Grato, Pastoral da Juventude de Santos

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Ser Pastoral da Juventude é ser sinônimo da luta pelo protagonismo juvenil como cristão. Sou Pastoral da Juventude e provavelmente nos últimos cinco anos, tornei-me referência de PJ na Diocese de Santos, portanto, é importante que conte brevemente dessa luta. Porque é uma luta de contracultura ser pejoteiro. Até os anos 70 era bonita a família reunida para ir à missa. Nos anos 80, era sinal de vanguarda ser católico e atuar politicamente contra a ditadura pelos direitos dos mais vulneráveis. No início dos anos 90, o próprio clero na Campanha da Fraternidade reconhecia e estimulava grupos de jovens nas paróquias. Hoje não há nenhum contexto cultural, político ou eclesial que favoreça um jovem se autoafirmar: Eu sou Pastoral da Juventude.

Pelo contrário. Vivemos num mundo de crises de valores nas instituições. Não há consenso sobre famílias, as escolas implodiram, as mídias não vendem e as religiões são fast-food. O advento tecnológico libertou a todos. Da liberalidade econômica da direita até a liberalidade cultural da esquerda, todos são incentivados a viverem sozinhos, a escolherem suas próprias escolhas, a esvaziarem praças, salas, bairros. Nós somos educados e incentivados a nos isolarmos em computadores, celulares, prédios de muros altos.

Lutar pelo direito de todos virou retrô, utopia, conversa de bar de professores e avós – os mesmos que hoje aceitam e colaboram com essa cultura individualista. Ser pejoteiro é ser raro, é ser contracultura. Você conseguir ver seus amigos após a missa, vai por mim, é muito mais difícil nos tempos atuais do que na época de seus pais. É quase ser um herói da resistência se compararmos.

Em 2010, a PJ Diocesana estava ‘isolada em retalhos’, em grupos de jovens de diferentes paróquias que não se conversavam mais. Pela falta de diálogo, ainda eram poucos, mas dialogaram em assembleia. O processo de resgate se deu numa semeadura de eventos de formação em cada cidade no ano seguinte – um cine-sarau em Santos, um curso sobre formação integral em Guarujá, uma assembleia em Itanhaém -, marcado pela Marcha Contra o Extermínio Jovem no DNJ de Praia Grande. Sobre o tema de protagonismo feminino, o DNJ ainda rendeu um livro com depoimentos de militantes sociais (veja aqui)

Aos poucos, os jovens de cada cidade foram se identificando com a PJ e, em 2012, fidelizamos um mesmo público para formações em São Vicente e Praia Grande sobre formação integral, leitura orante e CDL-Musical. A Assembleia em Guarujá só veio eleger os sonhos brotados dos jovens que também marcharam Contra o Extermínio Jovem, dessa vez no DNJ de Santos. Além da mídia e do apoio dos movimentos sociais, os nossos estudos da campanha (veja aqui) chegou até a CNBB sendo fonte de citação para a Campanha da Fraternidade de 2013, referente à violência juvenil.

É importante lembrar o papel fundamental da PJ para efetivar uma Comissão Diocesana de Juventude, como espaço de diálogo entre segmentos juvenis. Eram em nossas ampliadas que convidamos muitos que viriam a compor a equipe diocesana da tal Comissão entre 2011 e 2013 mas que, infelizmente, teve os planos encerrados após a Jornada da Juventude. Mesmo assim, a PJ foi o movimento mais preparado para a JMJ, pois além de incentivar os grupos a visitar o Rio, criou uma Semana Missionária nos morros de Santos na pré-jornada, colhendo um entrosamento incrível de sinal de Deus entre grupos de diversas cidades. Além de reforçar o diálogo com a imprensa regional e movimentos sociais, a PJ ganhava de fato uma movimentação diocesana de lideranças jovens.

Os frutos desta semana já poderiam ser vistos nas duas edições de Retiros de Espiritualidade (2013 e 2014) em Praia Grande e Itanhaém; no Curso de Dinâmica para Líderes em Itanhaém (2013), no DNJ de Mongaguá (2013), na Assembleia em Santos (2013), mas principalmente em ver uma caravana de 350 pessoas da Região na Romaria Estadual de 40 anos da PJ no mesmo ano – aliás, um evento que nos despertou ao registro das memórias de ex-líderes da pastoral de outras gerações, como prefeita, educadores, etc (veja aqui). Um colorido de fato preenchia a Pastoral da Juventude na Baixada Santista.

Por fim, o ano de 2014 foi o momento da coordenação diocesana reescrever os 40 anos de nossa trajetória (veja aqui), propor um estatuto (veja aqui) e um planejamento para a PJ até 2023 (veja aqui), com intuito de servir de referência para as próximas gerações. Inovamos ao realizar um curso sobre vocações profissional, eclesial e social simultâneo a um CDL em São Vicente, e também de reiterar o diálogo com a mídia e movimentos sociais, coletivos artísticos, deputados e atores políticos da Baixada Santista no DNJ, além de criarmos um Prêmio Inspirar a pessoas que atuam por direitos humanos. De referência nos tornamos reconhecedores de outras referências. Claro, tudo sob a proteção de Dom Bosco, santo padroeiro dos jovens, a quem celebramos em missa na paróquia salesiana de Guarujá desde 2011. Nada mais do que ainda tentarmos de modo democrático convidar outros segmentos juvenis para enfim efetivar uma Comissão Juventude de direito para crescermos todos em comunhão eclesial.

A PJ tem belos números. Somos em 400 jovens espalhados em cerca de 20 grupos de Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente, Santos e Guarujá. Temos um trio de coordenadores diocesanos, um coordenador regional para praticamente cada cidade, cinco adultos para assessorarem os trabalhos. No calendário anual, são reuniões regionais bimestrais, reuniões diocesanas bimestrais, duas celebrações entre jovens (Missa de Dom Bosco em janeiro e DNJ entre outubro e novembro), dois cursos semestrais, uma assembleia, além de formações regionais sobre Campanha da Fraternidade e eventuais reuniões e eventos em nível de SP-2, Sul 1 ou na diocese, sem falar que a Codijuv foi nestes quatro anos, pelo menos, em uma atividade diocesana de todas as outras comissões pastorais. A Assembleia de 2014 foi apenas o momento de reconhecer todo esse empenho de todos nós, jovens católicos da Região.

Sou grato por ter sido pejoteiro e, agora, daqui pra frente ser adulto graças à Pastoral da Juventude. Tenho certeza que a PJ destes cinco anos fez um trabalho profético de evangelização em uma das mais ricas, belas e fortes trajetórias se compararmos a qualquer outra comissão ou pastoral na diocese, ou até a outras PJs do Estado de São Paulo. Saiba, jovem pejoteiro, que nosso passado é de nos orgulhar com bom vínculo com o bispo e clero, outras comissões diocesanas, segmentos jovens diocesanos, movimentos sociais e agentes políticos. E tenho certeza que as próximas referências da PJ daqui pra frente também vão se empenhar para que vocês se mantenham firmes na fé. Então me despeço desejando bençãos e alegrias a quem agora será as referências da PJ Diocesana.

*Lincoln Spada, ex-coordenador diocesano da PJ (2011-2014)

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