformados dizemos que são pessoas ambiciosas, e no mundo do espírito, são os santos. Eles estão dispostos a vender tudo para comprar o campo, como diz São João da Cruz: «Para chegar a possuir tudo, não queiras possuir algo em nada»

Seja bem-vindo, Dom Tarcísio!

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01É com muito entusiasmo que acolhemos a vinda do salesiano Dom Tarcísio Sacaramussa como bispo coadjutor em nossa diocese. Com sua vida cativada pelo exemplo manso, justo e coerente de Dom Bosco, padroeiro da juventude, e um dos principais nomes para a organização e formação da Pastoral da Juventude em nível nacional, esperamos que nós e as futuras gerações estejam em boas mãos ao serem acompanhadas por você. Da mesma forma, que o nosso titular Dom Jacyr Francisco Braido também sempre nos entusiasmou a sermos discípulos-missionários em nossos eventos.

Esperamos que agora, com a Diocese de Santos com seus dois bispos, toda a Igreja continue de portas abertas e estreite ainda mais os bons laços com a Pastoral da Juventude, já atuante em parcerias com outras comissões diocesanas e com o clero tanto em nível de Baixada Santista com suas datas celebrativas (Missa de Dom Bosco e Dia Nacional da Juventude) e formativas (cursos para lideranças), quanto principalmente nas comunidades, onde realmente o jovem cresce edificando o Reino de Deus em seu cotidiano.

Também esperamos que esse olhar não seja ampliado apenas a nós, pejoteiros, mas também aos outros movimentos juvenis presentes em nossas 300 comunidades da Baixada Santista, como os Ministérios Jovem e Universitário da Renovação Carismática Católica, o Treinamento de Liderança Cristã, o Encontro de Adolescentes com Cristo, o Encontro de Jovens com Cristo, os Jovens Sarados, a Juventude Franciscana, a Juventude Estigmatina, a Juventude Mariana, a Juventude Salesiana, a Juventude Scalabriniana, a Juventude do Movimento Neo-Catecumenal, os coroinhas e todas as demais formas e espaços em que  o jovem pode ser comunidade cristã.

E que daqui pra frente organize-se uma comissão efetiva da Juventude e não consultiva, nem feita só de adultos, sequer de ex-coordenadores paroquiais, mas realmente uma comissão organizada e plural formada pelas atuais  lideranças diocesanas de cada movimento para, sem perder a suas identidades e carismas, traçarem juntos ações de evangelização. Temos certeza que, daqui em diante, este desafio de agregar inteiramente a juventude com nossos bispos será a melhor ação para convidarmos juntos as novas gerações a comungarem na fé em Cristo.

Lincoln Spada
Coordenador Diocesano da Pastoral da Juventude

Evangelho comentado de 20 de julho

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Dia Litúrgico: Tempo Comum, Domingo XVI (A)

Evangelho (Mt 13,24-43): Jesus apresentou-lhes outra parábola: «O Reino dos Céus é como alguém que semeou boa semente no seu campo. Enquanto todos dormiam, veio seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e foi embora. Quando o trigo cresceu e as espigas começaram a se formar, apareceu também o joio.

»Os servos foram procurar o dono e lhe disseram: ‘Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio? ’ O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os servos perguntaram ao dono: ‘Queres que vamos retirar o joio?’ ‘Não!’, disse ele. ‘Pode acontecer que, ao retirar o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita. No momento da colheita, direi aos que cortam o trigo: retirai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! O trigo, porém, guardai-o no meu celeiro!’».

Jesus apresentou-lhes outra parábola ainda: “O Reino dos Céus é como um grão de mostarda que alguém pegou e semeou no seu campo. Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce, fica maior que as outras hortaliças e torna-se um arbusto, a tal ponto que os pássaros do céu vêm fazer ninhos em seus ramos».  E contou-lhes mais uma parábola: “O Reino dos Céus é como o fermento que uma mulher pegou e escondeu em três porções de farinha, até que tudo ficasse fermentado».

Jesus falava tudo isso em parábolas às multidões. Nada lhes falava sem usar de parábolas, para se cumprir o que foi dito pelo profeta: ‘Abrirei a boca para falar em parábolas; vou proclamar coisas escondidas desde a criação do mundo’». Então Jesus deixou as multidões e foi para casa. Seus discípulos aproximaram-se dele e disseram: “Explica-nos a parábola do joio!».

Ele respondeu: «Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem. O campo é o mundo. A boa semente são os que pertencem ao Reino. O joio são os que pertencem ao Maligno. O inimigo que semeou o joio é o diabo. A colheita é o fim dos tempos. Os que cortam o trigo são os anjos. Como o joio é retirado e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim dos tempos: o Filho do Homem enviará seus anjos e eles retirarão do seu Reino toda causa de pecado e os que praticam o mal; depois, serão jogados na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça».

Comentário: P. Ramón Loyola Paternina (Barcelona, Espanha)

Hoje Cristo. Sempre, Cristo. Dele viemos; de Ele vêm todas as boas sementes semeadas na nossa vida. Deus visita-nos —como diz o Kempis— com a consolação e a desolação, com o sabor doce e o amargo, com a flor e a espinha, com o frio e o calor, com a beleza e o sofrimento, com a alegria e a tristeza, com o valor e com o medo… Porque tudo foi redimido em Cristo (Ele também teve medo e venceu-o). Como nos diz são Paulo, «que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus» (Rm 8,28).

Tudo isto está bem, mas… Existe um mistério de iniquidade que não procede de Deus e que nos excede e que devasta o jardim de Deus que é a Igreja. E quiséramos que Deus fosse “como” mais poderoso, que estivesse mais presente, que mandasse mais e não deixasse atuar essas forças desoladoras: «Queres que vamos retirar o joio? (Mt 13,28). Isto dizia o Papa João Paulo II no seu último livro Memória e identidade: «Sofremos com paciência a misericórdia de Deus», que espera até ao último momento para oferecer a salvação a todas as almas, especialmente às mais necessitadas da sua misericórdia («Deixai crescer um e outro até a colheita» (Mt 13,30). Como é o Senhor da vida de cada pessoa e da historia da humanidade, move os fios de nossas existências, respeitando nossa liberdade, de modo que —junto com a prova— dá-nos a graça sobre abundante para resistir, para santificar-nos, para ir até Ele, para ser oferenda permanente, para fazer crescer o Reino.

Cristo divino pedagogo, introduze-nos na sua escola de vida a través de cada encontro, cada acontecimento. Sai a nosso encontro; diz-nos —Não temais. Coragem. Eu venci o mundo. Eu estou convosco todos os dias, até o fim (cf, Jo 16,33; Mt 28,20). Diz-nos também: Não julgueis; ou melhor —como eu— esperai, confiai, rezai pelos que se equivocam, santificai-os com membros que vos interessam muito por ser do vosso próprio corpo.

Evangelho comentado de 13 de julho

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Dia Litúrgico: Tempo Comum, Domingo XV (A)

Evangelho (Mt 13,1-23): Naquele dia, Jesus saiu de casa e sentou-se à beira-mar. Uma grande multidão ajuntou-se em seu redor. Por isso, ele entrou num barco e sentou-se ali, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. Ele falou-lhes muitas coisas em parábolas.

Dizendo: «O semeador saiu para semear. Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. Outras caíram em terreno cheio de pedras, onde não havia muita terra. Logo brotaram, porque a terra não era profunda. Mas, quando o sol saiu, ficaram queimadas e, como não tinham raiz, secaram. Outras caíram no meio dos espinhos, que cresceram sufocando as sementes. Outras caíram em terra boa e produziram frutos: uma cem, outra sessenta, outra trinta. Quem tem ouvidos, ouça!». Os discípulos aproximaram-se e disseram a Jesus: «Por que lhes falas em parábolas?».

Ele respondeu: «Porque a vós foi dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não. Pois a quem tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas a quem não tem será tirado até o que tem. Por isto eu lhes falo em parábolas: porque olhando não enxergam e ouvindo não escutam, nem entendem. Deste modo se cumpre neles a profecia de Isaías: ‘Por mais que escuteis, não entendereis, por mais que olheis, nada vereis. Pois o coração deste povo se endureceu, e eles ouviram com o ouvido indisposto. Fecharam os seus olhos, para não verem com os olhos, para não ouvirem com os ouvidos, nem entenderem com o coração, nem se converterem para que eu os pudesse curar’. Felizes são vossos olhos, porque vêem, e vossos ouvidos, porque ouvem!

Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que estais vendo, e não viram; desejaram ouvir o que estais ouvindo, e não ouviram. «Vós, portanto, ouvi o significado da parábola do semeador. A todo aquele que ouve a palavra do Reino e não a compreende, vem o Maligno e rouba o que foi semeado em seu coração; esse é o grão que foi semeado à beira do caminho. O que foi semeado nas pedras é quem ouve a palavra e logo a recebe com alegria; mas não tem raiz em si mesmo, é de momento: quando chega tribulação ou perseguição por causa da palavra, ele desiste logo. O que foi semeado no meio dos espinhos é quem ouve a palavra, mas as preocupações do mundo e a ilusão da riqueza sufocam a palavra, e ele fica sem fruto. O que foi semeado em terra boa é quem ouve a palavra e a entende; este produz fruto: um cem, outro sessenta e outro trinta».

Comentário: P. Jorge Loring (Cádiz, Espanha)

Hoje consideramos a parábola do semeador. Tem uma força e um encanto especiais porque é palavra do próprio Senhor Jesus. A mensagem é clara: Deus é generoso semeando, mas a concretização dos frutos de sua semeadura dependem também —e ao mesmo tempo— da nossa livre correspondência. A experiência de todos os dias confirma-nos que o fruto depende da terra onde cai. Por exemplo, os alunos da mesma escola e sala, alguns acabam com vocação religiosa e outros ateus. Ouviram o mesmo, mas a semente caiu em terra diferente.

A terra boa é nosso coração. Em parte é coisa da natureza; mas sobre tudo depende da nossa vontade. Há pessoas que preferem desfrutar antes que ser melhores. Nelas cumpre-se a parábola: as ervas más (ou seja, as preocupações do mundo e a sedução das riquezas) «sufocam a palavra, e ele fica sem fruto» (Lc 13,22).

Mas aqueles que, pelo contrário, valoram o ser, acolhem com amor a semente de Deus e a fazem frutificar. Ainda tenham que mortificar-se. Cristo já disse: «se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto» (Jo 12,24). Também, o Senhor nos advertiu que o caminho da salvação é estreito e reduzido (cf. Mt 7,14): aquilo que vale muito, custa muito. Nada de valor se consegue sem esforço.

Quem se deixa levar pelos seus apetites, terá o coração como uma floresta selvagem. Pelo contrário, as árvores frutíferas que se podam dão melhor fruto. Assim, as pessoas santas não tiveram uma vida fácil, mas têm sido um modelo para a humanidade. «Não todos somos chamados ao martírio, com certeza, mas a alcançar a perfeição cristã. Mas a virtude precisa de uma força que (…) pede uma obra comprida e diligente, que não devemos interromper, até morrer. Desse jeito, pode ser chamado de martírio lento e continuado» (Pio XII).

A PJ apoia! Por uma democracia para o povo em vez dos governantes

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Junte-se ao Plebiscito Popular! Este é o resumo da cartilha para a criação do Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva Soberana do Sistema Político, que será realizado na primeira semana de setembro. Organize um comitê também junto ao seu grupo de amigos e faça parte desta iniciativa pelo futuro do nosso País!

A reforma do sistema político, necessária para avançar na conquista da democracia, da soberania e das necessidades de todos os setores oprimidos, mais do que nunca está na ordem do dia. Uma vez mais, o Congresso Nacional, dominado por representantes dos grandes grupos econômicos que financiam as campanhas eleitorais, tenta bloquear qualquer mudança de fundo no sistema político.

Se a maioria dos deputados e senadores recusa-se a alterar o sistema político que garante seus privilégios, nós, entidades representativas de trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, da juventude, dos movimentos democráticos e populares, decidimos organizar e realizar o Plebiscito Popular com a questão:

Você é a favor de uma constituinte exclusiva e soberana sobre o sistema político?

Vamos levar os resultados do Plebiscito Popular a todas as autoridades e poderes da República: queremos que os interesses da maioria explorada e oprimida que constrói a riqueza da nação sejam respeitados e representados nas instituições políticas de nosso país!

Uma Constituinte Exclusiva e Soberana para mudar o sistema político A Assembleia Nacional Constituinte, ou simplesmente Constituinte, é a realização de uma assembleia de representantes eleitos pelo povo para modificar a economia e a política do país e definir as regras, instituições e o funcionamento das instituições de um Estado, como o governo, o Congresso e o Judiciário. Suas decisões resultam em uma Constituição. A Constituição brasileira atual é de 1988.

Por que é necessária? Os milhões que em junho de 2013 saíram às ruas por transporte, saúde e educação de qualidade revelaram um fosso entre o povo e as instituições – o Judiciário, os governos e os legislativos, sobretudo o Congresso Nacional -, que ficaram merecidamente abaladas. A situação foi tal que a presidenta Dilma Rousseff foi à TV propor um Plebiscito para uma Constituinte Exclusiva por uma reforma política.

Por que a Constituinte deve ser Exclusiva e Soberana? Quando a ditadura no Brasil foi derrotada, em 1985, o movimento das massas colocou na ordem do dia a necessidade de novas instituições no País. Esse movimento foi contido pelos acordos entre as cúpulas do regime e dos extintos partidos Arena e MDB.

A Constituinte de 1988 é, assim, parte dessa contenção, da “transição conservadora”, sem ruptura. As eleições para a Constituinte de 1988 foram feitas sob regras herdadas da ditadura. De manhã, funcionava o Congresso Nacional (a Câmara e o Senado), à tarde, os mesmos congressistas formavam a Assembleia Constituinte, que não tinha soberania, pois estava sob tutela do Judiciário e do governo saídos da transição conservadora do Colégio Eleitoral.

Apesar de avanços nos direitos sociais e alguns que ficaram somente no papel, a Constituição de 1988 preservou muitas instituições criadas ou aprofundadas pelo regime militar, como a polícia militarizada, a manutenção da estrutura fundiária e o pagamento da divida pública. E integrou a Anistia aos militares, torturadores e assassinos, que continuam até hoje impunes.

É por isso que a proposta de uma Constituinte para fazer a mudança do sistema político deve ser, em primeiro lugar, Exclusiva, ou seja, com representantes eleitos exclusivamente para a Constituinte. Esses representantes devem ser eleitos sob novas regras e não as existentes hoje e que mantêm a lógica da ditadura. A Constituinte Exclusiva e Soberana deve ser unicameral, ou seja, sem o Senado, e com uma pessoa um voto.

As Manifestações

  • 89% da população disseram ter apoiado as manifestações;
  • 46% dos manifestantes disseram nunca ter participado de manifestações de rua;
  • 63% tinham entre 14 e 29 anos;
  • 49% têm renda acima de 5 salários mínimos;
  • 87% se mobilizaram por meio das redes sociais;
  • 61% declararam ter muito interesse em política;
  • 64,9% acharam que manifestações vão interferir nas eleições de 2014;
  • 29,9% alegaram motivos políticos, como corrupção, para protestar;
  • 55% acham que as manifestações visaram corrupção;
  • 40% defendem que próxima pauta dos jovens deva ser a melhoria da saúde;
  • 20% acreditam que a educação deveria ser a principal reivindicação das ruas.

Fontes: pesquisas da CNT, Ibope (feita em 7 capitais) e DataFolha, realizadas entre junho e agosto de 2013

02Caminho para avançar na democratização. A Constituição afirma que são objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil “construir uma sociedade livre, justa e solidária”, “garantir o desenvolvimento nacional”, “erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”, “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, etnia, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. E que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”.

Contudo, nosso sistema político sempre serviu e é estruturado para atender interesses das elites políticas, econômicas, sociais e culturais.

O Brasil necessita de reformas estruturais que mudem o papel de suas instituições criando uma nova institucionalidade e que avancem na democratização. As reformas agrária, urbana, tributária, do Judiciário, da educação, da saúde, a democratização dos meios de comunicação e outras têm pouca ou nenhuma chance de avançar em um Congresso Nacional composto por parlamentares eleitos com o dinheiro dos empresários e que defendem interesses contrários ao da maioria do povo.

Portanto, a realização de uma reforma no sistema político é determinante para o avanço das demais reformas estruturantes, desde que calcada no interesse público acima do privado. Essa é a garantia para o amadurecimento definitivo das instituições democráticas brasileiras.

Propostas sairão de dois eixos principais: A realização de uma Constituinte Exclusiva e Soberana sobre o sistema político brasileiro precisa se debruçar em construir propostas a partir de dois grandes eixos: o primeiro é o aperfeiçoamento da democracia  representativa, com a reforma do sistema eleitoral; e o segundo dá conta do fortalecimento da democracia direta e participativa, com controle social.

Enfrentar o poder econômico: Em 2008, as empresas doaram 86% dos recursos totais da campanha eleitoral. Em 2010, 91% e, em 2012, somaram 95%. Esses números são indicadores das causas do agravamento da crise de representação política. Cada vez mais os eleitos se aproximam de seus financiadores (os donos das empresas) e se distanciam do povo, o que provoca uma justa indignação e desconfiança na sociedade.

Garantir representação popular: O sistema eleitoral brasileiro adota o tipo de votação nominal nas eleições proporcionais (vereadores/as e deputados/as). Votamos em um nome e não em um programa partidário, que um conjunto de representantes vai defender. Por conta disso, a disputa eleitoral é feita em torno de projetos individuais e não coletivos.

Além disso, com a votação nominal, abrem-se brechas para partidos de aluguel, sem projeto ideológico ou identidade programática entre seus filiados. Romper com isso é romper com a lógica da privatização da política.

A sub-representação da mulher. As mulheres ocupam 9% dos mandatos na Câmara dos Deputados e 12% no Senado. No item igualdade de gênero na política, o Brasil está em 106º lugar entre 187 países. Nas eleições municipais de 2012, foram eleitas 7.648 mulheres para ocupar prefeituras e câmaras municipais em todo o Brasil – 13% do total de vagas disputadas e um recorde positivo na história brasileira.

A sub-representação da população negra. No Brasil, 51% se autodeclaram negros/as, segundo o Censo 2010 do IBGE. Porém, apenas 8,5% (43) do total de parlamentares no Congresso Nacional se autodeclaram negros/as. Menos da metade das 27 unidades federativas tem representantes negros/as na Câmara.

Em sete assembleias legislativas (Amazonas, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) não há nenhum/a parlamentar que se autodeclara negro/a.

A sub-representação indígena. No Brasil, Segundo o Censo de 2010 do IBGE, 817,9 mil pessoas se auto-declaram indígenas, o que inclui os residentes em terras indígenas (demarcadas) e os indígenas declarados fora delas. Além disso, há 78,9 mil pessoas que se consideram indígenas por questões de tradições, costumes, cultura, entre outros. Assim, podemos considerar que a população indígena brasileira é de 896,9 mil pessoas, com 305 diferentes etnias. Sendo que, 63,8% desse total está em áreas rurais e 32,3%, em urbanas.

A sub-representação da juventude. O número total de jovens entre 15 e 24 anos no País supera os 50 milhões, o que corresponde a um quarto do total da população brasileira, conforme dados do IBGE do Censo 2010. O número de jovens cresceu 19,5% desde o levantamento anterior, em 2002, que apontou 33,8 milhões. Os jovens são 40% do eleitorado no País (de 16 a 35 anos), mas menos de 3% no Congresso Nacional

A participação social – Fortalecimento da democracia direta. É essencial o fortalecimento de mecanismos de democracia direta como plebiscitos, referendos e projetos de iniciativa popular, assim como o aperfeiçoamento de instrumentos de democracia participativa e controle social. É preciso garantir o poder do povo de decidir sobre questões de interesse nacional, com a instituição de mecanismos de participação efetiva no desenvolvimento de políticas.

A prática de referendos e plebiscitos sobre questões fundamentais à vida dos/as brasileiros/as precisa deixar de ser uma excepcionalidade. É preciso também democratizar as regras para validação de projetos de lei de iniciativa popular.

Um dos instrumentos para fortalecer a democracia direta é o povo ter o poder de convocar plebiscitos e referendos (hoje só o Congresso pode fazer isso) e definir que sobre determinados temas somente o povo pode decidir, por meio desses instrumentos. Por exemplo: limite da propriedade da terra, privatizações, leilões de riquezas estratégicas, grandes obras e eventos.

O que é um plebiscito? É uma consulta na qual os cidadãos/ãs votam para aprovar ou não uma questão. Uma lei pode ser aprovada ou rejeitada por meio de um Plebiscito ou referendo.

No Brasil, a Constituição Federal, que é de 1988, determina por meio do artigo 48 inciso XV que somente o congresso nacional pode autorizar o referendo e convocar o Plebiscito. Portanto, atualmente um plebiscito somente poderá ser legalmente convocado pelo congresso nacional (composto por deputados federais e senadores). Isso precisa mudar. Instrumento da democracia direta tem que estar na mão do povo.

A maioria dos parlamentares fará tudo o que puder para impedir uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político, pois não quer mudar as regras que lhes permitem o controle do poder.

Um Plebiscito Popular é organizado por movimentos sociais e todos os cidadãos e cidadãs que quiserem trabalhar para que ele seja realizado, ele é muito representativo porque é organizado pelo povo.

O Plebiscito Popular não tem valor legal, mas exerce uma forte pressão política e social, permitindo que milhões de brasileiros/as expressem a sua vontade política.

Crie seu comitê na sua comunidade para realizar o Plebiscito Constuinte em sua Cidade durante a Semana da Pátria (1º a 7 de setembro) e acesse: http://www.plebiscitoconstituinte.org.br

Entrevista com o pejoteiro Igor Oliveira

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01Igor de Lima Oliveira
Data de Nascimento: 6/fev/1983
Comunidade de origem: Beato José de Anchieta – São Vicente
Funções pastorais: Coordenador Paroquial, Coordenador Regional, Coordenador Diocesano (2009-2010), Coordenador Regional (2011), Assessor Diocesano (2014)
Profissão: Técnico de planejamento da Petrobras

CONVITE. Na época tinha 20 anos, tinha acabado de fundar o grupo de Crisma. Mas no começo era da Renovação Carismática. Com a segunda turma, quis dar um toque de PJ. O padre queria um grupo que fosse a missa, rezasse o terço, e também queria um grupo que fizesse obras sociais. Assim, o padre concordou que tivesse um grupo de crisma, que acabou se tornando o GESAC. A Cristiane, coordenadora diocesana de São Vicente (2001-2002) na época, convidou o Gesac para ser o grupo regional da Gincana Vocacional, que acabou ficando em 3° lugar.

NA COMUNIDADE. No primeiro ano de grupo, sentimos a falta de uma assessora para ter mais conhecimento sobre a juventude. De começo o grupo Gesac tinha um coordenador, vice, secretária, assessora, também fazia um fim de semana de oração, um de formação, um de gesto concreto e um outro de recreação na arena que se encontra ao lado da paróquia mensalmente. Assim foram conquistando coisas, como espaço para ter sua própria missa. O amigo Dênio (o então vice) e eu sempre estávamos em sintonia. Nos reuníamos pra rezar o terço e montar o encontro do jeito PJ de ser, conversando e jogando idéias na roda: O Gesac deu certo por conta destas reuniões. Inventamos o evento “a noite do Brotinho” para arrecadarem dinheiro para fazer o forro do salão da Igreja. Conseguiram arrecadar 600 reais junto com o antigo grupo da Paróquia Nossa Senhora das Graças, o Conseg.

NA DIOCESE. Na PJ, participei dos cursos de formação. O primeiro curso que ele participou era o CDL (Curso de Dinâmica para Líderes), que foi em Praia Grande e que acabou mudando algumas coisas no grupo. Foi o começo dos GTs, que percebi que o grupo precisava de dinâmicas, espiritualidade, e foi quando assumiu de fato o grupo. Depois de um ano de grupo, houve um problema com o padre,  por ter feito uma rifa sem sua permissão. Com isso, foui afastado da coordenação e das demais funções na paróquia. Acabei dando prioridade a PJ. O Ricardo França e Júnior CAE me convidaram para ser coordenador regional de São Vicente. Aceitei e depois chamei meu amigo Dênio. Na assembleia seguinte, fui eleito coordenador diocesano com o Dênio e assim veio a minha primeira decepção diocesana. Mesmo ele tendo vontade, as outras pessoas não se comprometeram com a coordenação da PJ, afetando todo o trabalho durante o ano de 2010.

INFLUÊNCIAS. A PJ me influenciou a montar um grupo de jovens. Pois eu já participava da minha comunidade como coroinha, catequista, Legião de Maria Juvenil, coordenador de coroinhas, grupo de oração p jovens (RCC), catequista de Crisma… Sem contar a formação que tive no Seminário em Família durante 2 anos. Foi no Seminário em Família que amadureci o ser cristão e foi na PJ que complementei todo o amadurecimento como jovem cristão. A PJ influenciou muito no meu trabalho. Me considero uma liderança o tempo todo. Me sinto muito a vontade nas reuniões de coordenadoria e gerencias, para expor meu ponto de vista e pensamentos. O ponto mais forte eh me sentir sempre motivado para animar meus companheiros de trabalho e meus comandados. Aprendi a ser líder tanto na igreja como no trabalho e descobri q ser chefe é burrice. (risos) É melhor ser respeitado do que ter seu saco puxado o tempo todo.

CONVITE. Deus é tudo na minha vida. Tudo é por Cristo, com Cristo e em Cristo. E quando deixo-o de lado, parece que tudo desanda. Deus está sempre com a gente, mas a gente muitas vezes não quer ficar com ele. Deus é o sentido da minha vida. Jesus eh a fonte que sacia minhas fraquezas, é o centro de todas as coisas e é a minha meta. E a igreja é o meio de chegar a Jesus. A igreja-povo é o lugar onde pratico a vivência desse Deus que me faz bem, é a Igreja q me incentiva a praticar a caridade e a ação comunitária. A PJ é a parte da igreja que me identificou como jovem cristão católico e missionário. É por causa da PJ que hoje entendo melhor o que ser parte da historia. E foi a PJ que me fez o homem que sou hoje. E hoje eu convidaria ao jovem para fazer parte da PJ para que deixe de ser mais um. Convido você para ser um protagonista da sua história, pois é aqui que se ensina a dar o pão para quem tem fome e é aqui que você sacia a sua sede de justiça.