Na profética mística do Bem Viver

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Nunca fui do tipo que sai abraçando tudo que aparece sem olhar crítico. E pra eu dizer que sou fã de alguém ou de alguma coisa, é um custo. Minha personalidade mais “racional” nunca permitiu reações muito passionais, puramente instintivas.

Mas eis que, no final da adolescência, eu me inquietava mais com as injustiças e queria me engajar em algo prático, lutar por um mundo melhor; por outro lado, buscava inconscientemente algo que me transcendesse, que me falasse ao coração, me fizesse maravilhar com a vida e ter olhar poético. Eu precisava arriscar, fazer pelos outros um pouco do que fizeram por mim. Também precisava de algo espiritual que desse sustento a isso.

Daí eu conheci a PJ.

Logo nos primeiros eventos, me permiti ser tocado por essa mística libertadora, profética, que misturava fé e política de uma maneira quase mágica, corpórea, tão terrena e tão sublime. E de repente eu me via junto a pessoas com histórias e ideologias tão novas, que me sentia obrigado a questionar as crenças e dogmas que eu trazia até então.

Foi um misto de sensações: a de pertença, porque aquela pastoral era minha verdadeira identidade, a que eu buscava há tempos; a de novidade, porque também fui muito mudado por tudo o que ela me propôs e apresentou; a de paixão, finalmente, mesmo guardando sempre aquela saudável resistência crítica de não me jogar no escuro, sem calcular os riscos.

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E nesse último feriado de independência eu parti com a mochila cheia de incertezas (e com outras tantas certezas) para o 2º Encontro Nacional de Juventudes e Espiritualidade Libertadora. Lá pude experimentar novamente esse misto de belas sensações, mas de um modo mais intenso e radical, junto a pessoas de diferentes religiões, identidades de gênero, orientações sexuais, etnias, cores, ideologias… Foi desafiador, forte, profético, belo, incomodava e desacomodava.

Porque muitas vezes os que deveriam receber um olhar samaritano das igrejas cristãs são justamente aqueles que se sentem por elas afastados, condenados, perseguidos ou mesmo esquecidos. Eles e elas têm rosto: são os encarcerados e as encarceradas, favelados e faveladas, os diversos grupos LGBTI, os homens e as mulheres de religiões de matriz africana, os povos indígenas, aqueles e aquelas que aderem a ideologias contraditórias com nossos dogmas, os e as sem-terra e sem-teto, o povo de rua…  Por causa do medo de errar, de ofender a Deus, de pecar, corremos o risco de cair no perigoso farisaísmo e esquecermos o Evangelho que nos obriga ao encontro amoroso com essas gentes, nossos irmãos e irmãs.

A maior graça que pedi e alcancei do “Eterno Amor” foi a de acolher cada experiência de coração aberto: cada nova pessoa que conhecia, cada reencontro, roda de conversa, momento de espiritualidade, cada fala, posicionamento e reflexão. E, talvez pela primeira vez, entendi profundamente a radicalidade evangélica expressa nos versos de “Pão de Igualdade”:

21728753_232934380564714_3583314013135270428_o“É Jesus este pão de igualdade

Viemos pra comungar

Com a luta sofrida de um povo

Que quer ter voz, ter vez, lugar

Comungar é tornar-se um perigo

Viemos pra incomodar

Com a fé e união nossos passos

Um dia vão chegar”

Aquele galpão abafado de um centro comunitário de Poá permitiu que os e as sem voz, sem vez e lugar manifestassem suas lutas, que também devem ser nossas. As pessoas ali presentes puderam experimentar a comunhão proposta por Jesus Cristo, caminhando lado a lado, com os passos firmes no ritmo da ciranda da vida, buscando o Bem Viver. Incomodando, um dia chegaremos. Juntos. Ubuntu.

Que essa experiência não se resuma a um feriado ensolarado de setembro pra se guardar na memória. Que ela seja o fogo sagrado a nos mover para a luta. A água sagrada a nos purificar. O vento sagrado a nos refrescar. A terra sagrada onde fincamos nossos pés. Todo dia.  Agradeço a companheira Mariana por partilhar comigo os caminhos de ida e volta, os risos, sentimentos e reflexões. Agradeço à família que me abriu seu lar, os queridos Maria Lucia e Zaqueu. E à Luz Divina, pai e mãe, eterno amor. Amém.

Rodrigo Staudemeier Gonçalves

 

 

 

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#GRITODOSEXCLUÍDOS: Resenha com o Profº Ricardo Galvanese

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gritoNo dia 7 de setembro, a Diocese de Santos em comunhão com toda a Igreja no Brasil, vai realizar a 23ª edição do Grito dos Excluídos, uma atividade organizada pelas pastorais juntamente com as centrais sindicais e movimentos sociais. O tema esse ano é “Vida em primeiro lugar” e o lema é “Por direitos e democracia, a luta é todo dia”. Na Baixada Santista, terá início às 13h na Praça Portugal em Cubatão, com caminhada até a Praça Frei Damião, prevista para começar as 16h. Antes do Grito, no entanto, a PJ Santos realizará o Pré-Grito Diocesano dia 27 de agosto, na Paróquia Senhor dos Passos, Boqueirão, com início as 14h.

Preparando o espírito para o Grito dos Excluídos, batemos um papo com o Mestre em Filosofia e eterno pejoteiro, Profº Ricardo Costa Galvanese. Com cinquenta e um anos, vinte e cinco deles lecionando na Unisantos, Profº Galvanese participou da Pastoral da Juventude ainda na década de 1980, integrando a CODIJUV na sua retomada após anos de suspensão dos trabalhos. “Foi um período extremamente rico da minha vida. Depois da Pastoral da Juventude eu entrei para o seminário, queria ser padre, mas depois discerni minha vocação e descobri  que era mesmo como leigo que deveria atuar. Estou assim até hoje. Alimento a minha existência da fé em Jesus Cristo”. Entre os professores da universidade, se destaca por promover debates, fóruns e palestras dentro do espaço do campus, uma forma de fortalecer o papel social da instituição. Em uma explicação sobre Hobbes, Rousseau e outra, frequentemente é perguntado sobre a política nacional em suas aulas. “Galva” nunca esconde os seus posicionamentos, nem repreende os de seus alunos, que se sentem a vontade para falar. Também costuma sempre falar de maneira entusiasmada em sala de aula, o que revela um determinado espírito jovial, que sua fala deixa pistas: “A experiência na Pastoral da Juventude marcou a minha personalidade, marcou a minha existência e de certa forma se prolonga até hoje”. Por sua identidade com a Igreja e militância, eu e o Guilherme Reis trocamos uma ideia nada formal com ele no último dia 17, logo após a abertura do Fórum Social da Baixada Santista, realizada no Campus D. Idílio, prédio da Unisantos.

Pejoteiros Santos: O que vem primeiro? O Mundial do Palmeiras ou o fim da corrupção?

Profº Galvanese: Olha…considerando o passado, eu acho que o Palmeiras leva essa antes, viu (risos)? Independente de quem torça para qualquer time, a corrupção está, pode-se dizer assim, entranhada nas estruturas de poder do Brasil. Isso não é de agora, só está vindo atona. Mas a gente já sabe dessa estrutura há muito tempo. Enfim, existem balelas por aí de que o Brasil era honesto em outras eras, mas a gente tem um problema de honestidade. Pode ser um problema de identidade cultural, você vai encontrar corrupção desde o sindico do prédio até o presidente da República e, os discursos inflamados, até mesmo moralistas, muita vezes encobrem uma prática extremamente desonesta.

Pejoteiros Santos: O Grito existe há 23 anos e até hoje a gente continua gritando. Quando vamos parar?

Profº Galvanese: Pra falar a verdade…acho que nunca. Mas claro que existem gritos de alerta, gritos de denúncia, mas também existem gritos de anúncio. O Grito dos Excluídos é simultaneamente um grito de denúncia das estruturas de opressão que existem, mas é também um grito de esperança de uma sociedade nova, mais justa e igualitária, sociedade essa que é, digamos assim, o motor que nos move. Acho que a gente em determinadas épocas grita por situações diferentes, né? Hoje a gente precisa gritar no sentido de denunciar essas estruturas de exclusão, de concentração de renda que vão se intensificando no país e que hoje passam por um momento extremamente grave. Ou seja: perdas de direitos da classe trabalhadora; terceirização; essa reforma trabalhista extremamente perversa e que foi redigida nos escritórios daqueles que detém o poder econômico e que nos próximos anos vai mostrar a sua cara com um intenso processo de pejotização da classe trabalhadora, de perda de direitos…sendo que ao mesmo tempo a gente ta com um congelamento das politicas sociais, que há muito custo a gente conseguiu avançar um pouquinho, não muito. E isso a gente já tá vendo. Tá faltando pra saúde, tá faltando para a educação, remédio pra população, tem a reforma da previdência que estão tentando impor de qualquer custo…enfim. Então, eu acho que tem muita coisa pra gente gritar.

Pejoteiros Santos: A PJ Nacional e a CNBB se posicionaram contra o impeachment e contra as reformas. Vários intelectuais associam o impedimento as reformas impopulares subsequentes. Qual a sua avaliação?

Profº Galvanese: Eu acho que há vinculação sim. Na realidade, o impeachment da presidente Dilma não veio por conta do Caixa 2, do financiamento indevido…isso havia, tava errado, mas a questão não foi essa. Ingenuidade achar que foi isso, né? Até porque se o problema fosse honestidade, corrupção, relação promíscua com o capital, com as grandes empreiteiras, etc, o povo tinha que estar na rua até hoje, né? Então, o que está se vendo é que a vinculação do atual presidente da República com esses esquemas é inegavelmente maior que a vinculação da presidente Dilma com esses grupos. Agora, se a indignação da classe média fosse mesmo com a situação do país, tinha que estar agora na rua pedindo o afastamento do presidente, bem como contra a posse do Rodrigo Maia, que foi denunciado nos esquemas de corrupção. Então, na realidade, não houve nenhuma revolução no sentido de uma consciência moral cívica maior no Brasil na época do impeachment. O que de fato houve, foi que os setores da classe econômica, da classe dominante no Brasil, não se sentiram adequadamente contemplados nas suas demandas, especialmente no setor financeiro, setor rentista, que tiveram, pode-se dizer assim, seus interesses levemente prejudicados, né? Você tem uma estrutura histórica dual de desigualdade no Brasil e uma concentração da renda violenta, e isso, podemos dizer, é o elemento que estrutura as nossas relações, as nossas instituições políticas e econômicas. Na realidade, o que a gente observa agora é que as reformas é o que eles pretendiam. Reforma Trabalhista, Reforma da Previdência, a garantia da continuidade do financiamento público da especulação privada…isso tudo está correndo muito melhor com o governo Temer, tanto que o que se fala no mercado financeiro é que, eventualmente, pode até o Temer sair, desde que a equipe econômica se mantenha. Você pega os meios de comunicação social, a Revista Veja, Jornal Estado de São Paulo, Folha de São Paulo…Globo, Bandeirantes, Record, SBT…o discurso é único. Todos são unânimes em elogiar a equipe econômica. E aí é que está o “x” da questão. O que a população não conseguiu entender é isso. Não é uma questão de moralidade ética ou moralidade política. É questão de quem está preocupado com o país. Por isso tudo, é indissociável o impeachment das reformas chamadas estruturais, que na verdade representam um grande retrocesso. Houve um pequeno avanço, volto a insistir. Afinal, a gente não teve no Brasil propriamente um governo de esquerda, mas um governo de centro-esquerda que possibilitou algumas reformas sociais, algum processo de inclusão social bastante tímido, até porque ali havia a ideia de fazer uma “conciliação de classes”, não entrar em confronto direto com o grande capital financeiro, com os grupos que detém o poder agrário no país, uma tentativa de gerar uma certa inclusão social sem acentuar a conflitividade social. E o fato é que a classe dominante no Brasil é extremamente voraz e não aceita nem sequer fazer essas pequenas concessões que ela fez.

 

Profº Galvanese

Professor em sala de aula, todo enrolado tentando explicar a bizarrice que é a política brasileira.

Pejoteiros Santos: As chamadas reformas estruturais afetam principalmente a juventude. O que o senhor diria para esses jovens, especialmente os de grupos de base?

Profº Galvanese: Olha, eu diria o seguinte: que a PJ tem um papel histórico fundamental. Na minha época, a PJ desempenhou um papel importantíssimo na redemocratização do Brasil. A gente estava nas manifestações de rua, nas manifestações das “Diretas”, a gente atuou intensamente…pode-se dizer que a Pastoral da Juventude ajudou a escrever a Constituição Cidadã de 1988. A gente enviou representantes das diversas dioceses com demandas populares e sociais que foram inseridas na Constituição. Então, digamos assim, tem uma assinatura da Pastoral da Juventude nela. A gente atuou na época junto do movimento que tinha, da “Plenária Pró-participação Popular na Constituinte”. Então, você compunha os chamados “plenarinhos”, se produziam propostas para o Brasil, etc. Aquele foi um momento até mesmo dramático, a gente tava reconstruindo o Brasil que havia sido tomado por forças do âmbito militar e da classe dominante, que rasgaram a nossa democracia, destruíram nosso sistema constitucional, centraram renda…e a gente conseguiu fazer aquilo e desempenhar um papel importante. Acho que hoje a juventude católica, a PJ e, em um contexto maior, a Igreja no Brasil, tem um papel fundamental de fortalecer novas estruturas, criar novas formas de participação social. É esta participação social que pode, digamos assim, inibir a ação devastadora da classe dominante no campo politico, no sentido de criar alternativas. Acho que hoje, a renovação das estruturas politicas brasileiras passa pela juventude, pela Pastoral da Juventude. Acho que a Pastoral da Juventude tem que levar isso muito a sério, tem uma contribuição importantíssima para dar, no sentido da construção de um novo horizonte para a política brasileira. Acho que a juventude cristã, a juventude católica e a juventude em geral não são só o futuro, ela já tem um grande potencial de construção do presente. E isso tem ficado claro na grande atuação que a juventude tem tido nos movimentos de rua, em ocupação de escolas e de luta por inclusão social. A juventude tem um papel insubstituível e é fonte de esperança para todos nós.

Pejoteiros Santos: Rapidinhas. Santo Agostinho ou São Tomás de Aquino?

Profº Galvanese: Olha, gosto muito dos dois, mas confesso que o Santo Agostinho toca mais a alma (risos).

Pejoteiros Santos: Foucault ou Karl Marx?

Profº Galvanese: Os dois e muito mais (risos).

Pejoteiros Santos: Gil ou Caetano?

Profº Galvanese: Os dois e muito mais (todos riem).

Pejoteritos Santos: D. Hélder Câmara ou D. Paulo Evaristo Arns?

Profº Galvanese: Esse, com certeza os dois. Espetaculares, tive a honra de entrevistar pela Pastoral da Juventude o D. Helder Câmara e devo ter essa fita em algum lugar, entrevista que ele deu quando foi homenageado na Unisantos, lá na década de 1980. Então, os dois pra mim foram referências fundamentais na minha vida, na minha juventude e até hoje.

Pejoteiros Santos: Temer ou Cunha?

Profº Galvanse: Nossa Senhora! (risos) Espero que os dois possam terminar os seus dias na cadeia.

Pejoteiros Santos: Jair Bolsonaro ou Olavo de Carvalho?

Profº Galvanese: Olha (ri e logo fica sério), eu só espero que Deus tenha piedade da alma deles quando julga-los.

Pejoteiros Santos: TFP ou MBL?

Profº Galvanese: Pode-se dizer assim, a reedição daquilo de pior. De mais rançoso, de mais conservador, e acima de tudo o que causa mais indignação para o cristão. O cristão é o espirito de compaixão, de generosidade de senso de partilha, de amor ao próximo, de tolerância. Então…Jesus nunca foi um moralista, nunca foi um exemplo de violência, muito pelo contrário. O que a gente encontra em Jesus é amor, ternura, fraternidade, e é por isso mesmo que vendo o Homem de Nazaré a gente enxerga o Deus Todo Poderoso. Então, esses dois movimentos são figuras lamentáveis, em meio a nossas referências culturais e sociais no Brasil. Espero que essas pessoas se convertam ao amor, a generosidade, a solidariedade e acima de tudo, a igualdade, né? Todos somos iguais perante Deus e quem luta por construir desigualdades, por reforçar divisões, por construir muros, por gerar segregações não está imbuído do espirito de Deus. O espírito de Deus é aquele que desperta em nós o senso de igualdade, pois nós somos iguais enquanto filhos de Deus. Só há um ser superior. O único ser superior é Deus. E Deus é superior principalmente porque ele é superior no seu amor.

Pejoteiros Santos: Deixe uma mensagem para os participantes do Grito.

Profº Galvanese: Gritem muito, pois o Brasil precisa da sua voz!

*Gines Salas.

#MJ2017: OLHARES

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Missão Jovem 2017

Foto após a missa de encerramento, 09/jul.

“Companheiro/a me ajude

Que eu não posso andar só

Sozinho/a eu ando bem

Mas com você ando melhor”

Olá. Esse texto tem como pretensão contar a história da #MJ2017 de diferentes pontos de vista, uma experiência intensa de sentimentos, começando por mim, o Jovem Padawan que vos fala. De frente para o computador, com a tela do Word em branco, tentei refletir na pergunta: “Qual o legado da Missão Jovem realizada no Guarujá?”. Ao pensar na resposta, senti a necessidade de contar sobre as outras Missões, que também ajudam a entender o que rolou no Guarujá esse ano. Por qual motivo? Simples, me dei conta que, mesmo falando de Missão diversas vezes nesse mesmo blog, nunca sistematizei sua trajetória dignamente, dando os nomes aos bois e créditos a quem merecia. Como um povo sem história é um povo sem vida, eu, historiador de botequim que sou, venho tentar solucionar essa preocupante lacuna neste texto, lançando aquele que é o meu olhar, e posteriormente, os dos outros também…

A história das Missões na Diocese de Santos tem início na década de 1990, quando o Fernando Diegues (ex-assessor leigo estadual da PJ e ex-coordenador da PJ Santos) ainda era jovem (ou seja, tempo pra cassete!). Segundo este ilustre idoso, mais precisamente em Rancharia, Diocese de Assis, no ano de 1999. Em um mês de julho frio no interior, com todos os “R’s” possíveis e imagináveis, velhos que na época eram jovens se encantaram com aquela atividade e sonharam em traze-la para o litoral paulista.

 

Foi então que em 2004 surgiu a oportunidade. No dia 04 de julho daquele ano, a Diocese de Santos completaria 80 anos de fundação. Para tal festividade, discutiu-se, ainda na Assembleia Diocesana de 2002, realizar uma bem organizada semana missionária, o que de fato aconteceu. A cidade escolhida era Cubatão e participaram cerca de 80 missionários, espalhados pelas três paróquias do município, um bom número deles sendo seminaristas, hoje em dia já ordenados, entre eles o Pe. Lucas Alves, Coordenador Diocesano de Pastoral.

 

Após a primeira edição, houve um hiato. Não foram realizadas semanas missionárias diocesanas nos anos posteriores, ao mesmo tempo que pejoteiros da Baixada Santista participaram de Missões Jovens em outros locais, com destaque para o Valo Velho em 2005 (São Paulo, Diocese de Campo Limpo). Em 2009, pejoteiros da Lapa, em Cubatão (Herick Rocha, Diego e Rodrigo Florentino), realizaram uma semana missionária com ajuda de amigos, como Amanda Miranda e Victor Valente, mas sem qualquer vínculo oficial com a coordenação diocesana. Foi nesse período também que a Diocese de Bragança Paulista se destacou em todo o Regional Sul 1 (Estado de São Paulo) como referência em Missão Jovem, realizando-as anualmente em diferentes comunidades. Um dos mais entusiasmados pejoteiros de Santos que todo ano participava de Missões era Ricardo França, hoje assessor leigo da PJ da Região São Vicente. França trabalhava como carteiro e tirava as férias para fazer quase a mesma coisa que fazia no seu trabalho: bater de porta em porta, só que dessa vez evangelizando. Era mais manjado em Bragança do que o Joel Santana nos clubes cariocas.

 

Foi sob a influência de todos esses nomes e elementos que se propôs, na Assembleia Diocesana de 2011 realizada em Itanhaém, retomar a Missão Jovem. Em 2012, ela se deu em São Vicente, na Paróquia São José de Anchieta, quase que exclusivamente comunitária, com algum “empurrãozinho” do Espírito Santo (risos). Contando com a ajuda do Pe. Luiz Aparecido Tegami, SDB, simpatizante declarado da Pastoral da Juventude, e a assessoria de seminaristas salesianos, 2012 foi uma rica experiência para retomar aquele modelo de atividade que a partir de então, faria parte da rotina pejoteira de nossa diocese. Com a vinda do Papa Francisco em 2013, em razão da JMJ no Rio, semanas missionárias se espalharam por dioceses de todo o país e em Santos se deram nos morros da cidade, mais precisamente na Paróquia Nossa Sra da Assunção, Morro São Bento. A partir de então as missões passaram a ser realizadas somente nos anos ímpares, tendo sua quarta edição novamente em São Vicente, na Reitoria Bom Jesus dos Navegantes, México 70.

 

Missão Jovem 2017

Rodrigo, Larissa, Mariana e Vitor (seminarista diocesano), durante o dia que se passou conhecendo o trabalho realizado pela “Fraternidade O Caminho”.

Todo esse percurso nos trouxe em 2017. Entre 02 e 09 de julho foi realizado o que na verdade, vinha sendo construído desde abril, quando foram realizadas as primeiras reuniões com o Pe. Alexander Marques. Se a MJ2012 foi marcada pelo carisma salesiano e a de 2015 pela simplicidade, por exemplo, 2017 foi definida pela acolhida das famílias, algo destacado na fala da grande maioria de missionários. Ao todo, foram cerca de 70 jovens a pisarem no Santa Rosa, sendo quase cinquenta deles acolhidos por famílias da comunidade, dormindo, se alimentando e tomando banho ao longo de toda a semana. A Guarujá dos imensos contrastes sociais se apresentou como a Guarujá do abraço, proporcionando vínculos que dificilmente serão quebrados. Uma proeza que se deu graças ao esforço do casal Fischer, Fernanda e Ricardo, ex-pejoteiros e paroquianos do Santa Rosa que se esforçaram muito para conseguir famílias que acolhessem a quantidade de jovens.

 

Como equipe, falo que, fora os momentos com os missionários, vai ficar marcado na memória as risadas com aqueles que comigo dividiram o “fardo” da organização, risadas essas que só a gente sabe (e viu). O nosso QG da MJ – lugar onde dorme e se reúne a equipe organizadora – foi a casa do Diácono José Delgado Barreira, o “Pepe”, gentilmente cedida. Lá, tretamos, debatemos, rezamos, mas principalmente rimos. Rimos muito. E isso tornou nosso trabalho mais leve, mesmo diante de toda a dificuldade. Além dos risos, criaram-se as amizades. Vitor Britto se revelou um seminarista boa praça e prestativo, alguém que terá sua vocação citada em nossas orações (Vitor, meu chapa…qualquer dia a gente inicia aquele grupo de estudos sobre Chesterton). E o que dizer do Pe. Vagner Argolo, assessor da juventude e suas mãos ungidas? Padre, nosso segredo ficará guardado, te devemos um Bic Mac (risos).

Um turbilhão intenso de sensações se deu no curto período de sete dias e envolveu pessoas que nem nos damos conta – missionários; mães, pais de missão; famílias visitadas; pessoas da missa, etc. Após atividades como a Serenata na Rua na quarta, a visita a Padre Donizetti na quinta e a Casa do Menor no sábado, a Missão Jovem terminou em calorosos abraços e o gosto salgado das lágrimas, que revelaram a certeza de ter cumprido o que Jesus nos confiava.

(Gines Salas, CODIJUV e futebolista de pebolim)

 

Missão Jovem 2017

Visita nas ruas.

Missão, cada uma única. A #MJ2017 me marcou bastante na questão da família que me acolheu, ganhei novos avós, tios, irmãos e primos. Foi gratificante cada segundo ao lado de todos, em especial aos avós e tias de missão, que acolheram a mim e aos meus irmãos de missão sem nos conhecer , sem saber quem eramos e de onde vinhamos. Sem receio nos fizeram de verdadeiros filhos, sempre procurando dar o melhor. Compartilharam suas historias , lutas e vitorias. É bem louco pensarmos nos dias de hoje, em um mundo cheio de receios, uma família aceitar desconhecidos e juntos construir um pedacinho da verdadeira experiência de amor ao próximo, de acolhida, sem preconceitos. Não poderia esquecer dos melhores irmãos de missão, pelas noites de sonos trocadas por belas reflexões.
A missão é uma experiência única que só quem vive pode de fato compreender. Abrange o que entendemos como visão de mundo, passamos a enxergar outras realidades, a se questionar antes de julgar. A olhar para os lados e valorizar mais o que temos, e principalmente, reconhecer na PRÁTICA que não é preciso fazermos coisas grandes para gerarmos grandes mudanças, pois as pequenas já estão conectadas as coisas grandes, gerando transformações extraordinárias. É de fato vivenciar um pedacinho da prática de JESUS: sairmos da nossa realidade e conforto, reconhecendo que não basta viver Jesus apenas na igreja, não é apenas saber que ele está no próximo, é ir até o próximo. Pisar em novas Galiléias, ir ao encontro dos mais excluídos da sociedade e mostramos que eles também tem voz, lutas, vidas, historias que merecem ser escutadas.
Saímos achando que podemos talvez ensinar alguém, mas no fim percebemos que quem mais apreende somos nós mesmos. Isso é apenas um pedacinho do que a missão oferece, dessa forma , ela criar suas formas, com um pouco que cada um leva e traz. Simplesmente gratidão, por toda a família MJ2017.

(Felipe Ferreira, 21 anos, São Vicente. Filho de Missão da Selma)

O que dizer dessa semana? Bom, ela foi cheia de sorrisos, de abraços, mas também cheia de medos e anseios, cheia de experiências. Eu só tenho a agradecer a todos os envolvidos por encher a minha semana de esperanca e alegria. 
Obrigada a todos por fazer parte, a missão jovem não seria a mesma coisa sem vocês. Como disse o David, ” Não existe ninguém igual a mim”, assim como ele, não existe ninguém como vocês, vocês são únicos, cada um a sua maneira, mas únicos e de uma beleza tremenda. Espero encontrar com todos muitas e muitas vezes, por isso tive a despedida de hoje como um “até breve”, porque ainda iremos nos encontrar muito na caminhada pejoteira.
(Esthefany Florêncio, São Vicente, 20 anos)

Bom … A MJ pra mim foi tudo , foi muito bom adorei conheci pessoas incríveis , passei (eu acho) a mensagem, foi una maravilha! Adorei muito, ouvi histórias incríveis dos moradores, levei uns “foras” no meio só que isso só é um detalhe (risos). Eu não sei o que dizer, pois eu estava muito deprimida ultimamente. Essa semana foi muito importante pra mim e me senti muito amada com a realidade que vi na comunidade, de outras pessoas como eles vivem, etc. Foi muito importante pra mim despertar e também perceber que tem outras pessoas na msm caminhada que a gente e só tenho que agradecer por tudo. Sério, a energia da PJ é forte demais! Parabéns para os coordenadores que deram o melhor. Obrigada por tudo!
(Júlia Rodrigues, 13 anos. Paroquiana do Santa Rosa)

Bom, como descrever uma experiência fantástica como foi a missão jovem da Diocese de Santos? E pior ainda como fazer um breve resumo? (HAHAHA) Ver uma galera nova de caminhada, ver uma galera em fase de transição no começo e ao final ver jovens animados e começando a amar uma pastoral que tanto amo e luto. Ver olhares de encanto, ver sonhos sendo plantados, foi algo surreal. Além de trazer um novo ânimo pra continuar lutando pela pastoral. Agradecimento em especial as famílias que nos acolheram com tanto amor e carinho. Ver a luta constante da coordenação da missão para manter tudo em ordem, mesmo com todo o caos, e tentar construir junto com os outros jovens a civilização do amor que tanto sonhamos. Obrigado Diocese de Santos pela acolhida, pela forte experiência de encontro com o outro, e por continuar florescendo a civilização do amor dentro do nosso Subregional SP2. Estamos juntos na caminhada.
(João Lucas Aguiar, 22 anos. Coordenador diocesano da Pastoral da Juventude Diocese de Campo Limpo).

#MJ2017: Bate-papo com Pe. Alexander

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Pe. Alex

Pe. Alex e Dona Flora (paroquiana) durante sua despedida da Paróquia Nsa. Sra. do Perpétuo Socorro, janeiro deste ano.

Há pouco tempo na Paróquia Santa Rosa de Lima, Pe. Alexander Marques – ou simplesmente Pe. Alex – nos concedeu uma gentil conversa. O homem que topou construir conosco a nossa #MJ2017 – para se inscrever, clique aqui – é fã de Star Wars, tem compulsão por estudos e possui o afetuoso hábito de cumprimentar a todos com um beijo no rosto – uma herança herdada da convivência com o falecido Pe. Paulo Horneaux de Moura, seu padrinho. Fala com carinho da Paróquia Nsa. Sra. Perpétuo do Socorro, São Vicente, onde exerceu como pároco por seis anos e deixou muitos amigos. Em nosso bate-papo, falou sobre vocação, política e juventude na Igreja.

Pejoteiros Santos: O senhor está faz pouquíssimo tempo do Guarujá. Ficou feliz por se livrar de São Vicente?

Pe. Alex: (Risos) Não…não fiquei. São Vicente foi a cidade em que eu cresci, sabe? Eu só nasci em Santos. Desde os meus primeiros dias de vida eu moro em São Vicente. Sempre morei em São Vicente, só sai daí quando fui para Santo Amaro estudar, fiquei sete anos fora, mas sempre tive um laço muito importante com a cidade. Meus pais moram em São Vicente, meu irmão mora em São Vicente e os seis anos que eu passei no Jardim Rio Branco foram muito bons. Eu amo São Vicente, como a maioria dos vicentinos. Temos muitos problemas e Guarujá também, mediante a crise que estamos vivendo no país, fruto da má administração e das crises sociais, relacionadas a pobreza, a violência, a falta de segurança, etc. Guarujá é uma cidade que vive contrastes, né? Tem uma área nobre onde tem mansões e muitas favelas, tantas quanto São Vicente. São duas cidades bem parecidas, tirando o fato das praias. As praias do Guarujá são belíssimas. São Vicente, não (risos). Mas São Vicente é uma cidade que tem tudo pra dar certo, as pessoas precisam se educarem mais, no sentido de valorizar a cidade, não jogar lixo nas ruas…isso tudo prejudica muito a imagem da cidade. São Vicente é a primeira cidade do Brasil, conhecida nacionalmente, o povo de lá é muito bom. Mas agora é uma nova realidade, na Paróquia Santa Rosa de Lima e na cidade em que estou, no Guarujá.

Pejoteiros Santos: Fora Filosofia e Teologia, o senhor concluiu Psicologia recentemente e agora tá fazendo Mestrado em Educação. Explica um pouco dessa “piração” sua pelos estudos. É saudade da Unisantos?

Pe. Alex: É um pouco de saudade sim da universidade. A universidade é uma das minhas paixões e eu nunca escondi de ninguém, eu sempre gostei de estudar. Até meus colegas de turma tiravam sarro de mim, que o meu quarto para entrar tinha que ir abrindo os livros pra ocupar menos espaço (risos). Acho que a formação do padre é uma formação continua, o padre não pode pegar e  dizer “fiz filosofia e teologia, tá bom!”. Acho que o povo merece isso, né? Quando eu tava no seminário, eu estudava muito, principalmente na Teologia. Filosofia foi um pouco mais complicado, pois estava no início do processo. Eu não fiz Filosofia aqui em Santos, fiz no Instituto São Boaventura, em Santo Amaro. Eu iniciei a minha caminhada em Santo Amaro e na Teologia foi que eu me transferi para Santos. Então, na Teologia me apliquei muito. Saia da faculdade, tinha os afazeres da casa e quando sobrava tempo eu pegava e ia estudar. Na Psicologia não deu pra me dedicar tanto, pois eu já era padre. No começo do curso eu tava como Vigário do Pe. Valdeci na Lapa (Par. Nsa Sra da Lapa, Cubatão) e por isso não tinha tantas responsabilidades como um pároco tem. A partir do momento que me tornei  pároco da Perpétuo Socorro (Paróquia Nsa Sra do Pérpetuo Socorro, São Vicente) eu comecei a ter um pouco menos de tempo. Estudar é meio que uma aptidão minha, eu não gosto muito de ficar parado. Aí me veio a ideia, depois de dois anos, de fazer Mestrado. Mais pra frente eu vejo o que eu faço, se eu faço Doutorado ou outro tipo de especialização. Quando eu era seminarista eu dizia o seguinte: “O povo tá investindo na gente. O povo paga nossa faculdade, paga a nossa comida”. Então nada mais justo que ter padres que tenham cultura, padres que saibam o que vão falar e que realmente estudem e possam levar esse estudo para o povo, fazendo um trabalho melhor nas pastorais das nossas comunidades. Isso é essencial.

Pejoteiros Santos: Se ser padre é bom, o que te fez ter tantos cabelos brancos?

Pe. Alex: Ser padre é bom, mas tem suas vantagens e desvantagens. Os cabelos brancos que o digam, como você mesmo coloca na pergunta (risos). São fruto logicamente do processo de envelhecimento natural, afinal não sou nenhum moleque, tenho 43 anos…mas também sem dúvida nenhuma é o nível de estresse. Então você esquenta a cabeça, sem dúvida nenhuma. Tem pessoas que são mais fáceis de lidar, outras são mais complicadas…e você mediar conflitos com pessoas que acham que são donas das pastorais ou donas das comunidades é bem difícil. Tem suas vantagens ou desvantagens como tudo na vida. Mas é bom ser padre, eu gosto! Por mais que tenha as dores de cabeça, por mais que haja as dificuldades, é algo que eu gosto de fazer, é algo que me dá prazer. Vale apena ser padre, sem dúvida nenhuma, mas pra isso tem que ter vocação. Se não tiver vocação você acaba sucumbindo pelo meio do caminho.

alex

“Pe. Alex…eu sou seu pai!”

Pejoteiros Santos: O que costuma fazer quando não está estudando, celebrando ou atendendo a comunidade? Qual o seu hobbie? Eu lembro que o senhor manja um pouco de cultura nerd…

Pe. Alex: Eu gosto muito de andar na praia nos meus dias de folga, coisa que eu não ando fazendo por causa do mestrado…gosto muito de ler, não só artigos de filosofia, teologia e psicologia, eu gosto muito de ler de um modo geral! Gosto de ler livros de suspense, romance. Eu tenho um pouco de cultura nerd. Sou fã incondicional de Star Wars, dos personagens da DC, principalmente o Batman, o Superman…alguns da Marvel também, tipo o Homem-Aranha. Então eu sou meio fruto de cultura nerd dos anos 1980 (risos). E acho que a história faz parte do ser humano. O ser humano tem que respeitar a sua trajetória histórica e não esquecer, né? As coisas que vivenciou. Acho muito importante isso. Cada ser é fruto da sua época, é fruto da sua história. Eu sou uma pessoa de hobbies simples.

Pejoteiros Santos: O senhor sabia o que estava fazendo quando topou aturar uma penca de pejoteiros durante uma semana inteira de Missão Jovem?

Pe. Alex: A resposta é que eu não tinha muito conhecimento da Pastoral da Juventude. Tá sendo um processo novo, pra mim, tô tendo conhecimento agora de como funciona, as pessoas tem entrado em contato com vocês e o feedback tem sido muito positivo, posso dizer isso. Então, é importante ter o jovem dentro da Igreja, eu sempre trabalhei com jovens quando seminaristas e é muito triste você não ter jovens dentro de uma paróquia, dentro de uma comunidade. Jovens são o futuro, são como a força motriz da Igreja, nós não temos como seguir adiante sem jovens. E hoje os jovens estão tão perdidos, nada melhor do que acolhe-los, com dignidade, cuidado, para construir um mundo melhor, principalmente com essa cultura de corrupção que nós estamos vivendo no país. Não adianta mudar a cabeça dos velhos, nós temos que mudar a cabeça dos jovens! Uma geração que mude a mentalidade e deixe a “Lei de Gerson” de lado, é uma perspectiva muito boa para a sociedade brasileira e nada melhor que o jovem pra falar com outro jovem. Daí a importância da PJ. De ir ao encontro dos jovens e falar na linguagem deles, o que muitas vezes a gente não consegue.

Pejoteiros Santos: Padre, vamos falar sobre a descoberta da sua vocação, pois é um tema que sempre rende histórias interessantes. Conta um pouco sobre as suas origens e o que diria a um jovem que questiona a sua vocação.

Pe. Alex: A vocação surgiu cedo, eu comecei a sentir os primeiros sinais aos 14 anos, mas aí eu comecei a namorar e vida que segue. Depois de alguns anos, quando eu estava com 25 ou 26 anos, eu estava no término do relacionamento que para mim seria o relacionamento da minha vida. Ele acabou e começou a renascer aquilo que tinha se dado dez anos antes. Aí, eu optei por fazer acompanhamento vocacional, só que o meu grande problema era um: eu sabia que padre não poderia casar, logo padre não poderia ter filhos e eu sempre gostei muito de crianças, né? Então esse foi um primeiro problema, pois ao mesmo tempo que sentia o “chamado”, eu queria ser pai. Aí eu fiz o acompanhamento vocacional um ano, não senti segurança para dar continuidade e resolvi fazer mais um, pois meu medo era que aquilo fosse uma fuga. No meu segundo ano, senti Deus colocar em meu coração que eu não seria pai de um ou dois filhos, eu seria pai de muitos filhos. A partir daquele momento eu já estava pronto para entrar no seminário, os próximos meses na sequência foram de preparação, de falar com meus pais, isso, aquilo etc. Então a minha vocação nasce no seio da comunidade, né? Eu sempre digo que minha influência foi minha mãe e os amigos da Igreja, pois quando a minha mãe me colocou na catequese eu já tinha doze anos, tinha tamanho de adulto, só não tinha cabeça, mas o corpo era quase. Eu  virei e falei para minha mãe que eu não iria para catequese com um bando de criança do meu lado, pois eu tinha a altura da catequista. Aí, o que aconteceu? Eu falei para minha mãe que se ela me levasse eu iria fugir. Ela foi e me levou na São Vicente Mártir, minha paróquia de origem, e ficou as duas horas na porta, com medo que eu saísse. Na outra semana em que ela me levou, eu disse: “Não precisa ficar esperando, eu não vou fugir mais não”. E a partir daquele momento eu nunca mais abandonei a Igreja. Eu fiquei 16 anos trabalhando ativamente em todas as pastorais, com os jovens, depois na coordenação pastoral da paróquia, grupo de oração, etc. Minha vocação nasce desse convívio, principalmente da minha relação com o Pe. Paulo Horneaux de Moura, que era o meu padrinho de Crisma. Eu tinha muito contato com ele e ele tinha um modelo de padre acolhedor, o que me ajudou muito também. 

Pejoteiros Santos: O Brasil vive um momento ético, político e econômico dos mais delicados de sua história. Qual é o papel da Igreja diante dessa realidade?

Pe. Alex: (Demora um pouco para responder) Olha…a crise, pensando, é uma crise existencial, sabe? É muito mais profunda, de valores morais e éticos. As pessoas estão muito desencantadas com a vida e com as situações. É uma crise de princípios, como eu falei naquela outra questão, a “Lei de Gérson”, sempre querendo tirar vantagem. E isso tem influenciado muito as futuras gerações, pois o exemplo a gente leva de casa. Então, se você vê seus pais fazendo alguma coisa errada, você vai fazer também, pois seus pais são o exemplo, o modelo a ser seguido. O modelo do menino é o pai e o modelo da menina é a mãe, tanto que a psicologia freudiana, a psicanálise, vai dizer que o homem procura na mulher a mãe e a menina procura no marido o pai. São os reflexos, e quando não há honestidade, não há valores éticos dentro da família, os filhos também não herdam esses valores. O meu grande receio é que as pessoas se afastem da política por causa disso, e aí fica uma coisa muito complicada. O que falta no brasileiro hoje é cidadania, isso na minha visão. É eu entender que o espaço é de todos, não só meu. Muitas vezes as pessoas criticam os políticos por elas quererem fazer as mesmas coisas que eles fazem. Um dia desses eu vi um vídeo no facebook de uma rádio de Sorocaba em que eles faziam uma pegadinha, onde uma pessoa estava na rua falando ao celular e deixava cair a carteira. 70% das pessoas não devolviam a carteira, ficavam com ela. Que moral eu tenho para reclamar de político corrupto se eu faço a mesma coisa? “Ah, eu enganei o trouxa!”. As pessoas tem que perder essa mentalidade! Por exemplo: vá na praça de alimentação. Quantas pessoas vão jogar o lixo, depois que elas comem, no lugar certo? Vai por mim, são poucas. Nós não temos essa cultura de cidadania, de entender que a Classe Política está lá para me representar, e que se não fizer isso direito, não terá mais o meu voto. Mas muita gente vota para ganhar benefícios, em troca de cinquenta reais, em troca de dentadura, etc. Por exemplo, a vice-prefeita, que era da minha paróquia (Profª Lurdinha Oliveira, eleita vice-prefeita por São Vicente no ano passado), quando ganhou, quantas pessoas não foram atrás dela pedir emprego por votarem nela? Peraí, mas qual o sentido disso? Você votou nela para ela te representar, não para ganhar emprego, meu filho! A missão da Igreja é esclarecer para as pessoas que isso é um problema de foro interno, no sentido de que as pessoas tem que se conscientizar a fazerem o que é correto. 

*Para quem não conhece, a tal da Lei de Gérson:

Pejoteiros Santos: Rapidinhas. Agora vamos separar os homens dos meninos. Nescau ou Toddy?

Pe. Alex: Toddy.

Pejoteiros Santos: Coxinha ou Brigadeiro?

Pe. Alex: HAHA…brigadeiro.

Pejoteiros Santos: Biscoito ou Bolacha?

Pe. Alex: Bolacha.

Pejoteiros Santos: Star Wars ou Senhor dos Anéis?

Pe. Alex: Sem dúvida…Star Wars!

Pejoteiros Santos: Feijão por baixo ou por cima?

Pe. Alex: Por baixo!

Pejoteiros Santos: Churrasco ou comida japonesa?

Pe. Alex: Olha, por mais que eu evite, churrasco.

Pejoteiros Santos: Messi ou Cristiano Ronaldo?

Pe. Alex: Nenhum dos dois.

Pejoteiros Santos: Futebol na praia ou Netflix?

Pe. Alex: (Risos) Netflix!

Pejoteiros Santos: São Pedro ou São Paulo?

Pe. Alex: Paulããããããooo!

Pejoteiros Santos: São Francisco de Assis ou São Tomás de Aquino?

Pe. Alex: Francisco de Assis, sem dúvida nenhuma!

#MJ2017: INSCRIÇÕES ABERTAS!

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missão

Missão é partir, caminhar, sair de si.

É quebrar as crostas do egoísmo
que nos fecha no nosso eu!
Missão é parar de dar voltas ao redor de nós mesmos
como se fôssemos o centro do mundo, da vida.

Missão é não deixar bloquear nos problemas
do pequeno mundo a que pertencemos.
A Humanidade é maior.

Missão é sempre partir,
mas não devorar quilómetros.
É sobretudo abrir-se aos outros como irmãos,
descobri-los e encontrá-los.

E para os descobrir e amar
é necessário atravessar mares
e voar pelos céus,
então, missão é partir até aos confins do mundo!

(Dom Hélder Câmara)

Aloha! Desde o dia 20 de abril, pejoteiros de diferentes Galiléias juvenis descobriram que a Paróquia Santa Rosa de Lima no Guarujá abrigaria a #MJ2017. Hoje, com a sua proximidade, se inicia uma nova etapa: a abertura das inscrições.

Depois de Cubatão (2004), Humaitá (2012), Morro São Bento (2013) e México 70 (2015), a PJ Santos realiza sua quinta semana missionária na Ilha de Santo Amaro, contando com o apoio da comunidade e com o entusiasmo das irmãs da “Fraternidade O Caminho”, que desenvolvem trabalho social na Padre Donizette, favela da região. O evento ocorre no período das férias, entre 02 e 09 de julhoA taxa de inscrição é simbólica, de R$20,00.

O tema Juntos com Maria, florescendo nesse chão! faz menção ao ano mariano (marcado pelo centenário da aparição de Fátima e pelos 300 anos de Aparecida) e a campanha da PJ do Regional Sul, que conclama os jovens a florescerem a Civilização do Amor. Para o lema, recordamos as palavras do Papa Francisco na JMJ de Cracóvia: “O tempo que estamos a viver não precisa de jovens-sofá”.

COMO FUNCIONA UMA MJ?

A MJ é uma semana destinada principalmente a visitas de evangelização e gesto concreto nas comunidades que a recebem, além de muita vivência, oração e lazer. Os missionários que dela participam ficam alojados nas casas de paroquianos, onde jantam e dormem, mas passam a maior parte do evento nas ruas ou na Igreja – onde lancham e almoçam -, visitando casas e participando de diferentes atividades. No domingo (02/jul) ela se inicia 9h na paróquia, com formação missionária, almoço e a celebração do envio na Missa das 19h30. De segunda a sexta-feira, ocorrem as visitas durante o dia e outras atividades no período da noite. O fim das atividades se dará com a Missa da manhã no dia 09/jul.

Desde o início do pontificado do Papa Francisco em 2013, missão tem sido o tema da moda, seja em discursos, homílias e escritos. “Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo: os estilos, os horários, a linguagem, numa atitude constante de saída” (EG 26-27). Quando esteve em Cracóvia no ano passado, Francisco cunhou o termo “jovem-sofá”, que designa aquilo que não devemos ser: acomodados, conformados, apáticos.

Em solo brasileiro, a PJ vem sendo fortemente influenciada pelas palavras do papa latino-americano. Em 2016, a coordenação do Regional Sul 1 (Estado de São Paulo) lançou a campanha “Façamos florescer a Civilização do Amor”. Em janeiro desse ano, durante a Ampliada Nacional da PJ que rolou no Crato/CE, foi cunhado o termo “Galileia Juvenil”, uma forma de contemplar cada chão especifico retomando o agir missionário de Jesus, como revela a Aline Ogliari, Secretaria Nacional.

As inscrições da MJ2017 vão até o dia 23/jun. Para esclarecer dúvidas, procure um membro da estrutura diocesana da PJ e converse com o seu pároco. Para se inscrever, clique aqui.

OBS: O pagamento pode ser feito no dia 02/jul ou por depósito, que pode ser efetuado na conta da Camila(nossa tesoureira!), Banco Itaú. Agência: 8158.Conta Corrente: 19146-3. Após realiza-lo, é necessário enviar comprovante por whatsapp para o seguinte contato: (13) 98811-9824.

INSCRIÇÕES ABERTAS PARA PRIMEIRO CURSO DIOCESANO DE 2017!!!

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yuri

“É preciso continuar amando, acreditando e investindo na Pastoral da Juventude e torná-la cada vez mais desejada por toda a Igreja que, ao contemplá-la na sua originalidade, vai percebendo ser ela uma proposta séria e consistente de envolvimento e formação integral da juventude, através do protagonismo, da simpatia, do profetismo no mundo e do amor incondicional de Jesus Cristo e a Igreja que ele fundou. É preciso “privilegiar na Pastoral da Juventude processos de educação e amadurecimento na fé como resposta de sentido e orientação da vida e garantia de compromisso missionário” (Documento de Aparecida, 446d).

Sim, nós sabemos que você já ficou sem saber o que preparar para o encontro do seu grupo de jovens. Que já teve de recorrer a amigos ou alguma pesquisa na internet em busca de dinâmicas toscas ou músicas com áudio ruim para aplicar junto aos jovens. Sabemos que você também já se sentiu muitas vezes perdido durante o encontro, sem saber direito como conduzir aquele bate-papo ou reflexão, sem saber reagir diante das colocações dos integrantes. E que aquele momento de espiritualidade não ficou bom porque ninguém na face da Terra sabe, afinal, como promover aquele clima de meditação e interiorização. Talvez você nunca tenha descoberto totalmente qual o papel de um coordenador em um grupo, nem qual caminho seria melhor para cada tipo de grupo e fase em que ele se encontra.

Sim, nós já fomos coordenadores de grupos de base. E depois de muitos encontros “meia-boca”, fomos aos poucos descobrindo o caminho das pedras (ou não, risos). E também colocávamos as mãos pro céu quando aparecia uma ajuda, seja na forma de um visitante que viesse passar o encontro, seja na forma de um curso de capacitação para lideranças. E eis que lançamos o nosso curso diocesano voltado pras suas necessidades, companheir@!

A formação diocesana “Oficinas práticas para grupos de jovens” não vai ter muita firula, reflexões filosóficas ou metodológicas. Ela se propõe a ser o que o nome diz: uma vivência intensiva de oficinas com conteúdos práticos para trabalhar no seu grupo de jovens.

Local: Creche Ancilla Domini. Rua Padre Visconte, 12 – Embaré, Santos.

Início: 19h do dia 19 de maio.

Término: Previsão para encerrar após o almoço de domingo, dia 21 de maio.

Taxa de inscrição:

  • Até dia 7 de maio: R$40,00.
  • Até dia 14 de maio: R$45,00.
  • No dia do curso: R$50,00.

 

OBS1; Teremos disponíveis colchões na creche, mas caso se sinta mais confortável, leve seu colchão inflável.

OBS2: O depósito pode ser efetuado na conta da Camila(nossa tesoureira!), Banco Itaú. Agência: 8158. Conta Corrente: 19146-3. Após realiza-lo, é necessário enviar comprovante por whatsapp para o seguinte contato: (13) 98811-9824.

Para preencher o formulário de inscrição, clique aqui.

SETE MOTIVOS para ouvir o Pe. Zezinho SCJ na Semana Santa.

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Pe. ZezinhoEu sei o que você tá pensando, que sua avó ouve o Pe. Zezinho. Ok, confesso que se tem uma característica que me irrita nas pessoas é essa mania de acreditarem que tudo o que não é novo não possui valor (tsc). Pois em verdade vos digo, que me perdoe o Zé Vicente  (pausa para comentário óbvio): Pe. Zezinho é o maior cantor evangelizador deste país, bebês!

José Fernandes de Oliveira, SCJ, mais conhecido como Pe. Zezinho (Machado, MG, 1941) é padre da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, escritor e músico. Do seu pai, violeiro, herdou o amor pela música e do convívio com padres em Taubaté, a sua vocação sacerdotal. O mais jovem dos seis irmãos, Zezinho ingressou no seminário dos dehonianos aos 11 anos, ordenando-se aos 25 nos Estados Unidos. Hoje, tem 50 anos de uma carreira consagrada, 51 de sacerdócio, 57 álbuns de estúdio gravados e uma infinidade de outros trabalhos que se fossem citados aqui, você acreditaria que esse homem viveu umas três vidas. Na JMJ de 2013 seria homenageado, mas sua saúde frágil devido a um recente AVC impediu a sua participação.

Não somos o BuzzFeed, mas elencamos SETE MOTIVOS (o número bíblico da perfeição) para você largar o preconceito e ouvir as composições desse HOMÃO na semana mais importante do calendário cristão, pois belos arranjos de artistas da Som Livre não superam uma letra religiosa que só a ação do Espírito Santo pode explicar.

1- Pe. Zezinho é um pioneiro.

Pe. Zezinho gravou o seu primeiro compacto no tempo do ronca, em 1969, abrindo caminho para outros tantos sacerdotes que evangelizam através da música, como Pe. Fábio de Melo, Joãozinho, Marcelo Rossi e Reginaldo Manzotti. Pe. Zezinho também foi um dos primeiros a usar bateria e guitarra em suas músicas.

2- Pe. Zezinho é “old school”…

A glamourização da música religiosa, principalmente após o espaço gospel nas grandes gravadoras e canais de TV infelizmente trouxe problemas a Igreja. Não são raros músicos e artistas com renome serem cheios de ego, cachês caros e roupas de marca. Aliás, me corrijo: até mesmo grupos de música que tocam em Missas nas paróquias Brasil afora chegam a ser contaminados pelo egocentrismo. Pe. Zezinho já deu seu “puxão de orelha profético” em plena Canção Nova quando teve oportunidade:

3- Você reclama, mas sabe cantar pelo menos umas cinco músicas dele que eu sei!

“Um Certo Galileu”“Maria de Nazar锓Amar como Jesus amou”“Oração pela Família”“Utopia”“Mãe do Céu Morena”“Um Coração para Amar”“Minha Vida Tem Sentido”, etc, como esquecer? Só musicão rapaz, cêloco! E digo mais, em 2013 você cantou “Nova Geração” mais vezes do que pejoteiro cantou “Negro Nagô” na vida inteira…

4- Pe. Zezinho faz critica a letras puramente emotivas.

A Igreja vive um momento em que se tem recorrido a um sentimentalismo egoísta exagerado nas músicas, algo já citado em documento da CNBB inclusive. Para alguns compositores, basta fazer quem escuta chorar. Pe. Zezinho é um dos poucos a falar sobre esse problema abertamente, defendendo músicas mais profundas e que a pouco lembrada Doutrina Social da Igreja também inspire composições.

5- Pe. Zezinho é um progressista!

Pe. Zezinho é claramente influenciado pela Igreja dos Pobres e pelo Espírito do Concílio e não se envergonha disso. Ao mesmo tempo, nunca deixou de fazer críticas a partidos políticos ou a personalidades que sempre foram associadas a luta por igualdade social no Brasil. Não se trata aqui de concordar com todos os seus posicionamentos, mas de admirar o fato de não ter medo de se colocar.

6- “Um certo Galileu” é a música perfeita para ouvir durante o Tríduo.

Quem seria capaz de compor uma canção de seis estrofes que nos faz meditar a vida, a obra e a condenação do profeta que revolucionou a história da humanidade? Pe. Zezinho, claro. Não satisfeito, décadas depois foi lá e a pedido de bispos, criou mais duas estrofes para falar da vitória de Jesus sobre a morte, história que você ouve aqui:

7- Zezinho é acima de tudo, um evangelizador.

Pe. Zezinho se mantém fiel a Paulinas e sempre procura ficar longe dos holofotes para não se deixar ser ludibriado e manter os pés no chão. Com suas letras, nos aproxima de Deus. Com seu exemplo, ensina a sermos mais humildes em nossas Galileias, sejamos nós músicos, agentes de pastoral ou coordenador diocesano.

E daí? E daí nada.

*Gines é um pejoteiro supimpa que escuta velharias e deseja uma excelente Semana Santa para todos vocês.

“Tributo ao Pioneiro” é um CD gravado no ano de 2014 em sua homenagem, com músicas cantadas por artistas como Fagner, Elba Ramalho, Daniel e Paula Fernandes.