Arquivo mensal: dezembro 2014

Grato, Pastoral da Juventude de Santos

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Ser Pastoral da Juventude é ser sinônimo da luta pelo protagonismo juvenil como cristão. Sou Pastoral da Juventude e provavelmente nos últimos cinco anos, tornei-me referência de PJ na Diocese de Santos, portanto, é importante que conte brevemente dessa luta. Porque é uma luta de contracultura ser pejoteiro. Até os anos 70 era bonita a família reunida para ir à missa. Nos anos 80, era sinal de vanguarda ser católico e atuar politicamente contra a ditadura pelos direitos dos mais vulneráveis. No início dos anos 90, o próprio clero na Campanha da Fraternidade reconhecia e estimulava grupos de jovens nas paróquias. Hoje não há nenhum contexto cultural, político ou eclesial que favoreça um jovem se autoafirmar: Eu sou Pastoral da Juventude.

Pelo contrário. Vivemos num mundo de crises de valores nas instituições. Não há consenso sobre famílias, as escolas implodiram, as mídias não vendem e as religiões são fast-food. O advento tecnológico libertou a todos. Da liberalidade econômica da direita até a liberalidade cultural da esquerda, todos são incentivados a viverem sozinhos, a escolherem suas próprias escolhas, a esvaziarem praças, salas, bairros. Nós somos educados e incentivados a nos isolarmos em computadores, celulares, prédios de muros altos.

Lutar pelo direito de todos virou retrô, utopia, conversa de bar de professores e avós – os mesmos que hoje aceitam e colaboram com essa cultura individualista. Ser pejoteiro é ser raro, é ser contracultura. Você conseguir ver seus amigos após a missa, vai por mim, é muito mais difícil nos tempos atuais do que na época de seus pais. É quase ser um herói da resistência se compararmos.

Em 2010, a PJ Diocesana estava ‘isolada em retalhos’, em grupos de jovens de diferentes paróquias que não se conversavam mais. Pela falta de diálogo, ainda eram poucos, mas dialogaram em assembleia. O processo de resgate se deu numa semeadura de eventos de formação em cada cidade no ano seguinte – um cine-sarau em Santos, um curso sobre formação integral em Guarujá, uma assembleia em Itanhaém -, marcado pela Marcha Contra o Extermínio Jovem no DNJ de Praia Grande. Sobre o tema de protagonismo feminino, o DNJ ainda rendeu um livro com depoimentos de militantes sociais (veja aqui)

Aos poucos, os jovens de cada cidade foram se identificando com a PJ e, em 2012, fidelizamos um mesmo público para formações em São Vicente e Praia Grande sobre formação integral, leitura orante e CDL-Musical. A Assembleia em Guarujá só veio eleger os sonhos brotados dos jovens que também marcharam Contra o Extermínio Jovem, dessa vez no DNJ de Santos. Além da mídia e do apoio dos movimentos sociais, os nossos estudos da campanha (veja aqui) chegou até a CNBB sendo fonte de citação para a Campanha da Fraternidade de 2013, referente à violência juvenil.

É importante lembrar o papel fundamental da PJ para efetivar uma Comissão Diocesana de Juventude, como espaço de diálogo entre segmentos juvenis. Eram em nossas ampliadas que convidamos muitos que viriam a compor a equipe diocesana da tal Comissão entre 2011 e 2013 mas que, infelizmente, teve os planos encerrados após a Jornada da Juventude. Mesmo assim, a PJ foi o movimento mais preparado para a JMJ, pois além de incentivar os grupos a visitar o Rio, criou uma Semana Missionária nos morros de Santos na pré-jornada, colhendo um entrosamento incrível de sinal de Deus entre grupos de diversas cidades. Além de reforçar o diálogo com a imprensa regional e movimentos sociais, a PJ ganhava de fato uma movimentação diocesana de lideranças jovens.

Os frutos desta semana já poderiam ser vistos nas duas edições de Retiros de Espiritualidade (2013 e 2014) em Praia Grande e Itanhaém; no Curso de Dinâmica para Líderes em Itanhaém (2013), no DNJ de Mongaguá (2013), na Assembleia em Santos (2013), mas principalmente em ver uma caravana de 350 pessoas da Região na Romaria Estadual de 40 anos da PJ no mesmo ano – aliás, um evento que nos despertou ao registro das memórias de ex-líderes da pastoral de outras gerações, como prefeita, educadores, etc (veja aqui). Um colorido de fato preenchia a Pastoral da Juventude na Baixada Santista.

Por fim, o ano de 2014 foi o momento da coordenação diocesana reescrever os 40 anos de nossa trajetória (veja aqui), propor um estatuto (veja aqui) e um planejamento para a PJ até 2023 (veja aqui), com intuito de servir de referência para as próximas gerações. Inovamos ao realizar um curso sobre vocações profissional, eclesial e social simultâneo a um CDL em São Vicente, e também de reiterar o diálogo com a mídia e movimentos sociais, coletivos artísticos, deputados e atores políticos da Baixada Santista no DNJ, além de criarmos um Prêmio Inspirar a pessoas que atuam por direitos humanos. De referência nos tornamos reconhecedores de outras referências. Claro, tudo sob a proteção de Dom Bosco, santo padroeiro dos jovens, a quem celebramos em missa na paróquia salesiana de Guarujá desde 2011. Nada mais do que ainda tentarmos de modo democrático convidar outros segmentos juvenis para enfim efetivar uma Comissão Juventude de direito para crescermos todos em comunhão eclesial.

A PJ tem belos números. Somos em 400 jovens espalhados em cerca de 20 grupos de Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente, Santos e Guarujá. Temos um trio de coordenadores diocesanos, um coordenador regional para praticamente cada cidade, cinco adultos para assessorarem os trabalhos. No calendário anual, são reuniões regionais bimestrais, reuniões diocesanas bimestrais, duas celebrações entre jovens (Missa de Dom Bosco em janeiro e DNJ entre outubro e novembro), dois cursos semestrais, uma assembleia, além de formações regionais sobre Campanha da Fraternidade e eventuais reuniões e eventos em nível de SP-2, Sul 1 ou na diocese, sem falar que a Codijuv foi nestes quatro anos, pelo menos, em uma atividade diocesana de todas as outras comissões pastorais. A Assembleia de 2014 foi apenas o momento de reconhecer todo esse empenho de todos nós, jovens católicos da Região.

Sou grato por ter sido pejoteiro e, agora, daqui pra frente ser adulto graças à Pastoral da Juventude. Tenho certeza que a PJ destes cinco anos fez um trabalho profético de evangelização em uma das mais ricas, belas e fortes trajetórias se compararmos a qualquer outra comissão ou pastoral na diocese, ou até a outras PJs do Estado de São Paulo. Saiba, jovem pejoteiro, que nosso passado é de nos orgulhar com bom vínculo com o bispo e clero, outras comissões diocesanas, segmentos jovens diocesanos, movimentos sociais e agentes políticos. E tenho certeza que as próximas referências da PJ daqui pra frente também vão se empenhar para que vocês se mantenham firmes na fé. Então me despeço desejando bençãos e alegrias a quem agora será as referências da PJ Diocesana.

*Lincoln Spada, ex-coordenador diocesano da PJ (2011-2014)

PJ define projetos e coordenadores diocesanos até 2016

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A Pastoral da Juventude da Diocese de Santos realizou a sua assembleia de 2014 no último sábado (dia 6), no Centro Comunitário da Paróquia Nossa Senhora da Assunção (Santos). Estiveram presentes mais de quarenta jovens, representando 15 comunidades de cinco municípios da Baixada Santista: Guarujá, Santos, São Vicente, Praia Grande e Itanhaém.

Além dos pejoteiros, compareceram no evento o bispo Dom Jacyr Francisco Braido,cs, os padres Edson Felipe Monteiro Gonzalez e Luiz Aparecido Tegami,sdb, os seminaristas Gleyson Quirino e Ronnaldh Oliveira, o coordenador diocesano da Pastoral do Menor, Edmir Nascimento, e os coordenadores diocesanos da Pastoral Familiar, Jussara e Genilson Santos.

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Os presentes votaram por uma estrutura diocesana a fim de incentivar os grupos das comunidades a continuar firmes na fé: um trio de coordenadores diocesanos (Codijuv) com um assessor adulto, além de secretaria e tesouraria; um coordenador para cada região/município (Corejuv) com seu respectivo assessor adulto, sendo que cada Corejuv também será referência da PJ em outra comissão diocesana de pastoral, fortalecendo a PJ como um serviço de evangelização transversal, animando os jovens a continuarem nas comunidades militando noutros serviços a partir de sua vocação e atraindo parcerias para projetos que fomentem o protagonismo juvenil. Como referência, eles participarão de encontros formativos, trocarão subsídios e à medida do possível acompanharão as reuniões e atas dessas comissões.

“Na assembleia, os jovens estiveram felizes com a atual estrutura, já que contarão daqui pra frente com adultos como referência direta em cada região, possibilitando o acompanhamento na fé dos pejoteiros de modo mais efetivo”, diz Lincoln Spada, que junto de Wellington Dourado, despediu-se da Codijuv no evento. Por sua vez, padre Tegami reforçou a necessidade do clero daqui para frente estar mais presente da evangelização da juventude como assessoria eclesiástica em nível diocesana e também em nível regional.

Vários projetos diocesanos e regionais/municipais foram votados para os próximos dois anos. Na Diocese, o calendário contará com: um curso bíblico de fim de semana e outro sobre fé e política; um encontro sobre afetividade no primeiro semestre e outro de fim de semana sobre a base familiar; uma missão; envio de jovens para retiros espirituais fora da Baixada com intuito de criar agentes específicos sobre o tema em cada cidade; a criação de um grupo de trabalho (GT) de ação social para mobilizar campanhas e eventos em prol de entidades sociais.

A estrutura diocesana da Pastoral da Juventude para o próximo biênio será:
Codijuv: Gines Salas (São Vicente), Rafael Apolinário (Guarujá) e Vagner Benedito (Santos); Secretaria: Mariana Cancio (São Vicente); Tesouraria: Williany Lima (Santos); Assessor: Igor Oliveira (São Vicente);
Corejuv de Guarujá: Mirella Moreira; Assessora: Ana Catarina;
Corejuv de Praia Grande: Amanda Alves e Cláudia Santos; Secretário: Paulo Jeffersom;
Corejuv de Santos: Thais Santos; Secretário: Rodrigo Staudemeier; Assessor: Cesar Neves;
Corejuv de São Vicente: Larissa Santos e Yuri Stipler; Assessor: Ricardo França.

Por uma futura Comissão Juventude

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Por Lincoln Spada

Repare bem em cada sorriso nessa foto. Da esquerda para a direita. Com a namorada, Mário Tito, futuro coordenador paroquial do movimento Encontro de Jovens com Cristo (EJC); Tales, assessor do Ministério Jovem da Renovação Carismática Católica (MJ-RCC); Hérick Rocha, coordenador diocesano do movimento Treinamento de Liderança Cristã (TLC); Marcelo Santos, liderança da obra Jovens Sarados (JS); Vagner, ex-secretário diocesano e liderança da Pastoral da Juventude (PJ); Bruno Arena, jovem emissário da Congregação Mariana (CM); Jéssica e Kalliny, assessora e coordenadora paroquial da Juventude Scalabriniana (Juves). Imagina celebrar em uma única imagem lideranças de vários segmentos juvenis juntos, com o sonho de efetivar uma Comissão Diocesana para a Juventude.

Sim, para mim se trata do último sonho realizado enquanto coordenador diocesano da PJ: assumir o desafio de tal comissão. Cresci numa pastoral um pouco desalinhada aqui no litoral, pelos idos de 2005. Aos 14 anos, ia na Assembleia Diocesana aprender que a Pastoral da Juventude tinha uma trajetória social e evangelizadora que, por vezes, fazia com que isso conflitasse com outros movimentos juvenis. Assim, logo aprendi que as fissuras da Igreja não são causadas por adversários externos – as atrativas baladas e praias, ou até as novas igrejas protestantes -, mas pela falta de diálogo dos diferentes carismas.

Quem tem medo da Comissão?

Uma geração de coordenadores e assessores da PJ se entristeceram em 2008 com a exigência do clero em reelaborar uma estrutura de comissões em que a Pastoral da Juventude era apenas mais um dos movimentos juvenis, todos dentro de um único Setor Juventude: perdendo o direito de participar das reuniões diocesanas com as demais pastorais; perdendo o acesso financeiro para subsidiar cursos na única casa diocesana de retiros, o Cefas; perdendo a exclusividade de um assessor eclesiástico, mesmo que cada outro movimento já tenha o seu próprio diretor espiritual.

Enquanto a PJ se desorientava na Diocese, tentei por vezes dialogar com o antigo Jovens Amigos Reunidos Em Cristo, famoso grupo de RCC de uma capela da Pompéia. Participava de todos os encontros, incentivava os pejoteiros aos retiros e passeios deles, até chamei o fundador do grupo para palestrar na PJ, outra para cuidar de nosso retiro. Imagina se eles queriam se entrosar com jovens não-carismáticos? (Sim, a situação inversa também deve ocorrer em outras comunidades)

Mas ao mesmo tempo, havia uma equipe do TLC de Cubatão desejando implantar o movimento como uma iniciação dos crismados na minha paróquia. O resultado da experiência paroquial da “Comissão”: isolado, o Jarec se extinguiu por falta de jovens; enquanto a PJ e o TLC revolucionaram a comunidade enquanto andavam juntos – foi justamente a cisão dos líderes de cada movimento que encerrou as atividades de ambos anos depois.

Comissão para dialogar ou para a JMJ?

O ano de 2010 foi significativo, a PJ diocesana já estava desarticulada. Assessor há dois anos da comissão de papel, Padre Edvaldo Gomes adoeceu fortemente e o desafio foi repassado ao Padre Edson Felipe Gonzalez. Ele veio ter com as então lideranças da PJ já em setembro ansiando por enfim uma Comissão com ‘C’ maiúsculo. Experiência de diálogo eu tinha e, foi aliás contando sobre minha história como “ponte do clero, pastorais e movimentos juvenis” que me candidatei a coordenador diocesano exatamente na Assembleia ocorrida na Paróquia da Pompéia. Assumi o sonho no mesmo ano.

Todas as reuniões da PJ em 2011 não eram somente da pastoral, pois estavam lá líderes do TLC, do Movimento Neo-Catecumenal, do EJC, do EAC, da Juves, da Juventude Estigmatina, da Articulação da Juventude Salesiana… Efetivar uma Comissão Juventude com todos era fácil como ponto de encontro de todos esses segmentos.

Mas por mais que houvesse boa vontade do padre assessor, o apoio do clero, sucessivos passos errados isolaram a Comissão: reuniões às pressas e sem avisar a todos; uma coordenação eleita num encontro sem ata, sequer sem cinco pessoas, formada sem a participação de nenhum movimento diocesano por uma adulta ex-coordenadora paroquial, um ex-coordenador de gincanas, um jovem desafeto do pároco… Por mais que se esforçassem, daí em diante a proposta de uma Comissão para diálogos se tornou somente numa equipe de poucos por um calendário pré-JMJ no Rio. O último encontro da Comissão que conseguiria reunir os então representantes da PJ, RCC, JS, TLC, EJC seria em novembro de 2012. Depois disso, o único objetivo seria a Jornada.

Enfim, o sonho realizado.

Passou a Semana de Evangelizadores sobre a Juventude, a Campanha da Fraternidade da Juventude, a JMJ… No entanto, todos sabemos que nenhum calendário ou evento pode sensibilizar mais uma pessoa do que o verdadeiro encontro com Deus, o seu devido acompanhamento na fé e uma efetiva acolhida e diálogo das pastorais e segmentos juvenis. Um plano de viver o discipulado cristão.

Ao convidar e ver juntas as principais lideranças jovens de cada um dos movimentos da Diocese de Santos para erguer futuramente uma Comissão Juventude é a realização de meu último sonho. Justamente na Paróquia da Pompéia, a seis dias de minha despedida na coordenação da PJ, sinto-me grato e feliz com a vontade de todos os movimentos em cessarem rixas, sendo exemplos para várias paróquias; em convidar outros movimentos ainda não presentes nesta equipe; em darem as mãos para evangelizar as novas gerações;em querer dialogar e propor ações em conjunto; e, principalmente, em assumir o protagonismo para rejuvenescer a Igreja e a sociedade com a Palavra de Deus. Grato por partilharmos do mesmo sonhos, RCC, TLC, EJC, JS, CM e Juves.

*Lincoln Spada é coordenador da PJ da Diocese de Santos de 2010 a 2014.