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CEBs E PJ TEM ENCONTRO DIOCESANO EM MAIO!

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“Na Igreja eu sou da CEBs

Na base sou pejoteiro

Em busca de um mundo novo

A opção é pelo Reino”

 

Dia 27 de maio os grupos de base da Pastoral da Juventude e as Comunidades Eclesiais de Base tem um encontro marcado, na Capela Nossa Senhora da Esperança (Jardim Irmã Dolores, São Vicente). Pejoteiros e cebianos estão convidados a participar desse grande momento celebrativo, com animação musical, partilha e formação, reunindo gente que em comum, tem o mesmo jeito simples de fazer Igreja.

CEBs: “SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO”

“Somos todos irmãos” (PJ)

Data: 27/05/2018 (domingo)

Local: Rua Brasilia s.n (Rua Salvador, 30), Jardim Irmã Dolores, São Vicente.

Horário: Início às 8h30 e encerramento às 16h, com a Missa.

Contribuição para as refeições: R$5,00

 

*Não deixe de cuidar da Casa-Comum. Leve a sua caneca!!!

*Prepare a sua atração artística para a tarde de Show de Talentos!!!

PREENCHA A FICHA DE INSCRIÇÃO AQUI.

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As 5 heranças de Dom Helder para as dimensões sociopolítica e prática

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Marcelo Barros nem sempre concordava com as posturas de Dom Helder no campo da atuação política e nas suas análises sociais; porém, mais tarde, reconheceu de forma admirada que a história provou que o profeta estava correto em sua coerência. Conheça as heranças do Dom nesse campo:

(Este texto é o último de um conjunto de publicações abordando as heranças de Dom Helder. Caso queira saber mais, leia o texto anterior).

1- A primeira herança dessa lista se refere a uma postura de liberdade comunicativa diante de todas as circunstâncias, e a capacidade de praticar a cortesia na relação de cuidado e colaboração para com todos, pobres e ricos, humildes e poderosos, crentes ou não.

Marcelo conta que, desde que começou a colaborar com o arcebispo, este “manifestou de diversas formas o desejo de dialogar com igrejas evangélicas, com comunidades de outras religiões e mesmo com grupos e partidos políticos de esquerda, comprometidos com a justiça e a paz”. Também confessa: “Nunca o vi tratar menos bem a um rico ou considerar menos uma pessoa de posição tradicionalista ou conservadora. Ao mesmo tempo, não escondia de ninguém seu cuidado maior com as pessoas mais pobres, às quais chamava ‘os preferidos de Deus’”.

Sobre isso, cita o Dom: “Ninguém se escandalize ao me ver frequentar pessoas consideradas indignas e pecadoras… (…) Ninguém se espante ao me ver com pessoas tidas como perigosas, de direita ou de esquerda, da maioria ou da oposição (…) Ninguém pretenda me ligar a um grupo, um partido, de modo que eu considere amigos os seus amigos ou faça minhas as suas inimizades. A minha porta e o meu coração serão sempre abertos para todos (…) É claro que, ao amar a todos, a exemplo do Cristo, devo ter um amor especial pelos pobres (…) Quem quer que esteja sofrendo no corpo e na alma, seja pobre ou rico, quem quer que esteja desesperado, terá um lugar especial no coração do bispo”.

FAÇAM A REVOLUÇÃO ECONÔMICA E SOCIAL, MAS REALIZEM TAMBÉM A REVOLUÇÃO MORAL E INTERIOR. FAÇAM-NA ATRAVÉS DO DIÁLOGO.

2- Outra herança que Dom Helder nos deixa é a de que devemos buscar sempre aprender mais sobre a realidade, a fim de organizar a luta com sabedoria e astúcia, discernindo o que há de bom e ruim nas ideologias.

Marcelo afirma: “A primeira coisa que dele aprendi é que podemos ser pessoas boas, sonhadoras e cheias de fé, mas sem ingenuidades” e complementa sobre o Dom, que mudou de pensamento e prática após algumas experiências, e que logo “criticava os programas assistencialistas e propunha a libertação das ideologias”.

Pra esclarecer, cita o próprio Helder: “Percebi que estava errado e me converti. Percebi logo que o mundo não se divide verdadeiramente em direita e esquerda e sim entre o mundo dos mais ricos e o mundo da imensa multidão de pobres. Até hoje encontro pessoas que continuam com aquela visão maniqueísta da vida que eu tinha em 1937 e mudei de pensamento”, que também não era ingênuo quando o assunto era poder púbico: “Nunca me enganei a esse respeito. Governo só funciona quando há uma sociedade civil organizada e quando os pobres cobram o que é seu direito, e não alguma esmola ou assistencialismo político”.

O monge Marcelo ainda apresenta uma poesia do Dom a esse respeito: “Especializa-te em tentar descobrir em toda e qualquer criatura o lado bom que ela possui – ninguém é maldade concentrada. Especializa-te em tentar descobrir em toda e qualquer ideologia a alma de verdade que ela carrega no seio – a inteligência é incapaz de aderir ao erro total…” e conclui: “Para mudar a realidade, é importante conhecê-la bem e aprofundá-la. Aos militantes dos anos 60, ele dizia o que, certamente, repetiria agora: ‘Não cessem de estudar e de confrontar ideias e propostas de mudanças’”.

NÃO TEMAS A VERDADE. POR MAIS DURA QUE TE PAREÇA, POR MAIS QUE TE FIRA, É AUTÊNTICA. NASCESTE PARA ELA. SE FORES A SEU ENCONTRO, SE DIALOGARES COM ELA, SE A AMARES, NINGUÉM MAIS AMIGA E MAIS IRMÃ…

3- O Dom também apresentava uma resignação e uma renúncia absoluta a revidar ou combater os que o perseguiam, mesmo diante das calúnias, críticas injustas e piores ataques. Ele também se recusava a criticar qualquer pessoa e a desobedecer a superiores.

Marcelo relata: “Dom Helder não se negava a debater ideias, mas recusava terminantemente responder a polêmicas e ataques. Lembro-me dele dizendo, em reunião, que evitava ler, seja elogios, seja ataques”. Para exemplificar, conta: “Havia anos, Gilberto Freire publicava, semanalmente, nos principais jornais do Recife, artigos nos quais tecia críticas ferozes ao arcebispo que, ele sabia, não tinha liberdade de responder. Dom Helder sempre se referia a ele com todo o respeito e admiração”. Continua: “Quem conheceu Dom Helder, sabe que nunca ele falava mal de alguém, e quando criticava uma atitude ou opinião, várias vezes, o vi deixar claro que não estava condenando a pessoa em questão. Uma das raríssimas vezes em que o ouvi criticar alguém, ele se queixava de um agente de pastoral. A sua queixa me toca até hoje: ‘é uma pessoa que odeia os ricos e não ama suficientemente os pobres para ser uma pessoa de amor’”.a5a5f0759a380cdffbb0671e276ba063

Por fim, relembra o caso em que o arcebispo fora criticado maliciosamente na imprensa, por um dos padres de Recife. Quando alguns sugeriram que o Dom deveria punir esse sacerdote, ou ao menos lhe dar uma advertência, Helder respondeu: “Como vocês querem que eu, que luto pela liberdade de consciência e expressão, tome qualquer atitude contra um irmão exatamente porque ele fez o que eu proponho: expressou-se livremente? Defendo o seu direito de dizer o que quiser”.

4- A quarta herança dessa lista trata da valorização do diálogo e promoção da não violência ativa, a fim de vencer pela doçura e fraternidade, lutando por uma justiça que não queira o mal de ninguém.

Marcelo atesta sobre o Dom: “Insistia que qualquer ação de mudança será através de um compromisso com a paz e a não violência ativa. Defendia o diálogo como expressão de um caminho em comum, entre pessoa diferentes a serviço dessa transformação do mundo”, e acrescenta: “A partir disso, passou a ver toda pessoa que trabalha pela justiça como aliada e companheira, mesmo se, tratando-se de grupos subversivos, ele fizesse questão de se afirmar em desacordo com os métodos empregados, e não aceitasse o ódio de classe e a violência”.

O próprio Helder elucida: “A não violência se recusa a fazer vítimas entre os outros. Coloca-se ao lado das vítimas para mudar a realidade. A dificuldade é refletir, preparar e organizar a ação não violenta para que, no primeiro choque, o povo não a abandone. Não existe possibilidade de vitória contra a opressão e contra as estruturas de injustiça sem sacrifícios. Os sacrifícios aceitos pela não violência preparam melhor o futuro e a reconciliação do que os sacrifícios impostos pela violência” e complementa: “uma não violência que não se preocupasse em ser eficaz em mudar a História, seria ainda apenas mera passividade, embora cheia de bons princípios e de bons sentimentos”.

Marcelo conclui: “A história da humanidade, nestas últimas décadas, deu plena razão a Dom Helder, uma vez que os grupos armados e as revoluções violentas não resultaram em algo melhor” e convida: “Sem dúvida, você concorda comigo que o mundo deste início do século XXI precisa mais ainda da ação não violenta ativa articulada e comprometida com a inclusão social e com a paz, justiça e cuidado com o universo ao qual pertencemos […] Procure em sua região quem articula esses grupos alternativos e se sinta dentro dessa humanidade nova que vive o melhor da herança de Dom Helder Câmara”.

NENHUMA FELICIDADE PODE BASEAR-SE NA INFELICIDADE DOS OUTROS, PORQUE OFENDERIA O SENTIDO DE JUSTIÇA QUE DIZ RESPEITO A TODOS (…) DEUS DEU AO SER HUMANO O PODER E A RESPONSABILIDADE DE NÃO SE CONFORMAR COM O SOFRIMENTO E A DOR DO INOCENTE, MAS DE COMBATER O MAL E A INJUSTIÇA. ESSA É A TAREFA DE TODOS NÓS.

5- Concluo com a herança que Helder deixou especialmente para nossa identidade como instituição religiosa. Uma Igreja que seja povo de Deus, a serviço e testemunha do Reino, humilde, pobre, engajada e horizontal.

Dom Helder reconhecia que a Igreja, desde quando foi assumindo grandes dimensões, teve de ir se institucionalizando, e como isso trouxe algumas consequências negativas: a busca por promover a si mesma e se estabelecer acima da promoção do Reino; a busca por manter e expandir poder, prestígio e privilégios, corrompendo seus princípios; a prática de obras sociais de assistência como algo externo à sua missão, e não sua essência; a cumplicidade com governos injustos e opressores, além de muitos crimes e pecados graves no seu seio.

Marcelo afirma: “Não basta reconhecer que a Igreja é santa e, ao mesmo tempo, pecadora. Reconhecer o pecado exige a coragem de lutar para superá-lo. Na comunhão com os pobres, o Dom percebeu as consequências terríveis do colonialismo antigo e atual. E, com grande sofrimento, foi percebendo como bispos e padres quase sempre tendiam a ser cúmplices e legitimadores do autoritarismo e do poder opressor” e demonstra isso nas palavras de Helder: “Aqui, como em toda a América Latina, nós pregamos ao povo um cristianismo excessivamente passivo. Pedimos paciência, obediência, que as pessoas aceitem os seus sofrimentos… Pode ser que isso seja virtude, mas, da forma e no contexto no qual esses valores foram apresentados, acabaram contribuindo para oprimir nosso povo”, que também proclamou com confiança na fidelidade de Deus: “Pensas, então, que as fraquezas da Igreja levarão o Cristo a abandoná-la? Quanto mais nossa fragilidade humana atingir a Igreja – que é nossa e d’Ele -, mais Ele a sustentará com seu apoio, com seu carinho. Abandonar a Igreja seria o mesmo que abandonar seu próprio Corpo”.

Dom Helder assumia concretamente aquilo em que acreditava, e representava o rosto de uma Igreja profética, que falava a todos os povos, e não apenas para si mesma, e que dava voz aos sem-voz. Foi dele a declaração que Marcelo recebeu e relata: “É importante ler a história a partir dos pequenos, pelo avesso do que a sociedade oficial conta. E usar como instrumento interpretativo um grande amor aos últimos. Os pobres não são melhores do que ninguém, mas, se existe Deus, não pode haver pobreza injusta… Por isso, a Igreja, se quer testemunhar o amor divino, tem de se comprometer em lutar contra a pobreza injusta. Essa luta deve ser pacífica e não violenta, vivida a partir da inserção e dando o protagonismo aos pobres”.

Marcelo foi assessor de Helder para o ecumenismo e diálogo com outras religiões e povos, e relata que aprendeu duas coisas do testemunho do Dom: “1-O importante do ecumenismo não é a unidade das Igrejas em si mesmas, mas essa busca da unidade é para servir ao povo […] 2-Dom Helder valorizava os pastores e o diálogo com os ministros, mas me dizia sempre que a unidade só se dará a partir das bases. Nunca se detinha em discussões de cúpula nem dava muita importância aos diálogos oficias. Priorizava visitas e contatos com pessoas simples de outras Igrejas e religiões”. Após supor que um dos motivos para as críticas de um pastor evangélico à Igreja Católica era a demissão de trabalhadores evangélicos de uma indústria por ordem de um de seus antecessores, Helder disse para Marcelo: “Se queremos trabalhar pela unidade, vamos ter de suportar que nos joguem na cara o que, no passado remoto e também recente, nós, católicos, fizemos de arrogante, injusto e antievangélico. Ser humilde e aceitar essa situação faz parte de sua vocação ecumênica. Não deixe cair a profecia!”

QUE SE APRESENTE CADA VEZ MAIS NÍTIDO, NA AMÉRICA LATINA, O ROSTO DE UMA IGREJA AUTENTICAMENTE POBRE, MISSIONÁRIA E PASCAL, DESLIGADA DE TODO O PODER TEMPORAL E CORAJOSAMENTE COMPROMETIDA NA LIBERTAÇÃO DE TODO O SER HUMANO E DE TODA A HUMANIDADE.

Espero que tenha gostado de conhecer um pouco mais desse profeta, que tantas heranças deixa para nossos dias. Agora é com você. Na medida do possível, vá assumindo em sua vida os traços mais belos dos testemunhos dos homens e mulheres que, ao longo de suas vidas, buscaram ser reflexo de Cristo para seus contextos históricos. Que Maria de Nazaré, aquela que tudo guardava e meditava no coração, te ajude nesse caminho.

 

Rodrigo Staudemeier Gonçalves

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA ASSEMBLÉIA DIOCESANA!

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ADPJ

“O que a memória amou, eternizou” (Adélia Prado)

A Assembleia Diocesana é um espaço de escuta e partilha daqueles que em comum, tem um compromisso firmado com a JUVENTUDE. Participar é oportunidade de dividir as alegrias e as dificuldades, construindo uma Igreja mais acolhedora e fraterna, mas acima de tudo é dialogar com aquele que é “diferente”, como Jesus demonstrou junto da samaritana no poço de Jacó (Jo 4, 5-42). Venha fazer parte desse momento! Clique aqui.

 

Local: Creche Ancilla Domini. Rua Padre Visconte, 12 – Embaré, Santos.

Início: 19h do dia 16 de fevereiro.

Término: Previsão para encerrar após o almoço de domingo, dia 18 de fevereiro.

Inscrição: R$50,00

As 5 Heranças de Dom Helder para as dimensões intrapessoal e interpessoal

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Marcelo Barros explora também a maneira como Dom Helder trabalhava a relação consigo mesmo e com os outros. Esse conjunto de características pode ser resumida em 5 heranças:

(Esse texto é a segunda parte de um conjunto de heranças deixadas pelo profeta Dom Helder, e eu recomendo que você leia a primeira lista aqui).

1- A primeira herança dessa lista se refere ao modo como Dom Helder valorizava o convívio e a amizade como espaço de florescimento de relações, assim como valorizava cada pessoa na articulação de bons trabalhos pastorais.

Marcelo confessa: “Houve uma época em que, cada sermão importante, ele preparava consultando amigos e pessoas que o ajudavam. Sempre me impressionou nele sua capacidade de trabalhar em equipe e como valorizava a participação e contribuição de cada auxiliar. Tinha uma capacidade imensa de reunir para o projeto que propunha pessoas extraordinárias, de incrível capacidade, talentos muito diversificados e que aceitavam colaborar em condições pobres e quase como voluntárias”. E relembra uma resposta de Dom Helder a um grupo de jovens: “Eu quero estar junto de vocês. Antes de lhes dizer qualquer coisa e lhes dar alguma mensagem, quero ouvi-los, compreendê-los. Aceitar cada um, cada uma, com seus pensamentos, sua forma de viver e de agir”.

AS PESSOAS TE PESAM? NÃO AS CARREGUES NOS OMBROS! LEVA-AS NO CORAÇÃO!

2- Outra herança deixada pelo Dom é a de uma humilde e sincera luta interna para resistir à vaidade, ao poder e prestígio.

Marcelo afirma até que o Dom “estava sempre insatisfeito consigo mesmo. Ao mesmo tempo, era também sinal de que, interiormente, ele construía uma profunda humildade que cultivava e aprofundava quanto mais fama e sucesso conseguia”. Também conta que ele “gostava de se comparar com o burrinho que carregara Jesus na entrada de Jerusalém. Certamente, foi essa humildade que o levou a sempre perdoar as pessoas que o magoavam”.

Numa das cartas aos seus amigos íntimos, após relatar elogios recebidos, Helder escreve: “Perdoem se entro em pormenores que podem dar a impressão de que estou entontecendo e acreditando no meu próprio valor. Considerando-me centro do mundo. Deus sabe que esse perigo – graças a Ele – não existe. Acho tão desproporcionado às minhas forças o que está ocorrendo, que nem tenho a tentação de achar que sou eu. É verdade que não me descuido: redobro de orações. A Vigília se prolonga até que tombo de sono e de cansaço”.

GOSTARIA DE SER APENAS UMA SIMPLES POÇA DE ÁGUA QUE REFLETISSE O CÉU.

3- A terceira herança que podemos perceber no testemunho do Dom é a de que devemos ser nós mesmos, fiéis a nossos sentimentos e princípios. Essa autenticidade também deve se manifestar na expressão artística e na liberdade para mudar.

Marcelo conta que “ele nunca quis ser rebelde, mas sempre ousou pensar por si mesmo e expressar o seu pensamento”. Também reconhece: “Era um dos homens de Igreja mais conhecidos e estimados no mundo. Bastava se cuidar um pouco e todos fariam o que ele propunha. Mas o preço era calar certas coisas e não manifestar até o fim o que pensava. Tinha de ser diplomático e não insistir em certos temas incômodos. Ele era incapaz disso”. banner3

Sobre a capacidade de mudança, Marcelo avalia: “Até então, ele acreditava sinceramente que poderia ajudar os pobres e conseguiria transformar o mundo a partir dos ricos e poderosos. Tratava-se de convencê-los da causa social e obter a importante contribuição deles. A partir de 1964, ele começou a descobrir que nunca conseguiria mudar as estruturas a partir dos ricos […] Essa mudança profunda em suas convicções teve também repercussão no seu modo de se relacionar com os irmãos de episcopado. Ele não se posicionava mais como um poderoso que amava os pobres, mas como um cristão que se fazia cada vez mais pobre e servidor junto com todos os oprimidos e pequeninos do mundo”. E complementa: “Essa liberdade pessoal vinha pelo fato de que ele fazia questão de só possuir o estritamente necessário. E não aceitava favores nem privilégios dos poderosos para se sentir bastante livre quando sentia necessidade de criticá-los”.

No campo da arte, cita o Dom: “Indispensável é que o/a artista seja de fato artista. Não dê a impressão de defender uma tese, o que abastardaria a obra de arte. Transmita uma mensagem que, de fato, se tenha tornado carne de sua carne, sangue do seu sangue”.

4- Mais uma herança que devemos trazer para a nossa vida se refere ao modo de acolher a todos que marcou a trajetória de Dom Helder, sempre aberto a aprender dos que pensavam diferente, e escutando atentamente a todos que o buscavam (e, de modo especial, os pobres).

Marcelo diz que, para Helder, “acolher e ouvir o outro fazia parte do processo espiritual e de formar sua interioridade. Uma vez, ao chegar de um dos seus trajetos a pé, pelas ruas do Recife, escreveu um verso que contém sua reflexão sobre a interioridade aberta ao outro e sua opção de vida de ser sempre aberto. O título é sugestivo: ‘Para sempre, recebe sempre…’. O poema tem apenas um verso e diz assim: ‘Passam veículos, apressados, sem parar, usando o letreiro que jamais devo usar: lotado’”. Cita outro poema do Dom, que diz: “Se és sincero e buscas a verdade e tentas encontrá-la como podes, ganharei tendo a honestidade e a modéstia de completar com o teu, o meu pensamento, de corrigir enganos, de aprofundar a visão…”.

Marcelo ainda avalia: “Para Dom Helder, o outro era a pessoa concreta que batia em sua porta, e ele deixava tudo para atender e era também o outro como grupo ou comunidade e mesmo povo diferente ao qual ele se punha em diálogo”. Isso pode ser notado em uma carta que Dom Helder dirige a um amigo seu: “Cada vez que levo uma pessoa até a porta e volto com outra, quero atender a essa nova pessoa com a mesma atenção, quero ouvi-la, mesmo que já esteja cansado, quero tratar a cada um como se não tivesse mais nada a fazer, como se tudo fosse apenas aquela criatura. Então, enquanto vou trazendo aquela pessoa, eu brinco com o Cristo. Vou dizendo: ‘Cristo, não te apagues tanto dentro de mim! Vê pelos meus olhos, escuta pelos meus ouvidos! Toda a atenção, Cristo! Olha pelos meus olhos, escuta bem o que essa pessoa vai dizer e, se possível, fala pelos meus lábios!’ Então, o que é que acontece? Eu brinco com o Cristo. No fim do dia, quem está cansado é Ele”.

SE DISCORDAS DE MIM, TU ME ENRIQUECES.

5- A última herança dessa lista já pode ser percebida nas linhas acima, pois trata do necessário esforço para vencer a preguiça, o egoísmo, o comodismo, fazendo tudo com amor e dedicação.

Para demonstrar isso, Marcelo cita várias poesias do Dom: “Estás cercado de ti por todos os lados. Para te livrares de ti mesmo, lança uma ponte por cima do abismo de solidão que o teu egoísmo criou. Trata de ver, além de ti. Busca ouvir alguém e, sobretudo, tenta o esforço de amar, ao invés de simplesmente amar”; “Ultrapassa-te a ti mesmo, a cada dia, a cada instante… Não por vaidade, mas para corresponderes à obrigação sagrada de contribuir sempre mais e sempre melhor, para a construção do mundo”; “Põe alma em tudo. Quando vires um trabalho bem acabado, uma obra feita com amor, com alma, louva Aquele que fez tudo bem e pede ao Pai que nada faças a meio ou não importa como”; “Bendito sejas, Pai, pela sede que despertas em nós, pelos planos arrojados que nos insiras, pela chama que és Tu mesmo crepitando em nós… Que importa que a sede fique e m grande parte insatisfeita? (Ai dos saciados!) Que importa que os planos fiquem mais no desejo do que na realidade? Quem sabe mais do que Tu que o êxito independe de nós, e só nos pedes o máximo de entrega e boa vontade?”; “Ama sem medir, sem calcular. Amor que exige amor, amor com dosagem, com cálculo, com restrições, com medo pode ser tudo, menos amor”.

DAS BARREIRAS A ROMPER, A QUE MAIS CUSTA E A QUE MAIS IMPORTA É, SEM DÚVIDA, A DA MEDIOCRIDADE.

Essa maneira de lidar consigo e com o próximo foi uma constante na vida do Dom, resultado de muito esforço e abertura. Mas ainda resta abordar algumas heranças. Até a próxima!

 

Rodrigo Staudemeier Gonçalves

As 5 Heranças de Dom Helder para a dimensão espiritual

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Marcelo Barros revela que o contato com Dom Helder o fez perceber a possibilidade de explorar melhor as dimensões da espiritualidade, de modo que, ao ler seu livro “Dom Helder – Profeta para os nossos dias”, é possível notar um conjunto de 5 grandes heranças:

(Este texto faz parte de uma sequência que se inicia aqui. Caso você ainda não tenha lido essa introdução, recomendo que o faça para melhor compreender o que segue).

1- A primeira herança deixada por Helder é a de que não é apenas possível, mas necessário, viver uma espiritualidade encarnada, que faça uma síntese entre a devoção e a atuação política.

Marcelo confessa: “No mosteiro, me ensinavam que o essencial era o espírito e que a vocação do monge não era o social. Mas eu não concordava com aquele ensino. À medida que fui entrando em contato com Dom Helder, fui descobrindo que se pode viver a fé e a mais profunda espiritualidade a partir da opção social de solidariedade aos oprimidos do mundo e, mais ainda, da comunhão amorosa com eles, indo até o ponto de tornar-se um deles”. Também afirma que o Dom “sempre procurava ligar essa mística do Cristo na eucaristia à profunda convicção da presença divina nas pessoas pobres e marginalizadas. Sofria quando percebia que os cristãos dividiam as coisas”.

Por fim, cita Helder: “A esperança na vitória e a confiança em perseverar no caminho nunca poderão vir apenas de uma análise da realidade. Elas vêm da nossa fé no amor divino presente no mundo e atuando nas pessoas” e conclui: “Não desligue sua ação solidária e o seu engajamento por um mundo novo de uma busca interior pelo sentido mais profundo da vida, uma busca de unificação interior e de como viver a energia melhor que você tem dentro de si mesmo/a”.

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2- A segunda herança é a de uma espiritualidade contemplativa, que se permite o encanto com a criação divina, com o mundo e as pessoas.

Marcelo conta sobre o dia em que Dom Helder lhe apresentava o jardim da Igreja das Fronteiras, onde o arcebispo foi morar: “Ontem à noite, tentei conversar com a formiga que achei que era a general aí desse exército. Fiz com ela um pacto. Deixo que devorem aquela pequena bananeira que nasceu deslocada ali no fundo, mas, por favor, respeitem a fragilidade da roseira. Hoje, pela manhã, orei aqui o Cântico das Criaturas e nele incluí as formigas para convencê-las a serem pacíficas. Será que vão me atender?” e avalia: “Quando criança, brinquei muito com formigas, mas nunca imaginei ligar isso à espiritualidade. Penso que essa relação franciscana com todas as criaturas foi uma constante na vida do Dom”.

Marcelo percebe também que “a relação com a natureza e com as plantas e animais nos humanizam e nos garantem um bom equilíbrio emocional, mesmo quando enfrentamos desafios difíceis e exigentes” e finaliza: “Podemos dizer que o cuidado coma natureza é uma das heranças de Dom Helder para a humanidade atual. Ele insistia que as soluções políticas e técnicas são importantes para restituir à natureza a integridade que a técnica moderna tinha roubado. Entretanto, não bastavam esses recursos científicos. O Dom estava convencido de que a base do cuidado com a natureza tinha de ser uma espiritualidade que criasse uma nova cultura de amor e veneração do ser humano pela vida e pelas condições de todo ser vivo”.

HOJE ME PERGUNTARAM SE EXISTE UM CÉU PARA OS PÁSSAROS E PARA AS FLORES… PÁSSAROS E FLORES PODERIAM PERGUNTAR SE É POSSÍVEL UM CÉU SEM ELES…

3- Outra herança deixada pelo Dom é a de que devemos ser pessoas esperançosas e otimistas, com uma fé profunda no “impossível”, que ousam sonhar, planejar e articular grandes projetos.

Mais que fazer reflexões e análises, Marcelo cita o próprio Dom: “Esperança sem risco não é esperança. Esperança é crer na aventura do Amor, jogar nos homens, pular no escuro confiando em Deus”; “Sonha, sem medo, sem limites, sem censura, e põe teus sonhos a serviço da monotonia cotidiana, da mesmice cansativa, da eterna fragilidade, da mediocridade humana”; “O segredo de ser sempre jovem – mesmo quando os anos passam, deixando marcas no corpo – o segredo da perene juventude da alma é ter uma causa a que dedicar a vida” e “Quando se fala em causa a que dedicar a vida é óbvio que é preciso distinguir entre causa e causa. Abraçar uma grande causa, ser-lhe fiel, sacrificar-se por ela, é importante como acertar na escolha da vocação”.

PODES RIR, GARGALHAR, VENDO-ME ÀS VOLTAS COM O INFINITO, QUERENDO CARREGÁ-LO QUANDO O INFINITO ME ESMAGA E NEM TENHO FORÇA PARA ERGUÊ-LO… NEM IMAGINAS QUEM DENTRO DE MIM ULTRAPASSA OS LIMITES, ROMPE AS BARREIRAS, ATINGE AS DIMENSÕES DE DEUS.

4- A quarta herança que podemos extrair da espiritualidade de Dom Helder é o seu exemplo de muitas horas de vigílias e o cultivo do silêncio, da interioridade e intimidade com Deus. Essa interioridade, longe de ser individualista, se abria para o mundo inteiro e todos os seres vivos.

Marcelo alerta: “Às vezes, a intimidade parece oposta à abertura ao coletivo. Em toda sua vida, Dom Helder provou que conseguia harmonizar bem o gosto pelas relações humanas, especialmente, o frequentar as multidões com um profundo e constante cultivo da espiritualidade” e traz o alerta de Helder: “Aprende que não basta calar para atingires o silêncio… Enquanto os cuidados te agitam, ainda não penetraste na área do grande silêncio. E aí, somente aí, se escuta a voz de Deus”.

Sobre as vigílias, Marcelo conta: “Não sei desde quando, Dom Helder tinha o hábito de, a cada noite, levantar às duas e meia da madrugada para orar, refletir e fazer vigílias. Quando o Dom falava em vigílias, eu, monge beneditino, imaginava que ele ia à capela, orava salmos e meditava o Evangelho. De fato, ele fazia isso também. Mas o eixo principal da Vigília era um profundo encontro consigo mesmo. Uma vez, escutei-o dizer que a madrugada era o tempo que ele reservava para si mesmo como condição para o encontro com Deus” e deixa que o Dom conte também: “Durante a minha vigília, procuro reconstruir a unidade em Cristo. Com ele, revivo os encontros do dia anterior. Reencontro aquela mãe de família que me falou dos seus problemas com o marido, com os filhos, ou me fez saber da fome em sua casa. Através dessa senhora que conheço pelo nome ou do trabalhador que hesitava em me dar as mãos porque as tinha sujas no trabalho, através desses irmãos alimento a comunhão com todos os empobrecidos da humanidade e oro ao meu Senhor”.

VEM, SENHOR, VEM! NÃO TE PEÇO A VINDA À TERRA, ONDE CHEGAS EM CADA MISSA, ONDE ESTÁS EM CADA SACRÁRIO, ONDE VIVES EM CADA POBRE… NÃO TE PEÇO A VINDA A MIM, POIS, DESDE O BATISMO SOMOS UM. A VINDA QUE TE PEÇO HOJE É A TUA VINDA À TONA DE MEUS OLHOS, DE MEUS OUVIDOS, DE MEUS LÁBIOS, DE MINHAS MÃOS… VÊ ATRAVÉS DE MIM, ESCUTA COMIGO, FALA PELOS MEUS LÁBIOS, AGE POR MINHAS MÃOS!

5- A quinta herança para a dimensão espiritual que o Dom nos deixa é a de uma intensa proximidade com os sacramentos e com a Palavra. Esse esforço por conhecer e sentir cada vez melhor as Escrituras e as experiências eucarísticas devem fazer parte da nossa luta por uma comunhão interior e exterior.

Marcelo relata que Dom Helder lia e citava permanentemente a Bíblia, e “gostava de ler para orar e pra aprender. Ele se considerava servo dessa palavra, vivia em função dela. Organizava sua vida de forma a proferi-la oralmente, mas também através dos braços, das mãos e de todo o corpo… Ele tinha consciência de que essa palavra não lhe pertencia. Vinha do Espírito e tudo o que lhe competia era ser fiel. Desde que o conheci, descobri que, para ele, o mais importante não era sua capacidade de falar e sim de escutar. Era uma pessoa que primeiramente escutava para poder proclamar o que ouvia”. Conclui dizendo: “A coerência que se deve esperar de um profeta não é a perfeição moral ou humana para então dizer a palavra, mas o fato de sentir que nele ou nela a palavra se fez carne… E, mesmo com suas fraquezas, ele se compromete a viver o que prega, antes mesmo de pedir aos outros que o vivam”.

QUE TODA PALAVRA NASÇA DA AÇÃO E DA MEDITAÇÃO. SEM AÇÃO OU TENDÊNCIA À AÇÃO, ELA SERÁ APENAS TEORIA QUE SE JUNTARÁ AO EXCESSO DE TEORIA QUE ESTÁ LEVANDO OS JOVENS AO DESESPERO. SE ELA É APENAS AÇÃO SEM MEDITAÇÃO, ELA ACABARÁ NO ATIVISMO SEM FUNDAMENTO, SEM CONTEÚDO, SEM FORÇA… PRESTA HONRAS AO VERBO ETERNO, SERVINDO-TE DA PALAVRA, DE FORMA A RECRIAR O MUNDO.

Confesso que me sinto muito desafiado pelas palavras e testemunhos deste servo de Deus. Mas as heranças continuam em próximas publicações. Até mais!

 

Rodrigo Staudemeier Gonçalves.

As heranças do servo de Deus Dom Helder

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No mesmo dia em que Dom Helder Pessoa Câmara era nomeado patrono brasileiro dos direitos humanos, eu terminava de ler o livro “Dom Helder – Profeta para os nossos dias”, do monge beneditino Marcelo Barros. O autor colaborou com o arcebispo de Olinda e Recife durante muitos anos, e manteve algum nível de convívio próximo mesmo depois deste deixar seu ministério por motivo de idade avançada.

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O livro não se trata de uma biografia, mas de relatos sobre esse convívio, iluminados por reflexões sobre como o testemunho profético do “Dom” (modo como Marcelo se refere a Helder) pode trazer muitas heranças para nossos dias. Sem o rigor histórico e através de um diálogo agradável com o leitor, o autor vai revelando seu fascínio e admiração pelo bispo da paz. Mostra que, mesmo por vezes não compreendendo o Dom ou concordando com suas posturas, se via obrigado a render-se diante da coerência, do amor e da profecia que aquele homem franzino revelava.

Foi esse mesmo encanto pelo Santo rebelde que me moveu a escrever essas linhas, no esforço de manter viva a memória deste homem que foi e é grande inspiração para toda a humanidade, e, em especial, para nossa pastoral. Para tentar abordar todas as heranças do Dom, sintetizei-as em 15 itens, que irei explorar em três publicações aqui no blog, cada uma mais ligada a alguma(s) dimensão(ões) da formação integral .Bom lembrar que essa divisão é complexa, pois as dimensões sempre estão interligadas, mais ainda na pessoa de Dom Helder.

Sobre isso afirma o teólogo José Comblin no prefácio do livro: “Pois o que sempre surpreendia em Dom Helder era a multiplicidade das suas atividades e a diversidade da sua personalidade. Dom Helder era tudo, era a unidade dos contrários. Era profundamente místico e profundamente político. Unia perfeitamente contemplação e ação […] Ao mesmo tempo, era eminentemente prático, organizador […] O Dom era poeta, com um temperamento artístico refinado, sempre encantado pelos bons artistas. Mas ele tinha um sentido vivo da realidade”.

Do mesmo modo, complementa falando de sua postura humilde, livre e amorosa: “O ‘Dom’ era de uma extrema simplicidade, o que lhe permitia conversar com os pobres com a maior familiaridade, falando a mesma linguagem deles. Ao mesmo tempo, ele não estava nunca intimidado quando se encontrava com os grandes. Conservava sua liberdade de palavra. Tratava a todos com cortesia e delicadeza, mas sem nunca ceder à bajulação”.

Enquanto aguardamos o processo de reconhecimento dos méritos de Dom Helder, para que ele possa ser elevado aos altares, elevamos nós as nossas preces, mãos e corações ao Deus da vida. Que Ele nos ajude a aprender do testemunho deste santo dos nossos dias, assumindo em nossas vidas as heranças por ele deixadas. Amém.

 

Rodrigo Staudemeier Gonçalves

O futuro do nosso bioma será tema do DNJ 2017

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Em todo o Brasil a Igreja celebra o Dia Nacional da Juventude, uma data de muita festa e partilha dos jovens, que vivem de espalhar Esperança nas Galiléias Juvenis do nosso continente Latino, especialmente nas mais vulneráveis e periféricas. Em nossa Diocese, ocorrerá na Paróquia Nossa Senhora das Graças, Praia Grande, dia 11/nov (sábado), com Oficinas Culturais, Capoeira, Dança, Roda de Debate e muita animação. Seu início é a partir dàs 13h e o encerramento se dará com a Missa, às 19h. O DNJ 2017 tem como tema “Juventudes em defesa da vida dos Povos e da Mãe-terra” e o lema é a reflexão bíblica  “Os humildes herdarão a terra” (Salmo 37,11). É pensando nessa temática que abordaremos uma importante discussão da nossa região… 

 Por: André Staudemeier/Pastoral da Ecologia

Este ano a Campanha da Fraternidade focou sua reflexão na Criação, adotando a divisão natural dos biomas para que os fiéis pudessem identificar e conhecer a natureza na sua região, pois só se ama e se cuida do que se conhece.

A nossa diocese de Santos abrange a região da Baixada Santista, que tem uma das maiores áreas preservadas do bioma Mata Atlântica no país, o qual sofre degradação crescente pela expansão urbana e de infraestrutura portuária e industrial.

Atualmente existe um projeto de geração de energia que busca licença ambiental para se instalar na região, próxima de uma área urbana de Peruíbe, município da nossa diocese que possui mais da metade da sua natureza preservada.

peruíbe

A área costeira desse município já foi devastada pelo turismo de segunda residência, casas que ficam vazias a maior parte do ano só recebendo seus proprietários em feriados, fins de semana e férias. Agora a expansão se volta para o interior, como é o caso desse projeto, que compreende uma usina termelétrica a gás natural (que transforma o gás em energia elétrica), além de um terminal (uma estrutura no mar) para receber navios com o gás natural, gasodutos terrestres e marítimos para transportá-lo, e linhas de transmissão de energia elétrica.

Esse empreendimento trará impactos sociais, econômicos e ambientais, positivos ou negativos, em várias cidades da Diocese. Quantos empregos ele vai gerar no curto e no longo prazo? Como ele vai ajudar a desenvolver a baixada santista? Quanto haverá de poluição do ar e desmatamento? E o futuro do nosso litoral, como sofrerá com as mudanças climáticas e geográficas decorrentes do efeito estufa? O que podemos esperar de bom e de ruim, se ele se concretizar? Investir em métodos alternativos não seria mais sustentável, pensando no cuidado com a casa comum?

A Pastoral da Ecologia de nossa diocese já lançou uma Nota Oficial a respeito desse projeto, que foi inclusive publicada na edição de agosto do Presença Diocesana.

Você, jovem, talvez seja o que mais sentirá esses impactos, caso o projeto seja aprovado. E a oportunidade de se conscientizar e tomar posição sobre o assunto é uma das propostas do Dia Nacional da Juventude, que vai acontecer dia 11 de novembro, em Praia Grande.