PÁSCOA DE DOM HÉLDER CÂMARA

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dom helder 1Hoje, completa-se mais um ano da partida de Dom Hélder Câmara, o “Dom da Paz”, falecido em 27 de agosto de 1999, deixando muita saudade e um enorme legado. Arcebispo de Olinda e Recife e atualmente em processo de beatificação, falar dele é falar de uma das figuras mais emblemáticas da Igreja brasileira no século XX. Um dos protagonistas do CVII e da fundação da CNBB, era também amigo espiritual do Papa Paulo VI.

Militante integralista na juventude, mudou sua visão de mundo e passou a optar pelos pobres ao se deparar com as favelas do Rio de Janeiro, segundo ele mesmo. No regime militar, já arcebispo e vendo o povo esmagado pela opressão (incluindo o clero), tornou-se porta-voz  em favor dos direitos humanos, denunciando os abusos no exterior. Impedido de ser repreendido ou até mesmo assassinado por razão do seu cargo e projeção internacional, em represália seu nome foi proibido de ser referenciado pela imprensa durante mais de uma década. Dentro da Igreja, grupos como a TFP que apoiavam o governo trabalharam dia e noite em prol da sua desmoralização, disseminando ideias que ressoam ainda hoje entre os fundamentalistas e cristãos sectários. Fora do Brasil, entretanto, seu nome foi indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz.

O fato de nunca ter ganho qualquer um deles faz com que especialistas apontem para uma pressão diplomática dos militares. Com prêmio ou não, sua obra material resistiu ao tempo, através dos programas de moradia e combate a fome criados. Em um encontro com carismáticos na Itália em 2014, Papa Francisco indicou uma obra sua, escrita junto do Cardeal Suenens: “Renovação do espírito e serviço ao homem”. Seu testemunho seguirá para sempre a inspirar…

“VEM, SENHOR !

Não sorrias, dizendo que já estás conosco. 
Há milhões que não Te conhecem.
E de que basta conhecer-Te, 
de que adianta tua vinda, 
se para os teus a vida continua igual?…
Converte-nos!
Revolve-nos!
Que a tua mensagem se torne carne de nossa carne,
sangue de nosso sangue,
razão de ser de nossa vida.
Que ela nos arranque do comodismo, da boa consciência!
Seja exigente, incômoda, pois só assim nos trará a paz profunda, 
a paz diferente,
a TUA paz!…”

Helder Camara. Recife, 29 de novembro de 1969

ENCONTRO COM A PJ EM SANTOS NOS ANOS 80

Grande entusiasta da Pastoral da Juventude, Dom Helder esteve na diocese para um encontro com centenas de pejoteiros. A proposta segundo a atual prefeita do Guarujá e integrante da PJ na época, Maria Antonieta, era a de uma palestra, mas acabou por se tornar uma roda de conversa descontraída e inesquecível para quem ali estava presente. Indagado por um dos jovens sobre a possibilidade do fim dos tempos, medo cultural recorrente com a Guerra Fria e reta final do milênio, o bispo respondeu:

– O mundo é como Paris, a “Cidade Luz”. Vocês imaginam Paris na escuridão?

Um breve silêncio. Em seguida, ele responde:

– A luz jamais se apagará.

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