MISSÃO JOVEM 2015: Uma experiência marcada na memória

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“Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho” – Evangelii Gaudium

Após quatro meses de preparação, reuniões, cartas, mensagens e peregrinação da cruz, enfim as terras alagadas do México 70 em São Vicente receberam a tão idealizada Missão Jovem. Cerca de sessenta inscritos, incluindo religiosos e pessoas de outras dioceses atravessaram os becos e vielas daquela que um dia já foi a maior comunidade de palafitas em extensão no Brasil, durante a década de setenta. Cheios de esperança, deixaram suas casas e o comodismo. Chegaram à Reitoria Bom Jesus dos Navegantes em uma tarde de sábado chuvosa, onde foi anunciada as famílias que acolheriam os respectivos missionários.

Estigmatizada pela imprensa como uma comunidade violenta e tomada pelo poder paralelo, o receio transparecia, nos pais dos jovens, na equipe e até mesmo na comunidade, durante todo o processo de elaboração do evento, que em alguns momentos foi visto como um “delírio”. Até onde a Missão da Igreja deve ir, sem que comprometa a integridade de seus fiéis? Até onde tal imagem que se tinha não era fruto de um preconceito, do qual nos mesmos estávamos carregados? Como definir um local como seguro ou inseguro, quando os grandes centros e os bairros nobres tem grande incidência nos índices de criminalidade? Jesus deixaria de pregar a Boa Nova em lugares ditos como perigosos? Se os cristãos viram as costas, quem é que estende a mão?

Após tantas orações e rodas de discussão, buscando respostas para nossas hipocrisias e provocados constantemente pelo Evangelho, pelos documentos da Igreja e pelas homílias do Papa Francisco, o bispo diocesano Dom Tarcísio Scaramussa enfim celebrou o envio da juventude, em Missa presidida na própria Reitoria, após um longo domingo de formação. Não haveria mais volta. Enfim, chegava à segunda-feira, com um misto de ansiedade e medo para uma equipe que meditou em todas as alternativas que protegessem os jovens de qualquer imprevisto. Na oração da manhã, uma cadelinha com meses de vida, criada por um casal morador de rua que ainda almoçaria conosco constantemente durante aquela semana, brincava por entre os cadarços dos missionários. À primeira vista, uma distração a quem procurava se concentrar e falar com Deus. Porém, um olhar mais apurado talvez enxergasse ali a própria expressão do Espírito Santo. Com o coração cheio de incertezas, mas também tomado de entusiasmo, as vias do bairro foram tomadas por uma juventude alegre que anunciava sua chegada cantando Alceu Valença. Ocorrências? Nenhuma. Nada do que previam os pessimistas se confirmou. Fomos calados por uma calorosa acolhida, de uma comunidade que muito tinha a nos ensinar. Era como se os próprios ensinamentos da Igreja e a opção pelos pequenos, tão bela na teoria, mas tão pouco vivida na prática, estivessem ali encarnados. Na coordenadora da comunidade, Dona Gilda, alguém alegre e dedicada integralmente à ação pastoral, conhecida por toda extensão do bairro não importasse o credo das pessoas. No sacerdote, Padre Claudio, um “avô” francês de coração jovem, incapaz de fazer mal ou expulsar um embriagado de uma Missa, mesmo que ele importunasse. Nesse casamento que uniu pessoas inspiradas em construir o Reino, nasceu um evento que vai deixar marcas por muito tempo na vida de quem dele participou. Além das mais variadas histórias vivenciadas nas casas que se visitaram, serenatas, práticas esportivas, oficinas de plantio e atividades com as crianças fizeram parte da semana que marcou a história da PJ Santos, encerrada com risos, abraços e o gosto salgado das lágrimas de felicidade que atravessavam os rostos inchados.

A Missão Jovem 2015 veio para confirmar que a mensagem de amor do Moreno Nazareno é ilimitada e não tem hora ou lugar para ser professada. Como diria o verso: aonde mandar…eu(nós) irei (iremos).

* Gines Salas, coordenador diocesano, da Missão Jovem e mais uma andorinha fazendo o verão.

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