Vamos falar de vocação…

Padrão

“Por tanto amor, por tanta emoção

A vida me fez assim

Doce ou atroz, manso ou feroz

Eu caçador de mim…”

(Milton Nascimento)

 

Você esperando o blog ser atualizado...

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Aloha! Depois de um recesso não comunicado, não planejado e imoral, estamos de volta à ativa, em busca de estimular a leitura do jovem pejoteiro de Santos. A adm desta ‘bagaça’ dormiu por uns meses (mentira, tava ocupadão memo!), mas promete voltar para ficar, com textos razoavelmente inspirados. Já estamos lá pela reta final do obscuro mês de agosto, tão temido e sem feriados. No entanto, ainda dá tempo de abordar o seu significado para a Igreja: a vocação.

 

Mês em que se celebra liturgicamente a festa de São João Maria Vianney, O Cura D’Ars, padroeiro dos sacerdotes, é tempo também de rever o tão falado “Projeto de Vida”. A juventude é um período de incertezas e inseguranças quanto ao caminho a se seguir, e o grupo de base, preocupado com a formação integral do jovem, tem o dever de se preocupar com essa difícil missão, conduzindo o jovem para uma tão necessária reflexão e busca pelo autoconhecimento, levando-o a superar desafios e ouvir o coração, por meio do encontro com a pessoa de Jesus.

 

A dinâmica LOUCA do mundo atual tem tornado as pessoas infelizes. E isso quem diz não sou eu, mas os índices da OMS (Organização Mundial de Saúde), que revela, por exemplo, que 10% dos jovens no mundo sofrem de depressão. Ou seja, em uma conta fácil até para a pessoa que aqui escreve, estudante de humanas: um dos seus dez amigos é depressivo. Entre os ingredientes, está a competitividade, a pressão de não fracassar, chegar a determinada idade casado (a), com casa, carro, filhos, bom emprego e diploma de doutorado. O resultado são os consultórios cheios de gente adoecida, mesmo quando se sai bem-sucedido dessa maratona. No meio de toda essa escuridão que assola as pessoas, retomemos o item que é a razão da verborreia até aqui: O SACERDÓCIO. Não é de hoje que o Brasil tem vivido um déficit de padres, que, segundo a Folha de São Paulo em 2013, chegava aos vinte mil. O mesmo se refere aos consagrados.

 

Padre...

Mãos que abençoam e partilham o pão.

Os motivos para que a molecada corra da turminha de Melquisedeque são diversos. Para começar, existe a dinâmica louca que já citamos. Em uma sociedade que separa os vencedores dos fracassados, pensar na vocação religiosa é para muitos, sinônimo de derrota. Não sejamos hipócritas. A hipersexualização da juventude faz com que, quem pense no assunto, seja taxado ou de homossexual, ou de frustrado afetivamente. E em uma cultura machista que, para ser “homem” é necessário passar o rodo, ser visto como gay ou “pega ninguém” não é lá muito popular. Outra razão é a redução da taxa de natalidade. As famílias antigamente eram numerosas e muito católicas. Isso fazia com que muitos pais encorajassem os filhos a ingressarem no seminário, como o caso do Pe. Francisco das Dores Leite, o Mons. Chiquinho da São Judas Tadeu, que optou pelo altar junto de outros três irmãos. Hoje em dia, isso não se repete mais, pois muitas vezes a ideia de ver um filho não constituindo família desagrada os pais. Luciano Souza (29 anos), seminarista no último semestre do curso de Teologia pela PUC-SP e capoeirista nas horas vagas, aponta para outro item: “O chamado a vocação é muito particular. Acreditamos que Deus nos chama. Acredito que existem poucos vocacionados porque talvez falte um acompanhamento mais de perto e mais apropriado aos nossos dias. Acredito também que o contratestemunho de muitos sacerdotes colabora para que a vida sacerdotal não seja atrativa”.

 

A década de 1960 foi o marco de muitas dessas transformações: de um lado, a revolução sexual, de outro, ditaduras sanguinárias e ideias materialistas que ganhavam a juventude e por último, o impacto das mudanças do Concílio Vaticano II. Essa soma de fatores fez com que inúmeros seminários suspendessem seus trabalhos por escassez de vocacionados, entre eles, o de nossa Diocese, que se localizava em São Vicente, fechado por dez anos após decisão obtida na Assembleia Diocesana de 1968.

 

Coube a Pe. Júlio Llarena, o espanhol boa praça torcedor do Real Madrid, retomar os trabalhos em 1978, quando ingressaram seminaristas como Valdeci (Paróquia São Vicente Mártir, São Vicente), Luiz Carlos (Paróquia Santa Margarida Maria, Santos), Élcio (Paróquia Senhor dos Passos, Santos) e Eniroque (São Judas Tadeu, Cubatão). Seis anos depois, era construído o Seminário São José onde hoje conhecemos, no Morro da Nova Cintra, em terreno doado pela Cia das Docas ainda no bispado de Dom Idílio José Soares.

 

Apesar dos pesares, Pe. Júlio, que hoje em dia celebra na Reitoria Nossa Sra do Amparo, em São Vicente, enxerga como positivo esse período de deserto: “Todo momento de dificuldade não se dá por acaso. Traz consigo o amadurecimento”. Dom David Picão, bispo de Santos nesses anos conturbados, atribuiu a linha de trabalho da Pastoral da Juventude o aumento do interesse pelo sacerdócio, em entrevista concedida ao extinto jornal Cidade de Santos, em outubro de 1981.

 

LUTAR PARA MUDAR

 

Nos muros da Área Continental, a homenagem a religiosa que dedicou a vida aos mais pobres.

Nos muros da Área Continental, a homenagem a religiosa que dedicou a vida aos mais pobres.

A nós, leigos que trabalhamos com o jovem, cabe acompanhar os membros dos nossos grupos de base e ajuda-los a discernir, além de orar pelas vocações sacerdotais e religiosas, é claro. Mais ainda, é importante contribuir com a formação dos que já são seminaristas, para que estes, sejam comprometidos com o povo, e portanto, com o Evangelho. Mas se você é quem se questiona, procure o seu sacerdote, sem medo. Mesmo com todo o preconceito existente, vale lembrar uma pesquisa da Universidade de Chicago, que apontou o clérigo como o profissional mais feliz do mundo.

 

Aos indecisos, o seminarista Gleyson Quirino (21 anos), que cursa o quarto semestre do curso de Teologia na PUC-SP, deixa a mensagem: “Respondo com um trecho da Evangelii Gaudium do Papa Francisco: ‘’Mesmo em paróquias onde os sacerdotes não são muito disponíveis nem alegres, é a vida fraterna e fervorosa da comunidade que desperta o desejo de se consagrar inteiramente a Deus e à evangelização, especialmente se essa comunidade vivente reza insistentemente pelas vocações e tem coragem de propor aos seus jovens um caminho de especial consagração’’ (cf. EG, n.º 107)… Minha vocação ou desejo de dar um passo vocacional, surgiu graças a oração e o desejo de servir no meu Grupo de Jovens e na minha comunidade. O testemunho de uma comunidade que reza e está pronta a servir. É decisão de vida e os jovens de hoje não podem ter medo de tomar decisões. A vida é pautada em escolhas. Eu escolhi a melhor parte rs… Não tenham medo de encarar a longa aventura de dizer sim a Deus. Uma frase atribuída a Santa Teresa Benedita da Cruz: ‘’Responder ao chamado de Deus é sempre uma aventura, porém Deus merece este risco’’.

 

Luciano Souza também motiva: “Me senti chamado por querer continuar a missão de Jesus que é levar vida e dignidade as pessoas. Desde pequeno queria que as pessoas vivessem mais felizes. Acho que isso resume o que é ser sacerdote. Tornar as pessoas mais felizes e ser presença de Deus na vida delas. A mensagem que eu deixo é: Mesmo com as dificuldades, vale a pena. Não tenha medo. É uma possibilidade de vocação linda. Não significa que seja melhor ou pior que as outras. Mas apenas que é uma vocação, diferente das outras. Nem melhor, nem pior. Apenas diferente. Como toda vocação existe dificuldades. Mas vale a pena”.

 

Por hoje é isso, galera. Abraço fraterno!

*Quem escreveu essa bobagem foi o Gines Salas e ninguém além dele tem culpa.

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