PJ Santos no Trem das CEBs

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Como encontrar Deus no mundo urbano? Quais os desafios das cidades? Essas são algumas das perguntas que permeiam o 14º Intereclesial das CEBs, que será sediado em Londrina/PR entre os dias 23 e 27 de janeiro de 2018, com o tema “CEBs e os desafios no mundo urbano”.

cebs

As comunidades eclesiais de base (CEBs) são a Igreja da base, o primeiro e fundamental núcleo eclesial (Medellín, 15, 10); a Igreja dos Pobres (João XXIII e Papa Francisco), a expressão do amor preferencial pelos pobres (Puebla, 643). É constituída por pequenas comunidades de pobres ou de pessoas solidárias aos pobres, que estão a serviço dos pobres, inspirados no exemplo das primeiras comunidades cristãs que tudo partilhavam (Atos 2, 42).

Surgiram na década de 1960, mas expandiram-se realmente nos anos 1980, sendo expressão de um modelo de Igreja que se fortaleceu durante os anos de autoritarismo na América Latina. Outrora experiências isoladas no interior das paróquias e dioceses, multiplicaram-se.

Com o passar dos anos, no entanto, dentro de um contexto de Guerra Fria, as comunidades sofreram com as hostilidades e perseguições, incluindo de boa parte da hierarquia eclesiástica, que dessa vez contava com o papado conservador do polonês João Paulo II. Esse mesmo fenômeno afetou a vida de clérigos, teólogos, movimentos e pastorais, entre elas a própria Pastoral da Juventude.

Para muitos, as CEBs representam um passado para a Igreja. No entanto, isso se mostra mais um desejo pessoal do que a realidade. Ao todo, trezentos e oitenta delegados estiveram na cidade de Jales para o Encontro do Regional Sul 1 (Estado de São Paulo), assessorado pelo Pe. Manoel Godoy (MG) entre os dias 15 e 17/set, contando com a calorosa acolhida de D. Reginaldo Andrietta.

Durante o último fim de semana (29, 30/set e 01/out), a Diocese de Santos realizou seu retiro diocesano abordando a mesma temática, reunindo mais de cem pessoas de diversas comunidades no CEFAS (Centro de Formação para Apostolado de Santos). A assessoria foi dada pelo psicólogo Toninho Evangelista, da Arquidiocese de Campinas.

Na região, existem CEBs espalhadas pelas cidades de São Vicente, Cubatão e Guarujá. Sua maior força, no entanto, se encontra na Comunidade Nossa Senhora da Esperança, na Área Continental de São Vicente. Não por acaso, foi a última comunidade em que trabalhou a espanhola Irmã Maria Dolores, responsável por dar nome ao bairro, outrora chamado de Quarentenário.  Dolores era conhecida pelas obras sociais que realizava, sendo admirada por autoridades e católicos de todos os seguimentos, ganhando o apelido de “Guerreira da Paz”. O que nem todos admitem, ou se esforçam para que seja esquecido, é que Dolores foi a maior entusiasta das CEBs na Diocese.

Hoje, oito anos após a sua Páscoa, Cleuza Maria Coelho da Silva é quem coordena as CEBs em Santos e dirige a VIP (Vila Ponte Nova Instituição Promocional), escola profissionalizante fundada pela Irmã. A ela e a comunidade como um todo, cabe manter o legado deixado pela Irmã e pelo Frei Guilherme Sônego, OFMCap. Tendo perdido espaço nas periferias para denominações neopentecostais após o enfraquecimento das CEBs, a Igreja no Brasil vem buscando a sua retomada através do Doc. 100 da CNBB – “Comunidade de Comunidades: Uma Nova Paróquia”. Em seu “Plano Diocesano de Evangelização (2016-2019)”, nossa Diocese também defende o seu fortalecimento e ampliação, conforme descrito no item nº5. Para isso, conta com a animação do Pe. Félix Manoel dos Santos, FC, assessor diocesano designado pelo bispo.

Ao todo, Santos será representada por doze delegados em Londrina (PR), sendo dois deles indígenas de uma comunidade situada no bairro do Japuí, São Vicente. Uma outra vaga é destinada a um integrante da Pastoral da Juventude, que será representada por esta nobre pessoa que escreve, que esteve presente tanto em Jales como no CEFAS durante o último fim de semana, ao lado das pejoteiras Thamara, Ellen, Larissa e do pejoteiro Guilherme. “As CEBs tem como tripé de sustentação a oração, a palavra e a ação. As juventudes, com o seu dinamismo, revolucionam e buscam métodos inovadores para a construção do Reino aqui na Terra” – lembra Andrade, coordenador das CEBs no Sub-SP2 e pai da Letícia, coordenadora da juventude na comunidade, que conta com o acompanhamento da PJ Região São Vicente. A representação da PJ no Intereclesial foi incentivada pela coordenação nacional, e a participação das juventudes foi tema de carta, redigida pelos delegados jovens no Encontro em Jales.

Desafios na Baixada Santista

Entre tantos problemas que assolam a nossa região, tais como saúde (existem alguns poucos hospitais na região), criminalidade e desemprego (principalmente após a crise no polo industrial em Cubatão), ironicamente a questão habitacional se destaca, mesmo com a grande quantidade de apartamentos vazios e bairros luxuosos. Com um pouco mais de 1,4 milhão de habitantes, em 2010, a Região possuia 300 mil pessoas morando em aglomerados subnormais — unidades habitacionais em sua maioria carentes de serviços públicos essenciais.

De acordo com o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Guarujá possui o maior número de pessoas morando em aglomerados subnormais na Região — 95.427 no total. O ranking é seguido de São Vicente (86.684), Santos (38.159), Praia Grande (17.343) e Bertioga (10.444). Porém, proporcionalmente é Cubatão quem lidera, com 49.134 (42% dos moradores do município). Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe não constam nas tabelas do órgão.

O IBGE classifica aglomerados subnormais as ocupações ilegais da terra, ou seja, construções em terrenos de propriedade alheia (pública ou particular) no momento atual ou que tenham obtido o título de propriedade do terreno há dez anos ou menos. Também são considerados núcleos que possuem urbanização fora dos padrões vigentes, os compostos por vias de circulação estreitas e de alinhamento irregular, lotes de tamanhos e formas desiguais e construções não regularizadas por órgãos públicos ou precariedade na oferta de serviços públicos essenciais (abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta de lixo e fornecimento de energia elétrica).

Mas se Guarujá ocupa posição de destaque em aglomerados subnormais, não acontece o mesmo quando o assunto são as palafitas (barracos erguidos às margens de rios, mangue e mar). Das dez cidades brasileiras com o maior número desse tipo de habitação, três estão na Baixada Santista: Santos, São Vicente e Cubatão. A maior favela em palafitas do País, o Dique da Vila Gilda, com mais de 10 mil famílias, fica em Santos. Um detalhe curioso é que em 2010, a diferença entre a Vila dos Pescadores, em Cubatão, com a favela santista, era de um pouco mais de 900 famílias.

Os dados também revelam que a maior parte da população residente em aglomerados subnormais é preta ou parda e tem rendimento de até um salário mínimo. Negros e pardos somam 269.943 pessoas. As mulheres predominam — são 150.404 contra 146.787 homens.

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