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Pejotando: Ser Igreja até as últimas consequências

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E ela olhou nas suas anotações o nome de todos eles. Tinha ficado encantada com todos os relatos e sobre como toda aquela gente tinha dedicado a vida por uma causa. Mas ainda se assustava um pouco também. E, naquela noite, foi deitar pensando em cada um deles. Afinal, tudo era tão grandioso, tão importante, tão solene… Tão distante. Ela ali, no trabalho comunitário, todo fim de semana, na busca de vida, no convívio com outros jovens… E eles lá. Fazendo grandes coisas, sonhando grandes sonhos…
E de repente ela se pega andando numa rua estranha. Não parecia com nenhuma outra pela qual já caminhara. E então ela vê uma igreja e tem a forte vontade de entrar nela. Há poucas pessoas sentadas e no altar um bispo faz um discurso muito convicto. Dizia ele que “Ainda quando nos chamem de loucos, ainda quando nos chamem de subversivos, comunistas e todos os adjetivos que se dirigem a nós, sabemos que não fazemos nada mais do que anunciar o testemunho subersivo das bem-aventuranças,  que proclamam bem-aventurados os pobres, os sedentos de justiça, os que sofrem
Ela achou aquilo muito forte, mas o bispo continuava: “Uma igreja que não sofre perseguição, mas que desfruta privilégios e o apoio de coisas da terra – Tenham Medo! – não é a verdadeira igreja de Jesus Cristo.” E ainda continuava: “Para que servem belas estradas e aeroportos, belos edifícios e grandes palácios, se foram construídos com o sangue de pobres que jamais vão desfrutá-los?
Ela foi caminhando até o altar, mas aquela pregação havia acabado. Uma a uma as pessoas deixavam a igreja e ela pôde ver alguns rostos conhecidos. Uma mulher baixinha se reunia em círculo e conversava com outra de cabelos grisalhos e com outros dois homens, um de bigode e o outro de barbas e óculos.
A mulher baixinha dizia: “é melhor morrer na luta do que morrer de fome” ao que a mulher de cabelos brancos acrescentou: “Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar”. (Continue lendo aqui)
*Rogério Oliveira, autor do blog Pejotando

Eles pedem o voto em nome de Deus (e da Igreja)

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Os partidos que disputam a Prefeitura de São Paulo fazem planos para fechar acordos com o maior número possível de igrejas, embora ninguém saiba ao certo o peso do “voto religioso”. Líderes de PT, PSDB e PMDB afirmam que a aproximação busca tanto o apoio eleitoral quanto uma “política da boa vizinhança” que apare arestas do candidato.

Antes de outubro passado, limite para a filiação de candidatos, as legendas abriram espaço para que pastores disputem o cargo de vereador. Certas parcerias são firmadas “naturalmente”. Fernando Haddad contará com o tradicional apoio da esquerda católica ao PT;  já Gabriel Chalita (PMDB) é ligado à Renovação Carismática Católica.

Grande parte das conversas, porém, ficou para este ano. Com o cenário político indefinido, as igrejas mantêm distanciamento protocolar. “O pastor mantém a neutralidade o máximo que pode. Por que vai pedir voto antes da hora e correr o risco de alguém da congregação simpatizar com o adversário?”, diz o evangélico Carlos Apolinário, vereador pelo DEM.

Igrejas são cobiçadas porque o púlpito pode converter-se em palanque, com uma vantagem sobre comícios: os templos têm público cativo. As igrejas pentecostais representam apenas cerca de 11% da população da cidade, mas são muito procuradas.

Um atrativo dessas igrejas em São Paulo é a penetração na periferia, à qual muitos partidos não têm acesso. Para entrar lá, é mais fácil contar com um pastor, que já tem ascendência sobre os fiéis, do que mobilizar a militância. “Os pentecostais estão em regiões com nível de escolaridade menor, então é mais fácil construir um discurso”, diz Cesar Romero Jacob, cientista político da PUC-Rio. Isso não quer dizer, porém, que pastores consigam impor um “voto de cabresto religioso”.

PODER DE VETO – Para o sociólogo Antônio Flávio Pierucci, da USP, a maior influência das igrejas é o poder de veto. “Não existe voto religioso no sentido de um grupo votar em quem o pastor manda”, diz ele, “mas a religião pode levar o cidadão a não escolher determinado candidato que apoia bandeiras contrárias a sua fé”. Para ele, os temas municipais não são os que mobilizam os religiosos, como aborto e casamento gay.

Em 2010, a campanha presidencial foi marcada pelo debate sobre a legalização do aborto. José Serra (PSDB) ganhou apoio da ala conservadora do catolicismo e de igrejas evangélicas na disputa com Dilma Rousseff (PT). Siglas menores também apostam nas igrejas na eleição paulistana. É o caso do PSC, próximo da Assembleia de Deus, e do PRB, ligado à Igreja Universal, que lançou Celso Russomanno como pré-candidato a prefeito.

*Uirá Machado – Folha de São Paulo (16/01/12)

Record questiona verba pública destinada a evento católico

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Uma relação que podemos refletir em nossos grupos de jovens: fé, mídia e política. Confira abaixo a matéria.

Se a emissora é administrada por um bispo de uma igreja, conseguiria ser imparcial ao fazer uma matéria sobre outra igreja?
Se o jornal não procurou a assessoria da deputada sequer a da comissão organizadora, a matéria foi mesmo imparcial?
Se há tantos políticos que sempre destinam recursos às igrejas cristãs isso seria uma ameaça apenas contra a fé alheia?
Se o dinheiro público pertence ao povo, ele poderia ser investido em uma manifestação de fé de apenas um segmento?
Ou, se o dinheiro público pertence ao povo, ele poderia ser investido na manifestação de fé da juventude católica?
Qual sua opinião sobre o assunto?

Artista cria ‘Jesus Sarado’ para aproximar jovens da religião

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Jesus Cristo, herói do século XXI. A reinvenção de quem, para os cristãos, é o filho de Deus gerou um fenômeno artístico nos Estados Unidos. Com peitoral marcado, braços musculosos e atitude de vencedor, o Cristo chegou inclusive à capa do jornal ‘The New York Times’. ‘Um Chuck Norris de sandálias’, assim definiu-o a publicação.

O autor dos desenhos, o artista Stephen Sawyer, de 58 anos, criou o projeto Art4God para tentar aproximar os jovens da religião. ‘Todos somos evangelistas de alguma coisa’, disse Sawyer à BBC. ‘Sou o pregador do homem que viveu há 2 mil anos e continua sendo meu herói.’

O artista sustenta que a imagem de Jesus masculino e forte vem da Bíblia. ‘Dificilmente poderiam ter narrado cenas como o ataque de Jesus aos mercadores do templo se o protagonista da história fosse um fracote’, defende Sawyer. ‘Era um carpinteiro da classe trabalhadora. Com certeza o seu corpo era forte e musculoso, porque essa era a sua ferramenta de trabalho’. Através de livros, revistas e blogs, o desenhista, que vive em Kentucky, tem viajado os Estados Unidos alimentando o seu movimento.

Apesar do sucesso, as imagens foram questionadas por grupos de conservadores, para quem destacar o físico de Jesus relega o seu aspecto espiritual. ‘Fico feliz que se crie um movimento em torno disto. A ideia é deixar de lado nossos prejuízos e aceitar as crenças de todos a partir da tolerância’, responde o autor. ‘Não sei como Cristo era visto há 2 mil anos, nem me importa. Quero criar uma iconografia que seja relevante para hoje.’

*BBC