Estes deputados dizem representar a Igreja. Mas será que votam pensando em você?

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laura cardoso

A atual década brasileira já está marcada como a de um cenário político caótico. Desde 2013, com as manifestações de junho, passando pela acirrada disputa eleitoral de 2014, pela impopularidade do governo Dilma (PT) e pelo contestado governo de Michel Temer (PMDB), o país vem sendo marcado tanto pelas polarizações ideológicas que remontam a Guerra Fria, como por votações polêmicas no Congresso.

Desde a eleição do Papa Francisco e a projeção de seu discurso social, surgiram candidatos utilizando suas frases favoráveis a inserção de cristãos na política. Não que políticos buscando votos católicos sejam novidade, longe disso. Mas você com certeza deve ter ouvido a fala do papa sendo usada, até mesmo por aquele amigo “bitolado” que sempre criticou a PJ e as pastorais sociais por serem “políticas demais”.

Alguns grandes nomes surgiram nesse contexto, entre eles o de Evandro Gussi. Nascido em Presidente Prudente, Evandro tem trinta e seis anos e é advogado filiado ao PV. Foi eleito deputado federal pelo estado de São Paulo em 2014, com apoio decisivo da Renovação Carismática e da comunidade Canção Nova. No último dia 22, foi dele um dos 231 votos favoráveis a PL 4302/98, que terceiriza as atividades-fim de uma empresa, considerado um duro golpe a classe trabalhadora por especialistas.

Não é novidade. Desde o início de seu mandato, Gussi se demonstrou simpático a pautas que contrariam as preferencias dos movimentos sociais. Em outubro de 2016, compactuou com a também polêmica PEC 241, que estabelece teto para gastos públicos pelos vinte anos subsequentes. Semanas depois, também votou favorável a Reforma do Ensino Médio, que excluiu disciplinas como História, Sociologia e Filosofia. No entanto, diferentemente das outras votações, sua aprovação a PL da terceirização gerou descontentamento em sua página na internet, obrigando-o a dar explicações públicas.

Não precisaríamos recorrer a um intelectual para afirmar que a terceirização é um DESASTRE dos grandes na vida da classe trabalhadora. Qualquer indivíduo com um pai, um tio ou amiga que tenha trabalhado em uma terceirizada no polo petroquímico de Cubatão, por exemplo, sabe que a PL é indefensável (a não ser que você seja da FIESP rçrçrçr). Mesmo assim, segue a previsão do professor de direito Flávio Martins: “No futuro, haverá o risco inarredável de diminuição intensa dos empregos tradicionais, que serão substituídos por empresas individuais. Se eu sou dono de uma escola, em vez de contratar dez professores, contrato uma empresa formada por dez professores (não precisando pagar a eles férias, décimo terceiro etc.). Informalmente já acontece isso no Brasil em alguns setores. Um hospital não contrata um médico como empregado. Contrata a empresa individual formada por um único médico que, ao final do mês, dará uma nota fiscal dos trabalhos prestados. Assim, todos os encargos trabalhistas são colocados nos ombros do empregado, em vez do empregador”.

Eles votaram contra a terceirização, mas…

Flavinho (PSB) e Eros Biondini (PROS) são músicos católicos. Em um tempo onde a música gospel se tornou uma grande indústria e artistas viraram verdadeiros astros – para desespero de pioneiros nesse método de evangelização, como o Pe. Zezinho –, Flavinho e Biondini foram eleitos deputados, o primeiro por São Paulo e o segundo por Minas Gerais. Junto ao grande número de deputados evangélicos, compõem a famosa “Bancada da Bíblia”, bloco conhecido por defender pautas reacionárias em favor da “moral cristã”. Entre as várias votações, apoiaram o impeachment e a PEC 241. Eros aprovou ainda a redução da maioridade penal, opondo-se ao posicionamento expresso pela CNBB.

Na Baixada…

Não há exatamente um candidato católico na região, mas o período eleitoral fez muito maçom subir as escadarias do Monte Serrat pedindo voto, por exemplo. O ex-prefeito de Santos e condenado por trabalho escravo, Beto Mansur, votou a favor da terceirização, assim como Marcelo Squassoni, do Guarujá. Ambos foram eleitos com quantidade de votos menor que a de outros candidatos da região, “puxados” por Celso Russomano, que é do mesmo partido (PRB). João Paulo Papa (PSDB), também ex-prefeito de Santos, não votou.

E daí? E daí nada!

Os deputados citados dão continuidade a uma triste tradição dos católicos que se inserem na política: a de se aliar aos poderosos, sustentando um discurso enfadonho de defesa da moral e bons costumes, mas que tem por trás o apoio a ideologia neoliberal, condenada expressamente pela Igreja. A votação da Reforma da Previdência vem vindo aí. Fiquemos de olho!

*Gines Salas é pejoteiro, lutador de MMA e astrólogo. Nas horas vagas contribui na coordenação diocesana da Pastoral da Juventude. 

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