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PJ Santos no Trem das CEBs

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Como encontrar Deus no mundo urbano? Quais os desafios das cidades? Essas são algumas das perguntas que permeiam o 14º Intereclesial das CEBs, que será sediado em Londrina/PR entre os dias 23 e 27 de janeiro de 2018, com o tema “CEBs e os desafios no mundo urbano”.

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As comunidades eclesiais de base (CEBs) são a Igreja da base, o primeiro e fundamental núcleo eclesial (Medellín, 15, 10); a Igreja dos Pobres (João XXIII e Papa Francisco), a expressão do amor preferencial pelos pobres (Puebla, 643). É constituída por pequenas comunidades de pobres ou de pessoas solidárias aos pobres, que estão a serviço dos pobres, inspirados no exemplo das primeiras comunidades cristãs que tudo partilhavam (Atos 2, 42).

Surgiram na década de 1960, mas expandiram-se realmente nos anos 1980, sendo expressão de um modelo de Igreja que se fortaleceu durante os anos de autoritarismo na América Latina. Outrora experiências isoladas no interior das paróquias e dioceses, multiplicaram-se.

Com o passar dos anos, no entanto, dentro de um contexto de Guerra Fria, as comunidades sofreram com as hostilidades e perseguições, incluindo de boa parte da hierarquia eclesiástica, que dessa vez contava com o papado conservador do polonês João Paulo II. Esse mesmo fenômeno afetou a vida de clérigos, teólogos, movimentos e pastorais, entre elas a própria Pastoral da Juventude.

Para muitos, as CEBs representam um passado para a Igreja. No entanto, isso se mostra mais um desejo pessoal do que a realidade. Ao todo, trezentos e oitenta delegados estiveram na cidade de Jales para o Encontro do Regional Sul 1 (Estado de São Paulo), assessorado pelo Pe. Manoel Godoy (MG) entre os dias 15 e 17/set, contando com a calorosa acolhida de D. Reginaldo Andrietta.

Durante o último fim de semana (29, 30/set e 01/out), a Diocese de Santos realizou seu retiro diocesano abordando a mesma temática, reunindo mais de cem pessoas de diversas comunidades no CEFAS (Centro de Formação para Apostolado de Santos). A assessoria foi dada pelo psicólogo Toninho Evangelista, da Arquidiocese de Campinas.

Na região, existem CEBs espalhadas pelas cidades de São Vicente, Cubatão e Guarujá. Sua maior força, no entanto, se encontra na Comunidade Nossa Senhora da Esperança, na Área Continental de São Vicente. Não por acaso, foi a última comunidade em que trabalhou a espanhola Irmã Maria Dolores, responsável por dar nome ao bairro, outrora chamado de Quarentenário.  Dolores era conhecida pelas obras sociais que realizava, sendo admirada por autoridades e católicos de todos os seguimentos, ganhando o apelido de “Guerreira da Paz”. O que nem todos admitem, ou se esforçam para que seja esquecido, é que Dolores foi a maior entusiasta das CEBs na Diocese.

Hoje, oito anos após a sua Páscoa, Cleuza Maria Coelho da Silva é quem coordena as CEBs em Santos e dirige a VIP (Vila Ponte Nova Instituição Promocional), escola profissionalizante fundada pela Irmã. A ela e a comunidade como um todo, cabe manter o legado deixado pela Irmã e pelo Frei Guilherme Sônego, OFMCap. Tendo perdido espaço nas periferias para denominações neopentecostais após o enfraquecimento das CEBs, a Igreja no Brasil vem buscando a sua retomada através do Doc. 100 da CNBB – “Comunidade de Comunidades: Uma Nova Paróquia”. Em seu “Plano Diocesano de Evangelização (2016-2019)”, nossa Diocese também defende o seu fortalecimento e ampliação, conforme descrito no item nº5. Para isso, conta com a animação do Pe. Félix Manoel dos Santos, FC, assessor diocesano designado pelo bispo.

Ao todo, Santos será representada por doze delegados em Londrina (PR), sendo dois deles indígenas de uma comunidade situada no bairro do Japuí, São Vicente. Uma outra vaga é destinada a um integrante da Pastoral da Juventude, que será representada por esta nobre pessoa que escreve, que esteve presente tanto em Jales como no CEFAS durante o último fim de semana, ao lado das pejoteiras Thamara, Ellen, Larissa e do pejoteiro Guilherme. “As CEBs tem como tripé de sustentação a oração, a palavra e a ação. As juventudes, com o seu dinamismo, revolucionam e buscam métodos inovadores para a construção do Reino aqui na Terra” – lembra Andrade, coordenador das CEBs no Sub-SP2 e pai da Letícia, coordenadora da juventude na comunidade, que conta com o acompanhamento da PJ Região São Vicente. A representação da PJ no Intereclesial foi incentivada pela coordenação nacional, e a participação das juventudes foi tema de carta, redigida pelos delegados jovens no Encontro em Jales.

Desafios na Baixada Santista

Entre tantos problemas que assolam a nossa região, tais como saúde (existem alguns poucos hospitais na região), criminalidade e desemprego (principalmente após a crise no polo industrial em Cubatão), ironicamente a questão habitacional se destaca, mesmo com a grande quantidade de apartamentos vazios e bairros luxuosos. Com um pouco mais de 1,4 milhão de habitantes, em 2010, a Região possuia 300 mil pessoas morando em aglomerados subnormais — unidades habitacionais em sua maioria carentes de serviços públicos essenciais.

De acordo com o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Guarujá possui o maior número de pessoas morando em aglomerados subnormais na Região — 95.427 no total. O ranking é seguido de São Vicente (86.684), Santos (38.159), Praia Grande (17.343) e Bertioga (10.444). Porém, proporcionalmente é Cubatão quem lidera, com 49.134 (42% dos moradores do município). Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe não constam nas tabelas do órgão.

O IBGE classifica aglomerados subnormais as ocupações ilegais da terra, ou seja, construções em terrenos de propriedade alheia (pública ou particular) no momento atual ou que tenham obtido o título de propriedade do terreno há dez anos ou menos. Também são considerados núcleos que possuem urbanização fora dos padrões vigentes, os compostos por vias de circulação estreitas e de alinhamento irregular, lotes de tamanhos e formas desiguais e construções não regularizadas por órgãos públicos ou precariedade na oferta de serviços públicos essenciais (abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta de lixo e fornecimento de energia elétrica).

Mas se Guarujá ocupa posição de destaque em aglomerados subnormais, não acontece o mesmo quando o assunto são as palafitas (barracos erguidos às margens de rios, mangue e mar). Das dez cidades brasileiras com o maior número desse tipo de habitação, três estão na Baixada Santista: Santos, São Vicente e Cubatão. A maior favela em palafitas do País, o Dique da Vila Gilda, com mais de 10 mil famílias, fica em Santos. Um detalhe curioso é que em 2010, a diferença entre a Vila dos Pescadores, em Cubatão, com a favela santista, era de um pouco mais de 900 famílias.

Os dados também revelam que a maior parte da população residente em aglomerados subnormais é preta ou parda e tem rendimento de até um salário mínimo. Negros e pardos somam 269.943 pessoas. As mulheres predominam — são 150.404 contra 146.787 homens.

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Nossa Senhora, documentário e uns filmes aí…

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fé no femininoEm 2017, Maria tem sido a grande protagonista da Igreja. A proclamação do Ano Mariano em ocasião do centenário de Fátima e dos 300 anos da aparição de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, tem feito com que o brasileiro retome a sua devoção. Em 1717, um grupo de pescadores paupérrimos lançou suas redes no Rio Paraíba, para daquele dia em diante mudar a história de todo um povo. A imagem, até então sem cabeça, feita de argila, desafiou os poderosos ao longo dos anos. Denunciava em sua simplicidade a cara do Brasil. Era negra em um país de escravos, escurecida devido ao longo período em que esteve submersa nas águas do rio. “Cida” toca o coração de milhares de romeiros esperançosos todos os dias, e hoje luta contra a intolerância do fundamentalismo de alguns protestantes, que se beneficiam especialmente da ingenuidade e desinformação dos mais pobres. Recebeu papas, viu de perto importantes momentos da nossa Igreja e intercedeu pelo Brasil nos momentos mais obscuros de nossa história.

Viajar para Aparecida do Norte durante a comemoração dos seus 300 anos não é uma opção acessível para todos: é para os que tem dinheiro, tempo livre e principalmente muita paciência, para enfrentar um Santuário que já é naturalmente lotado em fim de semanas normais. Há quem diga também que a nova Basílica, cercada por shopping, parque de diversões e outras bugigangas que servem para alavancar o turismo já não é mais tão santa como antes, o que termina por afastar muitos fiéis.

Pensando nisso, trazemos uma dica que tende a tornar esse aniversário de 300 anos mais proveitoso. “Maria: a fé no feminino” (2016) é um documentário brasileiro disponível no canal Netflix, e une três elementos interessantes para um pejoteiro: fé, feminismo e América Latina. Joana Mariani, a diretora do filme, percorreu cinco países do continente (Brasil, México, Nicarágua, Cuba e Peru), construindo um relato em que o feminismo e a religião dão as mãos. A diretora busca ver quais são os símbolos, os valores e os significados presentes nos mesmos que se expressam na devoção mariana. A partir de sua investigação, chega-se a perspectivas diversas para a construção desse itinerário de fé e vida. E, ultrapassando a dimensão religiosa, Joana Mariani apresenta-nos o poder do feminino atado à Mãe de Jesus.

Um dos relatos mais marcantes é o da artista plástica Maria Helena Chartuni que, na década de 70, restaurou a imagem de Nossa Senhora Aparecida, quebrada em 200 pedaços depois de um atentado. Maria conta a transformação que o trabalho lhe causou. “Eu já tinha restaurado obra de Renoir, Rafael, Monet. Mas nada foi tão marcante como aquele trabalho. Me via sozinha com a imagem, diante daqueles cacos diante de mim, tão difíceis de serem recolocados e pensava – minha vida estava assim também”. A irmã nicaraguense María López Vigil também depõe no documentário. É ela uma das autoras da obra “Um tal Jesus”, rádio-novela que foi dividida em doze fascículos e passou a ser estudada por muitas de nossas bases.

Ao fim de uma hora e quinze minutos de filme, o espectador, certamente, terá a resposta buscada no filme. Pessoal. Íntima.

Falando nisso…

Conversando com alguns amigos, eu vi o quanto os pejoteiros desconhecem alguns clássicos, de fácil acesso graças a internet. Pensando nisso, resolvi fazer uma lista dos 12 filmes obrigatórios para todo o pejoteiro. Eu não sou o administrador do “Omelete”, nem sou o José Wilker, isso é só uma brincadeira. Seja como for, apreciem meu mau/bom gosto…

14- A Onda (2008)

País: Alemanha

Classificação: 16 anos.

Duração: 1h47

Nesse filme alemão, Rainer Wegner, professor de ensino médio, deve ensinar seus alunos sobre autocracia. Devido ao desinteresse deles, propõe um experimento que explique na prática os mecanismos do fascismo e do poder. Wegner se denomina o líder daquele grupo, escolhe o lema “força pela disciplina” e dá ao movimento o nome de A Onda. Em pouco tempo, os alunos começam a propagar o poder da unidade e ameaçar os outros. Quando o jogo fica sério, Wegner decide interrompê-lo. Mas é tarde demais, e A Onda já saiu de seu controle. Baseado em uma história real ocorrida na Califórnia em 1967. Um filme necessário em tempos de “bolsomitos”…

13- A Missão (19£6)

País: Reino Unido

Classificação: Livre

Duração: 2h06min

No final do século  XVIII, Rodrigo Mendoza é um mercador de escravos espanhol que faz da violência seu modo de vida, mata o próprio irmão na disputa pela mulher que ama. Porém, o remorso leva-o a juntar-se aos jesuítas, nas florestas brasileiras. Lá, ele fará de tudo para defender os índios que antes escravizara. Um filme que conta o outro lado da missão jesuítica, com Robert De Niro, Jeremy Irons é uma trilha sonora d fotografia top. Excelente pra quem curte cinema e história.

12- Até o último homem (2017)

País: Estados Unidos

Classificação: 16 anos

Duração: 2h06

Martírio é muito sangue. Um filme com a cara do católico Mel Gibson, seu diretor. Um caipira adventista médico do exército norte-americano se alista na negando-se a pegar em armas em plena Segunda Guerra Mundial. Baseado em fatos reais.

11- Romero (1989)

País: Estados Unidos/Mexico

Classificação: 12 anos

Duração: 1h46.

Raul Júlia, o simpático Gomez de “A Família Addams”, é Óscar Arnulfo Romero y Galdámez, o D. Oscar Romero, arcebispo de El Salvador, assassinado por esquadrões da morte enquanto celebrava missa em 24 de março de 1980, durante a ditadura salvadorenha. Declarado mártir e beatificado pelo Papa Francisco em 2015, D. Romero inspira pejoteiros há décadas. Assistir ao filme ajuda a conhecer a PJ e a história da América Latina.

10- Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador (1993)

País: Estados Unidos

Classificação: 12 anos

Duração: 1h50

Para quem curte cinema, ver Johnny Depp, Julliette Lewis e Leonardo DiCaprio no começo da carreira já é motivo suficiente para assistir ao filme. Mas a obra vai além: é sensível, transformadora e humanística. Johnny Depp interpreta Gilbert, um jovem que vive na pequena e tediosa cidade de Endora, trabalhando em uma mercearia. Desde o suicídio do pai, ele se vê como a figura central da família. Ele quem sustenta a casa, ele quem controla as irmãs e ele que tem de cuidar da mãe obesa (Darlene Cates), que come compulsivamente desde a morte do marido, e do irmão Arnie (Leonardo DiCaprio, em sua primeira indicação ao Oscar!), que é deficiente mental. Ele vive nessa rotina em sua cidade, sem nenhuma novidade surgindo, até que Becky (Juliette Lewis), uma forasteira que viaja pelos Estados Unidos com sua avó, chega na cidade de Endora e começa a fazer as decisões de Gilbert surgirem e modificarem sua vida. Por ser uma ótima pedida para tratar de Projeto de Vida, esse filmão é nosso décimo lugar.

o elefante branco

9- Elefante Branco (2012)

País: Argentina

Classificação: 16 anos

Duração: 1h45

Em mais um show de Ricardo Darín, esse bom filme argentino retrata o árduo trabalho pastoral de um grupo de sacerdotes em uma favela de Buenos Aires, lidando com a miséria, o tráfico, a violência policial e a ausência do Estado. Nada muito distante da nossa realidade.

8- Dom Hélder Câmara: O Santo Rebelde (2014)

País: Brasil

Classificação: Livre

Duração:

De Integralista a pseudo-comunista. O bispo brasileiro mais conhecido no exterior, ignorado pela imprensa brasileira durante a ditadura. Conheçam D. Hélder, o Santo Rebelde.

7- Ilha das Flores (1989)

País: Brasil

Classificação: Livre

Duração: 13 min.

Um premiado curta-metragem de gênero documentário, dirigido pelo cineasta Jorge Furtado, que você muito provavelmente assistiu na sua escola. A história por de trás do filme não é tão nobre como se esperava, conforme revelado em 2011, mas a sua mensagem conscientizou milhares de pessoas. Por isso, o sétimo lugar.

6- Divertida Mente (2015) – Livre

País: Estados Unidos

Classificação: Livre

Duração: 1h35

Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no estado de Minnesota, para viver em San Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. A líder deles é Alegria, que se esforça bastante para fazer com que a vida de Riley seja sempre feliz. Entretanto, uma confusão na sala de controle faz com que ela e Tristeza sejam expelidas para fora do local. Agora, elas precisam percorrer as várias ilhas existentes nos pensamentos de Riley para que possam retornar à sala de controle – e, enquanto isto não acontece, a vida da garota muda radicalmente. Não se iludam. Esse é um filme sério e profundo e não é para crianças…

O Auto da Compadecida

5- O Auto da Compadecida (2000)

País: Brasil

Classificação: Livre

Duração: 1h44

Bem-humorado. Emocionante. Brasileiro. Mariano. “O Auto da Compadecida” é um clássico que não nos cansa.

4- Ezequiel Ramin – O Mártir da Opção pelos pobres (2015)

País: Brasil

Classificação: Livre

Duração: 19 min.

No aniversário de 30 anos da morte do padre italiano Ezequiel Ramin, a Verbo Filmes mandou bem e lançou o documentário sobre o martírio deste que é um entre tantos que morre em um conflito no campo. E de quebra, conhecemos a origem de uma importante música cantada em nossas celebrações. Quarto lugar!

3- Pé na Caminhada (1988)

País: Brasil

Classificação: Livre

Duração: 1h31

A Igreja da Libertação nos anos 1980, bispos proféticos e Leonardo Boff, ainda de hábito e barba preta. Quer mais¿ Clássico da Verbo Filmes.

2- Descalço sobre a Terra Vermelha (2014)

País: Brasil/Espanha

Classificação: 12 anos.

Duração: 3h

Minissérie catalã dividida em três partes conta a história do bispo emérito de São Félix do Araguaia, D. Pedro Casaldáliga, defensor dos indígenas, dos camponeses e desafeto dos fazendeiros e da ditadura militar. A história remonta a vida do bispo, desde sua chegada ao Brasil como missionário claretiano, em 1968, passando pela morte do Pe. João Bosco Burnier, até chegar no seu interrogatório no Vaticano. Essa é uma obra difícil de se ver em grupo (afinal, o filme é lento…e são TRÊS HORAS), mas muito boa para maratonar sozinho, naquele sábadão preguiçoso. Pega a coberta, a pipoca e bom divertimento! Curiosidade: para quem não sabe D. Pedro Casaldáliga é “parça” do Pe. Xavier Arana, da Paróquia do Carmo, em Santos. E daí¿ E daí nada…

1- O Anel de Tucum (1994)

País: Brasil.

Classificação: Livre

Duração: 1h08min

Clássico dos clássicos, também da Verbo Filmes, também com a presença de D. Pedro Casaldáliga e de outros bispos. Conta com a presença do Pe. Carlos de Miranda Alves (Paróquia São Francisco de Assis, Cubatão), inclusive. Na história, um grupo de fazendeiros se une para combater a ação das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Para tanto, tal grupo coloca um infiltrado para investiga-los, e descobrir o líder daquele movimento subversivo. O que era uma caça, se torna uma jornada de autodescoberta surpreendente.

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Na profética mística do Bem Viver

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Nunca fui do tipo que sai abraçando tudo que aparece sem olhar crítico. E pra eu dizer que sou fã de alguém ou de alguma coisa, é um custo. Minha personalidade mais “racional” nunca permitiu reações muito passionais, puramente instintivas.

Mas eis que, no final da adolescência, eu me inquietava mais com as injustiças e queria me engajar em algo prático, lutar por um mundo melhor; por outro lado, buscava inconscientemente algo que me transcendesse, que me falasse ao coração, me fizesse maravilhar com a vida e ter olhar poético. Eu precisava arriscar, fazer pelos outros um pouco do que fizeram por mim. Também precisava de algo espiritual que desse sustento a isso.

Daí eu conheci a PJ.

Logo nos primeiros eventos, me permiti ser tocado por essa mística libertadora, profética, que misturava fé e política de uma maneira quase mágica, corpórea, tão terrena e tão sublime. E de repente eu me via junto a pessoas com histórias e ideologias tão novas, que me sentia obrigado a questionar as crenças e dogmas que eu trazia até então.

Foi um misto de sensações: a de pertença, porque aquela pastoral era minha verdadeira identidade, a que eu buscava há tempos; a de novidade, porque também fui muito mudado por tudo o que ela me propôs e apresentou; a de paixão, finalmente, mesmo guardando sempre aquela saudável resistência crítica de não me jogar no escuro, sem calcular os riscos.

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E nesse último feriado de independência eu parti com a mochila cheia de incertezas (e com outras tantas certezas) para o 2º Encontro Nacional de Juventudes e Espiritualidade Libertadora. Lá pude experimentar novamente esse misto de belas sensações, mas de um modo mais intenso e radical, junto a pessoas de diferentes religiões, identidades de gênero, orientações sexuais, etnias, cores, ideologias… Foi desafiador, forte, profético, belo, incomodava e desacomodava.

Porque muitas vezes os que deveriam receber um olhar samaritano das igrejas cristãs são justamente aqueles que se sentem por elas afastados, condenados, perseguidos ou mesmo esquecidos. Eles e elas têm rosto: são os encarcerados e as encarceradas, favelados e faveladas, os diversos grupos LGBTI, os homens e as mulheres de religiões de matriz africana, os povos indígenas, aqueles e aquelas que aderem a ideologias contraditórias com nossos dogmas, os e as sem-terra e sem-teto, o povo de rua…  Por causa do medo de errar, de ofender a Deus, de pecar, corremos o risco de cair no perigoso farisaísmo e esquecermos o Evangelho que nos obriga ao encontro amoroso com essas gentes, nossos irmãos e irmãs.

A maior graça que pedi e alcancei do “Eterno Amor” foi a de acolher cada experiência de coração aberto: cada nova pessoa que conhecia, cada reencontro, roda de conversa, momento de espiritualidade, cada fala, posicionamento e reflexão. E, talvez pela primeira vez, entendi profundamente a radicalidade evangélica expressa nos versos de “Pão de Igualdade”:

21728753_232934380564714_3583314013135270428_o“É Jesus este pão de igualdade

Viemos pra comungar

Com a luta sofrida de um povo

Que quer ter voz, ter vez, lugar

Comungar é tornar-se um perigo

Viemos pra incomodar

Com a fé e união nossos passos

Um dia vão chegar”

Aquele galpão abafado de um centro comunitário de Poá permitiu que os e as sem voz, sem vez e lugar manifestassem suas lutas, que também devem ser nossas. As pessoas ali presentes puderam experimentar a comunhão proposta por Jesus Cristo, caminhando lado a lado, com os passos firmes no ritmo da ciranda da vida, buscando o Bem Viver. Incomodando, um dia chegaremos. Juntos. Ubuntu.

Que essa experiência não se resuma a um feriado ensolarado de setembro pra se guardar na memória. Que ela seja o fogo sagrado a nos mover para a luta. A água sagrada a nos purificar. O vento sagrado a nos refrescar. A terra sagrada onde fincamos nossos pés. Todo dia.  Agradeço a companheira Mariana por partilhar comigo os caminhos de ida e volta, os risos, sentimentos e reflexões. Agradeço à família que me abriu seu lar, os queridos Maria Lucia e Zaqueu. E à Luz Divina, pai e mãe, eterno amor. Amém.

Rodrigo Staudemeier Gonçalves

 

 

 

#GRITODOSEXCLUÍDOS: Resenha com o Profº Ricardo Galvanese

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gritoNo dia 7 de setembro, a Diocese de Santos em comunhão com toda a Igreja no Brasil, vai realizar a 23ª edição do Grito dos Excluídos, uma atividade organizada pelas pastorais juntamente com as centrais sindicais e movimentos sociais. O tema esse ano é “Vida em primeiro lugar” e o lema é “Por direitos e democracia, a luta é todo dia”. Na Baixada Santista, terá início às 13h na Praça Portugal em Cubatão, com caminhada até a Praça Frei Damião, prevista para começar as 16h. Antes do Grito, no entanto, a PJ Santos realizará o Pré-Grito Diocesano dia 27 de agosto, na Paróquia Senhor dos Passos, Boqueirão, com início as 14h.

Preparando o espírito para o Grito dos Excluídos, batemos um papo com o Mestre em Filosofia e eterno pejoteiro, Profº Ricardo Costa Galvanese. Com cinquenta e um anos, vinte e cinco deles lecionando na Unisantos, Profº Galvanese participou da Pastoral da Juventude ainda na década de 1980, integrando a CODIJUV na sua retomada após anos de suspensão dos trabalhos. “Foi um período extremamente rico da minha vida. Depois da Pastoral da Juventude eu entrei para o seminário, queria ser padre, mas depois discerni minha vocação e descobri  que era mesmo como leigo que deveria atuar. Estou assim até hoje. Alimento a minha existência da fé em Jesus Cristo”. Entre os professores da universidade, se destaca por promover debates, fóruns e palestras dentro do espaço do campus, uma forma de fortalecer o papel social da instituição. Em uma explicação sobre Hobbes, Rousseau e outra, frequentemente é perguntado sobre a política nacional em suas aulas. “Galva” nunca esconde os seus posicionamentos, nem repreende os de seus alunos, que se sentem a vontade para falar. Também costuma sempre falar de maneira entusiasmada em sala de aula, o que revela um determinado espírito jovial, que sua fala deixa pistas: “A experiência na Pastoral da Juventude marcou a minha personalidade, marcou a minha existência e de certa forma se prolonga até hoje”. Por sua identidade com a Igreja e militância, eu e o Guilherme Reis trocamos uma ideia nada formal com ele no último dia 17, logo após a abertura do Fórum Social da Baixada Santista, realizada no Campus D. Idílio, prédio da Unisantos.

Pejoteiros Santos: O que vem primeiro? O Mundial do Palmeiras ou o fim da corrupção?

Profº Galvanese: Olha…considerando o passado, eu acho que o Palmeiras leva essa antes, viu (risos)? Independente de quem torça para qualquer time, a corrupção está, pode-se dizer assim, entranhada nas estruturas de poder do Brasil. Isso não é de agora, só está vindo atona. Mas a gente já sabe dessa estrutura há muito tempo. Enfim, existem balelas por aí de que o Brasil era honesto em outras eras, mas a gente tem um problema de honestidade. Pode ser um problema de identidade cultural, você vai encontrar corrupção desde o sindico do prédio até o presidente da República e, os discursos inflamados, até mesmo moralistas, muita vezes encobrem uma prática extremamente desonesta.

Pejoteiros Santos: O Grito existe há 23 anos e até hoje a gente continua gritando. Quando vamos parar?

Profº Galvanese: Pra falar a verdade…acho que nunca. Mas claro que existem gritos de alerta, gritos de denúncia, mas também existem gritos de anúncio. O Grito dos Excluídos é simultaneamente um grito de denúncia das estruturas de opressão que existem, mas é também um grito de esperança de uma sociedade nova, mais justa e igualitária, sociedade essa que é, digamos assim, o motor que nos move. Acho que a gente em determinadas épocas grita por situações diferentes, né? Hoje a gente precisa gritar no sentido de denunciar essas estruturas de exclusão, de concentração de renda que vão se intensificando no país e que hoje passam por um momento extremamente grave. Ou seja: perdas de direitos da classe trabalhadora; terceirização; essa reforma trabalhista extremamente perversa e que foi redigida nos escritórios daqueles que detém o poder econômico e que nos próximos anos vai mostrar a sua cara com um intenso processo de pejotização da classe trabalhadora, de perda de direitos…sendo que ao mesmo tempo a gente ta com um congelamento das politicas sociais, que há muito custo a gente conseguiu avançar um pouquinho, não muito. E isso a gente já tá vendo. Tá faltando pra saúde, tá faltando para a educação, remédio pra população, tem a reforma da previdência que estão tentando impor de qualquer custo…enfim. Então, eu acho que tem muita coisa pra gente gritar.

Pejoteiros Santos: A PJ Nacional e a CNBB se posicionaram contra o impeachment e contra as reformas. Vários intelectuais associam o impedimento as reformas impopulares subsequentes. Qual a sua avaliação?

Profº Galvanese: Eu acho que há vinculação sim. Na realidade, o impeachment da presidente Dilma não veio por conta do Caixa 2, do financiamento indevido…isso havia, tava errado, mas a questão não foi essa. Ingenuidade achar que foi isso, né? Até porque se o problema fosse honestidade, corrupção, relação promíscua com o capital, com as grandes empreiteiras, etc, o povo tinha que estar na rua até hoje, né? Então, o que está se vendo é que a vinculação do atual presidente da República com esses esquemas é inegavelmente maior que a vinculação da presidente Dilma com esses grupos. Agora, se a indignação da classe média fosse mesmo com a situação do país, tinha que estar agora na rua pedindo o afastamento do presidente, bem como contra a posse do Rodrigo Maia, que foi denunciado nos esquemas de corrupção. Então, na realidade, não houve nenhuma revolução no sentido de uma consciência moral cívica maior no Brasil na época do impeachment. O que de fato houve, foi que os setores da classe econômica, da classe dominante no Brasil, não se sentiram adequadamente contemplados nas suas demandas, especialmente no setor financeiro, setor rentista, que tiveram, pode-se dizer assim, seus interesses levemente prejudicados, né? Você tem uma estrutura histórica dual de desigualdade no Brasil e uma concentração da renda violenta, e isso, podemos dizer, é o elemento que estrutura as nossas relações, as nossas instituições políticas e econômicas. Na realidade, o que a gente observa agora é que as reformas é o que eles pretendiam. Reforma Trabalhista, Reforma da Previdência, a garantia da continuidade do financiamento público da especulação privada…isso tudo está correndo muito melhor com o governo Temer, tanto que o que se fala no mercado financeiro é que, eventualmente, pode até o Temer sair, desde que a equipe econômica se mantenha. Você pega os meios de comunicação social, a Revista Veja, Jornal Estado de São Paulo, Folha de São Paulo…Globo, Bandeirantes, Record, SBT…o discurso é único. Todos são unânimes em elogiar a equipe econômica. E aí é que está o “x” da questão. O que a população não conseguiu entender é isso. Não é uma questão de moralidade ética ou moralidade política. É questão de quem está preocupado com o país. Por isso tudo, é indissociável o impeachment das reformas chamadas estruturais, que na verdade representam um grande retrocesso. Houve um pequeno avanço, volto a insistir. Afinal, a gente não teve no Brasil propriamente um governo de esquerda, mas um governo de centro-esquerda que possibilitou algumas reformas sociais, algum processo de inclusão social bastante tímido, até porque ali havia a ideia de fazer uma “conciliação de classes”, não entrar em confronto direto com o grande capital financeiro, com os grupos que detém o poder agrário no país, uma tentativa de gerar uma certa inclusão social sem acentuar a conflitividade social. E o fato é que a classe dominante no Brasil é extremamente voraz e não aceita nem sequer fazer essas pequenas concessões que ela fez.

 

Profº Galvanese

Professor em sala de aula, todo enrolado tentando explicar a bizarrice que é a política brasileira.

Pejoteiros Santos: As chamadas reformas estruturais afetam principalmente a juventude. O que o senhor diria para esses jovens, especialmente os de grupos de base?

Profº Galvanese: Olha, eu diria o seguinte: que a PJ tem um papel histórico fundamental. Na minha época, a PJ desempenhou um papel importantíssimo na redemocratização do Brasil. A gente estava nas manifestações de rua, nas manifestações das “Diretas”, a gente atuou intensamente…pode-se dizer que a Pastoral da Juventude ajudou a escrever a Constituição Cidadã de 1988. A gente enviou representantes das diversas dioceses com demandas populares e sociais que foram inseridas na Constituição. Então, digamos assim, tem uma assinatura da Pastoral da Juventude nela. A gente atuou na época junto do movimento que tinha, da “Plenária Pró-participação Popular na Constituinte”. Então, você compunha os chamados “plenarinhos”, se produziam propostas para o Brasil, etc. Aquele foi um momento até mesmo dramático, a gente tava reconstruindo o Brasil que havia sido tomado por forças do âmbito militar e da classe dominante, que rasgaram a nossa democracia, destruíram nosso sistema constitucional, centraram renda…e a gente conseguiu fazer aquilo e desempenhar um papel importante. Acho que hoje a juventude católica, a PJ e, em um contexto maior, a Igreja no Brasil, tem um papel fundamental de fortalecer novas estruturas, criar novas formas de participação social. É esta participação social que pode, digamos assim, inibir a ação devastadora da classe dominante no campo politico, no sentido de criar alternativas. Acho que hoje, a renovação das estruturas politicas brasileiras passa pela juventude, pela Pastoral da Juventude. Acho que a Pastoral da Juventude tem que levar isso muito a sério, tem uma contribuição importantíssima para dar, no sentido da construção de um novo horizonte para a política brasileira. Acho que a juventude cristã, a juventude católica e a juventude em geral não são só o futuro, ela já tem um grande potencial de construção do presente. E isso tem ficado claro na grande atuação que a juventude tem tido nos movimentos de rua, em ocupação de escolas e de luta por inclusão social. A juventude tem um papel insubstituível e é fonte de esperança para todos nós.

Pejoteiros Santos: Rapidinhas. Santo Agostinho ou São Tomás de Aquino?

Profº Galvanese: Olha, gosto muito dos dois, mas confesso que o Santo Agostinho toca mais a alma (risos).

Pejoteiros Santos: Foucault ou Karl Marx?

Profº Galvanese: Os dois e muito mais (risos).

Pejoteiros Santos: Gil ou Caetano?

Profº Galvanese: Os dois e muito mais (todos riem).

Pejoteritos Santos: D. Hélder Câmara ou D. Paulo Evaristo Arns?

Profº Galvanese: Esse, com certeza os dois. Espetaculares, tive a honra de entrevistar pela Pastoral da Juventude o D. Helder Câmara e devo ter essa fita em algum lugar, entrevista que ele deu quando foi homenageado na Unisantos, lá na década de 1980. Então, os dois pra mim foram referências fundamentais na minha vida, na minha juventude e até hoje.

Pejoteiros Santos: Temer ou Cunha?

Profº Galvanse: Nossa Senhora! (risos) Espero que os dois possam terminar os seus dias na cadeia.

Pejoteiros Santos: Jair Bolsonaro ou Olavo de Carvalho?

Profº Galvanese: Olha (ri e logo fica sério), eu só espero que Deus tenha piedade da alma deles quando julga-los.

Pejoteiros Santos: TFP ou MBL?

Profº Galvanese: Pode-se dizer assim, a reedição daquilo de pior. De mais rançoso, de mais conservador, e acima de tudo o que causa mais indignação para o cristão. O cristão é o espirito de compaixão, de generosidade de senso de partilha, de amor ao próximo, de tolerância. Então…Jesus nunca foi um moralista, nunca foi um exemplo de violência, muito pelo contrário. O que a gente encontra em Jesus é amor, ternura, fraternidade, e é por isso mesmo que vendo o Homem de Nazaré a gente enxerga o Deus Todo Poderoso. Então, esses dois movimentos são figuras lamentáveis, em meio a nossas referências culturais e sociais no Brasil. Espero que essas pessoas se convertam ao amor, a generosidade, a solidariedade e acima de tudo, a igualdade, né? Todos somos iguais perante Deus e quem luta por construir desigualdades, por reforçar divisões, por construir muros, por gerar segregações não está imbuído do espirito de Deus. O espírito de Deus é aquele que desperta em nós o senso de igualdade, pois nós somos iguais enquanto filhos de Deus. Só há um ser superior. O único ser superior é Deus. E Deus é superior principalmente porque ele é superior no seu amor.

Pejoteiros Santos: Deixe uma mensagem para os participantes do Grito.

Profº Galvanese: Gritem muito, pois o Brasil precisa da sua voz!

*Gines Salas.

#MJ2017: OLHARES

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Missão Jovem 2017

Foto após a missa de encerramento, 09/jul.

“Companheiro/a me ajude

Que eu não posso andar só

Sozinho/a eu ando bem

Mas com você ando melhor”

Olá. Esse texto tem como pretensão contar a história da #MJ2017 de diferentes pontos de vista, uma experiência intensa de sentimentos, começando por mim, o Jovem Padawan que vos fala. De frente para o computador, com a tela do Word em branco, tentei refletir na pergunta: “Qual o legado da Missão Jovem realizada no Guarujá?”. Ao pensar na resposta, senti a necessidade de contar sobre as outras Missões, que também ajudam a entender o que rolou no Guarujá esse ano. Por qual motivo? Simples, me dei conta que, mesmo falando de Missão diversas vezes nesse mesmo blog, nunca sistematizei sua trajetória dignamente, dando os nomes aos bois e créditos a quem merecia. Como um povo sem história é um povo sem vida, eu, historiador de botequim que sou, venho tentar solucionar essa preocupante lacuna neste texto, lançando aquele que é o meu olhar, e posteriormente, os dos outros também…

A história das Missões na Diocese de Santos tem início na década de 1990, quando o Fernando Diegues (ex-assessor leigo estadual da PJ e ex-coordenador da PJ Santos) ainda era jovem (ou seja, tempo pra cassete!). Segundo este ilustre idoso, mais precisamente em Rancharia, Diocese de Assis, no ano de 1999. Em um mês de julho frio no interior, com todos os “R’s” possíveis e imagináveis, velhos que na época eram jovens se encantaram com aquela atividade e sonharam em traze-la para o litoral paulista.

 

Foi então que em 2004 surgiu a oportunidade. No dia 04 de julho daquele ano, a Diocese de Santos completaria 80 anos de fundação. Para tal festividade, discutiu-se, ainda na Assembleia Diocesana de 2002, realizar uma bem organizada semana missionária, o que de fato aconteceu. A cidade escolhida era Cubatão e participaram cerca de 80 missionários, espalhados pelas três paróquias do município, um bom número deles sendo seminaristas, hoje em dia já ordenados, entre eles o Pe. Lucas Alves, Coordenador Diocesano de Pastoral.

 

Após a primeira edição, houve um hiato. Não foram realizadas semanas missionárias diocesanas nos anos posteriores, ao mesmo tempo que pejoteiros da Baixada Santista participaram de Missões Jovens em outros locais, com destaque para o Valo Velho em 2005 (São Paulo, Diocese de Campo Limpo). Em 2009, pejoteiros da Lapa, em Cubatão (Herick Rocha, Diego e Rodrigo Florentino), realizaram uma semana missionária com ajuda de amigos, como Amanda Miranda e Victor Valente, mas sem qualquer vínculo oficial com a coordenação diocesana. Foi nesse período também que a Diocese de Bragança Paulista se destacou em todo o Regional Sul 1 (Estado de São Paulo) como referência em Missão Jovem, realizando-as anualmente em diferentes comunidades. Um dos mais entusiasmados pejoteiros de Santos que todo ano participava de Missões era Ricardo França, hoje assessor leigo da PJ da Região São Vicente. França trabalhava como carteiro e tirava as férias para fazer quase a mesma coisa que fazia no seu trabalho: bater de porta em porta, só que dessa vez evangelizando. Era mais manjado em Bragança do que o Joel Santana nos clubes cariocas.

 

Foi sob a influência de todos esses nomes e elementos que se propôs, na Assembleia Diocesana de 2011 realizada em Itanhaém, retomar a Missão Jovem. Em 2012, ela se deu em São Vicente, na Paróquia São José de Anchieta, quase que exclusivamente comunitária, com algum “empurrãozinho” do Espírito Santo (risos). Contando com a ajuda do Pe. Luiz Aparecido Tegami, SDB, simpatizante declarado da Pastoral da Juventude, e a assessoria de seminaristas salesianos, 2012 foi uma rica experiência para retomar aquele modelo de atividade que a partir de então, faria parte da rotina pejoteira de nossa diocese. Com a vinda do Papa Francisco em 2013, em razão da JMJ no Rio, semanas missionárias se espalharam por dioceses de todo o país e em Santos se deram nos morros da cidade, mais precisamente na Paróquia Nossa Sra da Assunção, Morro São Bento. A partir de então as missões passaram a ser realizadas somente nos anos ímpares, tendo sua quarta edição novamente em São Vicente, na Reitoria Bom Jesus dos Navegantes, México 70.

 

Missão Jovem 2017

Rodrigo, Larissa, Mariana e Vitor (seminarista diocesano), durante o dia que se passou conhecendo o trabalho realizado pela “Fraternidade O Caminho”.

Todo esse percurso nos trouxe em 2017. Entre 02 e 09 de julho foi realizado o que na verdade, vinha sendo construído desde abril, quando foram realizadas as primeiras reuniões com o Pe. Alexander Marques. Se a MJ2012 foi marcada pelo carisma salesiano e a de 2015 pela simplicidade, por exemplo, 2017 foi definida pela acolhida das famílias, algo destacado na fala da grande maioria de missionários. Ao todo, foram cerca de 70 jovens a pisarem no Santa Rosa, sendo quase cinquenta deles acolhidos por famílias da comunidade, dormindo, se alimentando e tomando banho ao longo de toda a semana. A Guarujá dos imensos contrastes sociais se apresentou como a Guarujá do abraço, proporcionando vínculos que dificilmente serão quebrados. Uma proeza que se deu graças ao esforço do casal Fischer, Fernanda e Ricardo, ex-pejoteiros e paroquianos do Santa Rosa que se esforçaram muito para conseguir famílias que acolhessem a quantidade de jovens.

 

Como equipe, falo que, fora os momentos com os missionários, vai ficar marcado na memória as risadas com aqueles que comigo dividiram o “fardo” da organização, risadas essas que só a gente sabe (e viu). O nosso QG da MJ – lugar onde dorme e se reúne a equipe organizadora – foi a casa do Diácono José Delgado Barreira, o “Pepe”, gentilmente cedida. Lá, tretamos, debatemos, rezamos, mas principalmente rimos. Rimos muito. E isso tornou nosso trabalho mais leve, mesmo diante de toda a dificuldade. Além dos risos, criaram-se as amizades. Vitor Britto se revelou um seminarista boa praça e prestativo, alguém que terá sua vocação citada em nossas orações (Vitor, meu chapa…qualquer dia a gente inicia aquele grupo de estudos sobre Chesterton). E o que dizer do Pe. Vagner Argolo, assessor da juventude e suas mãos ungidas? Padre, nosso segredo ficará guardado, te devemos um Bic Mac (risos).

Um turbilhão intenso de sensações se deu no curto período de sete dias e envolveu pessoas que nem nos damos conta – missionários; mães, pais de missão; famílias visitadas; pessoas da missa, etc. Após atividades como a Serenata na Rua na quarta, a visita a Padre Donizetti na quinta e a Casa do Menor no sábado, a Missão Jovem terminou em calorosos abraços e o gosto salgado das lágrimas, que revelaram a certeza de ter cumprido o que Jesus nos confiava.

(Gines Salas, CODIJUV e futebolista de pebolim)

 

Missão Jovem 2017

Visita nas ruas.

Missão, cada uma única. A #MJ2017 me marcou bastante na questão da família que me acolheu, ganhei novos avós, tios, irmãos e primos. Foi gratificante cada segundo ao lado de todos, em especial aos avós e tias de missão, que acolheram a mim e aos meus irmãos de missão sem nos conhecer , sem saber quem eramos e de onde vinhamos. Sem receio nos fizeram de verdadeiros filhos, sempre procurando dar o melhor. Compartilharam suas historias , lutas e vitorias. É bem louco pensarmos nos dias de hoje, em um mundo cheio de receios, uma família aceitar desconhecidos e juntos construir um pedacinho da verdadeira experiência de amor ao próximo, de acolhida, sem preconceitos. Não poderia esquecer dos melhores irmãos de missão, pelas noites de sonos trocadas por belas reflexões.
A missão é uma experiência única que só quem vive pode de fato compreender. Abrange o que entendemos como visão de mundo, passamos a enxergar outras realidades, a se questionar antes de julgar. A olhar para os lados e valorizar mais o que temos, e principalmente, reconhecer na PRÁTICA que não é preciso fazermos coisas grandes para gerarmos grandes mudanças, pois as pequenas já estão conectadas as coisas grandes, gerando transformações extraordinárias. É de fato vivenciar um pedacinho da prática de JESUS: sairmos da nossa realidade e conforto, reconhecendo que não basta viver Jesus apenas na igreja, não é apenas saber que ele está no próximo, é ir até o próximo. Pisar em novas Galiléias, ir ao encontro dos mais excluídos da sociedade e mostramos que eles também tem voz, lutas, vidas, historias que merecem ser escutadas.
Saímos achando que podemos talvez ensinar alguém, mas no fim percebemos que quem mais apreende somos nós mesmos. Isso é apenas um pedacinho do que a missão oferece, dessa forma , ela criar suas formas, com um pouco que cada um leva e traz. Simplesmente gratidão, por toda a família MJ2017.

(Felipe Ferreira, 21 anos, São Vicente. Filho de Missão da Selma)

O que dizer dessa semana? Bom, ela foi cheia de sorrisos, de abraços, mas também cheia de medos e anseios, cheia de experiências. Eu só tenho a agradecer a todos os envolvidos por encher a minha semana de esperanca e alegria. 
Obrigada a todos por fazer parte, a missão jovem não seria a mesma coisa sem vocês. Como disse o David, ” Não existe ninguém igual a mim”, assim como ele, não existe ninguém como vocês, vocês são únicos, cada um a sua maneira, mas únicos e de uma beleza tremenda. Espero encontrar com todos muitas e muitas vezes, por isso tive a despedida de hoje como um “até breve”, porque ainda iremos nos encontrar muito na caminhada pejoteira.
(Esthefany Florêncio, São Vicente, 20 anos)

Bom … A MJ pra mim foi tudo , foi muito bom adorei conheci pessoas incríveis , passei (eu acho) a mensagem, foi una maravilha! Adorei muito, ouvi histórias incríveis dos moradores, levei uns “foras” no meio só que isso só é um detalhe (risos). Eu não sei o que dizer, pois eu estava muito deprimida ultimamente. Essa semana foi muito importante pra mim e me senti muito amada com a realidade que vi na comunidade, de outras pessoas como eles vivem, etc. Foi muito importante pra mim despertar e também perceber que tem outras pessoas na msm caminhada que a gente e só tenho que agradecer por tudo. Sério, a energia da PJ é forte demais! Parabéns para os coordenadores que deram o melhor. Obrigada por tudo!
(Júlia Rodrigues, 13 anos. Paroquiana do Santa Rosa)

Bom, como descrever uma experiência fantástica como foi a missão jovem da Diocese de Santos? E pior ainda como fazer um breve resumo? (HAHAHA) Ver uma galera nova de caminhada, ver uma galera em fase de transição no começo e ao final ver jovens animados e começando a amar uma pastoral que tanto amo e luto. Ver olhares de encanto, ver sonhos sendo plantados, foi algo surreal. Além de trazer um novo ânimo pra continuar lutando pela pastoral. Agradecimento em especial as famílias que nos acolheram com tanto amor e carinho. Ver a luta constante da coordenação da missão para manter tudo em ordem, mesmo com todo o caos, e tentar construir junto com os outros jovens a civilização do amor que tanto sonhamos. Obrigado Diocese de Santos pela acolhida, pela forte experiência de encontro com o outro, e por continuar florescendo a civilização do amor dentro do nosso Subregional SP2. Estamos juntos na caminhada.
(João Lucas Aguiar, 22 anos. Coordenador diocesano da Pastoral da Juventude Diocese de Campo Limpo).

#MJ2017: Bate-papo com Pe. Alexander

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Pe. Alex

Pe. Alex e Dona Flora (paroquiana) durante sua despedida da Paróquia Nsa. Sra. do Perpétuo Socorro, janeiro deste ano.

Há pouco tempo na Paróquia Santa Rosa de Lima, Pe. Alexander Marques – ou simplesmente Pe. Alex – nos concedeu uma gentil conversa. O homem que topou construir conosco a nossa #MJ2017 – para se inscrever, clique aqui – é fã de Star Wars, tem compulsão por estudos e possui o afetuoso hábito de cumprimentar a todos com um beijo no rosto – uma herança herdada da convivência com o falecido Pe. Paulo Horneaux de Moura, seu padrinho. Fala com carinho da Paróquia Nsa. Sra. Perpétuo do Socorro, São Vicente, onde exerceu como pároco por seis anos e deixou muitos amigos. Em nosso bate-papo, falou sobre vocação, política e juventude na Igreja.

Pejoteiros Santos: O senhor está faz pouquíssimo tempo do Guarujá. Ficou feliz por se livrar de São Vicente?

Pe. Alex: (Risos) Não…não fiquei. São Vicente foi a cidade em que eu cresci, sabe? Eu só nasci em Santos. Desde os meus primeiros dias de vida eu moro em São Vicente. Sempre morei em São Vicente, só sai daí quando fui para Santo Amaro estudar, fiquei sete anos fora, mas sempre tive um laço muito importante com a cidade. Meus pais moram em São Vicente, meu irmão mora em São Vicente e os seis anos que eu passei no Jardim Rio Branco foram muito bons. Eu amo São Vicente, como a maioria dos vicentinos. Temos muitos problemas e Guarujá também, mediante a crise que estamos vivendo no país, fruto da má administração e das crises sociais, relacionadas a pobreza, a violência, a falta de segurança, etc. Guarujá é uma cidade que vive contrastes, né? Tem uma área nobre onde tem mansões e muitas favelas, tantas quanto São Vicente. São duas cidades bem parecidas, tirando o fato das praias. As praias do Guarujá são belíssimas. São Vicente, não (risos). Mas São Vicente é uma cidade que tem tudo pra dar certo, as pessoas precisam se educarem mais, no sentido de valorizar a cidade, não jogar lixo nas ruas…isso tudo prejudica muito a imagem da cidade. São Vicente é a primeira cidade do Brasil, conhecida nacionalmente, o povo de lá é muito bom. Mas agora é uma nova realidade, na Paróquia Santa Rosa de Lima e na cidade em que estou, no Guarujá.

Pejoteiros Santos: Fora Filosofia e Teologia, o senhor concluiu Psicologia recentemente e agora tá fazendo Mestrado em Educação. Explica um pouco dessa “piração” sua pelos estudos. É saudade da Unisantos?

Pe. Alex: É um pouco de saudade sim da universidade. A universidade é uma das minhas paixões e eu nunca escondi de ninguém, eu sempre gostei de estudar. Até meus colegas de turma tiravam sarro de mim, que o meu quarto para entrar tinha que ir abrindo os livros pra ocupar menos espaço (risos). Acho que a formação do padre é uma formação continua, o padre não pode pegar e  dizer “fiz filosofia e teologia, tá bom!”. Acho que o povo merece isso, né? Quando eu tava no seminário, eu estudava muito, principalmente na Teologia. Filosofia foi um pouco mais complicado, pois estava no início do processo. Eu não fiz Filosofia aqui em Santos, fiz no Instituto São Boaventura, em Santo Amaro. Eu iniciei a minha caminhada em Santo Amaro e na Teologia foi que eu me transferi para Santos. Então, na Teologia me apliquei muito. Saia da faculdade, tinha os afazeres da casa e quando sobrava tempo eu pegava e ia estudar. Na Psicologia não deu pra me dedicar tanto, pois eu já era padre. No começo do curso eu tava como Vigário do Pe. Valdeci na Lapa (Par. Nsa Sra da Lapa, Cubatão) e por isso não tinha tantas responsabilidades como um pároco tem. A partir do momento que me tornei  pároco da Perpétuo Socorro (Paróquia Nsa Sra do Pérpetuo Socorro, São Vicente) eu comecei a ter um pouco menos de tempo. Estudar é meio que uma aptidão minha, eu não gosto muito de ficar parado. Aí me veio a ideia, depois de dois anos, de fazer Mestrado. Mais pra frente eu vejo o que eu faço, se eu faço Doutorado ou outro tipo de especialização. Quando eu era seminarista eu dizia o seguinte: “O povo tá investindo na gente. O povo paga nossa faculdade, paga a nossa comida”. Então nada mais justo que ter padres que tenham cultura, padres que saibam o que vão falar e que realmente estudem e possam levar esse estudo para o povo, fazendo um trabalho melhor nas pastorais das nossas comunidades. Isso é essencial.

Pejoteiros Santos: Se ser padre é bom, o que te fez ter tantos cabelos brancos?

Pe. Alex: Ser padre é bom, mas tem suas vantagens e desvantagens. Os cabelos brancos que o digam, como você mesmo coloca na pergunta (risos). São fruto logicamente do processo de envelhecimento natural, afinal não sou nenhum moleque, tenho 43 anos…mas também sem dúvida nenhuma é o nível de estresse. Então você esquenta a cabeça, sem dúvida nenhuma. Tem pessoas que são mais fáceis de lidar, outras são mais complicadas…e você mediar conflitos com pessoas que acham que são donas das pastorais ou donas das comunidades é bem difícil. Tem suas vantagens ou desvantagens como tudo na vida. Mas é bom ser padre, eu gosto! Por mais que tenha as dores de cabeça, por mais que haja as dificuldades, é algo que eu gosto de fazer, é algo que me dá prazer. Vale apena ser padre, sem dúvida nenhuma, mas pra isso tem que ter vocação. Se não tiver vocação você acaba sucumbindo pelo meio do caminho.

alex

“Pe. Alex…eu sou seu pai!”

Pejoteiros Santos: O que costuma fazer quando não está estudando, celebrando ou atendendo a comunidade? Qual o seu hobbie? Eu lembro que o senhor manja um pouco de cultura nerd…

Pe. Alex: Eu gosto muito de andar na praia nos meus dias de folga, coisa que eu não ando fazendo por causa do mestrado…gosto muito de ler, não só artigos de filosofia, teologia e psicologia, eu gosto muito de ler de um modo geral! Gosto de ler livros de suspense, romance. Eu tenho um pouco de cultura nerd. Sou fã incondicional de Star Wars, dos personagens da DC, principalmente o Batman, o Superman…alguns da Marvel também, tipo o Homem-Aranha. Então eu sou meio fruto de cultura nerd dos anos 1980 (risos). E acho que a história faz parte do ser humano. O ser humano tem que respeitar a sua trajetória histórica e não esquecer, né? As coisas que vivenciou. Acho muito importante isso. Cada ser é fruto da sua época, é fruto da sua história. Eu sou uma pessoa de hobbies simples.

Pejoteiros Santos: O senhor sabia o que estava fazendo quando topou aturar uma penca de pejoteiros durante uma semana inteira de Missão Jovem?

Pe. Alex: A resposta é que eu não tinha muito conhecimento da Pastoral da Juventude. Tá sendo um processo novo, pra mim, tô tendo conhecimento agora de como funciona, as pessoas tem entrado em contato com vocês e o feedback tem sido muito positivo, posso dizer isso. Então, é importante ter o jovem dentro da Igreja, eu sempre trabalhei com jovens quando seminaristas e é muito triste você não ter jovens dentro de uma paróquia, dentro de uma comunidade. Jovens são o futuro, são como a força motriz da Igreja, nós não temos como seguir adiante sem jovens. E hoje os jovens estão tão perdidos, nada melhor do que acolhe-los, com dignidade, cuidado, para construir um mundo melhor, principalmente com essa cultura de corrupção que nós estamos vivendo no país. Não adianta mudar a cabeça dos velhos, nós temos que mudar a cabeça dos jovens! Uma geração que mude a mentalidade e deixe a “Lei de Gerson” de lado, é uma perspectiva muito boa para a sociedade brasileira e nada melhor que o jovem pra falar com outro jovem. Daí a importância da PJ. De ir ao encontro dos jovens e falar na linguagem deles, o que muitas vezes a gente não consegue.

Pejoteiros Santos: Padre, vamos falar sobre a descoberta da sua vocação, pois é um tema que sempre rende histórias interessantes. Conta um pouco sobre as suas origens e o que diria a um jovem que questiona a sua vocação.

Pe. Alex: A vocação surgiu cedo, eu comecei a sentir os primeiros sinais aos 14 anos, mas aí eu comecei a namorar e vida que segue. Depois de alguns anos, quando eu estava com 25 ou 26 anos, eu estava no término do relacionamento que para mim seria o relacionamento da minha vida. Ele acabou e começou a renascer aquilo que tinha se dado dez anos antes. Aí, eu optei por fazer acompanhamento vocacional, só que o meu grande problema era um: eu sabia que padre não poderia casar, logo padre não poderia ter filhos e eu sempre gostei muito de crianças, né? Então esse foi um primeiro problema, pois ao mesmo tempo que sentia o “chamado”, eu queria ser pai. Aí eu fiz o acompanhamento vocacional um ano, não senti segurança para dar continuidade e resolvi fazer mais um, pois meu medo era que aquilo fosse uma fuga. No meu segundo ano, senti Deus colocar em meu coração que eu não seria pai de um ou dois filhos, eu seria pai de muitos filhos. A partir daquele momento eu já estava pronto para entrar no seminário, os próximos meses na sequência foram de preparação, de falar com meus pais, isso, aquilo etc. Então a minha vocação nasce no seio da comunidade, né? Eu sempre digo que minha influência foi minha mãe e os amigos da Igreja, pois quando a minha mãe me colocou na catequese eu já tinha doze anos, tinha tamanho de adulto, só não tinha cabeça, mas o corpo era quase. Eu  virei e falei para minha mãe que eu não iria para catequese com um bando de criança do meu lado, pois eu tinha a altura da catequista. Aí, o que aconteceu? Eu falei para minha mãe que se ela me levasse eu iria fugir. Ela foi e me levou na São Vicente Mártir, minha paróquia de origem, e ficou as duas horas na porta, com medo que eu saísse. Na outra semana em que ela me levou, eu disse: “Não precisa ficar esperando, eu não vou fugir mais não”. E a partir daquele momento eu nunca mais abandonei a Igreja. Eu fiquei 16 anos trabalhando ativamente em todas as pastorais, com os jovens, depois na coordenação pastoral da paróquia, grupo de oração, etc. Minha vocação nasce desse convívio, principalmente da minha relação com o Pe. Paulo Horneaux de Moura, que era o meu padrinho de Crisma. Eu tinha muito contato com ele e ele tinha um modelo de padre acolhedor, o que me ajudou muito também. 

Pejoteiros Santos: O Brasil vive um momento ético, político e econômico dos mais delicados de sua história. Qual é o papel da Igreja diante dessa realidade?

Pe. Alex: (Demora um pouco para responder) Olha…a crise, pensando, é uma crise existencial, sabe? É muito mais profunda, de valores morais e éticos. As pessoas estão muito desencantadas com a vida e com as situações. É uma crise de princípios, como eu falei naquela outra questão, a “Lei de Gérson”, sempre querendo tirar vantagem. E isso tem influenciado muito as futuras gerações, pois o exemplo a gente leva de casa. Então, se você vê seus pais fazendo alguma coisa errada, você vai fazer também, pois seus pais são o exemplo, o modelo a ser seguido. O modelo do menino é o pai e o modelo da menina é a mãe, tanto que a psicologia freudiana, a psicanálise, vai dizer que o homem procura na mulher a mãe e a menina procura no marido o pai. São os reflexos, e quando não há honestidade, não há valores éticos dentro da família, os filhos também não herdam esses valores. O meu grande receio é que as pessoas se afastem da política por causa disso, e aí fica uma coisa muito complicada. O que falta no brasileiro hoje é cidadania, isso na minha visão. É eu entender que o espaço é de todos, não só meu. Muitas vezes as pessoas criticam os políticos por elas quererem fazer as mesmas coisas que eles fazem. Um dia desses eu vi um vídeo no facebook de uma rádio de Sorocaba em que eles faziam uma pegadinha, onde uma pessoa estava na rua falando ao celular e deixava cair a carteira. 70% das pessoas não devolviam a carteira, ficavam com ela. Que moral eu tenho para reclamar de político corrupto se eu faço a mesma coisa? “Ah, eu enganei o trouxa!”. As pessoas tem que perder essa mentalidade! Por exemplo: vá na praça de alimentação. Quantas pessoas vão jogar o lixo, depois que elas comem, no lugar certo? Vai por mim, são poucas. Nós não temos essa cultura de cidadania, de entender que a Classe Política está lá para me representar, e que se não fizer isso direito, não terá mais o meu voto. Mas muita gente vota para ganhar benefícios, em troca de cinquenta reais, em troca de dentadura, etc. Por exemplo, a vice-prefeita, que era da minha paróquia (Profª Lurdinha Oliveira, eleita vice-prefeita por São Vicente no ano passado), quando ganhou, quantas pessoas não foram atrás dela pedir emprego por votarem nela? Peraí, mas qual o sentido disso? Você votou nela para ela te representar, não para ganhar emprego, meu filho! A missão da Igreja é esclarecer para as pessoas que isso é um problema de foro interno, no sentido de que as pessoas tem que se conscientizar a fazerem o que é correto. 

*Para quem não conhece, a tal da Lei de Gérson:

Pejoteiros Santos: Rapidinhas. Agora vamos separar os homens dos meninos. Nescau ou Toddy?

Pe. Alex: Toddy.

Pejoteiros Santos: Coxinha ou Brigadeiro?

Pe. Alex: HAHA…brigadeiro.

Pejoteiros Santos: Biscoito ou Bolacha?

Pe. Alex: Bolacha.

Pejoteiros Santos: Star Wars ou Senhor dos Anéis?

Pe. Alex: Sem dúvida…Star Wars!

Pejoteiros Santos: Feijão por baixo ou por cima?

Pe. Alex: Por baixo!

Pejoteiros Santos: Churrasco ou comida japonesa?

Pe. Alex: Olha, por mais que eu evite, churrasco.

Pejoteiros Santos: Messi ou Cristiano Ronaldo?

Pe. Alex: Nenhum dos dois.

Pejoteiros Santos: Futebol na praia ou Netflix?

Pe. Alex: (Risos) Netflix!

Pejoteiros Santos: São Pedro ou São Paulo?

Pe. Alex: Paulããããããooo!

Pejoteiros Santos: São Francisco de Assis ou São Tomás de Aquino?

Pe. Alex: Francisco de Assis, sem dúvida nenhuma!

#MJ2017: INSCRIÇÕES ABERTAS!

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missão

Missão é partir, caminhar, sair de si.

É quebrar as crostas do egoísmo
que nos fecha no nosso eu!
Missão é parar de dar voltas ao redor de nós mesmos
como se fôssemos o centro do mundo, da vida.

Missão é não deixar bloquear nos problemas
do pequeno mundo a que pertencemos.
A Humanidade é maior.

Missão é sempre partir,
mas não devorar quilómetros.
É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos,
descobri-los e encontrá-los.

E para os descobrir e amar
é necessário atravessar mares
e voar pelos céus,
então, missão é partir até aos confins do mundo!

(Dom Hélder Câmara)

Aloha! Desde o dia 20 de abril, pejoteiros de diferentes Galiléias juvenis descobriram que a Paróquia Santa Rosa de Lima no Guarujá abrigaria a #MJ2017. Hoje, com a sua proximidade, se inicia uma nova etapa: a abertura das inscrições.

Depois de Cubatão (2004), Humaitá (2012), Morro São Bento (2013) e México 70 (2015), a PJ Santos realiza sua quinta semana missionária na Ilha de Santo Amaro, contando com o apoio da comunidade e com o entusiasmo das irmãs da “Fraternidade O Caminho”, que desenvolvem trabalho social na Padre Donizette, favela da região. O evento ocorre no período das férias, entre 02 e 09 de julhoA taxa de inscrição é simbólica, de R$20,00.

O tema Juntos com Maria, florescendo nesse chão! faz menção ao ano mariano (marcado pelo centenário da aparição de Fátima e pelos 300 anos de Aparecida) e a campanha da PJ do Regional Sul, que conclama os jovens a florescerem a Civilização do Amor. Para o lema, recordamos as palavras do Papa Francisco na JMJ de Cracóvia: “O tempo que estamos a viver não precisa de jovens-sofá”.

COMO FUNCIONA UMA MJ?

A MJ é uma semana destinada principalmente a visitas de evangelização e gesto concreto nas comunidades que a recebem, além de muita vivência, oração e lazer. Os missionários que dela participam ficam alojados nas casas de paroquianos, onde jantam e dormem, mas passam a maior parte do evento nas ruas ou na Igreja – onde lancham e almoçam -, visitando casas e participando de diferentes atividades. No domingo (02/jul) ela se inicia 9h na paróquia, com formação missionária, almoço e a celebração do envio na Missa das 19h30. De segunda a sexta-feira, ocorrem as visitas durante o dia e outras atividades no período da noite. O fim das atividades se dará com a Missa da manhã no dia 09/jul.

Desde o início do pontificado do Papa Francisco em 2013, missão tem sido o tema da moda, seja em discursos, homílias e escritos. “Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo: os estilos, os horários, a linguagem, numa atitude constante de saída” (EG 26-27). Quando esteve em Cracóvia no ano passado, Francisco cunhou o termo “jovem-sofá”, que designa aquilo que não devemos ser: acomodados, conformados, apáticos.

Em solo brasileiro, a PJ vem sendo fortemente influenciada pelas palavras do papa latino-americano. Em 2016, a coordenação do Regional Sul 1 (Estado de São Paulo) lançou a campanha “Façamos florescer a Civilização do Amor”. Em janeiro desse ano, durante a Ampliada Nacional da PJ que rolou no Crato/CE, foi cunhado o termo “Galileia Juvenil”, uma forma de contemplar cada chão especifico retomando o agir missionário de Jesus, como revela a Aline Ogliari, Secretaria Nacional.

As inscrições da MJ2017 vão até o dia 23/jun. Para esclarecer dúvidas, procure um membro da estrutura diocesana da PJ e converse com o seu pároco. Para se inscrever, clique aqui.

OBS: O pagamento pode ser feito no dia 02/jul ou por depósito, que pode ser efetuado na conta da Camila(nossa tesoureira!), Banco Itaú. Agência: 8158.Conta Corrente: 19146-3. Após realiza-lo, é necessário enviar comprovante por whatsapp para o seguinte contato: (13) 98811-9824.