Beatificação de Romero: a semente continua a se espalhar…

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A poucos dias, foi confirmado que  a beatificação do Arcebispo de San Salvador, Dom Óscar Arnulfo Romero, será celebrada na Praça do Divino Salvador do Mundo, na capital do país, mas sem data definida até o momento. Tal confirmação é a vitória não só do povo salvadorenho, devoto daquele que teve seu martírio reconhecido pela Igreja em 3/fev desse ano, mas também de toda uma Igreja na América Latina que sofreu com regimes militares e viu muitos padres perderem sua vida pelas causas do Reino.

Nascido em San Miguel no ano de 1917, Monsenhor Romero (como era conhecido) foi nomeado arcebispo de San Salvador por seu aparente conservadorismo. Porém, no seu curto arcebispado, utilizou suas homilias para denunciar profeticamente o sofrimento de seu povo, esmagado por uma ditadura violenta e cruel, financiada pelos norte-americanos. Foi assassinado por um franco-atirador no mais sublime momento de um sacerdote: celebrando a Santa Missa, na capela do Hospital do Câncer Divina Providência de San Salvador. Vejamos uma de suas falas que revela muito da sua espiritualidade:

“De vez em quando dar um passo atrás nos ajuda a tomar uma perspectiva melhor. A vida não está somente mais além de nossos esforços, mas também mais além de nossa visão. Durante nossa vida, só realizamos minúscula parte desta magnífica empresa que é a obra de Deus. Nada do que fazemos está acabado, o que significa que a vida está sempre à nossa frente.

Nenhuma declaração diz tudo que se poderia dizer. Nenhuma oração pode expressar plenamente nossa fé. Nenhuma confissão traz a perfeição. Nenhuma decisão traz sozinha a integridade. Nenhum esquema de metas e objetivos inclui tudo. Isto é o que tentamos fazer: plantamos sementes que um dia crescerão. Regamos sementes já plantadas, sabendo que são promessas de futuro. Sentamos bases que necessitarão um maior desenvolvimento. Os efeitos da levedura que proporcionamos vão mais além de nossas possibilidades.

Não podemos fazer tudo e, ao dar-nos conta disso, sentimos certa libertação, que nos capacita a fazer algo, e a fazê-lo muito bem. Pode ser incompleto, mas é um princípio, um passo no caminho, uma ocasião para que entre a graça do Senhor e faça o resto.

É possível que não vejamos nunca os resultados finais, mas esta é a diferença: ­ somos profetas de um futuro que não nos pertence.”

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