#MJ2017: OLHARES

Padrão
Missão Jovem 2017

Foto após a missa de encerramento, 09/jul.

“Companheiro/a me ajude

Que eu não posso andar só

Sozinho/a eu ando bem

Mas com você ando melhor”

Olá. Esse texto tem como pretensão contar a história da #MJ2017 de diferentes pontos de vista, uma experiência intensa de sentimentos, começando por mim, o Jovem Padawan que vos fala. De frente para o computador, com a tela do Word em branco, tentei refletir na pergunta: “Qual o legado da Missão Jovem realizada no Guarujá?”. Ao pensar na resposta, senti a necessidade de contar sobre as outras Missões, que também ajudam a entender o que rolou no Guarujá esse ano. Por qual motivo? Simples, me dei conta que, mesmo falando de Missão diversas vezes nesse mesmo blog, nunca sistematizei sua trajetória dignamente, dando os nomes aos bois e créditos a quem merecia. Como um povo sem história é um povo sem vida, eu, historiador de botequim que sou, venho tentar solucionar essa preocupante lacuna neste texto, lançando aquele que é o meu olhar, e posteriormente, os dos outros também…

A história das Missões na Diocese de Santos tem início na década de 1990, quando o Fernando Diegues (ex-assessor leigo estadual da PJ e ex-coordenador da PJ Santos) ainda era jovem (ou seja, tempo pra cassete!). Segundo este ilustre idoso, mais precisamente em Rancharia, Diocese de Assis, no ano de 1999. Em um mês de julho frio no interior, com todos os “R’s” possíveis e imagináveis, velhos que na época eram jovens se encantaram com aquela atividade e sonharam em traze-la para o litoral paulista.

 

Foi então que em 2004 surgiu a oportunidade. No dia 04 de julho daquele ano, a Diocese de Santos completaria 80 anos de fundação. Para tal festividade, discutiu-se, ainda na Assembleia Diocesana de 2002, realizar uma bem organizada semana missionária, o que de fato aconteceu. A cidade escolhida era Cubatão e participaram cerca de 80 missionários, espalhados pelas três paróquias do município, um bom número deles sendo seminaristas, hoje em dia já ordenados, entre eles o Pe. Lucas Alves, Coordenador Diocesano de Pastoral.

 

Após a primeira edição, houve um hiato. Não foram realizadas semanas missionárias diocesanas nos anos posteriores, ao mesmo tempo que pejoteiros da Baixada Santista participaram de Missões Jovens em outros locais, com destaque para o Valo Velho em 2005 (São Paulo, Diocese de Campo Limpo). Em 2009, pejoteiros da Lapa, em Cubatão (Herick Rocha, Diego e Rodrigo Florentino), realizaram uma semana missionária com ajuda de amigos, como Amanda Miranda e Victor Valente, mas sem qualquer vínculo oficial com a coordenação diocesana. Foi nesse período também que a Diocese de Bragança Paulista se destacou em todo o Regional Sul 1 (Estado de São Paulo) como referência em Missão Jovem, realizando-as anualmente em diferentes comunidades. Um dos mais entusiasmados pejoteiros de Santos que todo ano participava de Missões era Ricardo França, hoje assessor leigo da PJ da Região São Vicente. França trabalhava como carteiro e tirava as férias para fazer quase a mesma coisa que fazia no seu trabalho: bater de porta em porta, só que dessa vez evangelizando. Era mais manjado em Bragança do que o Joel Santana nos clubes cariocas.

 

Foi sob a influência de todos esses nomes e elementos que se propôs, na Assembleia Diocesana de 2011 realizada em Itanhaém, retomar a Missão Jovem. Em 2012, ela se deu em São Vicente, na Paróquia São José de Anchieta, quase que exclusivamente comunitária, com algum “empurrãozinho” do Espírito Santo (risos). Contando com a ajuda do Pe. Luiz Aparecido Tegami, SDB, simpatizante declarado da Pastoral da Juventude, e a assessoria de seminaristas salesianos, 2012 foi uma rica experiência para retomar aquele modelo de atividade que a partir de então, faria parte da rotina pejoteira de nossa diocese. Com a vinda do Papa Francisco em 2013, em razão da JMJ no Rio, semanas missionárias se espalharam por dioceses de todo o país e em Santos se deram nos morros da cidade, mais precisamente na Paróquia Nossa Sra da Assunção, Morro São Bento. A partir de então as missões passaram a ser realizadas somente nos anos ímpares, tendo sua quarta edição novamente em São Vicente, na Reitoria Bom Jesus dos Navegantes, México 70.

 

Missão Jovem 2017

Rodrigo, Larissa, Mariana e Vitor (seminarista diocesano), durante o dia que se passou conhecendo o trabalho realizado pela “Fraternidade O Caminho”.

Todo esse percurso nos trouxe em 2017. Entre 02 e 09 de julho foi realizado o que na verdade, vinha sendo construído desde abril, quando foram realizadas as primeiras reuniões com o Pe. Alexander Marques. Se a MJ2012 foi marcada pelo carisma salesiano e a de 2015 pela simplicidade, por exemplo, 2017 foi definida pela acolhida das famílias, algo destacado na fala da grande maioria de missionários. Ao todo, foram cerca de 70 jovens a pisarem no Santa Rosa, sendo quase cinquenta deles acolhidos por famílias da comunidade, dormindo, se alimentando e tomando banho ao longo de toda a semana. A Guarujá dos imensos contrastes sociais se apresentou como a Guarujá do abraço, proporcionando vínculos que dificilmente serão quebrados. Uma proeza que se deu graças ao esforço do casal Fischer, Fernanda e Ricardo, ex-pejoteiros e paroquianos do Santa Rosa que se esforçaram muito para conseguir famílias que acolhessem a quantidade de jovens.

 

Como equipe, falo que, fora os momentos com os missionários, vai ficar marcado na memória as risadas com aqueles que comigo dividiram o “fardo” da organização, risadas essas que só a gente sabe (e viu). O nosso QG da MJ – lugar onde dorme e se reúne a equipe organizadora – foi a casa do Diácono José Delgado Barreira, o “Pepe”, gentilmente cedida. Lá, tretamos, debatemos, rezamos, mas principalmente rimos. Rimos muito. E isso tornou nosso trabalho mais leve, mesmo diante de toda a dificuldade. Além dos risos, criaram-se as amizades. Vitor Britto se revelou um seminarista boa praça e prestativo, alguém que terá sua vocação citada em nossas orações (Vitor, meu chapa…qualquer dia a gente inicia aquele grupo de estudos sobre Chesterton). E o que dizer do Pe. Vagner Argolo, assessor da juventude e suas mãos ungidas? Padre, nosso segredo ficará guardado, te devemos um Bic Mac (risos).

Um turbilhão intenso de sensações se deu no curto período de sete dias e envolveu pessoas que nem nos damos conta – missionários; mães, pais de missão; famílias visitadas; pessoas da missa, etc. Após atividades como a Serenata na Rua na quarta, a visita a Padre Donizetti na quinta e a Casa do Menor no sábado, a Missão Jovem terminou em calorosos abraços e o gosto salgado das lágrimas, que revelaram a certeza de ter cumprido o que Jesus nos confiava.

(Gines Salas, CODIJUV e futebolista de pebolim)

 

Missão Jovem 2017

Visita nas ruas.

Missão, cada uma única. A #MJ2017 me marcou bastante na questão da família que me acolheu, ganhei novos avós, tios, irmãos e primos. Foi gratificante cada segundo ao lado de todos, em especial aos avós e tias de missão, que acolheram a mim e aos meus irmãos de missão sem nos conhecer , sem saber quem eramos e de onde vinhamos. Sem receio nos fizeram de verdadeiros filhos, sempre procurando dar o melhor. Compartilharam suas historias , lutas e vitorias. É bem louco pensarmos nos dias de hoje, em um mundo cheio de receios, uma família aceitar desconhecidos e juntos construir um pedacinho da verdadeira experiência de amor ao próximo, de acolhida, sem preconceitos. Não poderia esquecer dos melhores irmãos de missão, pelas noites de sonos trocadas por belas reflexões.
A missão é uma experiência única que só quem vive pode de fato compreender. Abrange o que entendemos como visão de mundo, passamos a enxergar outras realidades, a se questionar antes de julgar. A olhar para os lados e valorizar mais o que temos, e principalmente, reconhecer na PRÁTICA que não é preciso fazermos coisas grandes para gerarmos grandes mudanças, pois as pequenas já estão conectadas as coisas grandes, gerando transformações extraordinárias. É de fato vivenciar um pedacinho da prática de JESUS: sairmos da nossa realidade e conforto, reconhecendo que não basta viver Jesus apenas na igreja, não é apenas saber que ele está no próximo, é ir até o próximo. Pisar em novas Galiléias, ir ao encontro dos mais excluídos da sociedade e mostramos que eles também tem voz, lutas, vidas, historias que merecem ser escutadas.
Saímos achando que podemos talvez ensinar alguém, mas no fim percebemos que quem mais apreende somos nós mesmos. Isso é apenas um pedacinho do que a missão oferece, dessa forma , ela criar suas formas, com um pouco que cada um leva e traz. Simplesmente gratidão, por toda a família MJ2017.

(Felipe Ferreira, 21 anos, São Vicente. Filho de Missão da Selma)

O que dizer dessa semana? Bom, ela foi cheia de sorrisos, de abraços, mas também cheia de medos e anseios, cheia de experiências. Eu só tenho a agradecer a todos os envolvidos por encher a minha semana de esperanca e alegria. 
Obrigada a todos por fazer parte, a missão jovem não seria a mesma coisa sem vocês. Como disse o David, ” Não existe ninguém igual a mim”, assim como ele, não existe ninguém como vocês, vocês são únicos, cada um a sua maneira, mas únicos e de uma beleza tremenda. Espero encontrar com todos muitas e muitas vezes, por isso tive a despedida de hoje como um “até breve”, porque ainda iremos nos encontrar muito na caminhada pejoteira.
(Esthefany Florêncio, São Vicente, 20 anos)

Bom … A MJ pra mim foi tudo , foi muito bom adorei conheci pessoas incríveis , passei (eu acho) a mensagem, foi una maravilha! Adorei muito, ouvi histórias incríveis dos moradores, levei uns “foras” no meio só que isso só é um detalhe (risos). Eu não sei o que dizer, pois eu estava muito deprimida ultimamente. Essa semana foi muito importante pra mim e me senti muito amada com a realidade que vi na comunidade, de outras pessoas como eles vivem, etc. Foi muito importante pra mim despertar e também perceber que tem outras pessoas na msm caminhada que a gente e só tenho que agradecer por tudo. Sério, a energia da PJ é forte demais! Parabéns para os coordenadores que deram o melhor. Obrigada por tudo!
(Júlia Rodrigues, 13 anos. Paroquiana do Santa Rosa)

Bom, como descrever uma experiência fantástica como foi a missão jovem da Diocese de Santos? E pior ainda como fazer um breve resumo? (HAHAHA) Ver uma galera nova de caminhada, ver uma galera em fase de transição no começo e ao final ver jovens animados e começando a amar uma pastoral que tanto amo e luto. Ver olhares de encanto, ver sonhos sendo plantados, foi algo surreal. Além de trazer um novo ânimo pra continuar lutando pela pastoral. Agradecimento em especial as famílias que nos acolheram com tanto amor e carinho. Ver a luta constante da coordenação da missão para manter tudo em ordem, mesmo com todo o caos, e tentar construir junto com os outros jovens a civilização do amor que tanto sonhamos. Obrigado Diocese de Santos pela acolhida, pela forte experiência de encontro com o outro, e por continuar florescendo a civilização do amor dentro do nosso Subregional SP2. Estamos juntos na caminhada.
(João Lucas Aguiar, 22 anos. Coordenador diocesano da Pastoral da Juventude Diocese de Campo Limpo).
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s