Nossa Senhora, documentário e uns filmes aí…

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4fé no femininoEm 2017, Maria tem sido a grande protagonista da Igreja. A proclamação do Ano Mariano em ocasião do centenário de Fátima e dos 300 anos da aparição de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, tem feito com que o brasileiro retome a sua devoção. Em 1717, um grupo de pescadores paupérrimos lançou suas redes no Rio Paraíba, para daquele dia em diante mudar a história de todo um povo. A imagem, até então sem cabeça, feita de argila, desafiou os poderosos ao longo dos anos. Denunciava em sua simplicidade a cara do Brasil. Era negra em um país de escravos, escurecida devido ao longo período em que esteve submersa nas águas do rio. “Cida” toca o coração de milhares de romeiros esperançosos todos os dias, e hoje luta contra a intolerância do fundamentalismo de alguns protestantes, que se beneficiam especialmente da ingenuidade e desinformação dos mais pobres. Recebeu papas, viu de perto importantes momentos da nossa Igreja e intercedeu pelo Brasil nos momentos mais obscuros de nossa história.

Viajar para Aparecida do Norte durante a comemoração dos seus 300 anos não é uma opção acessível para todos: é para os que tem dinheiro, tempo livre e principalmente muita paciência, para enfrentar um Santuário que já é naturalmente lotado em fim de semanas normais. Há quem diga também que a nova Basílica, cercada por shopping, parque de diversões e outras bugigangas que servem para alavancar o turismo já não é mais tão santa como antes, o que termina por afastar muitos fiéis.

Pensando nisso, trazemos uma dica que tende a tornar esse aniversário de 300 anos mais proveitoso. “Maria: a fé no feminino” (2016) é um documentário brasileiro disponível no canal Netflix, e une três elementos interessantes para um pejoteiro: fé, feminismo e América Latina. Joana Mariani, a diretora do filme, percorreu cinco países do continente (Brasil, México, Nicarágua, Cuba e Peru), construindo um relato em que o feminismo e a religião dão as mãos. A diretora busca ver quais são os símbolos, os valores e os significados presentes nos mesmos que se expressam na devoção mariana. A partir de sua investigação, chega-se a perspectivas diversas para a construção desse itinerário de fé e vida. E, ultrapassando a dimensão religiosa, Joana Mariani apresenta-nos o poder do feminino atado à Mãe de Jesus.

Um dos relatos mais marcantes é o da artista plástica Maria Helena Chartuni que, na década de 70, restaurou a imagem de Nossa Senhora Aparecida, quebrada em 200 pedaços depois de um atentado. Maria conta a transformação que o trabalho lhe causou. “Eu já tinha restaurado obra de Renoir, Rafael, Monet. Mas nada foi tão marcante como aquele trabalho. Me via sozinha com a imagem, diante daqueles cacos diante de mim, tão difíceis de serem recolocados e pensava – minha vida estava assim também”. A irmã nicaraguense María López Vigil também depõe no documentário. É ela uma das autoras da obra “Um tal Jesus”, rádio-novela que foi dividida em doze fascículos e passou a ser estudada por muitas de nossas bases.

Ao fim de uma hora e quinze minutos de filme, o espectador, certamente, terá a resposta buscada no filme. Pessoal. Íntima.

Falando nisso…

Conversando com alguns amigos, eu vi o quanto os pejoteiros desconhecem alguns clássicos, de fácil acesso graças a internet. Pensando nisso, resolvi fazer uma lista dos 14 filmes obrigatórios para todo o pejoteiro. Eu não sou o administrador do “Omelete”, nem sou o José Wilker, isso é só uma brincadeira. Seja como for, apreciem meu mau/bom gosto…

14- A Onda (2008)

País: Alemanha

Classificação: 16 anos.

Duração: 1h47

Nesse filme alemão, Rainer Wegner, professor de ensino médio, deve ensinar seus alunos sobre autocracia. Devido ao desinteresse deles, propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo e do poder. Wegner se denomina o líder daquele grupo, escolhe o lema “força pela disciplina” e dá ao movimento o nome de A Onda. Em pouco tempo, os alunos começam a propagar o poder da unidade e ameaçar os outros. Quando o jogo fica sério, Wegner decide interrompê-lo. Mas é tarde demais, e A Onda já saiu de seu controle. Baseado em uma história real ocorrida na Califórnia em 1967. Um filme necessário em tempos de “bolsomitos”…

13- A Missão (1986)

País: Reino Unido

Classificação: Livre

Duração: 2h06min

No final do século  XVIII, Rodrigo Mendoza é um mercador de escravos espanhol que faz da violência seu modo de vida, matando o próprio irmão na disputa pela mulher que ama. Porém, o remorso leva-o a juntar-se aos jesuítas nas florestas brasileiras. Lá, ele fará de tudo para defender os índios que antes escravizara. Um filme que conta o outro lado da missão jesuítica, com Robert De Niro, Jeremy Irons é uma trilha sonora e fotografia tops. Excelente pra quem curte cinema e história.

 

12- Até o último homem (2017)

País: Estados Unidos

Classificação: 16 anos

Duração: 2h06

Martírio é muito sangue são algumas das principais características dos filmes do católico diretor Mel Gibson. Um caipira adventista, médico do exército norte-americano se alista negando-se a pegar em armas em plena Segunda Guerra Mundial. Baseado em fatos reais.

 

11- Romero (1989)

País: Estados Unidos/Mexico

Classificação: 12 anos

Duração: 1h46.

Raul Júlia, o simpático Gomez de “A Família Addams”, é Óscar Arnulfo Romero y Galdámez, o D. Oscar Romero, arcebispo de El Salvador, assassinado por esquadrões da morte enquanto celebrava missa em 24 de março de 1980, durante a ditadura salvadorenha. Declarado mártir e beatificado pelo Papa Francisco em 2015, D. Romero inspira pejoteiros há décadas. Assistir ao filme ajuda a conhecer a PJ e a história da América Latina.

10- Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador (1993)

País: Estados Unidos

Classificação: 12 anos

Duração: 1h50

Para quem curte cinema, ver Johnny Depp, Julliette Lewis e Leonardo DiCaprio no começo da carreira já é motivo suficiente para assistir ao filme. Mas a obra vai além: é sensível, transformadora e humanística. Johnny Depp interpreta Gilbert, um jovem que vive na pequena e tediosa cidade de Endora, trabalhando em uma mercearia. Desde o suicídio do pai, ele se vê como a figura central da família. Ele quem sustenta a casa, ele quem controla as irmãs e ele que tem de cuidar da mãe obesa (Darlene Cates), que come compulsivamente desde a morte do marido, e do irmão Arnie (Leonardo DiCaprio, em sua primeira indicação ao Oscar!), que é deficiente mental. Ele vive nessa rotina em sua cidade, sem nenhuma novidade surgindo, até que Becky (Juliette Lewis), uma forasteira que viaja pelos Estados Unidos com sua avó, chega na cidade de Endora e começa a fazer as decisões de Gilbert surgirem e modificarem sua vida. Por ser uma ótima pedida para tratar de Projeto de Vida, esse filmão é nosso décimo lugar.

o elefante branco

9- Elefante Branco (2012)

País: Argentina

Classificação: 16 anos

Duração: 1h45

Em mais um show de Ricardo Darín, esse bom filme argentino retrata o árduo trabalho pastoral de um grupo de sacerdotes em uma favela de Buenos Aires, lidando com a miséria, o tráfico, a violência policial e a ausência do Estado. Nada muito distante da nossa realidade.

8- Dom Hélder Câmara: O Santo Rebelde (2014)

País: Brasil

Classificação: Livre

Duração:

De Integralista a pseudo-comunista. O bispo brasileiro mais conhecido no exterior, ignorado pela imprensa brasileira durante a ditadura. Conheçam D. Hélder, o Santo Rebelde.

7- Ilha das Flores (1989)

País: Brasil

Classificação: Livre

Duração: 13 min.

Um premiado curta-metragem de gênero documentário, dirigido pelo cineasta Jorge Furtado, que você muito provavelmente assistiu na sua escola. A história por de trás do filme não é tão nobre como se esperava, conforme revelado em 2011, mas a sua mensagem conscientizou milhares de pessoas. Por isso, o sétimo lugar.

6- Divertida Mente (2015) – Livre

País: Estados Unidos

Classificação: Livre

Duração: 1h35

Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no estado de Minnesota, para viver em San Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. A líder deles é Alegria, que se esforça bastante para fazer com que a vida de Riley seja sempre feliz. Entretanto, uma confusão na sala de controle faz com que ela e Tristeza sejam expelidas para fora do local. Agora, elas precisam percorrer as várias ilhas existentes nos pensamentos de Riley para que possam retornar à sala de controle – e, enquanto isto não acontece, a vida da garota muda radicalmente. Não se iludam. Esse é um filme sério e profundo e não é para crianças…

O Auto da Compadecida

5- O Auto da Compadecida (2000)

País: Brasil

Classificação: Livre

Duração: 1h44

Bem-humorado. Emocionante. Brasileiro. Mariano. “O Auto da Compadecida” é um clássico que não nos cansa.

4- Ezequiel Ramin – O Mártir da Opção pelos pobres (2015)

País: Brasil

Classificação: Livre

Duração: 19 min.

No aniversário de 30 anos da morte do padre italiano Ezequiel Ramin, a Verbo Filmes mandou bem e lançou o documentário sobre o martírio deste que é um entre tantos que morre em um conflito no campo. E de quebra, conhecemos a origem de uma importante música cantada em nossas celebrações. Quarto lugar!

3- Pé na Caminhada (1988)

País: Brasil

Classificação: Livre

Duração: 1h31

A Igreja da Libertação nos anos 1980, bispos proféticos e Leonardo Boff, ainda de hábito e barba preta. Quer mais¿ Clássico da Verbo Filmes.

2- Descalço sobre a Terra Vermelha (2014)

País: Brasil/Espanha

Classificação: 12 anos.

Duração: 3h

Minissérie catalã dividida em três partes conta a história do bispo emérito de São Félix do Araguaia, D. Pedro Casaldáliga, defensor dos indígenas, dos camponeses e desafeto dos fazendeiros e da ditadura militar. A história remonta a vida do bispo, desde sua chegada ao Brasil como missionário claretiano, em 1968, passando pela morte do Pe. João Bosco Burnier, até chegar no seu interrogatório no Vaticano. Essa é uma obra difícil de se ver em grupo (afinal, o filme é lento…e são TRÊS HORAS), mas muito boa para maratonar sozinho, naquele sábadão preguiçoso. Pega a coberta, a pipoca e bom divertimento! Curiosidade: para quem não sabe D. Pedro Casaldáliga é “parça” do Pe. Xavier Arana, da Paróquia do Carmo, em Santos. E daí¿ E daí nada…

1- O Anel de Tucum (1994)

País: Brasil.

Classificação: Livre

Duração: 1h08min

Clássico dos clássicos, também da Verbo Filmes, também com a presença de D. Pedro Casaldáliga e de outros bispos. Conta com a presença do Pe. Carlos de Miranda Alves (Paróquia São Francisco de Assis, Cubatão), inclusive. Na história, um grupo de fazendeiros se une para combater a ação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Para tanto, tal grupo coloca um infiltrado para investiga-los, e descobrir o líder daquele movimento subversivo. O que era uma caça, se torna uma jornada de autodescoberta surpreendente.

anel de tucum

 

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