“(…)Jesus convida, conta contigo
Mas é preciso ter coragem pra vencer
Coração livre, comprometido
Partilha tudo sem ter medo de perder”

Jorge Trevisol

rodA PJ se dá através do jovem, que tem a responsabilidade de descobrir, assimilar e comprometer-se com a pessoa de Jesus, evangelizando e levando outros jovens a seguir o mesmo caminho. É ele o protagonista de sua história, construtor de um mundo novo. Entretanto, muitas vezes ele treme diante da grande responsabilidade que lhe foi confiada por Deus e vacila, tomado pela insegurança. E um dos primeiros e mais marcantes obstáculos vivenciados na base se dá na simples realização de um encontro, pois é nele que vive o desafio de romper com a timidez diante de desconhecidos.

Não exagero. Um encontro bem dado é o que existe de mais importante na Pastoral da Juventude. É ele quem é capaz de tocar o coração, levar o amor, curar as feridas. É ele quem causa a primeira impressão, e é ela quem fica. Um encontro bem aplicado, pode mudar a vida de uma pessoa para sempre. Inspira vocações, conscientiza, chama para luta em favor de direitos e justiça.

Pensando nisso, nossa equipe elaborou algumas dicas para a elaboração de um bom encontro. Não se trata de receita pronta – até por não existir. As possibilidades são infinitas e a estruturação, varia conforme o propósito. Mas esperamos que de alguma forma ajude na caminhada.

PLANEJAMENTO É FUNDAMENTAL NA ESCOLHA DO TEMA

Um grupo de base que se preze tem por dever saber onde se quer chegar. Esteja ele em fase de nucleação ou mais maduro, deve se ter compromisso com a capacitação dos jovens, traçando assim, uma sequência de encontros ao longo do ano (pronto para mudar em caso de eventuais imprevistos, claro) que contribuam com o processo de educação na Fé e abranjam todas as dimensões. Não se pode cair na tentação do improviso, na escolha de um tema as vésperas da realização de um encontro. A escolha do tema abordado é parte essencial da evangelização.

PREPARAÇÃO

A partir do tema, a equipe que prepara o encontro deve se reunir com antecedência para sua elaboração. Algumas pessoas tratam as atividades pastorais na Igreja como se estivessem no trabalho. Apesar das responsabilidades e cobranças que por vezes se assemelham, isso é um equívoco. O ambiente pastoral deve ser fraterno e toda reunião deve se iniciar com uma oração.

Os encontros costumam ser divididos em quatro momentos: Dinâmica de Grupo, Reflexão, Partilha e Oração/Mística, não sendo necessariamente nessa ordem e variando conforme a realidade de cada comunidade e a pretensão de quem preparou, podendo a Oração trocar de lugar com a Dinâmica, etc. O que não muda, é necessidade de ter começo, meio e fim. Para tanto, a Igreja dispõe de uma metodologia que deve sempre guiar qualquer preparação: o VER, JULGAR e AGIR.

VER – Tomar consciência da realidade.

JULGAR – Confrontar a realidade com o Evangelho.

AGIR – Realizar uma ação transformadora.

Conduzir o jovem ao longo do encontro utilizando essa metodologia já é um grande passo para garantia de sua eficácia formativa. Nunca é demais lembrar que, os que preparam o encontro devem levar em conta o público: quantidade de pessoas, idade, tempo de caminhada, comunidade, etc, pois o que dá certo em um grupo da periferia nem sempre se repete com jovens da área nobre. Afinal, juventudes diferentes pedem jeitos diferentes de se falar e fazer Igreja. Outra questão é o cronograma do encontro: cada momento deve ter uma estimativa de tempo, levando em conta que o encontro como um todo não deve durar mais que duas horas.

LOCAL

A PJ prioriza demais uma boa recepção e a criação de um ambiente aconchegante para a realização do encontro. Aconselha-se a equipe chegar pelo menos trinta minutos antes para organizar o espaço, especialmente se houver uso de mídia ou banda. Outra priorização da PJ: o círculo. Seja com os jovens sentados na cadeira ou no chão, os encontros devem ser realizados em círculo, na ideia que todos possam se olhar nos olhos e ter direito igual a voz quando quiser falar. Pois diferentemente de outros movimentos, os encontros não se dão no formato de pregação ou palestra: a proposta é que o jovem reflita e dialogue sobre o assunto, pois dessa forma ele desenvolve senso crítico e amadurece.

A criação de um espaço celebrativo caprichado também é essencial. Dentro da roda, seja com tapetes, panos coloridos ao chão, velas, mesa ao centro com imagem sacra ou bíblia, um espaço bem elaborado da outra cara. Leva o jovem a oração e cria um outro clima de conforto.

PASSO A PASSO: DINÂMICA

show5Dinâmica de grupo é toda atividade que se desenvolve com um grupo e tem por objetivo integrar, desinibir, divertir, refletir, aprender, apresentar e promover o conhecimento entre as pessoas. Trabalhar em equipe é crucial para uma pastoral da Igreja dita “Corpo Místico de Cristo” (I Cor 12, 27-31) e no encontro serve para conscientizar o jovem, principalmente aqueles que por vezes se encontram sem rumo, de que são essenciais na caminhada. É ela também o momento mais aguardado nos grupos mais novos, o que deve causar um cuidado redobrado.

As dinâmicas de grupos, realizadas por meio de jogos, podem atuar de diversas maneiras para o desenvolvimento de equipes, dado o seu aspecto lúdico, criativo e espontâneo, visando mudanças comportamentais que possam favorecer o desempenho individual e grupal.

Os jogos são excelentes mecanismos utilizados na transmissão e fixação da aprendizagem. Também levam o indivíduo a soltar-se, liberar sua espontaneidade e criatividade. Entre os inúmeros jogos utilizados nas dinâmicas de grupo, os quebra-gelos são muito utilizados para diminuir o campo de tensão, produzindo um campo relaxado, favorecendo a ampliação de respostas que permitem, também, que o indivíduo alcance outras formas de solução dos conflitos. Ao vivenciar, no jogo, um pouco da realidade de cada um, há uma reflexão ou percepção do modo de agir e interagir entre os participantes, abrindo, assim, a possibilidade de mudá-los.

Finalidades dos jogos:

Os jogos são de caráter experimental. São baseados na ação e proporcionam às pessoas a chance de colocar em prática suas habilidades, sem o risco de consequências realmente danosas; afinal, tudo é simulação.

– Gerar e propiciar aprendizagem.
– Fazer com que todos os participantes interajam, embora alguns não se envolvam – prefiram ficar no anonimato.
– Levar o indivíduo a soltar-se, liberar sua espontaneidade e criatividade.
– É um meio de desentorpecer o corpo e a mente dos condicionamentos da vida atual.
– Ampliar o campo de respostas do indivíduo.
– Experimentar novos comportamentos de forma protegida (simulação).
– Definir, com clareza, os comportamentos e o que se quer (missão, visão, valores, regras, regras de conduta);
– Levar à competição, mesmo que não se precise fazer a contagem de pontos.

Vantagem do trabalho em conjunto:

– Aproveitamento dos talentos de cada um;
– Maior criatividade ao serviço do projeto;
– Motivação para atingir objetivos;
– Descentralização de poder que resulta em maior responsabilidade individual;
– Rapidez na concretização e maior produtividade;
– Possibilidade de trocas de experiências e papéis;
– Complementar funções;
– Novas abordagens e soluções para velhos problemas;
– Gosto pelas tarefas a serem realizadas.

Para o trabalho com dinâmica ter um desenvolvimento pleno, é recomendável que se avalie a quantidade de pessoas para uma respectiva dinâmica. Em grupos numerosos, as vezes é necessário a divisão em subgrupos para um melhor aproveitamento. Hoje em dia, pode-se encontrar uma grande quantidade de dinâmicas disponíveis na Web. Para ter acesso as nossas sugestões, basta acessar o link. Após a aplicação da dinâmica, ela deve ser explicada e contextualizada aos jovens.

REFLEXÃO E PARTILHA

gesacA reflexão é a “espinha dorsal” do encontro. É ela o conteúdo formativo que aponta o tema e da base. Seja uma leitura bíblica, documento da Igreja, texto retirado da internet, filme ou música, deve ser rica. Os grupos de jovem hoje, quaisquer que seja o movimento, carecem de formação e vivem mergulhados na futilidade. Ao mesmo tempo, deve se tomar cuidado e optar por uma reflexão que corresponda a etapa que aquele grupo vive. Outra questão, é quanto a grupos grandes: as vezes é mais proveitoso dividi-los em subgrupos, visando a qualidade do debate e até dando um maior dinamismo.

Entretanto, de nada adianta se a partilha, que vem logo a seguir, não for devidamente bem conduzida. É ela, provavelmente, o momento mais negligenciado em um encontro de PJ pelas pessoas que o aplicam. Por ser subestimada, é organizada de última hora, isso quando não é feita no mais absoluto improviso, comprometendo toda absorção do conteúdo. Seguem alguns apontamentos para o sucesso de uma boa partilha:

Dominar o tema. O jovem que fica responsável por esse momento tem o dever de ler e se aprofundar no assunto abordado. Muitas vezes, a pessoa responsável não prepara a partilha e, após o término da reflexão, pergunta: “O que vocês entenderam da passagem?” sem fazer qualquer introdução. Pouquíssimas leem nos dias atuais, quanto mais a Bíblia e os temas ligados à Igreja. É necessário que se quebre esse paradigma, pois só buscando a capacitação é que nos tornamos lideranças plenas;

Não torna-la uma pregação. Partilha não é monólogo ou qualquer coisa assim, afinal, o nome já diz. Muitas vezes, a liderança, especialmente as de perfil ditatorial ou paternalista, usam o momento para desfilar sua boa (ou não tão boa) oratória, fugindo do propósito. A PJ trabalha com partilha justamente pelo fato do jovem sempre ouvir e nunca ser ouvido. Uma fala muito extensa de quem conduz, além de tornar o encontro pesado, frustra qualquer possibilidade de debate, na maioria dos casos;

Conduzir bem e fazer perguntas que instiguem. Em um grupo mais novo, as pessoas são mais tímidas e demoram a se manifestar. Isso faz com que seja necessário possuir cartas na manga, pois nem sempre as pessoas terão “aquela empolgação” para debater uma passagem de Levítico, ainda mais quando se fala de adolescentes. É preciso que o responsável pela partilha faça uma breve SÍNTESE da reflexão, “linkando-a” com a proposta do encontro, elaborando perguntas que os levem a interagir.

Valorizar as contribuições. É fundamental que as falas dos outros jovens sejam aproveitadas pelo condutor, que deve usa-las como gancho para novos aprofundamentos ao longo do debate. Muitas vezes, a partilha não atinge o objetivo previsto ou dura muito pouco, por conta do condutor não saber explorar as intervenções. É necessário utiliza-las e, até quem sabe, fazer o “fechamento” de toda discussão. Essa sim é a partilha perfeita.

ORAÇÃO | MÍSTICA

MarianaA Pastoral da Juventude tem espiritualidade bem definida, e os momentos de oração carregam influência dos mais variados movimentos (como a comunidade Taizé e seus cantos) e congregações (principalmente a jesuíta), além de exercícios espirituais milenares, como a Leitura Orante e o Ofício Divino da Juventude, que nada mais é do que uma edição jovem da tradicional “Liturgia das Horas”.

Muitos dizem que a PJ “não reza”, o que é um equívoco. Em primeiro lugar, dizer que a pastoral não reza por se diferenciar dos movimentos de caráter pentecostal, demonstra arrogância e acarreta em desmerecer os dois mil anos de espiritualidade da Igreja, onde uma infinidade de métodos de oração se desenvolveu. Na verdade, o que existe é a distância entre a proposta da PJ com o que o cristão de um modo geral tem procurado ao ir à Igreja: pedidos egoístas e curas milagrosas. É o que a CNBB apontou com preocupação no DGAE 2011-2015(“Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora”) chamando de “fé emocionalista e individualista” que atrapalha a evangelização. A mística da PJ não só existe como leva muita gente a se apaixonar.

PREPARO

A mística é um momento do encontro, mas o carinho deve ser redobrado, quase como se fosse um “encontro dentro do encontro”. Não se aconselha que seja muito longa, pois algumas lideranças querem tanto reforçar a importância dos momentos de oração que o efeito acaba sendo inverso e os jovens são levados à exaustão. De vinte a quinze minutos de duração é o ideal. Para realização de uma mística eficiente, que leve o jovem ao encontro com o Sagrado, é necessário alguns cuidados essenciais:

  • Ambiente. O espaço celebrativo preparado para o encontro deve dialogar diretamente com a ideia do momento de oração. A PJ dá grande valor aos símbolos. Pode se usar uma cruz feita de galhos secos ao se falar de Missão, uma imagem de Nossa Senhora em um momento mariano, jornais pelo chão quando a Mística se refere a problemas atuais, enfim;
  • Começo, meio e fim. Da mesma forma que o encontro, a Mística também deve ser elaborada através do método VER-JULGAR-AGIR, contando com reflexão bíblica, breve partilha e conclusão, seja com uma música, gesto, etc. O responsável pela reflexão tem a tarefa de ler a passagem bíblica e conecta-la com a vida do jovem;
  • Silêncio. A vida é muito barulhenta e, para ouvir Deus, o jovem precisa acalmar o coração, o que nem sempre é fácil. Barulho, movimentos bruscos, voz alta, brincadeiras, tudo isso compromete a contemplação. O condutor deve valorizar e respeitar os sentidos dos jovens ao longo do momento e é isso talvez o mais difícil;

 A PJ valoriza mantras, salmos e refrãos meditativos, que bem cantados logo no início, ajuda a ganhar a atenção do jovem para todo o resto. A música e a arte também são ferramentas fundamentais. Muitos grupos não possuem músicos, mas graças a banda PJ e Raiz da Diocese de Guarulhos, uma boa parte de nossas músicas pastorais já estão gravadas hoje em dia. O teatro pode auxiliar na reflexão, carregando de simbolismos o momento místico.

Além dessas dicas que servem para a elaboração de uma mística própria, o pejoteiro também pode usar o ODJ para subsidiar seus momentos de oração, que possui uma esquematização própria. Outro exercício é a Leitura Orante, que auxilia no aprofundamento e valorização da palavra. A Mística é, de fato, o momento mais desafiador em um encontro, mas só a prática é que traz bagagem e amadurecimento.

Por fim, encerrando esse texto, nunca é demais lembrar que isso são apenas dicas. Quanto maior a criatividade, melhor. Afinal, jovem é aquele que independente de idade, jamais perde o medo de ousar. Abraços fraternos, até mais!

ROTEIROS PRONTOS

Tá sem criatividade para preparar um encontro? Faltam poucas horas para encontrar os jovens de seu grupo? Cansaste de “epo etata iê”?

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Rodrigo e Gines

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