MÉXICO 70 É A CASA DA MISSÃO JOVEM 2015

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“(…)Tenho que andar, tenho que lutar,

Ai de mim se não o faço!

Como escapar de Ti, como calar,

Se Tua voz arde em meu peito?”

Bairro visto da Ponte do Mar Pequeno.

Bairro visto da Ponte do Mar Pequeno.

“Ai de mim se não evangelizar!” – I Corintios 9, 16.

A quarta edição da Missão Diocesana da PJ Santos já tem data e local definido. Depois de Cubatão 2004, Humaitá 2012 e Morro São Bento 2013, será a vez da Reitoria Bom Jesus dos Navegantes no México 70 (São Vicente) abrigar as missões populares do dia 04 a 12 de julho. Confirmada na Assembléia Diocesana realizada em dezembro do ano passado, a CODIJUV definiu o lugar como o ideal para sediar o evento, que passará a acontecer de dois em dois anos.

Porque o México 70? Marcada pela pobreza, más administrações e problemas de moradia, a primeira vila a ser fundada no Brasil tem talvez neste bairro o seu coração. Símbolo de abandono do poder público seja municipal, estadual e federal, o México 70 compila o que tem de mais belo e mais triste na cidade. Com suas primeiras ocupações datadas do final da década de 1960, carrega em si uma trágica contradição: uma das maiores alegrias do futebol brasileiro nomeando uma ferida a céu aberto na Baixada Santista. Área de manguezal inundável com cerca de 30 hectares, localizada entre as pontes dos Barreiros e do Mar Pequeno, era um terreno que até então pertencia à marinha. Recebeu com o passar dos anos quem simplesmente não tinha para onde ir e sonhava com o dia em que teria dignidade. Negros, pardos, migrantes nordestinos e todo tipo de gente marginalizada, construiu suas vidas em meio às vielas, becos e palafitas que costuram o bairro.

O lugar já chegou a estar entra as maiores favelas do país. Com quase vinte mil moradores atualmente, somente nos anos 1990 iniciou-se um processo de organização habitacional. Isso mesmo, meus amigos! Após TRINTA ANOS de ocupação, com epidemias de todo tipo e a disseminação do tráfico que esmagou gerações, o local finalmente ganhou o olhar das autoridades. Ainda sim, os avanços foram diminutos. Carente de saneamento básico até hoje, boa parte do esgoto é despejada ou a céu aberto, ou diretamente na maré, trazendo doenças a população e degradando a Mata Atlântica. Os moradores ainda convivem com uma constante ameaça: a de incêndio. Em grandes proporções, foram quatro deles somente nos últimos cincos anos, tirando de centenas de famílias, tudo do quase nada que elas um dia tiveram. Recomeçar para essas pessoas virou uma infeliz rotina…

Mas nem só de dor é feita a periferia. O bairro é em sua maioria, formado por gente amável e batalhadora. Podemos citar o próprio padre reitor da Bom Jesus, o francês Pe Jean-Claude, de 81 anos. Pe Claudio (nome que adotou a “brasileira”) largou o conforto europeu e exerce seu ministério no Brasil a quase 50 anos. Famoso pelo comprometimento evangélico radical pelos mais pobres, mas também pela simpatia com que trata seus paroquianos, ganhou o respeito (até mesmo dos não católicos) por seu testemunho nos lugares onde passou. Sua simplicidade às vezes parece beirar o folclore. Habituado a trafegar de moto pelas capelas para celebrar as missas dominicais, só abandonou o veículo de duas rodas por conta de uma prescrição médica. Deixou a moto e passou a utilizar a Kombi da comunidade para se locomover, com a qual também transporta pessoalmente seus fiéis em certas oportunidades. Chegou ainda a montar um barraco para morar no bairro, quando a reitoria ainda era uma capela, mas este último caiu, vítima de uma ventania. Seus agentes de pastoral falam dele com doçura e carregam debaixo do braço o seu maior exemplo: a caridade.

Que o México 70 nos traga belas histórias e muitos sorrisos. Adriano, Andressa, Carlos e cia: tratem de botar água no feijão, já diria o Papa Francisco. Nos veremos em julho!

jac

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